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Papa Francisco apresenta melhora em 13 dias de internação na Policlínica Gemelli

Papa Francisco
Papa Francisco - Foto: Alessia Pierdomenico / Shutterstock.com Papa Francisco - Foto: Alessia Pierdomenico / Shutterstock.com

Francisco, o líder máximo da Igreja Católica, segue internado na Policlínica Gemelli, em Roma, desde o dia 14 de fevereiro, enfrentando um quadro de saúde que mobilizou a atenção de milhões de fiéis ao redor do mundo. Aos 88 anos, o pontífice argentino foi inicialmente diagnosticado com bronquite, mas exames posteriores revelaram uma infecção polimicrobiana das vias respiratórias, complicada por uma pneumonia bilateral. O Vaticano, em seu mais recente boletim médico divulgado nesta quinta-feira, 27 de fevereiro, trouxe uma atualização otimista: o papa “dormiu bem à noite e agora descansa”, indicando um progresso em sua recuperação após 13 dias de cuidados intensivos na instituição conhecida como o “hospital dos papas”.

A notícia chega em um momento de grande expectativa, especialmente com o Jubileu 2025 em curso, um evento que marca celebrações importantes para a Igreja Católica a cada 25 anos. Apesar das complicações respiratórias que exigiram ajustes na terapia e monitoramento constante, a equipe médica destaca que o quadro inflamatório pulmonar evolui dentro do esperado, mantendo a oxigenoterapia e a fisioterapia respiratória como pilares do tratamento. O estado de saúde do papa, que já passou por crises respiratórias em anos anteriores, reflete tanto sua resiliência quanto a fragilidade de sua condição devido à idade avançada e ao histórico médico, que inclui a remoção de parte de um pulmão na juventude.

Entre os fiéis, a hospitalização prolongada gerou comoção e intensificou as orações pela recuperação do Santo Padre. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma missa ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Janja, em um gesto de solidariedade que reforça a relevância global do pontífice. Enquanto isso, em Roma, a rotina do Vaticano segue adaptada à ausência de Francisco em compromissos presenciais, com cancelamentos de agendas e delegação de funções a outros líderes religiosos.

Primeiros sinais de estabilização

Embora o início da internação tenha sido marcado por um quadro descrito como “complexo” e até “crítico”, os últimos dias trouxeram alívio aos que acompanham a saúde do papa. Na quarta-feira, 26 de fevereiro, o Vaticano já havia apontado uma “leve e contínua melhora” nas últimas 24 horas, um sinal reforçado pelo boletim mais recente. A tomografia computadorizada realizada no tórax mostrou uma evolução normal do processo inflamatório nos pulmões, o que sugere que os antibióticos e a terapia ajustada estão surtindo efeito.

Desde sua chegada ao Gemelli, Francisco tem sido mantido no décimo andar, em uma suíte especial reservada aos pontífices, equipada com uma capela onde ele pode receber a Eucaristia. Mesmo sob cuidados intensivos, o papa mantém atividades leves, como a leitura de jornais e a administração de tarefas do Vaticano, demonstrando sua determinação em não se desconectar completamente de suas responsabilidades.

Histórico de internações no Gemelli

O hospital Gemelli não é um cenário novo para Francisco. Esta é sua quarta internação no local desde 2021, consolidando a instituição como um ponto de referência para os cuidados médicos dos líderes da Igreja Católica. Em julho de 2021, ele passou por uma cirurgia no cólon para tratar uma estenose diverticular, permanecendo internado por dez dias. Já em março de 2023, uma infecção respiratória o levou ao hospital, seguida por uma cirurgia abdominal em junho do mesmo ano para corrigir uma hérnia, que também demandou cerca de dez dias de recuperação.

Cronologia da internação atual

A trajetória de Francisco nesta internação começou há quase duas semanas, quando ele foi levado ao Gemelli após apresentar dificuldades respiratórias persistentes. Diagnosticado inicialmente com bronquite, o quadro evoluiu rapidamente, exigindo exames mais detalhados. No dia 18 de fevereiro, uma tomografia revelou a pneumonia bilateral, e o Vaticano passou a descrever a situação como “complexa”, com uma infecção polimicrobiana que demandou ajustes na medicação. Nos dias seguintes, o estado do papa oscilou entre momentos de crise e sinais tímidos de melhora, culminando em uma piora significativa no dia 22, quando ele enfrentou uma crise respiratória mais grave, necessitando de transfusões de sangue. Desde então, a equipe médica intensificou os cuidados, e os boletins mais recentes apontam uma estabilização gradual, com destaque para a noite tranquila relatada nesta quinta-feira. Ainda não há previsão de alta, mas o “prognóstico cauteloso” sugere que o pior já pode ter passado.

Detalhes do tratamento em curso

Atualmente, Francisco segue sob um regime rigoroso de oxigenoterapia de alto fluxo, administrada por cânulas nasais, um método essencial para garantir níveis adequados de oxigênio no sangue, especialmente considerando sua condição pulmonar pré-existente. Além disso, a fisioterapia respiratória tem sido aplicada para fortalecer a capacidade respiratória e evitar complicações secundárias. A equipe médica também monitora uma leve insuficiência renal inicial, detectada recentemente, mas que, segundo o Vaticano, não é motivo de preocupação imediata.

O acompanhamento inclui:

  • Administração contínua de antibióticos para combater a infecção polimicrobiana.
  • Transfusões de sangue para estabilizar os níveis de hemoglobina, realizadas após a crise do dia 22.
  • Monitoramento diário dos valores sanguíneos e da função renal, garantindo que o quadro permaneça sob controle.
Repercussão entre os fiéis

A internação prolongada de Francisco desencadeou uma onda de solidariedade em escala global. Na Praça São Pedro, fiéis e cardeais se reuniram para rezar o terço pela saúde do pontífice, numa cerimônia liderada pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Em outros países, como o Brasil, líderes religiosos e políticos também se mobilizaram, destacando a influência do papa não apenas no âmbito espiritual, mas também como símbolo de união e esperança em tempos desafiadores.

Uma rotina adaptada no Vaticano

Com Francisco afastado de suas funções presenciais, o Vaticano precisou reorganizar sua dinâmica. A audiência geral de quarta-feira, tradicionalmente realizada pelo papa, foi cancelada, assim como outros eventos do Jubileu 2025, como a missa dos artistas, que será presidida pelo cardeal José Tolentino de Mendonça. Apesar disso, o pontífice não se desligou totalmente: ele acompanha os acontecimentos por meio de leituras e mantém contato com assessores, demonstrando seu compromisso mesmo em um momento de fragilidade. A suíte no Gemelli, equipada com uma sala de estar e uma capela, permite que ele receba visitas esporádicas, como a da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que o encontrou na semana passada em um raro momento de bom humor.

O Gemelli como “Vaticano III”

Conhecido como “Vaticano III” por João Paulo II, que passou 153 dias internado lá ao longo de seu pontificado, o hospital Gemelli tem uma história longa e significativa com os papas. Inaugurado em 1964, o complexo universitário foi fundado por Agostino Gemelli, um frade franciscano, e hoje é um dos maiores hospitais privados da Europa, com mais de 1,5 mil leitos. A suíte papal, criada na década de 1980 após o atentado contra João Paulo II em 1981, é um espaço exclusivo que reflete a importância do local para a Igreja. Para Francisco, o Gemelli tornou-se quase uma segunda casa nos últimos anos, evidenciando tanto os desafios de saúde que ele enfrenta quanto a eficiência da instituição em atendê-lo.

Perspectivas para a recuperação

Olhando para o futuro, a equipe médica mantém uma postura cautelosa, mas os sinais de melhora reacendem a esperança de que Francisco possa retomar suas atividades em breve. A evolução positiva do quadro inflamatório e a ausência de novas crises respiratórias desde a semana passada são indicadores animadores. Enquanto isso, o papa continua recebendo mensagens de apoio de fiéis, pacientes internados e líderes mundiais, um reflexo de seu papel como figura central na Igreja e no cenário global. No Brasil, a missa celebrada por Lula e Alckmin reforça essa conexão, unindo diferentes esferas em torno da recuperação do pontífice.

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