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Conheça o Opel Kadett de 1968 que brilha em “Ainda Estou Aqui” com Fernanda Torres

Kadett de ''Ainda Estou Aqui''
Kadett de ''Ainda Estou Aqui'' - Foto: Reprodução Kadett de ''Ainda Estou Aqui'' - Foto: Reprodução

O cinema brasileiro vive um momento de glória com “Ainda Estou Aqui”, filme de Walter Salles que conquistou três indicações ao Oscar e já arrecadou mais de US$ 27 milhões (cerca de R$ 155 milhões) mundialmente, segundo o Box Office Mojo. Lançado em 2024, o longa não só emocionou plateias com a atuação premiada de Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama, mas também chamou atenção pela ambientação impecável dos anos 1970. Entre os destaques da caracterização de época, um carro clássico roubou a cena: o Opel Kadett de 1968, um cupê vermelho que pertenceu à família Paiva, recriado com detalhes para o filme. Este veículo, peça-chave na trama, foi pilotado por Fernanda Torres e Selton Mello, trazendo autenticidade à narrativa baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva.

A produção do filme, que retrata a luta de Eunice Paiva durante a ditadura militar, foi meticulosa ao escolher o Kadett, um modelo raro no Brasil. Originalmente amarelo, o carro foi restaurado e pintado de vermelho para refletir a memória do autor, que descreve o veículo como parte marcante da história de sua família. Adquirido por Fábio Costa Martins, da empresa Veículos de Cena, o cupê passou sete meses com a equipe de filmagem no Rio de Janeiro, entre meados de 2023 e o início das gravações. A paixão pelo Kadett foi tamanha que o próprio Walter Salles perguntou se o proprietário estaria disposto a vendê-lo após as filmagens.

Equipado com um motor 1.1 de quatro cilindros refrigerado a ar, o Kadett 1968 entregava 60 cv de potência e 8,6 kgfm de torque, com câmbio manual de quatro marchas. Mais do que um objeto cênico, o carro simboliza um elo emocional na trama, aparecendo em momentos cruciais como o sequestro de Rubens Paiva pelos militares. Para os amantes de carros antigos e cinema, o Kadett se tornou um ícone, unindo história real e ficção em uma narrativa poderosa que resgata o passado brasileiro.

Um clássico raro: A história do Kadett no Brasil

O Opel Kadett que encanta em “Ainda Estou Aqui” pertence à chamada geração B, produzida entre 1965 e 1973 pela montadora alemã Opel, então parte da General Motors. No Brasil, o modelo chegou em quantidades limitadas durante os anos 1960, importado por concessionárias Chevrolet ou distribuidores independentes como Petrolauto e Autobrasil. Sua presença no país era restrita, especialmente na versão cupê fastback de duas portas, o que o torna hoje uma relíquia entre colecionadores. A proibição de importações de veículos em 1976, decretada pelo governo militar, contribuiu para sua raridade, elevando seu valor de mercado para cerca de R$ 170 mil em unidades bem conservadas.

Na trama, o Kadett vermelho é mais que um coadjuvante: ele representa a última visão que Eunice Paiva teve de seu marido antes de seu desaparecimento, estacionado no pátio do DOI-Codi, na rua Barão de Mesquita, no Rio. A produção recorreu a empresas especializadas para encontrar o modelo exato, e o veículo usado nas filmagens foi adaptado para replicar fielmente o carro da família Paiva. A busca pelo Kadett perfeito começou no final de 2022, com a equipe vasculhando estoques de colecionadores e sites de classificados até encontrar a unidade ideal, que passou por um processo de “envelhecimento” para simular o uso cotidiano da época.

Além do Kadett, o filme exibe outros clássicos como Fuscas, Opalas e Kombis, todos cuidadosamente preparados para refletir o Brasil dos anos 1970. A escolha dos veículos não foi aleatória: cada um passou por um tratamento especial, com borrifadores de sujeira aplicados para dar a aparência de carros que “dormiam na rua”, como relatou Lili Nogueira, produtora delegada do longa. O resultado é uma imersão visual que reforça a autenticidade da narrativa e encanta os apaixonados por automóveis antigos.

Bastidores da produção: Como o Kadett ganhou vida no cinema

Trazer o Opel Kadett de 1968 para as telas de “Ainda Estou Aqui” exigiu um esforço monumental da equipe de produção. Fábio Costa Martins, proprietário da Veículos de Cena, adquiriu o cupê especialmente para o filme em meados de 2023, liderando sua restauração e customização. Originalmente na cor amarela, o carro foi pintado de vermelho para corresponder à descrição de Marcelo Rubens Paiva em seu livro, que serviu de base para o roteiro. A transformação incluiu ajustes mecânicos e estéticos, como a reprodução das três depressões verticais na coluna traseira, característica do modelo Kiemencoupé, essencial para a fidelidade histórica.

Durante os sete meses em que esteve com a equipe no Rio, o Kadett foi tratado como protagonista. Walter Salles, conhecido por sua atenção aos detalhes, supervisionou cada etapa, desde a gravação dos sons do motor até a aplicação de marcas de uso na carroceria. A equipe rodava pelas ruas cariocas para capturar o ronco original do motor 1.1, garantindo que até os ruídos fossem fiéis à época. As filmagens, realizadas em julho de 2023, transformaram a orla do Leblon em um cenário dos anos 1970, com dezenas de carros antigos desfilando pela avenida Delfim Moreira, atraindo olhares curiosos de moradores e turistas.

O apego ao Kadett foi tanto que Salles cogitou comprá-lo após o término das gravações, mas o veículo voltou ao acervo de Fábio Costa Martins, onde segue como uma peça disputada para produções audiovisuais. A participação do carro no filme, aliado ao sucesso internacional do longa, elevou seu status entre colecionadores, destacando a importância de preservar esses clássicos que contam histórias dentro e fora das telas.

Características técnicas: O que faz do Kadett um ícone

O Opel Kadett de 1968, como visto em “Ainda Estou Aqui”, é um exemplo da engenharia automotiva alemã dos anos 1960. Confira as principais especificações que definem esse clássico:

  • Motor: 1.1 litro, quatro cilindros, refrigerado a ar, com 60 cv de potência e 8,6 kgfm de torque.
  • Câmbio: Manual de quatro marchas, com tração traseira.
  • Carroceria: Cupê fastback de duas portas, com 4,18 m de comprimento e 2,42 m de entre-eixos.
  • Design: Linhas modernas para a época, com destaque para as “guelras” na coluna traseira na versão Kiemencoupé.

No Brasil, o Kadett era um carro popular entre a classe média urbana, embora mais caro que concorrentes como o Ford Corcel e o Volkswagen 1600. Sua oferta limitada e o estilo diferenciado o tornaram objeto de desejo, e hoje exemplares em bom estado são raridades que alcançam preços elevados. A versão usada no filme, mesmo sendo uma recriação, reflete o cuidado da Opel em aliar desempenho básico a um visual atraente, características que o mantêm vivo na memória dos entusiastas.

Impacto cultural: O Kadett na memória brasileira

Além de seu papel em “Ainda Estou Aqui”, o Opel Kadett carrega um significado maior no contexto brasileiro. Nos anos 1960, antes da proibição das importações, modelos como esse circulavam pelas grandes cidades, como Rio e São Paulo, trazendo um toque de sofisticação europeia. A General Motors, dona da Opel na época, usava a marca para inspirar futuros carros nacionais, como o Chevrolet Opala (baseado no Opel Rekord) e, mais tarde, o próprio Kadett brasileiro, lançado em 1989 e produzido até 1998, com 459.068 unidades fabricadas.

O Kadett do filme reacendeu o interesse por esses clássicos entre o público. Após a estreia do longa em novembro de 2024, buscas por modelos semelhantes dispararam em sites de venda, e colecionadores passaram a valorizar ainda mais as poucas unidades sobreviventes. A história de Rubens Paiva, contada com emoção por Fernanda Torres e Selton Mello, ganhou uma camada extra de realismo com o carro, que se tornou um símbolo da resistência e da memória de uma era marcada pela repressão.

Para os brasileiros, o Kadett de “Ainda Estou Aqui” é mais que um veículo: é um elo com o passado, um testemunho de um período turbulento e um exemplo de como o cinema pode resgatar histórias reais. Sua presença nas telas reforça a ponte entre arte e realidade, conectando gerações e despertando curiosidade sobre os carros que cruzaram as ruas de um Brasil em transformação.

Calendário do sucesso: A trajetória de “Ainda Estou Aqui”

O filme “Ainda Estou Aqui” seguiu um caminho triunfal desde sua concepção até as premiações internacionais. Veja as datas-chave dessa jornada:

  • Junho de 2023: Início das filmagens no Rio de Janeiro, com o Kadett e outros carros antigos em cena.
  • 1º de setembro de 2024: Estreia mundial no Festival de Veneza, com 10 minutos de aplausos e o prêmio de Melhor Roteiro.
  • 7 de novembro de 2024: Lançamento nos cinemas brasileiros, liderando as bilheterias com mais de 5 milhões de espectadores.
  • 5 de janeiro de 2025: Fernanda Torres vence o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama.
  • Fevereiro de 2025: Indicações ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz.

A coincidência com o Oscar no dia 2 de março, durante o Carnaval, levou a Liesa a planejar a exibição dos resultados na Sapucaí, conectando o filme ao evento carioca. Com mais de R$ 127 milhões arrecadados no Brasil, o longa se consolidou como um fenômeno cultural, e o Kadett, como um de seus símbolos mais marcantes.

Por trás das câmeras: O esforço para recriar os anos 1970

Recriar o Brasil da ditadura militar em “Ainda Estou Aqui” envolveu mais do que encontrar o Kadett perfeito. A produção mobilizou quatro empresas de locação de veículos, reunindo cerca de 20 carros antigos, de Fuscas a Karmann-Ghias, todos restaurados e “sujados” para parecerem usados. As gravações no Leblon, em julho de 2023, pararam o bairro, com modelos coloridos como o Ford Corcel turquesa e a Variant verde amazonas desfilando pela orla, sob os olhares atentos de Walter Salles.

O Kadett, em especial, passou por um processo único: além da pintura vermelha, sua mecânica foi revisada para garantir o som autêntico captado em takes específicos. A atenção aos detalhes foi essencial para transmitir a atmosfera dos anos 1970, desde os tons vibrantes dos carros até a recriação do casarão da família Paiva na Urca, escolhido por sua semelhança com a casa original no Leblon. O resultado é um filme que não só emociona, mas também transporta o espectador para uma época de contrastes entre beleza e repressão.

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