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Anora surpreende e leva o Oscar 2025 de melhor filme em noite histórica

Anora
Anora - Foto: Reprodução Anora - Foto: Reprodução

Na noite deste domingo, 2 de março, o cinema mundial voltou seus olhos para o Dolby Theatre, em Los Angeles, onde “Anora” foi coroado o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme na 97ª edição da premiação. Dirigido por Sean Baker, o longa, que mistura comédia romântica e drama, superou concorrentes de peso como “Emilia Pérez”, “The Brutalist” e “Conclave”, levando a estatueta mais cobiçada da noite em uma disputa marcada por reviravoltas e surpresas. A vitória de “Anora” consagra a trajetória do filme, que já havia conquistado a Palma de Ouro em Cannes e prêmios importantes como o Directors Guild of America, consolidando sua força na temporada de premiações. A trama, centrada em Ani, uma stripper de Nova York interpretada por Mikey Madison, que vive um conto de fadas moderno ao se envolver com o filho de um oligarca russo, emocionou os votantes da Academia e agora entra para a história como o terceiro filme a vencer tanto em Cannes quanto no Oscar, seguindo os passos de “Parasite” e “Marty”.

A cerimônia, apresentada pelo comediante Conan O’Brien, foi marcada por momentos de emoção e tensão, com “Anora” acumulando quatro estatuetas ao longo da noite, incluindo Melhor Diretor para Sean Baker, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. A vitória na categoria principal veio após uma campanha intensa, que ganhou força nos últimos meses com elogios da crítica e apoio de guildas influentes. Mikey Madison, indicada a Melhor Atriz, apesar de não ter vencido – o prêmio foi para Fernanda Torres por “Ainda estou aqui” –, brilhou como o coração do filme, recebendo aplausos calorosos do público presente. O Brasil também celebrou na noite, com “Ainda estou aqui” levando o Oscar de Melhor Filme Internacional, reforçando a presença latina na premiação.

Com um orçamento modesto em comparação aos blockbusters indicados, como “Dune: Part Two” e “Wicked”, “Anora” destacou-se pela autenticidade de sua narrativa e pela abordagem ousada de Baker, conhecido por explorar personagens marginalizados. A conquista reflete uma tendência da Academia em premiar histórias originais e independentes, algo celebrado por cineastas e fãs ao redor do mundo. A noite ainda trouxe vitórias importantes para outros filmes, como “The Brutalist”, que levou três prêmios, mas foi “Anora” que saiu como o grande destaque de uma edição imprevisível.

Uma campanha vitoriosa desde Cannes

A jornada de “Anora” começou em maio do ano passado, quando o filme estreou no Festival de Cannes e saiu com a Palma de Ouro, o principal prêmio do evento. A história de Ani, uma jovem stripper que se casa impulsivamente com Ivan, filho de um oligarca russo interpretado por Mark Eydelshteyn, chamou a atenção por sua mistura única de humor ácido e drama humano. Sean Baker, que também escreveu e editou o longa, trouxe uma visão autoral que ressoou com o público internacional, levando o filme a uma trajetória impressionante rumo ao Oscar. Após Cannes, “Anora” acumulou vitórias em premiações como o Critics Choice Awards e o Producers Guild of America, sinais claros de seu favoritismo.

No tapete vermelho do Oscar, Mikey Madison apareceu com um vestido vermelho da grife Rodarte, acompanhada por Baker e parte do elenco, como Yura Borisov, indicado a Melhor Ator Coadjuvante. A atriz, que mergulhou no universo das trabalhadoras do sexo para construir sua personagem, dedicou suas indicações à comunidade que inspirou o filme, um gesto que reforçou a conexão emocional da obra com temas sociais. A campanha de “Anora” também incluiu exibições especiais para strippers em Nova York e Los Angeles, onde o público aplaudiu o longa batendo os saltos das plataformas, um momento que viralizou nas redes sociais.

Noite de surpresas no Dolby Theatre

A 97ª edição do Oscar foi marcada por uma disputa acirrada na categoria de Melhor Filme, com dez indicados que representavam uma diversidade de gêneros e estilos. “Emilia Pérez”, com 13 indicações, chegou como favorito inicial, mas perdeu força após polêmicas envolvendo tuítes antigos de sua estrela, Karla Sofía Gascón. “Conclave”, que venceu o BAFTA, e “The Brutalist”, com Adrien Brody levando Melhor Ator, também estavam na briga, mas foi “Anora” que conquistou os votantes com sua narrativa envolvente e direção impecável, anunciada como vencedora por volta das 23h no horário local.

Sean Baker brilha como multi-vencedor

Sean Baker saiu da cerimônia como um dos grandes nomes da noite, levando para casa três Oscars pessoais: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição, além de dividir o prêmio de Melhor Filme como produtor. Aos 54 anos, o cineasta americano, conhecido por filmes como “The Florida Project” e “Red Rocket”, consolidou sua reputação como um dos diretores mais inovadores de sua geração. Em seu discurso ao receber o prêmio de direção, apresentado por Quentin Tarantino, Baker agradeceu à equipe e destacou a importância de contar histórias sobre personagens que raramente ganham os holofotes, como Ani.

A vitória de Baker em Melhor Diretor veio em uma categoria disputada, que incluía nomes como Jacques Audiard, de “Emilia Pérez”, e Brady Corbet, de “The Brutalist”. Sua habilidade em equilibrar humor e drama, além de uma edição dinâmica que mantém o ritmo acelerado de “Anora”, foi amplamente elogiada. O prêmio de Melhor Roteiro Original reconheceu o texto afiado do filme, cheio de diálogos memoráveis, enquanto a estatueta de Melhor Edição destacou a precisão técnica de Baker, que também assinou o corte final do longa.

Mikey Madison e o impacto de Ani

Mikey Madison, aos 25 anos, tornou-se um dos rostos mais comentados da temporada de premiações com sua interpretação de Ani. Apesar de não ter vencido o Oscar de Melhor Atriz, superada por Fernanda Torres, a jovem atriz foi indicada pela primeira vez e impressionou com uma performance que mistura vulnerabilidade e força. Seu trabalho em “Anora” foi essencial para o sucesso do filme, trazendo à tona as complexidades de uma mulher que navega entre o amor, a ambição e a sobrevivência em um mundo hostil.

Antes do Oscar, Madison já havia conquistado o BAFTA de Melhor Atriz, o que aumentou as expectativas por uma vitória em Los Angeles. No filme, ela contracena com Mark Eydelshteyn, que dá vida ao impulsivo Ivan, e Yura Borisov, como o capanga Igor, também indicado a Melhor Ator Coadjuvante, mas que perdeu para Kieran Culkin, de “A Real Pain”. A química entre o elenco elevou a narrativa de “Anora”, tornando-a uma das favoritas do público e da crítica ao longo da temporada.

Cronologia da temporada de premiações

A caminhada de “Anora” até o Oscar foi repleta de conquistas importantes. Confira os principais momentos:

  • Maio: estreia em Cannes e vitória da Palma de Ouro;
  • Outubro: lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, com bilheteria modesta, mas crítica entusiástica;
  • Janeiro: vitórias no Critics Choice Awards e Producers Guild of America;
  • Fevereiro: Sean Baker leva o Directors Guild of America;
  • Março: conquista de quatro Oscars, incluindo Melhor Filme.

O filme ainda chegou ao streaming via Hulu no início de março, ampliando seu alcance após a vitória no Oscar.

Curiosidades sobre “Anora” e o Oscar

A vitória de “Anora” trouxe à tona alguns dados interessantes sobre a premiação e o filme:

  • Terceiro filme a vencer Palma de Ouro e Oscar de Melhor Filme, após “Parasite” (2019) e “Marty” (1955);
  • Sean Baker é o primeiro diretor a vencer Melhor Diretor, Roteiro Original e Edição na mesma noite desde os irmãos Coen, em 2008, por “No Country for Old Men”;
  • “Anora” foi produzido com um orçamento estimado em 6 milhões de dólares, bem abaixo de concorrentes como “Dune: Part Two”, que ultrapassou 190 milhões.

A conquista também reacendeu discussões sobre o financiamento de filmes independentes, com Baker destacando em seu discurso a necessidade de apoio a cineastas que trabalham fora do sistema dos grandes estúdios.

Repercussão mundial da vitória

Após o anúncio do Oscar de Melhor Filme, “Anora” dominou as redes sociais, com fãs celebrando a vitória de um filme que começou como azarão na temporada. Em Nova York, strippers que inspiraram a trama organizaram festas para assistir à cerimônia, enquanto em Los Angeles o elenco se reuniu em um evento pós-Oscar. A imprensa internacional destacou a escolha da Academia por uma obra independente, com manchetes exaltando a ousadia de Sean Baker e o carisma de Mikey Madison.

No Brasil, a noite também foi especial por conta de “Ainda estou aqui”, que levou o Oscar de Melhor Filme Internacional, e Fernanda Torres, vencedora de Melhor Atriz. A dupla vitória brasileira, somada ao sucesso de “Anora”, reforçou a força do cinema autoral na premiação deste ano. A exibição do filme em plataformas de streaming deve impulsionar ainda mais sua popularidade nos próximos dias.

Números e impacto no cinema independente

Com quatro Oscars, “Anora” empatou com “The Brutalist” como o filme mais premiado da noite, mas foi sua vitória na categoria principal que roubou os holofotes. O longa arrecadou cerca de 30 milhões de dólares em bilheteria mundial antes do Oscar, um número que deve crescer com o “efeito Academia”. Para o cinema independente, a conquista é um marco, mostrando que histórias originais, mesmo com orçamentos limitados, podem competir com superproduções.

A edição deste ano também premiou “Wicked” em categorias técnicas, como Melhor Figurino, e “Emilia Pérez”, que levou Melhor Trilha Sonora Original. Contudo, foi “Anora” que saiu como o símbolo de uma noite que celebrou a diversidade de narrativas e o talento de artistas dispostos a arriscar.

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