Uma operação da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) abalou Haddon Township, em Nova Jersey, ao prender os proprietários do restaurante Jersey Kebab, Emine e Celal Emanet, no dia 25 de fevereiro. O casal turco, que administra o negócio desde 2008, foi detido em uma ação que a agência descreveu como parte de uma investigação em andamento, classificando-os como imigrantes em situação irregular após o vencimento de seus vistos. A prisão desencadeou uma resposta massiva da comunidade local, que já arrecadou mais de 310 mil dólares até 2 de março para custear a defesa legal da família e cobrir perdas financeiras, enquanto o restaurante permanece fechado. Líderes locais, incluindo o prefeito Randall Teague, denunciaram a ação como um exemplo de excesso na aplicação das leis migratórias sob a administração Trump, que prometeu deportações em larga escala. A mobilização inclui protestos, cartas de apoio e comida gratuita oferecida pelo filho do casal, Muhammed Emanet, em meio ao Ramadã.
A operação ocorreu em plena luz do dia na Haddon Avenue, uma das principais vias de Camden County, e pegou de surpresa os moradores que viam o Jersey Kebab como um pilar da comunidade. Emine foi levada para um centro de detenção em Elizabeth, enquanto Celal permanece sob custódia, ambos aguardando audiências de imigração que podem determinar sua deportação. A família, que chegou legalmente aos EUA em 2008 e buscava status permanente desde 2016, enfrenta agora um sistema migratório que críticos dizem ser implacável com pessoas sem histórico criminal. A solidariedade local explodiu em ações práticas, como uma campanha de cartas em massa realizada em 2 de março na Anjali Power Yoga, em frente ao restaurante, onde dezenas de moradores escreveram apelos a juízes e políticos para libertar o casal.
Enquanto a ICE justifica a prisão como parte de esforços para reforçar a segurança pública e combater crimes transnacionais, a comunidade rebate que os Emanet não representam ameaça. O prefeito Teague, ao lado de outros líderes de Camden County, realizou uma coletiva de imprensa em 27 de fevereiro em frente ao Jersey Kebab, pedindo a intervenção de autoridades federais para reverter a detenção. A arrecadação de fundos online, iniciada logo após a prisão, disparou, alcançando mais de 310 mil dólares em menos de uma semana, um reflexo do impacto do casal na região e da indignação com as políticas migratórias atuais.
Operação da ICE gera onda de solidariedade
A prisão de Emine e Celal Emanet transformou o Jersey Kebab em um símbolo de resistência contra as políticas de imigração de Donald Trump, que assumiu o poder prometendo a maior campanha de deportações da história americana. No dia 25 de fevereiro, agentes da ICE invadiram o restaurante sem mandado judicial visível, uma ação classificada como administrativa pela agência, mas que chocou os moradores de Haddon Township. O casal, que vive no país há 17 anos e criou seus filhos em Cherry Hill, viu seu negócio fechar as portas temporariamente, enquanto a comunidade se mobilizava em apoio.
No sábado, 1º de março, mais de cem pessoas se reuniram em frente ao restaurante em um protesto pacífico, onde Muhammed Emanet, o filho do casal, distribuiu comida gratuita apesar do jejum do Ramadã, que a família segue rigorosamente. Enquanto isso, no domingo, voluntários lotaram o estúdio de ioga Anjali Power Yoga para escrever cartas de apoio, que serão entregues ao juiz de imigração responsável pelo caso de Emine, cuja audiência de fiança está prevista para meados de março. A iniciativa, organizada pela Haddon Township Equity Initiative, busca pressionar autoridades a reconsiderar a detenção.
A resposta da comunidade não se limitou a gestos simbólicos. A campanha de arrecadação online ultrapassou 250 mil dólares já na quinta-feira, 27 de fevereiro, e chegou a 310 mil até o domingo seguinte, com doações vindas não só de Nova Jersey, mas de todo os EUA e até de outros países. O dinheiro será usado para pagar advogados especializados em imigração e sustentar a família enquanto o Jersey Kebab, conhecido por seus pratos turcos como kebabs e baklavas, permanece fechado.
Histórico dos Emanet no país enfrenta barreiras
Emine e Celal Emanet chegaram aos Estados Unidos em 2008 com vistos legais, estabelecendo-se em Haddon Township, onde abriram o Jersey Kebab e se integraram à vida local. Desde 2016, eles tentam obter residência permanente por meio do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), mas enfrentaram repetidas negativas, o que os deixou em situação irregular após o vencimento de seus vistos iniciais. A prisão em fevereiro expôs as dificuldades de um sistema migratório que, segundo a família e seus apoiadores, pune injustamente pessoas sem opções viáveis para regularização.
Muhammed Emanet, gerente do restaurante e porta-voz da família, destacou que seus pais entraram legalmente no país e nunca cometeram crimes, vivendo como membros ativos da comunidade por quase duas décadas. O Jersey Kebab não era apenas um negócio, mas um ponto de encontro para moradores, empregando locais e servindo refeições que conquistaram clientes fiéis. A detenção do casal, segundo a ICE, foi motivada por violações migratórias, mas críticos apontam que a ação reflete uma abordagem mais ampla da administração Trump, que prioriza deportações mesmo em casos de imigrantes sem antecedentes criminais.
A luta dos Emanet pelo status legal ganhou destaque nacional, com organizações como o Conselho de Relações Americano-Islâmicas de Nova Jersey e a Aliança por Justiça Imigrante do estado condenando a prisão. A família, que já enfrentava um processo de apelação antes da operação da ICE, agora depende da pressão pública e de decisões judiciais para evitar a deportação para a Turquia, onde não têm mais raízes após 17 anos nos EUA.
Mobilização comunitária ganha força em Haddon Township
A reação à prisão dos Emanet transformou Haddon Township em um epicentro de apoio aos imigrantes. No dia 27 de fevereiro, líderes locais, incluindo os prefeitos de Haddon Township, Collingswood e Haddonfield, além de comissários de Camden County, reuniram-se em frente ao Jersey Kebab para criticar publicamente a ação da ICE. Randall Teague chamou os Emanet de “exemplo vivo do sonho americano”, destacando como eles construíram uma vida e um negócio próspero apesar das adversidades do sistema migratório.
No fim de semana seguinte, a solidariedade continuou crescendo. No sábado, o protesto reuniu centenas de pessoas, muitas carregando cartazes com frases como “Fiquem fortes” e “Vocês são bem-vindos aqui”, enquanto corações coloridos foram colados nas vitrines do restaurante. No domingo, a campanha de cartas mobilizou dezenas de voluntários, que escreveram mais de 100 mensagens em apoio a Emine, com o objetivo de influenciar sua audiência de fiança. Muhammed Emanet, visivelmente emocionado, agradeceu à comunidade, afirmando que o apoio mostra o quanto seus pais tocaram a vida das pessoas ao longo dos anos.
A arrecadação de 310 mil dólares até 2 de março é um marco notável, superando expectativas iniciais e destacando o alcance da campanha. Os recursos não só cobrirão custos legais, estimados em dezenas de milhares de dólares, mas também ajudarão a família a se manter enquanto o restaurante permanece fechado. A mobilização reflete a frustração local com as políticas de deportação e o desejo de proteger uma família considerada parte essencial da região.
Cronologia da luta dos Emanet nos EUA
A trajetória de Emine e Celal Emanet no país é marcada por tentativas de regularização e, agora, por uma batalha contra a deportação. Veja os principais eventos:
- 2008: Casal chega aos EUA com vistos legais e abre o Jersey Kebab em Haddon Township.
- 2016: Início do pedido de residência permanente no USCIS, negado várias vezes.
- 25 de fevereiro: ICE prende Emine e Celal em operação no restaurante.
- 27 de fevereiro: Líderes locais realizam coletiva de imprensa em apoio à família.
- 2 de março: Campanha de cartas e arrecadação ultrapassa 310 mil dólares.
Esses marcos mostram como a vida dos Emanet mudou drasticamente em poucos dias, impulsionando uma resposta comunitária sem precedentes.
Apoio financeiro e emocional cresce entre moradores
A campanha de arrecadação para os Emanet alcançou 310 mil dólares em menos de uma semana, um feito impressionante que começou com uma meta modesta e explodiu com doações de todo o país. Iniciada horas após a prisão em 25 de fevereiro, a iniciativa online ganhou tração rapidamente, com contribuições que variam de 5 a milhares de dólares. O dinheiro será usado para contratar advogados especializados em imigração e cobrir as perdas do Jersey Kebab, que empregava cerca de 10 pessoas e agora está sem previsão de reabertura.
Além do apoio financeiro, a comunidade ofereceu gestos de carinho. No sábado, durante o protesto, Muhammed preparou e distribuiu pratos típicos do restaurante, como kebabs e homus, gratuitamente, mesmo jejuando pelo Ramadã. No domingo, voluntários passaram horas escrevendo cartas, muitas delas autenticadas por notários no local, para reforçar o caso de Emine perante o juiz. A ação coletiva demonstra a força dos laços que os Emanet construíram em Haddon Township ao longo de 17 anos.
Resposta da ICE enfrenta críticas locais
A ICE defendeu a prisão dos Emanet como necessária sob o Título 8 do Código dos EUA, que regula violações migratórias, mas a explicação não convenceu a comunidade. A agência afirmou que a operação fazia parte de uma investigação em curso, com apoio do Serviço de Delegados dos EUA e da DEA, mas não detalhou acusações específicas além da situação irregular do casal. Advogados de imigração contratados pela família classificaram a ação como um procedimento civil, não criminal, destacando que os Emanet não têm antecedentes e estavam em processo de apelação legal quando foram detidos.
A controvérsia cresce em um momento em que a administração Trump intensifica as deportações, com mais de 20 mil prisões pela ICE em fevereiro, um aumento em relação ao governo anterior. Em Haddon Township, a percepção é que a política atinge pessoas comuns, como os Emanet, em vez de focar apenas em criminosos perigosos, como prometido. A indignação local ganhou eco nacional, com grupos de direitos dos imigrantes pedindo a libertação imediata de Emine e a revisão das práticas da agência.