Um grave acidente com uma moto aquática chocou a cidade de Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, na noite de segunda-feira (3). O empresário Rildemar Júnior, de 30 anos, perdeu a vida após colidir contra uma onda enquanto pilotava um jet ski nas proximidades do Molhe da Pedra. Conhecido nas redes sociais como “Rei do mar”, ele acumulava mais de 18 mil seguidores e era uma figura destacada no ramo de aluguel e venda de lanchas na região. Populares que presenciaram o ocorrido conseguiram retirá-lo da água, mas, apesar dos esforços de socorro, ele não resistiu. O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que confirmaram o óbito após mais de uma hora de tentativas de reanimação. O velório está marcado para a tarde desta terça-feira (4), no crematório Vaticano, enquanto uma cerimônia de despedida acontece na manhã de quarta-feira (5).
Rildemar Júnior era uma personalidade conhecida no cenário náutico de Santa Catarina, especialmente em cidades como Itapema e Balneário Camboriú. Há cerca de oito anos, ele trabalhava com a locação de embarcações, um negócio que ganhou notoriedade ao fornecer uma lancha para a gravação do clipe “Descer pra BC”, da dupla sertaneja Brenno & Matheus, em novembro do ano passado. O vídeo, que se tornou um sucesso local, projetou ainda mais sua imagem de empreendedor ligado ao mar.
Empresário morre em acidente de jet ski em SC https://t.co/z4luyJ26LP
— CNN Brasil (@CNNBrasil) March 4, 2025
O acidente aconteceu por volta das 21h, em uma área próxima ao Molhe da Pedra, um ponto conhecido tanto pela beleza quanto pelos riscos que o mar agitado pode oferecer. Testemunhas relataram que Rildemar caiu do jet ski após o impacto com a onda, o que desencadeou uma sequência trágica de eventos, culminando em seu afogamento. A morte do empresário deixou amigos, familiares e seguidores em luto, com mensagens de pesar inundando suas redes sociais.
Detalhes do acidente e primeiros socorros
A colisão de Rildemar Júnior com a onda foi o início de uma fatalidade que mobilizou rapidamente pessoas no local. Testemunhas agiram de imediato, retirando-o do mar e levando-o até a calçada próxima ao molhe. Por sorte, um socorrista do SAMU, que estava de folga e presente na área, começou os primeiros procedimentos de atendimento ainda antes da chegada das equipes oficiais. Quando os bombeiros chegaram, encontraram o empresário em estado crítico, deitado na calçada, já em parada cardiorrespiratória e com sinais de afogamento grau seis – o nível mais grave dessa condição, caracterizado por uma interrupção total da respiração e da circulação sanguínea.
Os agentes do Corpo de Bombeiros assumiram a ocorrência e iniciaram manobras de ressuscitação cardiopulmonar, utilizando um desfibrilador externo automático para tentar reverter o quadro. Uma unidade avançada do SAMU, com suporte médico, também foi acionada e chegou ao local para auxiliar nos esforços. Apesar da dedicação das equipes, que prosseguiram com os procedimentos por mais de uma hora, o médico responsável constatou o óbito de Rildemar ainda na cena do acidente. O corpo foi então entregue aos cuidados da Polícia Militar até a chegada da Polícia Científica, responsável pela remoção.
A rapidez na resposta dos populares e dos profissionais envolvidos não foi suficiente para salvar o empresário. O afogamento grau seis, conforme os bombeiros, indica que a vítima já estava em uma situação extremamente crítica quando retirada da água, o que torna a recuperação quase impossível sem intervenção imediata. O caso expõe os perigos de atividades náuticas em condições adversas, especialmente em áreas conhecidas por ondas fortes e correntes imprevisíveis.
Quem era Rildemar Júnior, o “Rei do mar”
Rildemar Júnior construiu uma trajetória de destaque no setor náutico ao longo de quase uma década. Natural da região de Balneário Camboriú, ele começou a trabalhar com aluguel e venda de lanchas em 2017, transformando sua paixão pelo mar em um negócio próspero. Sob o apelido “Rei do mar”, compartilhava nas redes sociais sua rotina à frente da empresa, exibindo embarcações de luxo e momentos de lazer em alto-mar. Seu perfil no Instagram, que alcançava mais de 18 mil seguidores, era uma vitrine de seu trabalho e estilo de vida, atraindo clientes e admiradores.
Além do empreendedorismo, Rildemar também se envolvia em ações que iam além do comércio. Em maio do ano passado, ele participou de operações voluntárias durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, utilizando suas embarcações para ajudar no resgate de vítimas. Essa iniciativa foi amplamente divulgada em suas redes, reforçando sua imagem como uma figura carismática e engajada. Outro marco em sua carreira foi a parceria com a dupla Brenno & Matheus, quando alugou uma lancha para o clipe “Descer pra BC”, lançado no final de 2024. A música, que exalta o litoral catarinense, acabou se tornando um sucesso regional e ampliou ainda mais sua visibilidade.
Filho de Rildemar Barbosa, servidor da Secretaria de Trânsito de Balneário Camboriú, ele carregava um legado familiar de conexão com a comunidade local. A Secretaria de Segurança e Ordem Pública da cidade emitiu uma nota lamentando o falecimento, destacando a solidariedade aos amigos e familiares neste momento de dor. A morte de Rildemar deixa um vazio não apenas no setor náutico, mas também entre aqueles que o viam como um exemplo de determinação e carisma.
Cronologia do acidente e desdobramentos
O acidente que tirou a vida de Rildemar Júnior seguiu uma sequência de eventos que agora está sendo analisada pelas autoridades. Confira os principais momentos:
- 21h – Ocorrência do acidente: Rildemar colide com uma onda enquanto pilotava seu jet ski perto do Molhe da Pedra, em Itapema, e cai na água.
- 21h05 – Resgate inicial: Populares retiram o empresário do mar e um socorrista do SAMU, que estava de folga, inicia os primeiros socorros.
- 21h15 – Chegada dos bombeiros: O CBMSC assume a ocorrência, começando as manobras de ressuscitação com equipamentos especializados.
- 22h20 – Confirmação do óbito: Após mais de uma hora de tentativas, o médico do SAMU constata a morte de Rildemar no local.
- Manhã de terça-feira (4): A mãe do empresário confirma o falecimento nas redes sociais, enquanto mensagens de luto começam a circular.
- Tarde de terça-feira (4): Velório ocorre no crematório Vaticano, reunindo familiares e amigos.
- Manhã de quarta-feira (5): Cerimônia de despedida é realizada em homenagem ao “Rei do mar”.
O impacto da onda que derrubou Rildemar do jet ski é apontado como o fator determinante para o acidente. As condições do mar naquela noite, com ondas possivelmente mais altas e inesperadas, podem ter contribuído para a tragédia. Até o momento, não há informações sobre uma investigação oficial para determinar se outros elementos, como falha mecânica ou imprudência, tiveram papel no ocorrido.
Riscos das motos aquáticas em áreas de mar aberto
Atividades com jet skis em regiões costeiras como Itapema trazem riscos que nem sempre são percebidos por quem as pratica. O mar na área do Molhe da Pedra é conhecido por suas ondas fortes e correntes que podem mudar rapidamente, especialmente à noite. O afogamento de Rildemar Júnior não é um caso isolado no litoral catarinense. Nos últimos anos, incidentes semelhantes têm sido registrados, muitas vezes envolvendo pessoas experientes no manejo de embarcações.
Estatísticas do Corpo de Bombeiros Militar apontam que afogamentos em água salgada frequentemente estão ligados a fatores como correntes de retorno e condições climáticas adversas. Em 2022, por exemplo, foram registradas quatro mortes por afogamento em apenas nove dias no estado, todas de homens com idade média de 42 anos. Embora Rildemar, aos 30 anos, estivesse abaixo dessa média, seu caso reforça a necessidade de cuidados redobrados ao operar motos aquáticas. A falta de equipamentos de segurança adequados ou o uso do jet ski em horários de visibilidade reduzida também são apontados como agravantes em situações como essa.
A experiência de Rildemar no mar, adquirida ao longo de anos trabalhando com lanchas e jet skis, não foi suficiente para evitar a tragédia. Isso levanta questões sobre a importância de campanhas de conscientização para usuários de embarcações recreativas, mesmo os mais habituados. O acidente serve como um alerta para a força imprevisível do oceano, capaz de transformar um momento de lazer em uma fatalidade.
Repercussão nas redes sociais e luto coletivo
Horas após o acidente, as redes sociais de Rildemar Júnior começaram a receber dezenas de mensagens de amigos, clientes e seguidores. A mãe do empresário apareceu em um vídeo na manhã de terça-feira (4), confirmando a morte do filho e agradecendo o apoio recebido. “Meu filho se acidentou de jet ski ontem à noite e veio a falecer no local”, disse ela, visivelmente emocionada, enquanto pedia compreensão diante do volume de mensagens que a família estava recebendo.
Na última postagem de Rildemar, feita na tarde de segunda-feira (3), ele aparecia em uma lancha, sorridente, se despedindo com um “tchau gente” que acabou ganhando um tom trágico após o acidente. O vídeo, que mostrava um dia comum de trabalho e lazer, rapidamente se encheu de comentários de pesar. Muitos destacaram a ironia de um homem tão ligado ao mar ter encontrado seu fim justamente em uma de suas paixões. Outros lembraram seu trabalho voluntário nas enchentes do Rio Grande do Sul, elogiando sua generosidade.
A comunidade náutica da região também se mobilizou para prestar homenagens. Proprietários de empresas similares e frequentadores do litoral norte catarinense compartilharam histórias sobre o “Rei do mar”, destacando seu papel em impulsionar o turismo e o entretenimento náutico local. A morte de Rildemar deixa um legado de alguém que viveu intensamente sua conexão com o oceano, mas também um lembrete dos perigos que ele esconde.