A Marquês de Sapucaí foi palco de um momento marcante na noite de 4 de março de 2025, quando Fabíola de Andrade, rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, desfilou com um cordão exibindo a letra “R” em homenagem ao marido, Rogério de Andrade, contraventor preso desde outubro de 2024. A apresentação abriu o terceiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval carioca, trazendo o enredo “Voltando para o futuro, não há limites para sonhar”, que convida o público a uma viagem intergaláctica reflexiva sobre os rumos da humanidade. Aos 38 anos, Fabíola emocionou os mais de 70 mil espectadores ao lamentar a ausência de Rogério, presidente de honra da escola, que cumpre pena em um presídio federal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sem acesso à TV para acompanhar o desfile. A Mocidade, com sua bateria “Não Existe Mais Quente”, busca o sétimo título na elite do samba, carregando a energia da Zona Oeste do Rio.
Coroada em 2023 para o Carnaval de 2024, Fabíola foi reconduzida ao posto de rainha para 2025, consolidando sua trajetória na agremiação onde já foi musa e presença constante nos eventos da quadra. Antes de cruzar a avenida, ela expressou o peso da ausência do marido, com quem é casada há mais de uma década e tem dois filhos, de 6 e 4 anos. A homenagem ao contraventor, acusado de mandar matar Fernando Iggnácio em 2020, reflete a conexão pessoal e histórica de Rogério com a escola, fundada em 1955 a partir do Independente Futebol Clube. Enquanto Fabíola brilhava na Sapucaí, o enredo futurista da Mocidade, desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage — esta última falecida em janeiro de 2025 —, propôs uma reflexão sobre passado, presente e futuro, ecoando o contraste entre a festa na avenida e os desafios enfrentados fora dela.
A prisão de Rogério, um dos maiores nomes do jogo do bicho no Rio, não abalou o ânimo de Fabíola, que transformou a saudade em força para liderar a bateria. Ela planeja visitar o marido nos próximos dias, levando detalhes do desfile que ele não pôde presenciar. O Carnaval de 2025, marcado por uma inédita terceira noite de desfiles do Grupo Especial, coloca a Mocidade como protagonista de uma narrativa que mistura samba, emoção e história, enquanto Fabíola, com seu figurino ousado e cavado, reafirma seu lugar como uma das figuras mais comentadas da folia carioca.
Fabíola assume o comando da bateria com emoção
Liderar a bateria “Não Existe Mais Quente” é, para Fabíola de Andrade, mais do que uma honra; é uma missão carregada de sentimento. Na noite de 4 de março, ela cruzou a Sapucaí com um figurino que combinava ousadia e simbolismo, destacando o “R” em homenagem a Rogério de Andrade. Antes do desfile, Fabíola confessou que se sentia mais tranquila em relação ao ano anterior, seu primeiro como rainha, quando a tensão dominava. Em 2025, a confiança adquirida com a experiência permitiu que ela aproveitasse o momento com serenidade, apesar da ausência do marido.
A relação de Fabíola com a Mocidade é de longa data. Antes de ser coroada rainha, ela já desfilava no carro abre-alas e brilhou como musa em 2016, ano em que Anitta também marcou presença na escola. Sua ascensão ao posto de rainha, em 2023, enfrentou resistências iniciais do próprio Rogério, mas a vontade da agremiação prevaleceu, consolidando-a como um ícone da bateria. Hoje, ela representa não apenas a paixão pelo samba, mas também a força de uma mulher que transforma adversidades pessoais em energia na avenida.
Homenagem a Rogério reflete laços com a Mocidade
Rogério de Andrade, preso desde outubro de 2024 acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, é uma figura central na história da Mocidade. Como presidente de honra e patrono, ele carrega a tradição de influência de contraventores na escola, iniciada por Castor de Andrade, seu tio, falecido em 1997. Fabíola, ao usar o “R” no pescoço, trouxe essa conexão ao desfile de 2025, lamentando que Rogério não pudesse assistir à apresentação nem mesmo pela televisão, devido às restrições do presídio federal.
A ausência de Rogério na Sapucaí não é novidade para Fabíola, que já enfrentou o Carnaval de 2024 sem o marido ao seu lado. Apesar disso, ela garantiu que levará ao contraventor todos os detalhes do desfile, mantendo-o informado sobre a performance da Mocidade. Esse gesto reflete a importância de Rogério para a agremiação, que, mesmo sob nova direção após a morte de Castor, mantém sua essência ligada às raízes comunitárias e ao apoio de figuras como ele.
Enredo futurista marca o desfile da Mocidade
A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu o terceiro dia de desfiles do Grupo Especial com o enredo “Voltando para o futuro, não há limites para sonhar”, uma proposta que mistura ficção científica e reflexões sobre a humanidade. Desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, o tema convida o público a uma viagem intergaláctica, revisitando o passado e analisando o presente para imaginar um futuro sem barreiras. Márcia, que faleceu em janeiro de 2025 vítima de leucemia, deixou um legado que Renato levou adiante, emocionando os foliões na Sapucaí.
O desfile, que começou às 22h de 4 de março, trouxe mais de 3.500 componentes divididos em 24 alas, com fantasias que exploram o futurismo e a conexão cósmica. A bateria, liderada por Fabíola, trouxe o ritmo característico da “Não Existe Mais Quente”, enquanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, encantou com sua dança. A escola, que nunca foi rebaixada desde sua estreia no Grupo Especial em 1958, busca repetir o sucesso de seus seis títulos anteriores, conquistados entre 1979 e 1996.
Cronologia da trajetória de Fabíola na Mocidade
A jornada de Fabíola de Andrade na Mocidade reflete sua evolução de participante a protagonista:
- 2015: Desfila nas alas da Mocidade, no ano em que Anitta foi destaque da escola.
- 2016: Atua como musa, ganhando visibilidade na agremiação.
- 2023: É coroada rainha de bateria para o Carnaval de 2024, substituindo Giovanna Angélica.
- 2024: Estreia como rainha na Sapucaí, enfrentando desafios como o salto alto e a ausência de Rogério.
- 2025: Retorna ao posto com mais confiança, homenageando o marido preso no desfile de 4 de março.
Essa linha do tempo mostra como Fabíola consolidou sua posição na escola, transformando-se em um símbolo de força e carisma.
Detalhes que agitam o Carnaval de Fabíola
O desfile de Fabíola em 2025 trouxe curiosidades que capturam a atenção do público:
- O cordão com a letra “R” foi um tributo discreto, mas poderoso, a Rogério de Andrade.
- Sua fantasia ultracavada brilha no escuro, destacando-se sob as luzes da Sapucaí.
- Fabíola passou horas em um spa antes do desfile, buscando tranquilidade para a apresentação.
- A rainha é mãe de dois filhos, frutos de mais de 10 anos de união com Rogério.
Esses elementos reforçam a presença marcante de Fabíola, que une ousadia e emoção na avenida.
Preparação de Fabíola reflete dedicação ao samba
Fabíola de Andrade entrou na Sapucaí em 2025 com uma preparação que vai além do físico. Acostumada à rotina de treinos desde a adolescência, ela intensificou os cuidados com o corpo após suas gestações, exibindo um shape definido que rouba a cena. Para o Carnaval, investiu em ensaios técnicos e momentos de relaxamento, como um spa antes do desfile, garantindo confiança para liderar a bateria. Em 2024, sua estreia como rainha trouxe desafios, como o samba no pé e o salto alto, mas a experiência a tornou mais segura neste segundo ano.
A escolha do figurino, inspirado no enredo futurista da Mocidade, reflete sua ousadia. Diferente da fantasia de 2024, que ela brincou ter “coberto demais a bunda”, o look de 2025 é ainda mais cavado e brilhante, projetado para destacar sua forma física e a marquinha de biquíni. Esse cuidado com os detalhes mostra como Fabíola abraça o papel de rainha com paixão e entrega, mesmo sob os holofotes e a pressão da ausência de Rogério.
Mocidade busca título com história e emoção
A Mocidade Independente de Padre Miguel, nascida em 1955 a partir do Independente Futebol Clube, carrega uma trajetória de glórias no Carnaval carioca. Com seis títulos no Grupo Especial, conquistados entre 1979 e 1996, a escola da Zona Oeste nunca foi rebaixada, mantendo-se como uma das mais tradicionais da Sapucaí. O enredo de 2025, “Voltando para o futuro, não há limites para sonhar”, aposta em uma narrativa inovadora, com alas que exploram o espaço e o tempo, refletindo a influência de patronos como Castor e Rogério de Andrade.
O desfile de 4 de março trouxe uma bateria pulsante e um samba-enredo assinado por compositores como Paulo Cesar Feital e Cláudio Russo, elevando a energia da avenida. Fabíola, com seu cordão “R” e carisma, simboliza a união entre a história da escola e os desafios atuais, enquanto a Mocidade busca o sétimo título para consolidar seu legado estelar.