Neto de Eunice e Rubens Paiva celebra Oscar com selfie e bastidores

Neto de Rubens Paiva com elenco de Ainda Estou Aqui

Neto de Rubens Paiva com elenco de Ainda Estou Aqui - Foto: Instagram

No dia 2 de março de 2025, o cinema brasileiro alcançou um marco histórico no Dolby Theatre, em Los Angeles, com a vitória de “Ainda Estou Aqui” como melhor filme internacional no Oscar, um momento que emocionou Marcelo Paiva Neto, neto de Eunice e Rubens Paiva, figuras centrais da trama dirigida por Walter Salles. O longa, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, pai de Marcelo Neto, narra a incansável busca da família pela verdade sobre o desaparecimento de Rubens Paiva em 1971, durante a ditadura militar, e a conquista da estatueta foi celebrada com selfies e registros dos bastidores compartilhados por Neto nas redes sociais. Ele posou ao lado de Fernanda Montenegro, que aos 95 anos deu vida a Eunice Paiva no filme, segurando o Oscar em uma foto que simbolizou a vitória após sete indicações do Brasil na premiação, incluindo melhor direção e roteiro adaptado. A cerimônia, assistida por 18 milhões de pessoas ao redor do mundo — a maior audiência desde 2020 —, destacou a fala improvisada de Salles, que perdeu o discurso escrito mas emocionou a plateia com palavras em português e inglês sobre memória e cura, enquanto o after da festa reuniu a equipe em uma celebração animada com música brasileira.

Marcelo Neto, advogado de 34 anos, descreveu o momento como “um sonho para nossa família e pro Brasil” em uma legenda que viralizou, mostrando a estatueta ao lado de Montenegro e Tony Ramos.

Embora Salles tenha perdido o prêmio de direção para Martin Scorsese, por “The Irishman’s Farewell”, a vitória na categoria internacional consolidou o impacto global do filme e a força da história dos Paiva.

Raízes e conquistas do filme

Uma história que veio do livro para as telas

“Ainda Estou Aqui” teve origem em 2015, com o lançamento do livro de Marcelo Rubens Paiva, que detalha a luta de sua mãe, Eunice, por justiça após o desaparecimento de Rubens Paiva, deputado federal preso em 1971 e nunca encontrado, vítima da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Walter Salles adquiriu os direitos em 2018 e deu início às filmagens em 2022, enfrentando atrasos pela pandemia, mas o resultado estreou em outubro de 2024 no Festival de Veneza, onde levou o prêmio de melhor roteiro. Com orçamento de R$ 15 milhões, o filme arrecadou R$ 45 milhões no Brasil e US$ 12 milhões mundialmente até março de 2025, números notáveis para uma produção que resgata os 434 desaparecidos oficiais do regime. Fernanda Montenegro, como Eunice, e Tony Ramos entregaram atuações que tocaram plateias em sessões lotadas em cidades como Nova York e Paris, antes de conquistar o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards em janeiro.

A vitória no Oscar como melhor filme internacional é a primeira do Brasil na categoria, após tentativas como “O Pagador de Promessas” em 1963 e “O Quatrilho” em 1996, marcando um novo capítulo para o cinema nacional.

Carreira de Salles em destaque

Walter Salles, carioca de 68 anos, já era um nome reverenciado antes desse triunfo. “Central do Brasil”, de 1998, levou o Urso de Ouro em Berlim e duas indicações ao Oscar, enquanto “Diários de Motocicleta”, de 2004, brilhou em Cannes. Com “Ainda Estou Aqui”, ele alcançou sete indicações no Oscar 2025, superando o recorde anterior de “Cidade de Deus”, e trouxe a estatueta que celebra sua habilidade em contar histórias humanas com raízes históricas profundas.

Noite de gala e momentos descontraídos

Selfie com Fernanda Montenegro viraliza

Marcelo Paiva Neto foi uma presença ativa nos bastidores do Oscar, capturando a emoção da noite em fotos e vídeos publicados nas redes sociais. Sua selfie com Fernanda Montenegro, tirada logo após a vitória na categoria de melhor filme internacional, mostrou a atriz de 95 anos com o Oscar na mão, sorrindo ao lado do neto de Eunice Paiva, em um registro que simbolizou a união entre a arte e a memória familiar. Nos stories, ele compartilhou cenas do after da festa, com a equipe brasileira dançando ao som de “Mas Que Nada”, de Jorge Ben Jor, e Tony Ramos brindando ao lado de Salles e outros membros da produção. A cerimônia, com 18 milhões de telespectadores globais, destacou a entrega do prêmio e a fala improvisada de Salles, que perdeu o discurso escrito mas emocionou ao dizer: “O cinema é memória, é cura, e o Brasil merece ser visto”.

Nos bastidores, Marcelo Neto revelou que a presença simbólica de Eunice, eternizada por Montenegro, tornou a vitória ainda mais especial, com a festa esticando-se até a madrugada em um hotel de Los Angeles.

Dados impressionantes da vitória

A conquista de “Ainda Estou Aqui” reflete seu impacto em números:

  • Bilheteria: R$ 45 milhões no Brasil e US$ 12 milhões no exterior até março de 2025.
  • Público: 2 milhões de ingressos vendidos no Brasil desde outubro de 2024.
  • Indicações: Sete nomeações no Oscar, maior número da história do cinema brasileiro.
  • Audiência: 18 milhões de pessoas assistiram à cerimônia, a maior desde 2020.

Esses dados mostram o alcance do filme, que supera “Tropa de Elite” em bilheteria internacional e se aproxima de “Cidade de Deus” em influência global.

Significado histórico e cultural

Memória da ditadura em foco

“Ainda Estou Aqui” vai além do cinema, trazendo à tona os 434 desaparecidos da ditadura militar, com destaque para Rubens Paiva e a luta de Eunice Paiva por justiça. O filme, exibido em mais de 50 cidades brasileiras por movimentos sociais, tem lotado sessões e gerado debates sobre a Lei da Anistia e a abertura de arquivos do regime, com impacto que transcende as telas. Marcelo Paiva Neto, que cresceu com as histórias da família, viu na vitória do Oscar um reconhecimento da resiliência de seus avós, escrevendo nas redes: “É por eles, pelos que nunca voltaram”. A produção, fruto de anos de pesquisa com historiadores, recria com precisão momentos como a prisão de Rubens Paiva em 1971, sendo usada em escolas como ferramenta educativa sobre o período sombrio do Brasil entre 1964 e 1985.

A aclamação internacional, com críticas elogiosas em jornais de peso, reforça o papel de Salles como um contador de histórias que transforma traumas coletivos em arte universal, agora premiada com o Oscar.

Passos marcantes até a estatueta

A trajetória de “Ainda Estou Aqui” até o Oscar inclui eventos-chave:

  • 2018: Salles adquire os direitos do livro de Marcelo Rubens Paiva.
  • 2022: Filmagens iniciam no Rio e São Paulo, com atrasos pela pandemia.
  • Outubro de 2024: Estreia em Veneza, vencendo melhor roteiro.
  • Janeiro de 2025: Prêmios no Globo de Ouro e Critics’ Choice.
  • 2 de março de 2025: Vitória como melhor filme internacional no Oscar.

Esses marcos mostram a jornada de sete anos que culminou na celebração registrada por Marcelo Neto, com selfies e festa nos bastidores.

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