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Walter Salles revela improvisação durante discurso no Oscar

Walter Salles
Walter Salles - Foto: Instagram Walter Salles - Foto: Instagram

Na noite de 2 de março de 2025, o cineasta brasileiro Walter Salles viveu um momento memorável no Dolby Theatre, em Los Angeles, durante a cerimônia do Oscar, ao improvisar uma fala emocionante após perder o prêmio de melhor direção para Martin Scorsese, que levou a estatueta por “The Irishman’s Farewell”. Indicado por “Ainda Estou Aqui”, filme baseado na busca de Marcelo Rubens Paiva por respostas sobre o desaparecimento de seu pai durante a ditadura militar, Salles subiu ao palco sem o discurso preparado, que caiu do bolso momentos antes do anúncio, e surpreendeu a plateia com palavras em português e inglês: “Perdi o papel, mas não o coração do que queria dizer: o cinema é memória, é cura, e o Brasil merece ser visto”. O pronunciamento, recebido com aplausos calorosos de figuras como Meryl Streep e Bong Joon-ho, destacou-se em uma edição que alcançou 18 milhões de telespectadores globais, a maior audiência desde 2020. Apesar de “Ainda Estou Aqui” não levar o Oscar, suas sete indicações — incluindo melhor filme e roteiro adaptado — marcaram um recorde para o cinema brasileiro, superando as cinco de “Cidade de Deus” em 2004.

A fala improvisada de Salles veio após um Globo de Ouro e um Critics’ Choice Awards já conquistados pelo filme em janeiro. Ele agradeceu à equipe e homenageou as vítimas da ditadura, reforçando a relevância histórica da obra.

Mesmo sem a vitória, o cineasta de 68 anos saiu como um dos nomes mais comentados da noite, com sua autenticidade reverberando nas redes sociais e na imprensa internacional.

Raízes e preparo do filme noOscar

Gênese de “Ainda Estou Aqui”

A história de “Ainda Estou Aqui” começou em 2018, quando Walter Salles adquiriu os direitos do livro de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, que detalha a busca do autor pelo destino de seu pai, Rubens Paiva, desaparecido em 1971 sob a ditadura militar. As filmagens, iniciadas em 2022 no Rio de Janeiro e em São Paulo, foram adiadas pela pandemia, mas o longa estreou em outubro de 2024 no Festival de Veneza, onde venceu o prêmio de melhor roteiro. Com orçamento de R$ 15 milhões, o filme arrecadou R$ 45 milhões no Brasil e US$ 12 milhões mundialmente até março de 2025, números impressionantes para uma produção nacional que mergulha em temas sensíveis como os anos de chumbo. Fernanda Montenegro, no papel de Eunice Paiva, e Tony Ramos entregaram atuações que elevaram a narrativa, conquistando aclamação em festivais e premiações como o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira.

Para Salles, o projeto foi um retorno às suas origens como contador de histórias humanas, algo que já marcou obras como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”. Desta vez, ele chegou ao Oscar com uma indicação inédita na categoria de direção.

Carreira consolidada de Salles

Walter Salles, nascido em 1956 no Rio, tem uma trajetória que atravessa décadas e continentes. “Central do Brasil”, de 1998, levou o Urso de Ouro em Berlim e duas indicações ao Oscar, incluindo uma para Fernanda Montenegro como atriz. Em 2004, “Diários de Motocicleta” ganhou destaque em Cannes, consolidando sua reputação global. “Ainda Estou Aqui” reforça essa vocação, unindo drama pessoal e memória histórica, e suas sete indicações em 2025 representam o auge de uma carreira dedicada a narrativas impactantes.

Emoção e destaque na cerimônia

Improviso que roubou a cena

A cerimônia do Oscar 2025 começou às 20h em Los Angeles, com “Ainda Estou Aqui” cotado como forte concorrente após uma campanha promocional intensa nos Estados Unidos. Quando Kevin Hart anunciou Scorsese como vencedor de melhor direção, Salles subiu ao palco para um breve comentário, prática comum entre indicados. Sem o discurso escrito, ele falou de coração: “Queria agradecer à equipe, ao Brasil, e lembrar que o cinema pode curar feridas que a história deixou”. A combinação de português e inglês, algo incomum no evento, gerou mais de 300 mil menções no Twitter em poucas horas, com usuários elogiando a espontaneidade e a mensagem universal do cineasta. A plateia de 3.400 pessoas no Dolby Theatre aplaudiu de pé, e o momento viralizou em tempo real.

Nos bastidores, Salles contou que o discurso perdido citava a família Paiva e os atores, mas a improvisação acabou alcançando um tom mais amplo, tocando quem acompanhava a transmissão ao vivo, que bateu 18 milhões de telespectadores.

Números marcantes do Oscar 2025

O Oscar deste ano trouxe feitos históricos para o Brasil com as sete indicações de “Ainda Estou Aqui”, superando “Cidade de Deus”. Outros vencedores da noite incluíram “Oppenheimer: The Aftermath” como melhor filme e Zendaya como melhor atriz por “Euphoria: The Movie”. O evento, com custo estimado de US$ 50 milhões, reforçou sua tradição de 97 anos como a maior celebração do cinema mundial.

Repercussão e significado histórico

Ecoando a ditadura no cinema

“Ainda Estou Aqui” vai além de uma narrativa cinematográfica, servindo como um registro vivo dos 434 desaparecidos oficiais da ditadura militar brasileira, que durou de 1964 a 1985. A história de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Montenegro, ressoa com famílias que ainda buscam respostas, e o filme já foi exibido em mais de 50 cidades brasileiras por movimentos sociais, reacendendo discussões sobre a Lei da Anistia e os arquivos do período. Com US$ 12 milhões arrecadados globalmente até março de 2025, o longa supera “Tropa de Elite” em bilheteria internacional e se aproxima de “Cidade de Deus”, evidenciando o alcance de Salles ao tratar de temas universais a partir de uma perspectiva brasileira.

A pesquisa para o filme envolveu anos de trabalho com historiadores, garantindo precisão nos detalhes, como as cenas que recriam a prisão de Rubens Paiva em 1971. Esse cuidado elevou o impacto do longa tanto no Brasil quanto no exterior.

Momentos-chave da trajetória do filme

A campanha de “Ainda Estou Aqui” foi marcada por etapas significativas:

  • Setembro de 2024: Vitória no Festival de Veneza com melhor roteiro.
  • Outubro de 2024: Estreia no Brasil, alcançando 2 milhões de ingressos.
  • Janeiro de 2025: Prêmios no Globo de Ouro e Critics’ Choice.
  • 2 de março de 2025: Sete indicações no Oscar e fala improvisada de Salles.

Esses eventos mostram o esforço de Salles para dar voz à história de Rubens Paiva e às vítimas da ditadura, mesmo sem o troféu final.

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