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Apuração das escolas de samba do Rio começa às 16h com 36 jurados

Portela
Portela - Foto: Instagram

Nesta quarta-feira, 5 de março, o Carnaval do Rio de Janeiro atinge um de seus pontos mais aguardados: a apuração das notas do Grupo Especial, marcada para iniciar às 14h na Cidade do Samba. O evento, que define a escola campeã de 2025, reúne 36 jurados responsáveis por avaliar os desfiles realizados nos dias 2, 3 e 4 de março no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Pela primeira vez, as 12 agremiações do grupo foram divididas em três noites, com quatro apresentações por dia, uma mudança que trouxe nova dinâmica à competição. Escolas como Viradouro, atual campeã, Mangueira, Portela e Beija-Flor estão entre as favoritas, após meses de preparação que envolveram ensaios técnicos, construção de alegorias e mobilização de comunidades inteiras. Cada desfile, com duração máxima de 70 minutos, foi minuciosamente planejado para impressionar tanto o público quanto os julgadores, e agora os olhares se voltam para os envelopes que revelarão as pontuações em nove quesitos, como bateria, enredo e evolução.

A transmissão ao vivo da apuração, disponível em canais de televisão e plataformas digitais, atrai a atenção de milhares de foliões e sambistas que acompanham cada nota com expectativa. A novidade das três noites de desfiles ampliou o espaço para criatividade, mas também elevou a pressão sobre as escolas.

Com o Desfile das Campeãs agendado para sábado, 8 de março, as seis melhores colocadas voltarão à Sapucaí para celebrar o resultado, encerrando oficialmente a festa carnavalesca carioca.

Sistema de julgamento em detalhes

Nove quesitos sob o olhar de 36 especialistas

Analisar os desfiles do Grupo Especial exige precisão e imparcialidade, tarefas confiadas aos 36 jurados divididos em grupos de quatro por quesito. Os aspectos avaliados incluem enredo, harmonia, bateria, fantasias e adereços, alegorias, evolução, comissão de frente, samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira. Cada jurado dá notas entre 9 e 10, com possibilidade de usar décimos, como 9,7 ou 9,9, e a menor pontuação de cada quesito é descartada, totalizando uma pontuação máxima de 270 pontos por escola. Esse sistema, implementado há anos, busca equilibrar a competição e minimizar discrepâncias, mas ainda assim a diferença entre a campeã e as demais pode ser mínima, como ocorreu em 2024, quando a Viradouro venceu por menos de um ponto.

O processo acontece em tempo real, com a leitura dos envelopes na Cidade do Samba, criando um clima de suspense que mantém o público atento até o anúncio final. Penalidades por atrasos ou falhas, como problemas com carros alegóricos, também influenciam o resultado, tornando cada detalhe crucial.

Histórico de disputas acirradas na Sapucaí

A apuração do Carnaval carioca tem um longo histórico de resultados apertados e surpresas. Em 2024, a Viradouro levou o título com 269,8 pontos, superando a Imperatriz Leopoldinense por apenas 0,2 de diferença, um reflexo da competitividade do Grupo Especial. Anos antes, em 2019, a Mangueira conquistou a vitória com um enredo sobre heróis esquecidos da história brasileira, enquanto a Beija-Flor, em 2018, venceu com uma crítica social contundente. Essas disputas mostram como os jurados valorizam tanto a técnica quanto a emoção transmitida na avenida, critérios que voltam a ser testados em 2025 com enredos marcantes como o da Portela, que fechou os desfiles, e o da Unidos de Padre Miguel, estreante no grupo após subir da Série Ouro.

A tradição de julgar desfiles remonta às origens do Carnaval organizado no Rio, na década de 1930, mas o formato atual ganhou forma com a construção do Sambódromo em 1984, projetado por Oscar Niemeyer, consolidando a apuração como um evento tão grandioso quanto os desfiles.

Os desfiles de 2025 na Marquês de Sapucaí

Três noites de espetáculo com nova organização

Pela primeira vez, o Grupo Especial adotou um formato de três noites, com desfiles nos dias 2, 3 e 4 de março, começando sempre às 21h. A mudança reduziu o número de apresentações diárias de seis para quatro, permitindo maior conforto ao público e mais tempo para as escolas exibirem seus enredos. No domingo, a Unidos de Padre Miguel abriu a programação, seguida por Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio e Mocidade. Na segunda-feira, foi a vez de Unidos da Tijuca, Beija-Flor, Salgueiro e Vila Isabel. A terça-feira trouxe Mangueira, Paraíso do Tuiuti, Viradouro e Portela, encerrando os desfiles com chave de ouro. Cada escola teve entre 60 e 70 minutos para cruzar a Sapucaí, respeitando o limite de tempo para evitar punições.

Os enredos abordaram temas variados, com destaque para questões culturais e históricas. A Mangueira explorou a influência negra no centro do Rio, enquanto a Viradouro homenageou Malunguinho, figura afro-indígena. A Beija-Flor emocionou ao celebrar Laíla, seu lendário carnavalesco, e a Grande Rio investiu em um samba vibrante que empolgou a arquibancada.

Logística e acesso ao Sambódromo

Acompanhar os desfiles exige planejamento, e o Rio se preparou para receber foliões e turistas. O Metrô Rio operou 24 horas durante os dias de Carnaval, com trens saindo a cada dez minutos das estações Central do Brasil e Praça Onze, as mais próximas da Sapucaí. Para os setores pares, como 2, 4 e 6, a Praça Onze é o ponto ideal, enquanto os ímpares, como 1, 3 e 5, ficam a cerca de 700 metros da Central. A infraestrutura do Sambódromo, com capacidade para 70 mil pessoas por noite, foi essencial para suportar o público que lotou as arquibancadas, frisas e camarotes ao longo das três noites.

A nova divisão em três dias também facilitou a presença de visitantes, com hotéis e pousadas registrando ocupação próxima de 90% na Zona Sul e no Centro, segundo dados do setor hoteleiro carioca.

Bastidores e preparativos das escolas

Um ano de trabalho para 70 minutos de glória

Construir um desfile de Carnaval começa bem antes da avenida. Nos barracões da Cidade do Samba, as escolas passam meses desenvolvendo fantasias, alegorias e ensaiando coreografias. A Viradouro, por exemplo, mobilizou centenas de costureiras e escultores para dar vida ao enredo sobre Malunguinho, enquanto a Portela ajustou cada detalhe de sua bateria nos ensaios técnicos realizados desde dezembro. Esses ensaios, abertos ao público na Sapucaí, servem para testar o ritmo e a evolução dos componentes, além de aquecer a torcida para os dias oficiais. A Unidos de Padre Miguel, recém-chegada ao Grupo Especial, investiu pesado para competir com as gigantes, mostrando a força das comunidades na preparação.

O trabalho envolve não só técnica, mas também paixão. Muitos sambistas conciliam empregos diurnos com noites nos barracões, enquanto as alas de baianas e ritmistas ensaiam exaustivamente para garantir a harmonia na avenida. O resultado é um espetáculo que reflete a identidade cultural do Rio.

Curiosidades sobre os preparativos das agremiações

Os bastidores do Carnaval guardam detalhes impressionantes que enriquecem a experiência da apuração. Veja alguns pontos que destacam o esforço das escolas:

  • Cada carro alegórico pode pesar até 20 toneladas e exige semanas de soldagem e acabamento.
  • Fantasias de destaque, usadas por figuras como rainhas de bateria, chegam a custar mais de R$ 50 mil.
  • A bateria de uma escola como a Mocidade reúne cerca de 250 ritmistas, todos sincronizados por um mestre.
  • Enredos são pesquisados por carnavalescos durante meses, muitas vezes com consultas a historiadores e líderes comunitários.

Esses elementos mostram o quanto cada décimo na apuração representa um investimento de tempo, dinheiro e dedicação.

Expectativas para o resultado final

Favoritas e surpresas na disputa pelo título

Com a apuração marcada para às 16h, as especulações sobre a campeã de 2025 crescem entre os foliões. A Viradouro, que venceu em 2024 com um enredo sobre a serpente Dangbé, entra como forte candidata, mas enfrenta concorrência pesada. A Mangueira, com sua tradição e um samba que ecoou na Sapucaí, é vista como uma das favoritas, assim como a Beija-Flor, que marcou a despedida de Neguinho da Beija-Flor após 50 anos na escola. A Portela, com sua história de 28 títulos, busca recuperar o protagonismo, enquanto a Unidos de Padre Miguel pode ser a zebra da competição, trazendo frescor ao Grupo Especial.

A diferença entre as colocadas costuma ser mínima, com décimos decidindo o pódio, o que mantém a emoção até o último envelope ser aberto na Cidade do Samba.

Impacto da nova divisão em três noites

Dividir os desfiles em três noites foi uma aposta da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para valorizar as apresentações e atrair mais público. A medida permitiu que cada escola tivesse maior destaque, com intervalos maiores entre os desfiles, mas também aumentou a expectativa dos jurados. Enredos mais elaborados, como o da Vila Isabel, que trouxe alegorias detalhadas, e o da Salgueiro, com sua energia contagiante, ganharam espaço para brilhar. A apuração revelará se essa mudança influenciou a pontuação, especialmente em quesitos como evolução e harmonia, que dependem do ritmo do desfile.

A Cidade do Samba, palco da leitura das notas, estará lotada de representantes das agremiações, torcedores e imprensa, todos ansiosos pelo resultado que definirá a história do Carnaval de 2025.

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