Fernanda Torres, aos 59 anos, viveu um momento transformador ao interpretar Eunice Paiva no filme “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional em 2 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles. A atriz, com 40 anos de carreira, revelou em uma entrevista emocionada após a cerimônia que o papel da militante que enfrentou a ditadura militar brasileira para buscar justiça pelo desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, em 1971, mudou profundamente sua visão sobre a atuação. Dirigido por Walter Salles, o longa superou produções de 92 países, incluindo França e Japão, e levou o Brasil ao topo do cinema mundial pela segunda vez, após “O Pagador de Promessas” em 1963. Fernanda, que subiu ao palco com a equipe diante de 3.400 espectadores, destacou que dar vida a Eunice exigiu uma entrega emocional inédita, explorando camadas de dor e resiliência que redefiniram sua arte. O filme, lançado em festivais como Veneza e Toronto em 2024 antes de chegar às salas brasileiras em novembro, emocionou o público global e reacendeu o debate sobre os mais de 400 mortos e desaparecidos da ditadura, com a atriz apontando o cinema como uma ferramenta essencial para preservar essa memória histórica.
A preparação para o papel envolveu meses de pesquisa, com Fernanda mergulhando em documentos, cartas e relatos da família Paiva, além de conversas com sobreviventes da repressão.
O Oscar consolidou a atriz como um ícone do cinema nacional, com sua atuação sendo aplaudida de pé por nomes como Meryl Streep e Bradley Cooper na noite da premiação.
Imersão profunda: a construção de Eunice Paiva
Fernanda Torres enfrentou um processo intenso para dar vida a Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui”, um papel que exigiu dedicação total para captar a essência de uma mulher marcada pela perda e pela luta. As filmagens, iniciadas em 2022 no Rio de Janeiro, foram precedidas por meses de estudo, com a atriz analisando relatórios da Comissão da Verdade, cartas pessoais de Eunice e depoimentos de quem viveu os anos sombrios da ditadura militar, entre 1964 e 1985. Esse mergulho permitiu que ela retratasse com autenticidade a dor de uma esposa e mãe que perdeu Rubens Paiva, sequestrado em 1971, e enfrentou o silêncio do regime enquanto criava cinco filhos.
A colaboração com Walter Salles incluiu ensaios e workshops que a ajudaram a encontrar o tom emocional exato, algo que ela descreveu como um desafio único em sua trajetória de 40 anos como atriz.
O resultado foi uma performance visceral, com cenas que levaram Fernanda às lágrimas durante as gravações, especialmente as que mostram a busca incansável por respostas sobre o destino de Rubens.
Triunfo no Oscar: Brasil brilha em Los Angeles
A noite de 2 de março de 2025 marcou a história do cinema brasileiro com a vitória de “Ainda Estou Aqui” como Melhor Filme Internacional no Oscar, realizada no Dolby Theatre, em Los Angeles. Fernanda Torres, no papel de Eunice Paiva, subiu ao palco com Walter Salles e a equipe para receber o prêmio, que colocou o Brasil acima de concorrentes como o francês “Les Indésirables” e o japonês “The Boy and the Heron” entre 92 países inscritos. Com orçamento de 15 milhões de reais, o longa emocionou os 3.400 presentes, incluindo astros internacionais, e foi transmitido para mais de 200 países, alcançando milhões de telespectadores. A atuação de Fernanda, que trouxe à tela a força e a fragilidade de Eunice, foi um dos destaques da noite, consolidando o filme como um marco global.
A estreia em festivais como Veneza e Toronto em 2024 já havia gerado aplausos de 10 minutos e críticas elogiosas, mas o Oscar elevou o status do longa a um novo patamar.
O prêmio, o segundo do Brasil na categoria após 62 anos, reforça a relevância do cinema nacional e o talento de Fernanda como protagonista de uma narrativa histórica.
Mudança interior: o impacto de Eunice na atriz
Dar vida a Eunice Paiva transformou Fernanda Torres não apenas como atriz, mas como indivíduo, após quatro décadas de uma carreira que começou aos 13 anos em “Tudo Bem”, de 1978. A interpretação da militante que enfrentou a ditadura militar trouxe uma profundidade inédita à sua arte, com a atriz explorando emoções como luto e resistência que ela nunca havia abordado em papéis anteriores, como os cômicos de “Os Normais” ou os dramáticos de “Casa de Areia”. Fernanda revelou que o processo foi tão intenso que mudou sua visão sobre o ofício, destacando o papel como um “presente raro” que a conectou à história brasileira de uma forma visceral.
As cenas de busca por Rubens Paiva foram especialmente desafiadoras, com Fernanda chorando genuinamente durante as filmagens, refletindo a dor de Eunice diante da repressão.
Essa experiência a levou a valorizar o cinema como um meio de preservar a memória coletiva, especialmente em um país que ainda carrega as marcas dos mais de 400 desaparecidos da ditadura.
Etapas da conquista: do set ao palco do Oscar
A jornada de “Ainda Estou Aqui” até o Oscar 2025 foi marcada por momentos significativos. Veja o cronograma:
- 2022: Filmagens começam no Rio de Janeiro, com Fernanda escalada após meses de negociações com Walter Salles.
- Setembro de 2024: Estreia no Festival de Veneza recebe 10 minutos de aplausos e críticas positivas.
- Outubro de 2024: Exibição no Festival de Toronto consolida o filme como favorito ao Oscar.
- 2 de março de 2025: Vitória no Oscar como Melhor Filme Internacional, com Fernanda no Dolby Theatre.
O lançamento nas salas brasileiras em novembro de 2024 ampliou o alcance antes da premiação.
Alcance mundial: o cinema brasileiro em foco
A vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar 2025, em 2 de março, colocou o Brasil no centro das atenções internacionais, com Fernanda Torres como protagonista de uma história que ressoou globalmente. O filme, com orçamento de 15 milhões de reais, superou produções de alto custo e levou a narrativa da ditadura militar a milhões de telespectadores em mais de 200 países. A atuação de Fernanda, que equilibrou força e vulnerabilidade ao retratar Eunice Paiva, recebeu elogios de críticos internacionais, destacando sua habilidade de transmitir a dor de uma família destruída pela repressão. Aplaudido de pé por 3.400 pessoas no Dolby Theatre, incluindo figuras como Meryl Streep, o longa consolidou o segundo Oscar do Brasil na categoria, após “O Pagador de Promessas” em 1963.
O sucesso abriu portas para o cinema nacional, com produtores planejando novos projetos sobre temas históricos inspirados no impacto do trabalho de Fernanda e Walter Salles.
A exibição em festivais como Veneza e Toronto em 2024 já havia sinalizado o potencial do filme, mas o Oscar ampliou seu alcance e relevância.
Eunice Paiva: um símbolo que resiste no tempo
Interpretar Eunice Paiva trouxe à tona a história de uma mulher que enfrentou a ditadura militar brasileira após o sequestro e assassinato de seu marido, Rubens Paiva, em 1971, um dos mais de 400 casos de mortos e desaparecidos entre 1964 e 1985. Fernanda Torres mergulhou nessa narrativa com uma preparação que incluiu relatórios da Comissão da Verdade, ativa entre 2012 e 2014, e cartas pessoais de Eunice, retratando uma mãe que criou cinco filhos enquanto buscava justiça. O filme “Ainda Estou Aqui” destaca a resiliência de Eunice, que se tornou símbolo de resistência, e a atriz descreveu o papel como o mais desafiador de sua carreira, um trabalho que a conectou profundamente à memória histórica do Brasil.
A intensidade do personagem foi sentida nas filmagens, com Fernanda emocionando-se em cenas que mostram a luta solitária contra o silêncio do regime.
O impacto de Eunice na atriz reforça o poder do cinema como veículo de reflexão sobre um período que ainda ecoa na sociedade brasileira.
Novo capítulo: Fernanda após a consagração
A vitória no Oscar 2025, em 2 de março, marcou um novo capítulo na carreira de Fernanda Torres, que aos 59 anos já acumula 40 anos de atuações memoráveis em novelas, séries e filmes. O papel de Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui” a levou a repensar seus projetos futuros, com a atriz indicando uma preferência por papéis mais densos e significativos, afastando-se temporariamente de comédias leves como “Os Normais”. Após subir ao palco do Dolby Theatre com Walter Salles, ela já é cotada para produções em Hollywood, com diretores interessados em sua capacidade de transmitir emoções complexas, evidenciada na performance premiada.
O prêmio elevou sua visibilidade global, com convites para festivais e palestras sobre o cinema brasileiro e os reflexos da ditadura, um legado que ela atribui à influência de Eunice.
A experiência também a fez enxergar a atuação como um ato de transformação social, algo que pretende carregar em seus próximos trabalhos.
Destaques da jornada: momentos que definiram o sucesso
A passagem de Fernanda Torres por “Ainda Estou Aqui” foi repleta de episódios marcantes. Confira alguns:
- Pesquisa intensa: Leitura de cartas de Eunice e relatórios da Comissão da Verdade para construir o personagem.
- Emoção no set: Choro em cenas de busca por Rubens Paiva, refletindo a profundidade do papel.
- Reconhecimento global: 10 minutos de aplausos em Veneza 2024 e vitória no Oscar 2025.
A consagração no Dolby Theatre, com 3.400 espectadores aplaudindo, coroou uma trajetória que mudou Fernanda e o cinema brasileiro.

