A Honda CG 160, em sua décima geração, mantém o título de motocicleta mais vendida do Brasil, com mais de 367 mil emplacamentos registrados até outubro de 2024, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse número impressionante supera em três vezes o total de unidades do Fiat Strada, o carro mais vendido no país no mesmo intervalo, que alcançou 116.090 emplacamentos. Com preços que variam de R$ 16.194 na versão Start até R$ 19.230 na Titan, a moto lançada há 48 anos continua sendo uma escolha popular entre os brasileiros, especialmente por sua acessibilidade e adaptações ao uso urbano. No entanto, a nova versão trouxe mudanças no motor, suspensão, segurança e design que agradam em alguns aspectos, mas deixam a desejar em outros, gerando debates entre os consumidores. Este texto explora os pontos fortes e fracos do modelo, oferece comparações com concorrentes e dicas práticas para quem considera adquirir a líder de mercado.
Presente no Brasil desde 1976, a CG 160 foi projetada exclusivamente para o mercado local, atendendo às necessidades de um público que busca economia, praticidade e resistência. A nova geração, lançada no final de 2024, trouxe atualizações como freio ABS na versão topo de linha, lanternas de LED em todas as configurações e um visual renovado com carenagens mais agressivas. Apesar disso, a redução na potência do motor e a ausência de freio ABS na roda traseira em todas as versões levantam questionamentos sobre o custo-benefício diante de rivais que oferecem mais segurança por preços similares.
Com valores ajustados para 2025, a linha CG 160 teve um aumento significativo em relação ao modelo anterior: a Start passou de R$ 14.650 para R$ 16.194, enquanto a Titan subiu de R$ 17.440 para R$ 19.230. Esses ajustes refletem as melhorias implementadas, mas também colocam a moto em uma faixa de preço mais próxima de concorrentes como a Royal Enfield Hunter 350 e a Shineray Storm 200, que chegam ao mercado com tecnologias mais avançadas em segurança.

Design renovado eleva o apelo visual
A décima geração da Honda CG 160 trouxe uma evolução notável no design, com linhas mais agressivas e modernas que agradam os olhos. A adoção do tanque interno, coberto por carenagens plásticas, permitiu aos designers maior liberdade criativa, resultando em formas mais vincadas e um visual robusto presente desde a versão de entrada, a Start. Todas as configurações agora contam com lanternas traseiras de LED, herdadas de modelos como a Bros e a XRE 190, enquanto as versões Fan e Titan ganharam faróis de LED com desenho afilado, reforçando a estética contemporânea.
Além da aparência, o painel de instrumentos também foi atualizado. As versões Titan e Fan receberam um display estilo blackout, com fundo escuro que melhora a visibilidade em condições de pouca luz, enquanto a Start e a Cargo mantêm o modelo tradicional de fundo claro. Um diferencial em todas as configurações é o indicador de troca de marcha, item cada vez mais valorizado no segmento de motos urbanas, ajudando o piloto a otimizar o desempenho e o consumo de combustível.
Motor ajustado perde potência, mas mantém economia
O coração da Honda CG 160 passou por mudanças significativas para atender às normas do Promot 5, programa que regula emissões de poluentes no Brasil a partir de 2025. A principal alteração foi a inclusão de dois catalisadores no sistema de escape, tornando o motor de 160 cc mais limpo ambientalmente. Porém, essa adaptação veio com um custo: a potência caiu de 15,1 cv (etanol) e 14,9 cv (gasolina) na versão 2024 para 14,7 cv (etanol) e 14,4 cv (gasolina) no modelo atual. O torque também foi reduzido com etanol, passando de 1,54 kgfm para 1,43 kgfm, enquanto com gasolina permaneceu em 1,4 kgfm.
Apesar da perda de desempenho, a CG 160 continua sendo uma das motos mais econômicas do mercado brasileiro. Testes realizados em circuito misto (cidade e estrada) apontam uma média de 45,9 km/l com gasolina, colocando-a entre as cinco motocicletas mais eficientes do país. Ela fica atrás apenas da Honda NRX 160 Bros (47 km/l), Pop (49,1 km/l), Elite 125 (49,9 km/l) e Biz (62,8 km/l), mas supera concorrentes diretas como a Yamaha Factor 150, que alcança cerca de 40 km/l.
Segurança avança com limites claros
Na questão da segurança, a Honda CG 160 2025 apresenta avanços, mas não sem críticas. A versão topo de linha, Titan, agora conta com freio ABS na roda dianteira, um recurso que aumenta a confiança ao frear em situações de emergência, especialmente em pisos molhados ou irregulares. Todas as versões possuem disco de freio dianteiro, enquanto a traseira varia: a Titan tem disco sem ABS, e as demais (Start, Cargo e Fan) mantêm o tradicional freio a tambor. A suspensão dianteira também foi reforçada, com diâmetro ampliado de 31 mm para 33 mm, oferecendo maior estabilidade e conforto em ruas esburacadas.
Por outro lado, a ausência de ABS na roda traseira, mesmo na Titan, é um ponto negativo quando comparada a concorrentes. A Royal Enfield Hunter 350, vendida por R$ 19.990, e a Shineray Storm 200, por R$ 18.990, oferecem freios ABS de dois canais, garantindo maior segurança em frenagens bruscas. Esse diferencial pesa na decisão de compra, especialmente para quem prioriza tecnologia avançada em um segmento onde os preços estão tão próximos.
Comparação com rivais destaca prós e contras
Ao colocar a Honda CG 160 lado a lado com suas concorrentes, é possível entender melhor seu posicionamento no mercado. A Yamaha Factor 150, por exemplo, custa cerca de R$ 15.990 e oferece 12,2 cv de potência, ficando abaixo da CG em desempenho, mas com um preço mais acessível que a versão Fan (R$ 17.723). Já a Shineray Storm 200, com motor de 200 cc e 16,5 cv, entrega mais potência e ABS de dois canais por R$ 18.990, competindo diretamente com a Titan em preço e superando-a em segurança.
A Royal Enfield Hunter 350, por sua vez, entra em uma categoria um pouco diferente, com motor de 349 cc e 20,2 cv, mas seu preço de R$ 19.990 a coloca como alternativa para quem busca uma moto mais robusta e equipada pelo mesmo valor da CG Titan. Enquanto isso, a Haojue DK 160, vendida por cerca de R$ 16.500, oferece 15 cv e itens como luzes de posição e lampejador de farol, sendo uma opção intermediária que desafia a Fan em custo-benefício.
Dicas práticas para futuros compradores
Escolher a Honda CG 160 exige avaliar necessidades específicas e o uso pretendido. Aqui estão algumas orientações para quem considera o modelo:
- Uso urbano: A CG é ideal para deslocamentos diários em cidades, graças à sua agilidade, economia de combustível e facilidade de manobra em tráfego intenso.
- Segurança como prioridade: Se freios ABS em ambas as rodas são essenciais, vale considerar concorrentes como a Shineray Storm 200 ou a Royal Enfield Hunter 350.
- Custo inicial: A versão Start, por R$ 16.194, é a mais acessível, mas abre mão de itens como farol de LED e painel blackout, presentes na Titan.
- Manutenção: A ampla rede de concessionárias Honda e a durabilidade comprovada da CG reduzem custos a longo prazo, um diferencial frente a marcas menos estabelecidas.
Essas dicas ajudam a alinhar expectativas com o que cada versão oferece, especialmente em um mercado com tantas opções competitivas.
Cronologia da evolução da CG 160
A trajetória da Honda CG 160 reflete sua adaptação às demandas do mercado brasileiro. Veja os principais marcos recentes:
- 1976: Lançamento da primeira CG, iniciando sua história no Brasil.
- 2024: Introdução da nona geração, com 15,1 cv de potência e foco em robustez.
- Final de 2024: Décima geração chega com dois catalisadores, freio ABS dianteiro na Titan e design renovado.
- 2025: Modelo ajustado ao Promot 5 entra em vigor, com vendas iniciadas e preços entre R$ 16.194 e R$ 19.230.
Essa linha do tempo mostra como a CG mantém sua essência enquanto incorpora mudanças para se adequar a normas e preferências atuais.
Pilotagem urbana ganha com suspensão e ergonomia
Conduzir a Honda CG 160 2025 nas ruas revela pontos fortes que justificam sua popularidade. A suspensão dianteira ampliada para 33 mm absorve bem os impactos de buracos e irregularidades, enquanto o tanque interno centraliza o peso, facilitando curvas e retomadas à posição vertical. Com altura reduzida, típica das motos da categoria City, ela é ágil no trânsito, embora o painel possa ser menos visível para pilotos mais altos.
O câmbio de cinco marchas, aliado ao motor de baixa rotação, oferece respostas rápidas em velocidades urbanas, mantendo a economia de combustível. Apesar da perda de potência, o desempenho em trajetos curtos e médios continua satisfatório, especialmente para quem usa a moto no dia a dia ou em entregas, como na versão Cargo.
Mercado reflete a força da líder
A liderança da Honda CG 160 no Brasil não é obra do acaso. Com 428.126 unidades emplacadas em 2024, ela superou largamente a Honda Biz, segunda colocada, e dominou as seis primeiras posições entre as motos mais vendidas do país. Esse sucesso é impulsionado pela combinação de preço competitivo, crédito facilitado e uma reputação de confiabilidade construída ao longo de quase cinco décadas.
Mesmo com o aumento de preços na linha 2025, a CG mantém uma vantagem em relação a carros no quesito acessibilidade, atraindo desde iniciantes até motociclistas experientes. A presença de quatro versões (Start, Cargo, Fan e Titan) amplia seu alcance, atendendo tanto quem busca custo baixo quanto quem deseja mais tecnologia e conforto, consolidando sua posição em um mercado cada vez mais disputado.