São Paulo

Rosas de Ouro vence Carnaval 2025 em São Paulo com 269,8 pontos

Sociedade das Rosas de Ouro
Sociedade das Rosas de Ouro - Foto: Instagram Sociedade das Rosas de Ouro - Foto: Instagram

A Sociedade Rosas de Ouro foi aclamada campeã do Carnaval de São Paulo em 2025, encerrando um jejum de 15 anos sem conquistar o título máximo do Grupo Especial. A vitória, anunciada na tarde de 4 de março no Sambódromo do Anhembi, veio com uma pontuação de 269,8, resultado de um desfile impecável que explorou o enredo “Rosas de Ouro em uma grande jogada”. Sob o comando do carnavalesco Fábio Ricardo, a escola da Brasilândia, na Zona Norte da capital, levou à avenida uma celebração da história dos jogos, desde os tabuleiros antigos até os videogames modernos, com alegorias grandiosas e uma bateria pulsante que conquistaram os jurados. O oitavo título da agremiação reforça sua relevância histórica entre as gigantes do carnaval paulistano, superando concorrentes tradicionais em uma apuração disputada até o último quesito. A conquista também marca uma reviravolta impressionante após a escola quase ser rebaixada em 2024, quando terminou em 11º lugar com 269,1 pontos, escapando por uma margem mínima.

A festa no Anhembi reuniu milhares de foliões entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, com 14 escolas do Grupo Especial exibindo seus desfiles. A Rosas de Ouro destacou-se pela harmonia e pela criatividade, competindo diretamente com a Acadêmicos do Tatuapé, que também alcançou 269,8 pontos, mas ficou em segundo lugar no critério de desempate.

Superar adversidades foi o tom da trajetória da Rosas até o pódio. A presidente Angelina Basílio, visivelmente emocionada, celebrou a força da comunidade que sustentou a escola nos momentos difíceis, levando-a ao topo em 2025.

O caminho até a glória

Enredo criativo resgata história dos jogos

O sucesso da Rosas de Ouro em 2025 começou com a escolha de um enredo ousado e bem executado: “Rosas de Ouro em uma grande jogada”. A narrativa trouxe uma viagem cronológica pelos jogos, iniciando com o carro abre-alas “O grande cassino Brasilândia”, que remetia aos cassinos clássicos, e avançando até o universo digital com representações de ícones como Mário e Luigi, da Nintendo. As fantasias, detalhadas e coloridas, facilitaram a leitura do tema pelo público, enquanto a comissão de frente, com uma coreografia que simulava uma máquina caça-níquel, trouxe inovação e interação. A bateria “A Sensação”, com seus 250 ritmistas, manteve o ritmo firme e garantiu nota máxima, consolidando o impacto técnico do desfile. Após anos de resultados medianos, o carnavalesco Fábio Ricardo apostou em uma abordagem que uniu tradição e modernidade, resgatando o brilho da escola.

A preparação para o desfile envolveu meses de ensaios na quadra da Freguesia do Ó, onde a comunidade se mobilizou para superar os desafios financeiros e logísticos. A vitória foi ainda mais significativa diante do desempenho de 2024, quando a Rosas ficou a poucos décimos do rebaixamento, o que tornou o título uma prova de resiliência.

Raízes na Brasilândia e títulos do passado

Nascida em 1971 no bairro da Brasilândia, a Rosas de Ouro surgiu de um grupo de amigos que animava jogos de futebol do Glorioso da Vila Brasilândia com batuques improvisados. Hoje, a escola mantém sua essência comunitária, mesmo com a sede transferida para a Freguesia do Ó. Antes de 2025, a agremiação já havia levantado o troféu em 1983, 1984, 1990, 1991, 1992, 1994 e 2010, este último com o enredo “Cacau: um grão precioso que virou paixão nacional”, que explorou a história do chocolate. Esses triunfos a colocam como a quinta escola mais vitoriosa de São Paulo, atrás de Vai-Vai, com 15 títulos, Mocidade Alegre, com 12, Nenê de Vila Matilde, com 11, e Acadêmicos do Tatuapé, com 9. O jejum de 15 anos, desde o título de 2010, foi quebrado com um desfile que uniu técnica apurada e paixão da comunidade.

A história da Rosas reflete a evolução do carnaval paulistano, que passou de festas de rua para um espetáculo estruturado no Anhembi. A vitória de 2025 é vista como um marco de renovação para a escola, que enfrentou altos e baixos nas últimas décadas.

Bastidores da apuração e destaques do desfile

Uma disputa decidida nos detalhes

A apuração no Sambódromo do Anhembi foi um momento de tensão e expectativa para as 14 escolas do Grupo Especial. Realizada em 4 de março, a leitura das notas começou com Águia de Ouro e Acadêmicos do Tatuapé na liderança, mas a Rosas de Ouro cresceu ao longo dos quesitos, assumindo a ponta no final com 269,8 pontos. Cada escola foi avaliada por quatro jurados em nove critérios, como enredo, bateria, harmonia e evolução, com a menor nota descartada. A Rosas perdeu apenas dois décimos em mestre-sala e porta-bandeira, mantendo consistência em quase todos os outros aspectos. O critério de desempate, baseado nas notas descartadas, favoreceu a escola da Brasilândia contra a Tatuapé, que teve um 9,8 descartado contra o 9,9 da campeã. Gaviões da Fiel, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco completaram o top 5, enquanto Acadêmicos do Tucuruvi e Mancha Verde foram rebaixados.

O ambiente no Anhembi durante a apuração misturou ansiedade e celebração. Diretores das escolas, convidados e imprensa acompanharam cada nota, com gritos de euforia ecoando a cada décimo favorável à Rosas, culminando em uma explosão de alegria ao fim da leitura do quesito evolução.

Elementos que garantiram o título

O desfile da Rosas de Ouro foi repleto de detalhes que impressionaram público e jurados. Alguns dos pontos altos incluíram:

  • Comissão de frente: Uma coreografia que simulava uma máquina caça-níquel, com movimentos precisos e interação com a arquibancada, introduziu o enredo de forma cativante.
  • Alegorias: O carro “O grande cassino Brasilândia” trouxe referências a jogos de azar, enquanto o último carro destacou personagens como Pac-Man e os irmãos Mário e Luigi, simbolizando a era digital.
  • Fantasia da rainha: Ana Beatriz Godoi, rainha de bateria, usou uma fantasia com aroma de rosas, reforçando a identidade da escola.
  • Bateria “A Sensação”: Com 250 integrantes, o grupo comandado pelo mestre Rafael manteve um ritmo impecável, garantindo nota 10 no quesito.

Esses elementos, combinados à harmonia dos 3.500 componentes, fizeram do desfile um espetáculo visual e sonoro que justificou a vitória.

Impacto e próximos passos

Números e ranking do Carnaval 2025

Com 269,8 pontos, a Rosas de Ouro liderou um ranking apertado no Grupo Especial. A Acadêmicos do Tatuapé ficou em segundo com a mesma pontuação, mas perdeu no desempate. Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre empataram em terceiro com 269,7 pontos, seguidas por Camisa Verde e Branco, também com 269,7. Entre as rebaixadas, Acadêmicos do Tucuruvi somou 269,0, e Mancha Verde, 268,9. A competição foi tão equilibrada que apenas 0,9 ponto separou a campeã da escola em sétimo lugar, evidenciando o alto nível técnico do carnaval paulistano em 2025. O Desfile das Campeãs, marcado para 8 de março, reunirá as cinco primeiras colocadas, além das vencedoras dos Grupos de Acesso I e II.

A pontuação reflete a rigorosa avaliação dos jurados, que analisaram desde a evolução na avenida até a riqueza das fantasias. A Rosas de Ouro se destacou especialmente em evolução e bateria, quesitos que consolidaram sua liderança.

O que esperar do Desfile das Campeãs

No dia 8 de março, o Sambódromo do Anhembi receberá o Desfile das Campeãs, começando às 20h. Além da Rosas de Ouro, Acadêmicos do Tatuapé, Gaviões da Fiel, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco retornarão à avenida, exibindo novamente seus enredos e alegorias. O evento também contará com Tom Maior e Mocidade Unida da Mooca, promovidas do Grupo de Acesso I, e Pérola Negra e Camisa 12, destaque e vice do Grupo de Acesso II. A festa promete atrair um público ainda maior que o dos dias oficiais, com ingressos disputados por foliões e torcedores ansiosos para rever o desfile histórico da Rosas.

A celebração marcará o encerramento oficial do Carnaval 2025 em São Paulo, com a Brasilândia em destaque após anos de espera pelo título.

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