O futuro do meia Dimitri Payet no Vasco está praticamente definido. Com contrato válido até 5 de maio, o jogador francês de 38 anos não deve ter seu vínculo renovado pelo clube carioca. A decisão, que começou a ser avaliada pela diretoria ainda em janeiro, reflete o desempenho aquém do esperado em campo e o peso financeiro de seu salário, estimado em R$ 1,5 milhão por mês. Em um momento de recuperação judicial e desafios para ampliar receitas, o Cruz-Maltino parece pronto para encerrar a passagem do atleta, iniciada em agosto de 2023. A eliminação no Campeonato Carioca e a ausência de competições até o fim do mês reforçam a necessidade de ajustes no elenco.
A trajetória de Payet no Vasco, embora marcada por momentos de brilho, não conseguiu justificar o investimento. Desde o início da temporada atual, o meia foi titular em apenas duas partidas e entrou em campo 12 vezes, somando uma única participação direta em gol — uma assistência na vitória por 3 a 0 contra o União Rondonópolis, pela Copa do Brasil. O técnico Fábio Carille, que assumiu o comando da equipe recentemente, já sinalizou dificuldades em integrar o francês ao esquema tático, especialmente ao lado de Philippe Coutinho, outro nome de peso no elenco.
Enquanto o clube se prepara para a estreia no Brasileirão, no dia 30 de março contra o Santos, a saída de Payet ganha contornos de inevitabilidade. A imprensa francesa, inclusive, já trata a despedida como fato consumado, destacando o contraste entre o alto salário e o impacto limitado do jogador. Com a temporada em andamento e o Vasco buscando equilíbrio financeiro e competitivo, o fim da era Payet no futebol brasileiro se aproxima rapidamente.
Desempenho em xeque: os números de Payet no Vasco
Desde que desembarcou em São Januário, em agosto de 2023, Dimitri Payet disputou 70 partidas com a camisa vascaína, anotando sete gols e distribuindo 11 assistências. Os números, embora positivos à primeira vista, não refletem a regularidade esperada de um atleta com seu histórico e remuneração. No Olympique de Marseille, onde viveu seu auge, Payet era conhecido pela capacidade de decidir jogos e liderar o meio-campo, algo que raramente se viu no Brasil. Aqui, suas atuações oscilam entre lampejos de qualidade e longos períodos de pouca influência, o que tem gerado críticas de torcedores e analistas.
Neste ano, o desempenho do francês foi ainda mais discreto. Além da assistência contra o União Rondonópolis, Payet não conseguiu emplacar sequências de boas atuações, muitas vezes sendo substituído ou começando no banco de reservas. A intensidade do futebol brasileiro, com jogos disputados em ritmo acelerado e condições físicas exigentes, parece ter pesado contra o meia, que completa 38 anos no fim de março. Para um clube que precisa de resultados imediatos, o custo-benefício do jogador tornou-se um ponto de interrogação.
A comparação com Philippe Coutinho, outro medalhão do elenco, também expõe as dificuldades de Payet. Enquanto Coutinho, mesmo com altos e baixos, já marcou gols decisivos — como os dois na vitória por 3 a 0 sobre o Nova Iguaçu, também pela Copa do Brasil —, o francês não encontrou o mesmo protagonismo. A diretoria, liderada pelo presidente Pedrinho, agora avalia como redirecionar os recursos para reforçar o time, possivelmente buscando um meia mais adaptado às demandas atuais.
Carille aponta limitações táticas e futuro incerto
Fábio Carille, técnico do Vasco desde o início da temporada, não escondeu sua visão sobre a situação de Payet. Após a derrota por 2 a 1 para o Flamengo, na semifinal do Campeonato Carioca, o treinador foi claro ao descartar a possibilidade de escalar o francês ao lado de Coutinho no meio-campo. A justificativa está na falta de intensidade defensiva, algo essencial no futebol moderno. “O futebol está muito intenso, com mudança de direção o tempo todo, e sem bola a gente pode sentir bastante”, declarou Carille, sinalizando que a dupla não se encaixa no esquema prioritário da equipe.
Uma alternativa levantada pelo técnico seria reposicionar Payet como falso nove, função que o meia desempenhou com sucesso no Olympique de Marseille. “Um dos melhores momentos dele foi como falso nove, aí tudo bem”, ponderou Carille. No entanto, ele admitiu que, fora dessa possibilidade, não enxerga espaço para o francês atuar junto a Coutinho em outras posições. A declaração reflete o dilema do Vasco: adaptar o esquema a um jogador caro e em declínio físico ou priorizar a competitividade do elenco como um todo.
Com a eliminação no Carioca e a classificação à terceira fase da Copa do Brasil garantida, o Vasco tem três semanas até o início do Brasileirão para ajustar sua estratégia. Carille aproveita o período para testar formações e dar minutos a outros atletas, como o estreante Nuno Moreira, que já mostrou sintonia com Coutinho. Enquanto isso, Payet segue como uma incógnita, com sua saída cada vez mais próxima de se concretizar.
Cronograma do Vasco até maio: o que vem pela frente
O Vasco agora foca em sua preparação para o Campeonato Brasileiro, mas o calendário até o fim do contrato de Payet oferece pistas sobre os próximos passos do clube. Confira as datas-chave:
- 30 de março: Estreia no Brasileirão contra o Santos, em São Januário, às 18h30. O jogo marca o retorno do Vasco às competições oficiais após a eliminação no Carioca.
- Abril: Terceira fase da Copa do Brasil, com adversário ainda a ser definido por sorteio. A competição é uma das prioridades do clube na temporada.
- 5 de maio: Fim do contrato de Dimitri Payet. Até lá, o meia pode ter suas últimas chances de atuar pelo Cruz-Maltino.
Esses compromissos serão cruciais para definir o elenco e as finanças do Vasco. Com Payet fora dos planos a longo prazo, a diretoria já analisa o mercado para a janela de transferências doméstica, entre março e abril, ou a internacional, no meio do ano.
Impacto financeiro: o peso do salário de Payet
Manter Dimitri Payet no elenco representa um desafio financeiro significativo para o Vasco. Com um salário anual estimado em 2,8 milhões de euros — cerca de R$ 17,55 milhões na cotação atual —, o francês é o jogador mais bem pago do clube, superando até mesmo Philippe Coutinho. Esse valor, equivalente a R$ 1,5 milhão mensais, pressiona as contas de uma equipe que enfrenta recuperação judicial e busca equilíbrio econômico. A ausência de receitas extras, como as que viriam de uma final no Carioca, torna a situação ainda mais delicada.
A imprensa francesa, como o canal CNews, destacou o descompasso entre o investimento e o retorno de Payet. “Ele não trouxe o que era esperado quando assinou”, informou a emissora, ecoando o sentimento de parte da torcida vascaína. O clube, que contratou oito reforços para a temporada — incluindo nomes como Daniel Fuzato, Tchê Tchê e Nuno Moreira —, agora planeja redirecionar esses recursos. A ideia é buscar um meia-atacante que sirva como reserva ou complemento a Coutinho, mas com um perfil mais alinhado às necessidades táticas e financeiras.
O fim do contrato em maio surge como uma oportunidade para o Vasco aliviar sua folha salarial. Sem a obrigação de renovar com Payet, a diretoria pode investir em peças que tragam maior regularidade e ajudem o time a brigar por posições melhores no Brasileirão e na Copa do Brasil. A torcida, embora reconheça o talento do francês, parece pronta para virar a página.
Alternativas em campo: quem ganha espaço sem Payet
Com a saída de Payet no horizonte, o Vasco já observa opções dentro do elenco para suprir sua ausência. Nuno Moreira, português que estreou com assistência na vitória contra o Nova Iguaçu, é um dos nomes elogiados por Carille. “Ter um jogador que sabe movimentar e trabalhar com poucos toques, como o Nuno, cresceu muito o futebol do Coutinho”, disse o técnico após o jogo. A sintonia entre Nuno e Coutinho, demonstrada em lances de tabela e criação, sugere um caminho promissor para o meio-campo.
Outros atletas, como Loide Augusto e Benjamín Garré, também podem ganhar mais minutos. Carille tem destacado a versatilidade de Loide, que rende bem pelo lado esquerdo, enquanto Garré oferece velocidade no ataque. Rayan, jovem promessa que marcou contra Nova Iguaçu e União Rondonópolis, é outra alternativa para o setor ofensivo. A aposta nesses nomes reflete a intenção do treinador de construir um time mais dinâmico e adaptado ao futebol intenso que ele busca implementar.
A ausência de Payet abre espaço para experimentações táticas nas próximas semanas. Com Coutinho como peça central, o Vasco pode priorizar jogadores que complementem seu estilo, algo que o francês, por limitações físicas e táticas, não conseguiu fazer de forma consistente. O período até o Brasileirão será decisivo para consolidar essas mudanças.