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44% dos endividados recorrem a bets para quitar dívidas, revela pesquisa

Bets jogos e apostas
Bets jogos e apostas - Foto: Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock.com Bets jogos e apostas - Foto: Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock.com

Quase metade dos brasileiros endividados já apostou em plataformas de bets na esperança de resolver problemas financeiros, aponta um estudo recente divulgado pelo Serasa em parceria com o Opinion Box. O levantamento, baseado em entrevistas com 4.463 consumidores acima de 18 anos, mostra que 44% dos inadimplentes que jogaram em casas de apostas virtuais tinham como objetivo principal pagar débitos acumulados. Realizada em novembro de 2024, a pesquisa destaca a relação preocupante entre o crescimento das apostas online e a vulnerabilidade econômica, evidenciando como a promessa de ganhos rápidos atrai pessoas em situações delicadas.

A prática de recorrer às bets não é novidade entre os endividados, mas os números impressionam pela escala. Dos entrevistados, 46% afirmaram já ter apostado pelo menos uma vez, sendo que 43% já estavam com dívidas antes de começar. O estudo também revela que 34% dos inadimplentes continuam apostando regularmente, enquanto 42% praticam essa atividade há mais de dois anos. Esses dados expõem um cenário em que as apostas, inicialmente vistas como solução, podem agravar ainda mais a situação financeira, especialmente entre as classes D e E, onde jogos como o “Jogo do Tigrinho” ganham popularidade.

Outro ponto levantado é o perfil dos apostadores. Homens entre 31 e 44 anos, com renda de até quatro salários mínimos, predominam entre os que buscam nas bets uma saída para o endividamento. A pesquisa ainda indica que 29% apostam para pagar contas urgentes, enquanto 27% veem nos jogos uma forma de obter renda extra. Diante desse quadro, especialistas alertam para os riscos de dependência e perdas financeiras, reforçando a necessidade de alternativas mais seguras, como planejamento financeiro e negociação de dívidas.

Apostas online e o ciclo do endividamento

Busca por dinheiro rápido impulsiona apostas

O crescimento das plataformas de apostas online transformou a relação dos brasileiros com os jogos de azar, especialmente entre os endividados. Impulsionadas por propagandas agressivas nas redes sociais e parcerias com influenciadores digitais, as bets se tornaram acessíveis a qualquer um com um smartphone. O estudo do Serasa mostra que 44% dos inadimplents que já apostaram o fizeram na esperança de quitar dívidas, enquanto 13% chegaram a deixar de pagar contas para investir em jogos. Esse comportamento reflete a ilusão de uma solução imediata, mas os números apontam que a maioria enfrenta perdas significativas.

Entre as motivações mais citadas, a tentativa de ganhar dinheiro rápido para cobrir despesas essenciais aparece em 29% das respostas, seguida pela busca por renda complementar, mencionada por 27%. A pesquisa também identificou que 18% dos entrevistados apostam por diversão, mas esse percentual é bem menor entre os endividados, indicando que a necessidade financeira supera o entretenimento como fator determinante. Nas classes D e E, onde a renda é mais limitada, o “Jogo do Tigrinho” se destaca como a modalidade preferida, sendo citada por 40,2% dos apostadores dessas faixas.

A facilidade de acesso às bets agrava o problema. Com 89% dos entrevistados recebendo ofertas de jogos em redes sociais ou mensagens, a exposição constante às promessas de lucro rápido cria um ciclo vicioso. Para muitos, o que começa como uma tentativa de sair do vermelho termina em dívidas ainda maiores, já que 71% dos apostadores admitem perder mais do que ganham. Esse cenário reforça a percepção de que as apostas, longe de serem uma solução, podem aprofundar a vulnerabilidade financeira.

Perfil dos apostadores endividados

Homens representam 58% dos apostadores endividados, com a faixa etária entre 31 e 44 anos liderando, abrangendo 51% do total. A pesquisa também mostra que 30% têm entre 18 e 30 anos, evidenciando que jovens adultos estão entre os mais atraídos pelas bets. Quanto à renda, 50% ganham até dois salários mínimos, e 30% estão na faixa de dois a quatro salários mínimos, o que indica que o fenômeno atinge principalmente a população de baixa e média renda. Nas regiões Sul e Sudeste, o hábito de apostar é mais comum, com destaque para o “Jogo do Tigrinho” entre as classes mais pobres.

A modalidade esportiva também tem espaço significativo, sendo praticada por 23,7% dos endividados das classes D e E, 23,3% da classe C e 21,1% das classes A e B. Já apostas tradicionais, como a Mega-Sena, aparecem na rotina de 70,2% dos inadimplentes das classes A e B, 62,1% da classe C e 46,6% das classes D e E. Esses dados mostram que, enquanto as apostas online ganham força entre os mais pobres, os jogos lotéricos ainda têm apelo nas faixas de renda mais altas.

Riscos e impactos das bets na vida financeira

Endividamento agravado por perdas nas apostas

Apostar para pagar dívidas raramente dá certo, e os números comprovam essa realidade. Dos endividados que já jogaram em bets, 71% afirmam perder mais do que ganham, o que transforma a prática em um risco financeiro considerável. O estudo revela que 48% dos apostadores comprometem boa parte da renda, retiram dinheiro de aplicações ou pedem empréstimos para continuar jogando, enquanto 14% enfrentam problemas como o envio constante de mensagens incentivando novas apostas. Esse assédio virtual dificulta a interrupção do hábito, mantendo os inadimplentes presos em um ciclo de perdas.

O impacto vai além das finanças. Casos extremos mostram pessoas vendendo bens pessoais ou recorrendo a fraudes para financiar as apostas, o que pode levar a consequências psicológicas graves, como ansiedade e depressão. Entre os entrevistados, 27% pararam de apostar por medo de prejuízos maiores, e 6 em cada 10 expressam receio de desenvolver vício. Nas classes D e E, onde o “Jogo do Tigrinho” predomina, a combinação de baixa renda e alta exposição a propagandas aumenta a vulnerabilidade, tornando a prática ainda mais perigosa.

Aqui estão os principais riscos associados às bets, segundo o levantamento:

  • Perda financeira recorrente, relatada por 71% dos apostadores.
  • Retirada de dinheiro de aplicações ou empréstimos, prática de 48%.
  • Dificuldade em parar devido a propagandas constantes, citada por 14%.
  • Risco de dependência, temido por 60% dos entrevistados.

Esses fatores mostram como as apostas online, ao invés de resolverem o endividamento, frequentemente o intensificam.

Cronograma das apostas no Brasil

O avanço das bets segue um ritmo acelerado, influenciado por mudanças na legislação e na tecnologia. Veja os marcos recentes:

  • 2018: Lei 13.756 legaliza apostas esportivas de quota fixa no Brasil.
  • 2023: Crescimento exponencial das plataformas online, com forte presença de influenciadores.
  • Novembro de 2024: Pesquisa do Serasa aponta 44% dos endividados apostando para quitar dívidas.

Esse histórico reflete a rápida popularização das apostas, que hoje alcançam milhões de brasileiros, especialmente os mais vulneráveis financeiramente.

Alternativas ao uso de bets

Diferente do que muitos imaginam, sair do endividamento exige estratégias mais sólidas do que apostas. O planejamento financeiro, por exemplo, permite organizar receitas e despesas, enquanto a negociação de dívidas pode reduzir juros e parcelas. Dados do Serasa mostram que 54% dos inadimplentes nunca apostaram, sugerindo que a maioria ainda evita essa prática. Entre os que apostam, 63% relatam problemas com as plataformas, como a recusa no pagamento de prêmios, o que reforça a insegurança do modelo.

Para quem já caiu na tentação, especialistas indicam passos práticos. Interromper o acesso a propagandas, buscar apoio familiar e priorizar a renegociação de débitos são medidas eficazes. O estudo também destaca que 52% dos entrevistados são influenciados por celebridades em anúncios, o que aponta a necessidade de maior regulação publicitária no setor. Enquanto as bets continuam a crescer, a educação financeira surge como uma ferramenta essencial para evitar que o entretenimento se torne um pesadelo econômico.

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