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Suíça perde 10% das geleiras em dois anos e enfrenta calor extremo na nova realidade climática

Suiça geleiras
Suiça geleiras - Foto: Globo Reprodução Suiça geleiras - Foto: Globo Reprodução

A Suíça, conhecida por suas montanhas nevadas e geleiras imponentes, vive uma transformação drástica impulsionada pelas mudanças climáticas, com impactos que vão desde o derretimento acelerado de seus glaciares até ondas de calor que alteram tradições seculares. Em apenas dois anos, entre 2022 e 2024, o país perdeu 10% do volume total de suas geleiras, um ritmo que se intensificou no último ano e redesenhou até mesmo a fronteira com a Itália, aprovada oficialmente em 2024. Esse cenário, agravado por eventos climáticos extremos como temperaturas acima de 40°C e chuvas excessivas, reflete a urgência apontada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que condenou a Suíça em 2024 por inação climática. A decisão, movida pela associação “Idosas pela Proteção do Clima”, obriga o governo a investir em políticas ambientais mais robustas, destacando como a falta de ação ameaça a vida de gerações atuais e futuras. Enquanto o aquecimento global avança, os suíços veem suas paisagens e modos de vida mudarem em tempo recorde, colocando em xeque a identidade de um país historicamente ligado ao frio.

Ondas de calor sem precedentes têm surpreendido até os moradores mais acostumados ao clima alpino. Em 2023, as pistas de esqui de Zermatt, um dos destinos turísticos mais famosos da Suíça, foram fechadas pela primeira vez na história devido às altas temperaturas, comprometendo a segurança dos esquiadores e evidenciando a nova realidade do país. Já a produção agrícola, como os morangos cultivados na primavera, sofreu com chuvas intensivas que arruinaram colheitas, forçando produtores a buscar alternativas para sobreviver. O derretimento das geleiras, por sua vez, não apenas reduz reservas de água doce essenciais para rios europeus, mas também provoca deslizamentos e instabilidade nas montanhas, afetando vilarejos e infraestrutura.

A condenação do Tribunal Europeu, resultado de uma ação liderada por idosas suíças, reforça a gravidade da situação. Anne Mahrer, uma das fundadoras do grupo, celebrou a vitória como um marco para as próximas gerações, enquanto o governo suíço, pressionado a agir, avalia medidas para cortar emissões e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Em um país onde o turismo de inverno e a agricultura são pilares econômicos, as mudanças climáticas desafiam tradições e exigem adaptação urgente.

Geleiras em colapso mudam a Suíça

O derretimento acelerado das geleiras suíças transformou a paisagem e a vida no país em poucos anos. Entre 2022 e 2024, o volume total de gelo caiu 10%, com perdas especialmente intensas no último ano, quando o calor extremo acelerou o degelo nos Alpes. Roberto Seiler, um empresário suíço-brasileiro e ex-alpinista, relata a mudança impressionante no Matterhorn, montanha que escalou por décadas e hoje vê desaparecer sob seus olhos. Em 2024, o derretimento foi tão significativo que a Suíça e a Itália ajustaram sua fronteira, uma medida inédita para acompanhar o recuo das geleiras que definem os limites naturais entre os dois países.

Essas perdas afetam mais do que a estética alpina. As geleiras suíças, que cobrem cerca de 1.500 quilômetros quadrados, são fontes cruciais de água doce para rios como o Ródano e o Reno, essenciais para a agricultura e o abastecimento em toda a Europa. Em 2023, o volume de água liberado pelo degelo atingiu picos históricos, mas especialistas alertam que, a longo prazo, a redução do gelo pode levar à escassez hídrica, com impactos previstos até 2050. Vilarejos próximos às montanhas enfrentam riscos crescentes de deslizamentos, enquanto o turismo de inverno, que movimenta bilhões de francos suíços anualmente, perde força com a falta de neve.

Ondas de calor desafiam tradições

Temperaturas acima de 40°C, algo impensável décadas atrás, tornaram-se realidade na Suíça, alterando atividades tradicionais e expondo a vulnerabilidade do país ao aquecimento global. Em Zermatt, as pistas de esqui fecharam em 2023 pela primeira vez na história, interrompendo uma temporada que Suzanna, uma esquiadora apaixonada, planejava aproveitar o ano todo. A medida, tomada por questões de segurança devido ao calor excessivo, sinaliza o fim de uma era para um dos maiores destinos de esportes de inverno do mundo.

Chuvas intensas afetam agricultura

A primavera suíça, outrora marcada por um clima ameno e ideal para a agricultura, enfrentou em 2024 um excesso de chuvas que devastou plantações, como os morangos cultivados por Tristan, um jovem produtor da região vinícola. Herdeiro de uma tradição de quase cinco séculos, ele diversificou os negócios familiares para incluir frutas, mas as precipitações atípicas reduziram drasticamente a colheita, com perdas estimadas em até 30% em algumas áreas. O fenômeno, ligado ao El Niño e às mudanças climáticas, comprometeu a qualidade dos frutos e forçou agricultores a buscar soluções, como estufas e variedades mais resistentes.

A produção de morangos, que normalmente atinge 8 mil toneladas anuais na Suíça, caiu significativamente em 2024, afetando o mercado local e os preços, que subiram cerca de 15%. Outras culturas, como uvas e cereais, também sofreram com o clima instável, evidenciando a necessidade de adaptação em um setor que emprega mais de 150 mil pessoas e movimenta 10 bilhões de francos suíços por ano.

Condenação histórica pressiona governo

A Suíça enfrentou um marco jurídico em 2024, quando o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a condenou por inação climática, após uma ação movida pela associação “Idosas pela Proteção do Clima”. Liderado por Anne Mahrer, o grupo de 2.500 mulheres com idade média de 73 anos argumentou que a falta de políticas eficazes contra o aquecimento global viola direitos humanos, como o direito à vida e à saúde, especialmente para populações vulneráveis como os idosos. A corte determinou que o país invista em medidas concretas para reduzir emissões, uma decisão que reverbera entre os 46 membros do Conselho da Europa.

Em 2022, as emissões suíças foram de 41,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente, uma redução de 26,2% em relação aos 56,4 milhões de 1990, mas ainda aquém da meta de 50% até 2030 e neutralidade até 2050. A condenação expôs a ausência de um orçamento climático claro e metas ambiciosas, pressionando o governo a rever sua estratégia. Anne Mahrer celebrou o veredicto como um avanço para as próximas gerações, enquanto o país avalia como acelerar a transição energética.

Medidas exigidas pelo tribunal

A decisão judicial destacou ações necessárias:

  • Redução de 50% nas emissões até 2030, frente aos níveis de 1990.
  • Neutralidade de carbono até 2050, com metas intermediárias claras.
  • Investimentos em energias renováveis e eficiência energética.
  • Proteção de populações vulneráveis contra eventos climáticos extremos.

Esses pontos agora guiam a política climática suíça sob escrutínio internacional.

Impactos econômicos preocupam o país

O aquecimento global ameaça pilares da economia suíça, como o turismo e a agricultura. O setor de esportes de inverno, que gera cerca de 28 bilhões de francos suíços anuais e emprega 150 mil pessoas, enfrenta estações mais curtas e menos neve natural. Em 2023, Zermatt perdeu 20% de sua temporada de esqui, e resorts menores relatam quedas de até 40% no número de visitantes. A produção agrícola, afetada por chuvas e calor, viu os custos subirem 12% em 2024, com impactos no preço de produtos como morangos e queijos tradicionais.

A infraestrutura também sofre. O derretimento do permafrost, que estabiliza os Alpes, causou danos a teleféricos e cabanas, com prejuízos estimados em 500 milhões de francos suíços desde 2020. O governo planeja investir 3 bilhões de francos até 2030 em adaptação climática, mas a lentidão nas ações mantém o setor privado em alerta.

Futuro depende de adaptação urgente

Olhar para o futuro revela desafios e oportunidades para a Suíça. Cientistas preveem que, sem medidas drásticas, as geleiras podem desaparecer até o fim do século, reduzindo em 50% o fluxo de água para rios europeus até 2080. Em contrapartida, novos cultivos resistentes ao calor, como oliveiras, começam a surgir no sul do país, sinalizando uma possível reinvenção agrícola.

A pressão do Tribunal Europeu acelera planos de transição energética. Em 2024, a energia solar cresceu 18%, e projetos eólicos nos Alpes avançam, apesar da resistência local. A Suíça, que emite 0,1% dos gases globais, busca liderar pelo exemplo, mas os custos da adaptação, estimados em 10 bilhões de francos até 2050, testam sua economia.

Cronograma das mudanças climáticas na Suíça

Eventos recentes marcam a transformação:

  • 2022-2024: Perda de 10% das geleiras, com pico em 2024.
  • 2023: Fechamento das pistas de Zermatt por calor extremo.
  • 2024: Condenação do Tribunal Europeu por inação climática.
  • 2030: Meta de redução de 50% nas emissões de CO2.

Esse calendário reflete a urgência de ações concretas.

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