Quatro anos se passaram desde a morte trágica de Henry Borel, um menino de apenas 4 anos, em 8 de março de 2021, no Rio de Janeiro, e o caso ainda não chegou ao júri popular, deixando seu pai, Leniel Borel, em uma espera angustiante por respostas. Em 17 de março de 2025, data que marcou o quarto aniversário da perda, Leniel usou suas redes sociais para desabafar sobre a saudade do filho e a demora na justiça, compartilhando imagens que reacenderam a comoção pública: vídeos do menino no elevador ao lado da mãe, Monique Medeiros, e do padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, horas antes de sua morte, e fotos de Monique celebrando em um bar um ano após o crime. Ele classificou as cenas como um “escárnio” e fez um apelo contundente para que o julgamento dos acusados, detidos desde 2021, aconteça o quanto antes. A indignação do pai reflete um sentimento compartilhado por muitos que acompanham o caso, que chocou o Brasil pela brutalidade e pelas evidências de omissão e violência.
Leniel, engenheiro de 40 anos, relembrou o filho com carinho, destacando sua personalidade alegre e saudável. Ele exibiu um vídeo capturado por câmeras de segurança do elevador do condomínio na Barra da Tijuca, onde Henry vivia com Monique e Jairinho, mostrando o menino visivelmente desconfortável na presença do padrasto. A gravação, feita na noite de 7 de março de 2021, é uma das últimas imagens de Henry vivo e reforça a tese da investigação de que ele sofria agressões constantes. Além disso, Leniel apresentou fotos de Monique em um bar, em 2022, comemorando o título do Flamengo na Libertadores, enquanto respondia ao processo em liberdade com tornozeleira eletrônica, antes de voltar à prisão em 2023. A atitude da mãe, segundo ele, desrespeita a memória do filho e a busca por justiça.
O caso Henry Borel ganhou notoriedade pela gravidade das lesões que levaram à morte do menino – hemorragia interna e laceração hepática causadas por ação contundente, conforme o laudo do Instituto Médico Legal (IML) – e pela complexidade do processo judicial. Monique e Jairinho são réus por homicídio triplamente qualificado, tortura e outros crimes, mas o atraso no julgamento mantém a família e a sociedade sem um desfecho. Leniel, que hoje é vereador no Rio de Janeiro, transformou sua dor em uma luta pública por punição e por mudanças legislativas, como a Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que aumenta penas para crimes contra menores de 14 anos.
Relembre os últimos momentos de Henry Borel
Imagens do elevador divulgadas por Leniel mostram Henry nos braços de Monique, ao lado de Jairinho, na noite anterior à sua morte. O menino, que havia passado o fim de semana com o pai, chorava e vomitava ao ser devolvido à mãe, um comportamento que, segundo Leniel, indicava medo e rejeição ao ambiente com o padrasto. Especialistas que analisaram as imagens apontam que o desconforto de Henry era evidente, corroborando relatos de que ele já vinha sofrendo maus-tratos.
A investigação revelou que, naquela noite, Monique e Jairinho levaram Henry ao Hospital Barra D’Or por volta das 3h30 do dia 8 de março, alegando que o encontraram desacordado no quarto. O menino chegou sem vida, e os médicos constataram lesões incompatíveis com uma queda acidental, como inicialmente sugerido pelo casal. Mensagens recuperadas do celular de Monique com a babá de Henry, Thayná Oliveira, indicam que ela sabia das agressões do padrasto semanas antes, mas não tomou providências para proteger o filho.
O que dizem as acusações contra Monique e Jairinho
Monique Medeiros e Jairinho foram presos em 8 de abril de 2021, um mês após a morte de Henry, acusados de envolvimento direto e indireto no crime. Jairinho, ex-vereador e médico, é apontado como o principal agressor, enquanto Monique responde por omissão e tortura omissiva, além de falsidade ideológica e coação de testemunhas. A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sustenta que o menino foi vítima de um homicídio triplamente qualificado, com uso de tortura, motivo torpe e sem chance de defesa.
Detalhes da investigação que chocaram o Brasil
A investigação do caso Henry Borel trouxe à tona detalhes perturbadores que ampliaram a revolta popular. O laudo necroscópico identificou 23 lesões no corpo do menino, incluindo hematomas nos membros superiores, abdômen e cabeça, além de danos internos graves. Testemunhas, como a babá Thayná, relataram episódios anteriores de violência, como um incidente em fevereiro de 2021, quando Jairinho trancou-se com Henry em um quarto, aumentou o volume da televisão e o agrediu, deixando marcas que a babá comunicou a Monique.
Conversas recuperadas do celular de Monique mostram que ela minimizava os relatos da babá, pedindo que ela “não se envolvesse”. Outro ponto marcante foi a reconstituição do crime, realizada em abril de 2021 no apartamento do casal, que descartou a versão de um acidente doméstico. Peritos concluíram que as lesões foram resultado de agressões intencionais, possivelmente ocorridas horas antes de Henry ser levado ao hospital.
A conduta de Monique após a morte do filho também gerou controvérsia. Em depoimentos iniciais, ela defendeu Jairinho, mas, em 2022, mudou sua versão, alegando ter sido manipulada por ele e pelo advogado do casal, André França Barreto, para encobrir o crime. Essa reviravolta, porém, não convenceu Leniel nem os promotores, que a acusam de cumplicidade ativa na tragédia.
Cronologia dos 4 anos do caso Henry Borel
O caso segue um longo trajeto judicial, com datas que marcaram a luta por justiça. Confira os principais eventos:
- 8 de março de 2021: Henry Borel morre no apartamento de Monique e Jairinho na Barra da Tijuca.
- 8 de abril de 2021: O casal é preso preventivamente por suspeita de homicídio e tentativa de obstrução da justiça.
- 24 de maio de 2022: Lei Henry Borel é sancionada, endurecendo penas para crimes contra menores.
- Agosto de 2022: Monique obtém prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas volta à prisão em julho de 2023 após descumprir medidas cautelares.
- 17 de março de 2025: Leniel marca os 4 anos sem Henry com um apelo público por julgamento.
A ausência de uma data para o júri popular, apesar da pronúncia dos réus em novembro de 2022, mantém o processo em aberto, prolongando a espera da família.
A vida de Leniel após a perda do filho
Leniel Borel transformou sua dor em ação. Após a morte de Henry, ele deixou o trabalho em plataformas de petróleo em Macaé e se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi eleito vereador pelo Partido Progressista (PP) em 2024, com quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Ele também se tornou pai novamente em abril de 2024, com o nascimento de Valentina, fruto de seu relacionamento com Larysse Borel Neves Ribeiro, o que descreveu como “um novo começo” em meio à saudade do primogênito.
A luta por justiça, no entanto, permanece central em sua vida. Ele atua como assistente de acusação no processo e frequentemente usa sua visibilidade para pressionar as autoridades. Em 2025, Leniel intensificou os apelos, questionando por que o julgamento ainda não foi marcado após mais de 1.461 dias desde a morte de Henry.
Imagens de Monique que indignaram o pai
As fotos de Monique Medeiros comemorando em um bar em 2022, durante o período em que esteve em prisão domiciliar, foram um golpe para Leniel. As imagens mostram a mãe de Henry sorridente, pulando e celebrando o título do Flamengo na Libertadores, cerca de um ano após a morte do filho. Para Leniel, a atitude é uma afronta à memória de Henry e à gravidade do crime pelo qual ela é acusada.
Ele também destacou o contraste entre essas cenas e o vídeo do elevador, onde Henry aparece vulnerável ao lado de Monique e Jairinho. “É um escárnio comigo, com a sociedade, com o processo”, desabafou, apontando que a postura de Monique reforça a necessidade de um julgamento rápido e justo.
O clamor por justiça e os desafios do caso
A demora no julgamento de Monique e Jairinho é um ponto de frustração não só para Leniel, mas para a sociedade que acompanha o caso. Apesar das provas robustas, como laudos periciais, depoimentos e mensagens de celular, o processo enfrenta entraves judiciais. Em fevereiro de 2025, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) reavalie a prisão preventiva de Monique em até 90 dias, mas a decisão não acelerou a marcação do júri.
Organizações de defesa dos direitos das crianças têm se manifestado em apoio à causa de Leniel, destacando que o caso Henry Borel expôs a vulnerabilidade de menores em situações de violência doméstica. A Lei Henry Borel, resultado direto da tragédia, já é vista como um legado do menino, mas a falta de punição efetiva aos réus mantém a sensação de impunidade.
O que esperar do futuro do caso
Enquanto o julgamento não é marcado, Monique segue detida no Instituto Penal Santo Expedito, em Gericinó, e Jairinho permanece no presídio de Bangu. A decisão de Gilmar Mendes sobre a reavaliação da prisão de Monique pode abrir brechas para novos pedidos de liberdade, algo que Leniel teme que atrase ainda mais o processo. Ele insiste que ambos devem responder pelo que fizeram, reforçando que “não há justificativa para quem tira a vida do próprio filho”.
A pressão pública cresce à medida que o caso completa quatro anos sem desfecho. Leniel segue ativo nas redes, compartilhando memórias de Henry e cobrando agilidade do Poder Judiciário. A espera por justiça, para ele, é uma batalha diária que carrega a saudade de um filho perdido e a esperança de que sua morte não seja em vão.