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Projeto de lei propõe vetar BPC para estrangeiros no Brasil em 2025

BPC LOAS INSS
BPC LOAS INSS - Foto: sirtravelalot/ Shutterstock.com BPC LOAS INSS - Foto: sirtravelalot/ Shutterstock.com

Uma iniciativa em análise na Câmara dos Deputados, apresentada pelo deputado Gilson Marques (Novo-SC), pode mudar o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ao Bolsa Família, dois dos principais programas assistenciais do Brasil. O projeto, protocolado em março de 2025, sugere que apenas brasileiros natos ou naturalizados com residência no país há pelo menos 15 anos, e sem condenações por crimes dolosos no Brasil ou em nações anteriores, tenham direito a esses benefícios. A proposta não altera os auxílios já concedidos a estrangeiros, desde que estejam regulares, mas visa limitar novas concessões. Em um contexto de ajustes fiscais e debates sobre imigração, o tema ganha relevância e promete dividir opiniões enquanto avança nas comissões parlamentares.

O BPC, regulado pela Lei nº 8.742 de 1993, assegura um salário mínimo mensal, atualmente R$ 1.518 em 2025, a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Não contributivo, o benefício não exige histórico no INSS e atende cerca de 5,2 milhões de pessoas, conforme dados atualizados do Ministério da Cidadania em fevereiro de 2025. Já o Bolsa Família, que em 2024 alcançou 21 milhões de famílias, tem enfrentado cortes orçamentários, com uma redução de R$ 6,9 bilhões proposta pelo governo em março de 2025 para realocar recursos a pensões. A restrição a estrangeiros é defendida como forma de aliviar a pressão financeira, mas levanta questões sobre inclusão social em um país com crescente fluxo migratório.

A tramitação do projeto ocorre em caráter conclusivo e será avaliada por três comissões: Relações Exteriores e de Defesa Nacional; Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado, seguirá ao Senado, onde deve enfrentar resistência de parlamentares favoráveis à manutenção dos direitos de imigrantes. Enquanto isso, mudanças recentes no BPC, como a obrigatoriedade do cadastro biométrico desde setembro de 2024, já sinalizam um endurecimento nas regras de acesso, refletindo a busca por maior controle e eficiência na gestão dos recursos públicos.

Impactos financeiros e sociais da proposta em 2025

Restringir o BPC e o Bolsa Família a estrangeiros surge como resposta a um cenário econômico desafiador. Em 2025, o gasto com o BPC atingiu R$ 78 bilhões nos primeiros dois meses do ano, segundo o INSS, impulsionado pelo reajuste do salário mínimo e pelo aumento de 200 mil beneficiários desde 2024. O Bolsa Família, por sua vez, teve seu orçamento reduzido em 17% para o ano, conforme proposta enviada ao Congresso em 12 de março de 2025, gerando críticas de movimentos sociais. Para Gilson Marques, a medida protege os recursos nacionais, priorizando brasileiros em um momento em que a inflação persistentemente acima da meta de 3% pressiona as contas públicas.

Comunidades de imigrantes, como haitianos e venezuelanos, que somam mais de 1,5 milhão de residentes no Brasil em 2025, podem ser duramente afetadas. Em cidades como Pacaraima (RR) e São Paulo (SP), onde a presença estrangeira é significativa, o BPC tem sido essencial para idosos e pessoas com deficiência em famílias de baixa renda. A exclusão desses grupos pode elevar os índices de pobreza extrema, atualmente em 8,4% da população, segundo o IBGE, e sobrecarregar serviços municipais de assistência. Relatos de organizações humanitárias apontam que, em Boa Vista, 30% dos atendimentos a imigrantes em 2024 estavam ligados a famílias dependentes do benefício.

O debate também reflete tensões globais. Com o aumento da imigração devido a crises humanitárias na América Latina, o Brasil registra entrada média de 120 mil estrangeiros por ano desde 2023. A proposta de Marques alinha-se a políticas restritivas vistas em outros países, mas contrasta com a tradição brasileira de acolhimento, evidenciada na Lei de Migração de 2017. Enquanto o projeto avança, especialistas preveem que o impacto econômico pode ser limitado, já que menos de 2% dos beneficiários do BPC são estrangeiros, mas o simbolismo da medida alimenta discussões sobre identidade e direitos.

Regras atuais do BPC e como obtê-lo em 2025

Atualmente, o BPC beneficia idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência que comprovem renda familiar per capita de até R$ 379,50, equivalente a 1/4 do salário mínimo de 2025. Para pessoas com deficiência, é necessária avaliação médica e social do INSS, que analisa impedimentos de longo prazo. O processo exige inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico), solicitação via Meu INSS ou presencialmente, e pode levar até 90 dias para aprovação. Em 2025, o INSS intensificou as revisões bienais, com 500 mil benefícios reavaliados até março, resultando em 15% de suspensões por irregularidades.

Recentemente, o governo implementou mudanças para aprimorar o sistema. Desde 1º de janeiro de 2025, o cadastro biométrico passou a ser exigido também para renovações, com 95% dos beneficiários já regularizados até fevereiro, conforme o Ministério da Cidadania. Casos excepcionais, como idosos acamados ou em áreas remotas, podem ser isentos mediante laudo. Outra novidade é a permissão para múltiplos beneficiários por família, desde que cada um atenda aos critérios, beneficiando cerca de 300 mil núcleos familiares adicionais em 2024. Essas atualizações visam coibir fraudes e direcionar o auxílio aos mais necessitados.

Cronograma de pagamento do BPC em 2025

O calendário de pagamento do BPC em 2025 segue o número final do cartão de benefício, sem o dígito verificador. Os depósitos ocorrem nos últimos 10 dias úteis de cada mês, escalonados para evitar sobrecarga no sistema bancário. Veja as datas para março:

  • Final 1: 25 de março
  • Final 2: 26 de março
  • Final 3: 27 de março
  • Final 4: 28 de março
  • Final 5: 31 de março
  • Final 6: 1º de abril
  • Final 7: 2 de abril
  • Final 8: 3 de abril
  • Final 9: 4 de abril
  • Final 0: 7 de abril

Os valores são liberados pela Caixa Econômica Federal ou pelo banco escolhido pelo beneficiário, com saque disponível via cartão ou em agências. Em 2025, o INSS estima atender 5,5 milhões de pessoas até dezembro, caso o orçamento seja mantido.

Benefícios assistenciais em foco no Brasil

A discussão sobre o BPC e o Bolsa Família reflete o equilíbrio delicado entre sustentabilidade fiscal e proteção social. Enquanto o governo projeta crescimento econômico de 1,8% para 2025, abaixo dos 3,4% de 2024, medidas como a proposta de Marques ganham força entre parlamentares conservadores. Em contrapartida, a redução de R$ 40 bilhões no orçamento do Bolsa Família, anunciada em março, já provoca protestos em capitais como Brasília e Salvador, onde famílias relatam dificuldades para acessar alimentos e serviços básicos.

Entre os argumentos favoráveis à restrição, destaca-se o custo anual dos benefícios. O BPC, sozinho, consome 4% do orçamento federal de 2025, estimado em R$ 2 trilhões. Já o Bolsa Família, mesmo com cortes, deve custar R$ 180 bilhões. A presença de estrangeiros entre os beneficiários, embora pequena, é vista como um ponto de ajuste. No entanto, a medida enfrenta resistência de ONGs e partidos progressistas, que planejam audiências públicas para discutir os impactos antes da votação nas comissões, prevista para maio de 2025.

Alternativas e desafios para imigrantes

Caso o projeto seja aprovado, estrangeiros em vulnerabilidade terão menos opções de suporte oficial. Programas municipais, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), podem absorver parte da demanda, mas enfrentam limitação de recursos. Em 2024, São Paulo destinou R$ 50 milhões a ações para imigrantes, valor insuficiente frente aos 500 mil estrangeiros na cidade. Outra saída é o mercado de trabalho, mas barreiras como idioma e regularização dificultam a inserção, com 40% dos imigrantes em empregos informais, segundo o IBGE.

A proposta também expõe desigualdades regionais. Enquanto o Sudeste concentra 60% dos beneficiários do BPC, o Norte, com alta presença de venezuelanos, depende mais do Bolsa Família. A restrição pode agravar a crise em estados como Roraima, onde o PIB per capita é o menor do país, R$ 18 mil em 2024. Até a decisão final, o tema segue mobilizando especialistas, parlamentares e a sociedade, com audiências previstas para abril e maio de 2025 nas comissões da Câmara.

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