Rio de Janeiro

Casarão desaba no Centro do Rio de Janeiro, deixando um morto

Desabamento no centro do RJ
Desabamento no centro do RJ - Reprodução/ TV Globo Desabamento no centro do RJ - Reprodução/ TV Globo

Um casarão de três andares desabou na Rua Senador Pompeu, no coração do Centro do Rio de Janeiro, no início da tarde desta quinta-feira, 20 de março, deixando um homem morto e reacendendo o alerta sobre a conservação de imóveis antigos na região. O colapso da estrutura, que abrigava uma loja de doces no térreo, atingiu veículos estacionados e gerou uma nuvem de poeira que tomou conta da área próxima à Central do Brasil, uma das mais movimentadas da cidade. Equipes de emergência, incluindo bombeiros, Defesa Civil e Guarda Municipal, foram mobilizadas rapidamente para conter os danos e garantir a segurança no local.

O incidente ocorreu por volta das 13h29, quando o Corpo de Bombeiros recebeu o chamado. A vítima fatal, ainda não identificada oficialmente, estava dentro de um carro soterrado pelos escombros. Outros dois veículos também foram danificados, e postes de energia colapsaram, ampliando os riscos na região. A Rua Senador Pompeu precisou ser interditada, impactando o trânsito em um dos pontos mais movimentados do Centro.

A operação de resgate foi marcada por cautela devido ao risco de novos desmoronamentos. Técnicos da Defesa Civil e agentes da CET-Rio trabalharam para isolar a área, enquanto a concessionária Light avaliou os danos na rede elétrica. A tragédia expôs, mais uma vez, os desafios enfrentados pela cidade na preservação de construções históricas e no combate ao abandono de imóveis.

Histórico de problemas e vistorias no imóvel

O casarão que desabou já estava no radar das autoridades há algum tempo. O subprefeito do Centro, Alberto Szafran, revelou que a Defesa Civil municipal realizou duas vistorias no imóvel, uma em 2023 e outra em 2024, devido ao seu estado de abandono. Nessas ocasiões, o proprietário foi notificado sobre as condições precárias da estrutura, mas nenhuma medida efetiva foi tomada para evitar o colapso. Agora, ele deve ser responsabilizado pelo acidente que resultou na morte de uma pessoa.

Antes do desabamento, o prédio estava vazio, embora funcionasse como loja de doces no passado. A ausência de manutenção e o descaso com a conservação são problemas recorrentes em construções antigas do Centro do Rio. Relatos indicam que o imóvel apresentava sinais visíveis de deterioração, como rachaduras e infiltrações, que podem ter contribuído para o incidente. A investigação, conduzida pela 4ª DP (Presidente Vargas), busca determinar as causas exatas do desmoronamento.

A prefeitura informou que está em fase avançada de elaboração um programa de subsídios voltado para proprietários de imóveis em situações semelhantes. A iniciativa visa incentivar a recuperação de prédios abandonados, mas, até o momento, detalhes sobre sua implementação não foram divulgados.

Esforços de resgate e segurança no local

Após o desabamento, o Corpo de Bombeiros agiu rapidamente para resgatar a vítima presa no veículo atingido pelos escombros. O major Fábio Contreiras, porta-voz da corporação, destacou a importância do isolamento da área devido ao risco iminente de queda de outras partes da estrutura. Apesar da varredura inicial em três veículos danificados, nenhuma outra vítima foi encontrada, mas uma nova inspeção foi programada para garantir que ninguém mais estivesse em perigo.

A nuvem de poeira que se formou logo após o colapso dificultou a visibilidade e chamou a atenção de quem passava pelo local. Equipes da Defesa Civil estadual e municipal trabalharam em conjunto para avaliar a estabilidade do que restou do casarão. A Guarda Municipal auxiliou no controle do perímetro, enquanto operadores da Light atuaram para restabelecer a segurança da rede elétrica afetada pelos postes derrubados.

A operação envolveu cerca de 30 bombeiros de diferentes unidades, além de equipamentos especializados para retirada de entulhos. A prioridade foi garantir que não houvesse mais vítimas soterradas, embora Contreiras tenha afirmado que, até o momento, não havia registros de outras pessoas desaparecidas ou feridas.

Desabamento no centro do RJ
Desabamento no centro do RJ – Foto: Reprodução/ TV Globo
Desabamento no centro do RJ
Desabamento no centro do RJ – Foto: Reprodução/ TV Globo

Abandono de imóveis: um problema crônico no Rio

Casos como o desabamento na Rua Senador Pompeu não são novidade no Rio de Janeiro. A região central da cidade abriga dezenas de casarões e prédios históricos que, ao longo dos anos, foram deixados ao abandono por seus proprietários. Muitos desses imóveis, apesar de sua relevância cultural e arquitetônica, sofrem com a falta de manutenção, tornando-se riscos à população. Em agosto de 2023, por exemplo, um sobrado na Rua Senhor dos Passos, também no Centro, colapsou após ser notificado nove vezes pela Defesa Civil desde 2018.

A deterioração dessas construções é agravada por fatores como chuvas intensas, infiltrações e ocupações irregulares. No caso do casarão da Avenida Mem de Sá, que desabou parcialmente em 8 de março deste ano, moradores e comerciantes já haviam denunciado a presença de pessoas em situação de rua e furtos de materiais da estrutura. O imóvel, pertencente à Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, também estava interditado antes do incidente, mas isso não impediu o colapso.

Dados mostram que a prefeitura tem intensificado esforços para lidar com o problema. Desde outubro de 2023, existe a previsão de tomada de posse de imóveis abandonados ou com impostos atrasados por mais de cinco anos. No entanto, a aplicação prática dessa medida ainda enfrenta entraves burocráticos e resistência de proprietários.

Cronologia dos desabamentos recentes no Centro do Rio

Os incidentes envolvendo casarões no Centro do Rio têm se tornado frequentes, destacando a urgência de ações preventivas. Confira uma linha do tempo com alguns dos casos mais recentes:

  • Agosto de 2023: Sobrado na Rua Senhor dos Passos desaba após nove notificações da Defesa Civil. Pertencente ao Rioprevidência, o imóvel estava em processo de licitação para reformas.
  • Março de 2025: Fachada de casarão na Avenida Mem de Sá colapsa, atingindo um motociclista. O prédio já havia sido vistoriado três vezes em 2024.
  • 20 de março de 2025: Casarão na Rua Senador Pompeu desmorona, matando um homem em um carro soterrado pelos escombros.

Esses episódios evidenciam a fragilidade estrutural de muitas construções na região e a demora na adoção de medidas efetivas para evitar tragédias.

Impactos no trânsito e na vida urbana

A interdição da Rua Senador Pompeu gerou transtornos imediatos para motoristas e pedestres que circulam pelo Centro do Rio. Localizada próxima à Central do Brasil, a via é um ponto estratégico para o fluxo de veículos e transporte público. Agentes da CET-Rio orientaram desvios pela Rua Visconde da Gávea, mas o bloqueio deve permanecer até que a área seja completamente liberada pelas autoridades.

Comerciantes da região também foram afetados. A loja de doces que funcionava no térreo do casarão estava fechada no momento do desabamento, mas estabelecimentos vizinhos relataram dificuldades de acesso para clientes. A poeira e os escombros espalhados pela rua dificultaram ainda mais a rotina de quem depende da área para trabalhar.

O incidente reforça a necessidade de um plano integrado para revitalizar o Centro, equilibrando a preservação histórica com a segurança pública. A proximidade com a Central do Brasil, um dos maiores terminais de transporte do país, torna a região ainda mais sensível a interrupções como essa.

Medidas emergenciais e investigação em curso

Técnicos da Defesa Civil permanecem no local para avaliar os riscos remanescentes e definir os próximos passos. A estrutura que sobrou do casarão apresenta instabilidade, o que pode exigir sua demolição total. Enquanto isso, a 4ª DP (Presidente Vargas) conduz as investigações para apurar as responsabilidades pelo desabamento. O foco está nas condições do imóvel e na possível negligência do proprietário, que foi notificado anteriormente.

A prefeitura destacou que o dono do casarão será responsabilizado pelo ocorrido. Alberto Szafran, subprefeito do Centro, enfatizou que o estado de abandono foi determinante para a tragédia. Paralelamente, equipes da Secretaria de Conservação trabalham na remoção dos entulhos, e a Comlurb foi acionada para limpar a área após a liberação dos bombeiros.

A operação de limpeza e segurança deve se estender pelas próximas horas, com o objetivo de minimizar os impactos no entorno. A Light, por sua vez, atua para reparar os postes danificados e restabelecer a energia em trechos afetados.

Riscos e desafios para o futuro

O desabamento na Rua Senador Pompeu expõe um cenário preocupante no Rio de Janeiro. Especialistas apontam que a combinação de falta de manutenção, intempéries e ocupações irregulares é uma ameaça constante em áreas urbanas históricas. No Centro, muitos prédios estão em condições precárias, mas a burocracia e os custos elevados dificultam reformas.

A seguir, alguns dos principais desafios relacionados à conservação de imóveis no Rio:

  • Falta de fiscalização efetiva em propriedades privadas.
  • Dificuldade em localizar e responsabilizar proprietários ausentes.
  • Altos custos de restauração de construções antigas.
  • Pressão urbana, com ocupações irregulares e furtos de materiais.

A tragédia desta quinta-feira serve como alerta para a necessidade de políticas públicas mais ágeis e abrangentes.

O que acontece agora na região afetada

Passada a fase inicial de resgate, o foco das autoridades é garantir a segurança da população e restabelecer a normalidade na Rua Senador Pompeu. A Defesa Civil deve emitir um laudo técnico sobre as condições do casarão, indicando se a demolição será necessária. Até lá, a área permanece isolada, e o trânsito segue desviado.

Comerciantes e moradores aguardam informações sobre os próximos passos. A morte do homem no veículo soterrado trouxe à tona a gravidade do problema, pressionando a prefeitura e o governo estadual a agir. O programa de subsídios mencionado por Szafran pode ser uma alternativa, mas sua efetividade dependerá de rapidez e alcance.

A investigação policial, por sua vez, busca esclarecer se o desabamento poderia ter sido evitado. Enquanto isso, o Centro do Rio segue lidando com as consequências de mais um colapso estrutural, em um ciclo que parece longe de acabar.

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