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Dólar cai a 5,64 e Selic sobe para 14,25% em dia movimentado no mercado financeiro

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Dólar Real - Foto: rafastockbr/shutterstock.com Dólar Real - Foto: rafastockbr/shutterstock.com

Dólar cai a 5,64 e Selic sobe para 14,25% em dia movimentado no mercado financeiro

O dólar comercial encerrou o pregão desta quinta-feira, 20 de março, em queda de 0,39%, cotado a 5,6485 reais, refletindo a reação do mercado à decisão do Banco Central do Brasil de elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, alcançando 14,25% ao ano. A medida, anunciada na véspera, visa conter pressões inflacionárias em um cenário de incertezas econômicas globais e domésticas, enquanto o real registra volatilidade frente à moeda americana. O dia foi marcado por oscilações, com a cotação variando entre 5,6320 e 5,6914 reais, influenciada pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e pela expectativa de indicadores econômicos internacionais. No mesmo período, a projeção do IPCA para os próximos 12 meses até o terceiro trimestre de 2026 foi ajustada de 4,0% para 3,9%, sinalizando um leve alívio nas estimativas de inflação.

A alta da Selic, que agora está no maior patamar desde janeiro de 2017, reflete a estratégia do Banco Central para ancorar as expectativas de inflação, que seguem acima da meta de 3,0% para 2025. A decisão veio acompanhada de um comunicado indicando que o ritmo de aperto monetário pode ser reduzido na próxima reunião, prevista para maio, caso o cenário econômico permita. Enquanto isso, o dólar, que abriu o dia a 5,6713 reais, perdeu força ao longo da sessão, pressionado pela entrada de capitais atraídos pelos juros elevados no Brasil. Operadores do mercado apontam que o movimento também foi influenciado por dados mistos nos Estados Unidos, como os pedidos de seguro-desemprego, divulgados nesta quinta-feira.

No âmbito doméstico, o mercado financeiro acompanhou de perto o desempenho da B3, onde o dólar futuro registrou queda de 0,36%, fechando a 5.663,00 pontos, com volume de 207.225 contratos negociados. A combinação de uma Selic mais alta e um dólar em leve baixa traz alívio momentâneo para importadores, mas mantém exportadores em alerta, diante de um real que ainda acumula valorização de 12,29% em um ano frente à moeda americana.

Selic em alta muda dinâmica do mercado

A elevação da taxa básica de juros para 14,25% reforça o compromisso do Banco Central em controlar a inflação, que acumula 4,71% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. A decisão de aumentar a Selic em 1 ponto percentual, tomada na reunião do Copom em 19 de março, foi amplamente esperada por analistas, mas o tom do comunicado surpreendeu ao sugerir uma pausa ou redução no ritmo de altas futuras. Isso ocorre em um momento em que a economia brasileira enfrenta desafios como o aumento do custo de vida e a desaceleração do crescimento global, afetando diretamente o câmbio e os investimentos.

No mercado de câmbio, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, onde a taxa básica está em torno de 4,5%, continua a atrair fluxo de capitais para o país. Esse movimento ajuda a explicar a queda do dólar para 5,6485 reais, mesmo com a moeda americana mostrando resiliência em outros mercados emergentes. A cotação, que atingiu a mínima de 5,6320 reais durante o dia, reflete a busca por ativos brasileiros de maior rentabilidade, como títulos públicos atrelados à Selic. Para economistas, o patamar elevado dos juros pode sustentar o real no curto prazo, mas a volatilidade deve persistir diante de eventos econômicos globais.

O ajuste na projeção do IPCA para 3,9% até meados de 2026 também foi bem recebido por investidores, embora o índice ainda esteja acima do centro da meta. A redução de 0,1 ponto percentual nas estimativas sugere que as medidas de aperto monetário começam a surtir efeito, mas o caminho até a estabilidade inflacionária permanece longo, pressionando o Banco Central a manter uma postura vigilante.

Dólar reage a indicadores globais e locais

Oscilando ao longo do dia, o dólar comercial abriu em 5,6713 reais e chegou a bater 5,6914 reais na máxima, antes de recuar para o patamar de 5,6485 reais ao fim do pregão. A queda de 0,39% foi impulsionada por fatores externos, como a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos, que mostraram pedidos iniciais de seguro-desemprego em 220 mil na semana anterior, ligeiramente abaixo das expectativas de 224 mil. Esse resultado, aliado ao índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia, que caiu de 18,1 para 8,8 em março, indica uma desaceleração na economia americana, enfraquecendo o dólar globalmente.

No Brasil, a alta da Selic ampliou o diferencial de juros, tornando os ativos locais mais atraentes para investidores estrangeiros. A entrada de fluxo cambial, embora ainda não detalhada nos dados desta semana, contribuiu para a desvalorização da moeda americana. Na B3, o volume de contratos negociados no mercado futuro reforça a percepção de que o real pode manter uma trajetória de fortalecimento no curto prazo, mesmo com variações diárias expressivas. A mínima de 5,6320 reais, registrada no início da tarde, foi o ponto mais baixo da sessão, refletindo a pressão vendedora sobre o dólar.

A variação do dólar em 52 semanas, entre 4,9504 e 6,3144 reais, mostra como a moeda tem enfrentado um cenário de instabilidade ao longo do último ano. A valorização de 12,29% do real desde março do ano passado é um indicativo da força dos fundamentos domésticos, como os juros altos, mas também expõe a dependência de fatores externos, como as decisões do Federal Reserve e o desempenho de commodities.

Calendário econômico impacta expectativas

O dia 20 de março trouxe uma agenda econômica repleta de indicadores que influenciaram o mercado financeiro global e local. Confira os principais eventos:

  • 09:30 (horário de Brasília): Pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA ficaram em 220 mil, ante expectativa de 224 mil.
  • 09:30: Índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia caiu para 8,8, abaixo dos 18,1 esperados.
  • 11:00: Vendas de casas usadas nos EUA recuaram para 4,08 milhões em fevereiro, contra previsão de 3,95 milhões.
  • 14:30: Fluxo cambial estrangeiro no Brasil, divulgado às quintas-feiras, registrou saída de 0,783 bilhão de dólares na semana anterior.

Esses dados moldaram as expectativas de investidores, com o recuo na atividade industrial americana sinalizando um possível alívio nas pressões sobre o dólar. No Brasil, o fluxo cambial negativo da semana passada contrasta com a entrada de recursos observada nesta quinta-feira, sugerindo uma reversão pontual impulsionada pela Selic mais alta.

Fatores que movimentam o câmbio

Diversos elementos explicam o comportamento do dólar a 5,6485 reais e da Selic a 14,25%. Entre os principais estão:

  • Diferencial de juros: Com a Selic em 14,25% e os juros americanos em 4,5%, o Brasil se torna atrativo para investidores estrangeiros.
  • Inflação controlada: A projeção do IPCA em 3,9% para 2026 indica efeito das políticas monetárias.
  • Dados americanos: A desaceleração nos EUA pressiona o dólar para baixo em mercados emergentes.
  • Fluxo de capitais: A entrada de recursos no Brasil sustenta o real, mesmo com volatilidade.

Esses fatores criam um ambiente de cautela, mas também de oportunidades para o mercado financeiro brasileiro, que segue sensível a indicadores globais.

Projeções e rumos da economia

Com a Selic em 14,25%, o Banco Central sinaliza que o ciclo de altas pode estar próximo de uma pausa, dependendo da evolução da inflação e do crescimento econômico. A projeção ajustada do IPCA para 3,9% até o terceiro trimestre de 2026 reflete um cenário de arrefecimento gradual, mas ainda distante da meta de 3,0%. Economistas preveem que o dólar pode oscilar entre 5,50 e 5,70 reais nas próximas semanas, caso os juros altos continuem a atrair capitais e os Estados Unidos mantenham uma política monetária menos agressiva.

O impacto da taxa de juros elevada já se faz sentir no crédito doméstico, com empréstimos mais caros para consumidores e empresas. Em contrapartida, o real fortalecido beneficia setores como o de importação, enquanto exportadores enfrentam margens menores com a cotação atual. O mercado agora aguarda os próximos dados de fluxo cambial e o discurso de membros do Federal Reserve, como John Williams, previsto para sexta-feira, que podem trazer novas pistas sobre o rumo das moedas.

A B3, principal termômetro do mercado financeiro brasileiro, registrou movimentação intensa, com o dólar futuro caindo 0,36% e fechando a 5.663,00 pontos. Esse desempenho reforça a percepção de que o real mantém força relativa, mas a volatilidade deve persistir, especialmente com eventos como o leilão de TIPS a 10 anos nos EUA e a divulgação da receita tributária federal no Brasil, ambos agendados para os próximos dias.

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