A reta final de Beleza Fatal, primeira novela original da plataforma Max, chegou ao público na segunda-feira, 17 de março, com uma leva de episódios que intensificaram o clima de suspense e reforçaram a assinatura única de Raphael Montes, criador da trama. Exibida desde 27 de janeiro, a produção de 40 capítulos conquistou os espectadores com uma mistura explosiva de melodrama, thriller policial e questionamentos sociais, características marcantes do autor já conhecidas em obras como Bom Dia, Verônica e Dias Perfeitos. O penúltimo episódio, em especial, trouxe um gancho clássico do gênero policial — o famoso “quem matou?” — centrado na morte de Benjamin (Caio Blat), elevando a expectativa para o desfecho, que será exibido nesta sexta-feira, 21 de março. A novela, que também estreou na TV aberta pela Band no dia 10 de março, solidifica o talento de Montes em transformar narrativas densas em um “novelão” moderno e cativante.
Com direção geral de Maria de Médicis e supervisão de Silvio de Abreu, Beleza Fatal acompanha Sofia (Camila Queiroz), uma jovem movida pela vingança contra a tia Lola (Camila Pitanga), responsável pela prisão injusta de sua mãe. A trama se entrelaça com a família Paixão, que busca justiça após a morte de Rebeca, vítima de uma cirurgia plástica malsucedida. Nos últimos capítulos, o ritmo acelerado e as reviravoltas inesperadas, como a execução de Benjamin no hospital, destacam o domínio de Montes em criar tensão e manipular as emoções do público. A novela, que já liderou o ranking de audiência no streaming e gerou memes virais com os bordões de Lola, prova que o gênero ainda tem força, agora adaptado ao formato ágil das plataformas digitais.
A combinação de suspense policial com dilemas morais não é novidade para quem acompanha a trajetória de Raphael Montes. Aos 34 anos, o carioca já é um nome consolidado na literatura e no audiovisual brasileiro, com mais de 850 mil livros vendidos pela Companhia das Letras e sucessos adaptados como Uma Família Feliz, que virou filme, e Dias Perfeitos, em produção para a Globoplay. Em Beleza Fatal, ele explora temas como os limites da estética, a busca por justiça e os perigos da vingança, mantendo o público preso até o último instante.
Trama policial ganha força na reta final
Os últimos episódios de Beleza Fatal mergulham de cabeça no gênero policial, uma das paixões de Raphael Montes desde o início de sua carreira. A morte de Benjamin, personagem interpretado por Caio Blat, ocorre no capítulo 39, quando uma figura misteriosa, usando óculos escuros e lenço, o elimina no hospital. A ausência de identificação do assassino transforma o desfecho em um evento aguardado, remetendo a clássicos como Vale Tudo e Avenida Brasil, que usaram o “quem matou?” para mobilizar o público. A estratégia da Max de liberar os quatro últimos capítulos na segunda-feira e reservar o final para sexta-feira, às 19h (horário de Brasília), cria uma experiência coletiva, algo raro no streaming.
Além do assassinato, a trama policial se aprofunda com a revelação de corrupções e jogos de poder que permeiam a narrativa desde o início. Lola, a vilã vivida por Camila Pitanga, enfrenta as consequências de suas escolhas, enquanto Sofia, ou Júlia, como também é chamada, vê sua vingança tomar rumos inesperados. A habilidade de Montes em construir personagens complexos e situações dúbias mantém o espectador questionando os limites entre justiça e obsessão.
DNA de Raphael Montes em cada detalhe
Raphael Montes imprime sua marca em Beleza Fatal ao trazer elementos que definem sua obra: mistério, tensão psicológica e reflexões sociais. Assim como em Bom Dia, Verônica, série da Netflix que ele cocriou com Ilana Casoy, a novela aborda corrupção e violência com uma narrativa crua e envolvente. A morte de Benjamin, por exemplo, não é apenas um plot twist, mas um catalisador que expõe as fraquezas e ambições dos personagens, um recurso recorrente nos livros do autor, como Jantar Secreto e Suicidas.
O confronto entre Lola e Sofia reflete outra característica de Montes: relações obsessivas e destrutivas. Em Dias Perfeitos, Téo sequestra Clarice em nome de um amor doentio; em Beleza Fatal, Sofia nutre um ódio que a consome, enquanto Lola tenta manipular todos ao seu redor. A novela, porém, vai além do embate pessoal e toca em questões contemporâneas, como a pressão estética e os riscos de procedimentos cosméticos, ampliando o debate para o público.
Cronologia da produção e impacto
A trajetória de Beleza Fatal reflete o planejamento de Raphael Montes e da Max para reinventar o gênero das novelas. Confira os principais momentos:
- Outubro de 2023: Montes anuncia a proposta ousada da trama, com suspense e reviravoltas inéditas.
- 27 de janeiro: Estreia na Max, alcançando o topo do streaming na América Latina.
- 10 de março: Início da exibição na Band, após negociação com a Warner Bros. Discovery.
- 17 de março: Penúltima leva de episódios é liberada, com o gancho da morte de Benjamin.
- 21 de março: Episódio final vai ao ar às 19h, prometendo um desfecho impactante.
A novela, com apenas 40 capítulos, contrasta com os tradicionais 150 a 200 das produções abertas, mas mantém a essência melodramática que Montes sempre admirou.
Elenco brilha sob direção de Montes
O sucesso de Beleza Fatal também se deve ao elenco estelar, que dá vida aos personagens multifacetados criados por Raphael Montes. Camila Pitanga rouba a cena como Lola, uma vilã carismática cujos bordões, como “eu me amo”, viralizaram nas redes sociais. Montes já revelou que a personagem foi inspirada em sua mãe, uma mulher de personalidade expansiva, o que adiciona um toque pessoal à trama. Camila Queiroz, por sua vez, entrega uma Sofia intensa, cuja transformação de vítima a algoz mantém o público intrigado.
A participação de nomes como Giovanna Antonelli (Elvira), Herson Capri (Átila) e Marcelo Serrado (Rogério) enriquece a narrativa, enquanto a direção de Maria de Médicis garante um visual moderno e dinâmico. A supervisão de Silvio de Abreu, veterano da teledramaturgia, trouxe equilíbrio entre o clássico e o inovador, algo que Montes destaca como essencial para o projeto.
Temas sociais em destaque
Além do suspense, Beleza Fatal aborda questões que ressoam na sociedade atual. A trama expõe os perigos da indústria da beleza, com a morte de Rebeca servindo como crítica aos padrões estéticos inalcançáveis. A prisão injusta da mãe de Sofia levanta debates sobre falhas no sistema judicial, enquanto a corrupção policial reforça a desconfiança nas instituições. Esses elementos, aliados ao drama pessoal dos personagens, tornam a novela um espelho de dilemas contemporâneos.
A narrativa também explora a ambiguidade moral. Sofia, inicialmente uma mocinha em busca de justiça, cruza linhas éticas, enquanto Lola, apesar de suas ações cruéis, revela vulnerabilidades. Essa complexidade é um traço típico de Montes, que evita maniqueísmos e desafia o público a refletir sobre o que é certo ou errado.
Repercussão entre o público e a crítica
A reta final de Beleza Fatal gerou uma onda de reações nas redes sociais, com fãs especulando sobre o assassino de Benjamin. Sofia e Lola despontam como principais suspeitas, mas teorias apontam até mesmo para personagens secundários, como Júlia ou alguém da família Paixão. O gancho do “quem matou?” foi elogiado por resgatar a emoção das novelas tradicionais, enquanto a crítica destaca a habilidade de Montes em equilibrar melodrama e suspense.
Os números impressionam: a novela liderou o ranking da Max em diversos países, incluindo Brasil, Portugal e Estados Unidos, e sua chegada à Band ampliou ainda mais o alcance. A participação de Montes no podcast Um Milk-Shake Chamado Wanda, em 18 de março, revelou que o final será fechado, sem ganchos para uma segunda temporada, mas impactante o suficiente para “incomodar” o público.
Legado de um novelão moderno
Raphael Montes sempre declarou seu amor pelas novelas, gênero que acompanhou desde a infância. Em Beleza Fatal, ele homenageia clássicos como A Próxima Vítima e Celebridade, mas adiciona um frescor que dialoga com o público jovem e os hábitos de consumo do streaming. A trama rápida, com reviravoltas em menos de 40 capítulos, contrasta com a duração extensa das produções tradicionais, mostrando que o formato pode se adaptar sem perder força.
O sucesso da novela abre portas para mais projetos do gênero no streaming, algo que Montes celebra. Sua parceria com a Max e a Warner Bros. Discovery prova que histórias brasileiras têm apelo global, enquanto o elenco e a produção de alto nível elevam o padrão da teledramaturgia nacional.
Curiosidades sobre Beleza Fatal
Para os fãs da trama, alguns detalhes enriquecem a experiência:
- O título original era Segundas Intenções, mudado por ser considerado abstrato demais.
- Montes escreveu dois finais, mas garante que apenas um foi gravado.
- A personagem Lola foi ajustada após sugestões de Camila Pitanga, que colaborou na cena final.
- A novela alcançou o topo da Max em menos de uma semana após a estreia.
Esses bastidores mostram o cuidado na construção de uma obra que já se tornou referência no audiovisual brasileiro.

