A partir de 17 de março de 2025, o governo federal colocou em vigor o novo Cadastro Único, uma reformulação que substitui o Número de Identificação Social (NIS) pelo Cadastro de Pessoa Física (CPF) como principal identificador dos beneficiários de programas sociais no Brasil. A mudança, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), integra tecnologias como biometria e promete maior segurança e agilidade no acesso a benefícios como o Bolsa Família. A modernização atinge diretamente os mais de 71,7 milhões de brasileiros cadastrados, mas não exige recadastramento imediato para quem já está no sistema, desde que os dados estejam atualizados.
O processo de transição começou a ser preparado ainda em fevereiro, com a capacitação online de operadores e entrevistadores sociais em todo o país. A trilha de treinamento, dividida em níveis básico, intermediário e avançado, foi concluída por milhares de profissionais até o início de março, garantindo que os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) estivessem aptos a operar a nova plataforma. Nos primeiros dias de funcionamento, cidades como Brasília e Salvador já registraram redução no tempo de atendimento, enquanto áreas rurais, como no interior do Amazonas, reportaram dificuldades com a infraestrutura tecnológica necessária para a coleta de dados biométricos.
A atualização do sistema também trouxe preocupações. Beneficiários do Bolsa Família, principal programa vinculado ao Cadastro Único, têm relatado cortes nos valores recebidos desde o lançamento do aplicativo reformulado, em 17 de março de 2025. O governo atribui essas reduções à regra de proteção, que ajusta o benefício para 50% do valor original quando a renda per capita ultrapassa R$ 218 por pessoa, mas mantém as famílias no programa por até dois anos. A situação gerou filas nos CRAS e movimentou debates no Congresso Nacional sobre possíveis mudanças nas regras.
Modernização agiliza processos, mas enfrenta desafios regionais
A substituição do NIS pelo CPF no Cadastro Único visa integrar o sistema a outras bases nacionais, como a Carteira de Identidade Nacional e registros biométricos, permitindo consultas em tempo real sobre renda, empregos formais e benefícios previdenciários. Em São Paulo, por exemplo, os CRAS já conseguem validar informações de um beneficiário em menos de cinco minutos, graças à interligação online. O MDS estima que, até dezembro de 2025, a modernização estará consolidada em 90% dos municípios brasileiros, beneficiando os cerca de 21 milhões de lares inscritos no Bolsa Família e outros 40 programas sociais federais.
Apesar dos avanços, a implementação enfrenta barreiras. Regiões afastadas, como o sertão nordestino, ainda lidam com problemas de conectividade, o que impede a plena utilização do sistema digital. Em cidades como Petrolina, em Pernambuco, técnicos relatam que a falta de equipamentos adequados para leitura biométrica tem atrasado novos cadastros. O governo anunciou que, até junho de 2025, 500 mil reais serão investidos em infraestrutura para equipar unidades em áreas vulneráveis, mas a medida ainda não resolveu as demandas imediatas de atendimento presencial.
A flexibilização nas regras de atualização também marca essa reforma. Famílias sem alterações na renda ou composição agora só precisam revisar seus dados a cada dois anos, aliviando a pressão sobre os CRAS. Para novos inscritos ou quem teve mudanças significativas, como aumento de renda ou nascimento de filhos, a coleta de biometria passou a ser obrigatória desde março. Nos primeiros 15 dias do novo sistema, mais de 50 mil cadastros biométricos foram realizados, especialmente em capitais do Sudeste e Sul.
Beneficiários relatam cortes no Bolsa Família após mudanças
Com o lançamento do aplicativo atualizado do Cadastro Único, em 17 de março de 2025, milhares de famílias notaram reduções nos valores do Bolsa Família. Em Belém, uma beneficiária relatou que seu pagamento caiu de R$ 600 para R$ 250, mesmo sem alterações na renda declarada. O MDS explica que a integração com bases de dados nacionais permite uma checagem mais precisa da renda per capita, resultando em ajustes automáticos para quem ultrapassa o limite de R$ 218 por pessoa. Nos casos de erro, a orientação é procurar o CRAS com documentos comprobatórios, como contracheques e certidões.
A regra de proteção, que reduz o benefício mas mantém a família no programa por até dois anos, foi alvo de críticas. Em resposta, o Congresso discute um projeto de lei para ampliar esse período para quatro anos, dando mais tempo às famílias que conseguiram melhorar de renda. Dados do MDS mostram que, em março de 2025, cerca de 1,2 milhão de beneficiários foram impactados por cortes, mas 80% permanecem elegíveis ao programa sob a regra de transição. A falta de campanhas amplas de esclarecimento, porém, tem deixado muitos sem entender os motivos das mudanças.
A situação mobilizou movimentos sociais em cidades como Rio de Janeiro e Recife, onde protestos pediram mais transparência nos critérios de ajuste. O governo prometeu intensificar a comunicação até maio de 2025, com spots na TV e rádio explicando como consultar e corrigir dados no aplicativo. Enquanto isso, os CRAS registram aumento de 30% na procura por revisões cadastrais desde o início do novo sistema.
Entenda o funcionamento do sistema reformulado
O novo Cadastro Único opera com foco na digitalização e na autonomia do usuário. Pelo aplicativo, disponível para Android e iOS, é possível consultar o status do benefício com o CPF, verificar a renda per capita registrada e conferir a composição familiar. O sistema também notifica automaticamente quem precisa atualizar dados, como nos casos de:
- Mudança de endereço ou telefone;
- Nascimento ou morte de membros da família;
- Alteração na renda ou vínculo empregatício.
Para novos cadastros, a biometria é obrigatória e feita nos CRAS equipados, um processo que leva cerca de 10 minutos.
O cronograma de atualizações segue um calendário fixo:
- Revisão bienal para famílias sem mudanças, com prazo até o fim do segundo ano;
- Atualização imediata para quem teve alterações significativas;
- Validação biométrica para todos os novos inscritos a partir de março de 2025.
Nos primeiros meses, o MDS registrou 120 mil downloads do aplicativo, indicando boa adesão, mas a dependência de internet limita o acesso em áreas remotas.
A capacitação contínua dos operadores é outro pilar da reforma. Até julho de 2025, mais de 10 mil profissionais devem passar por novos módulos de treinamento online, focados em gestão de riscos e prevenção de fraudes. O sistema agora monitora inconsistências em tempo real, como beneficiários com empregos formais não declarados, o que já resultou na exclusão de 15 mil cadastros irregulares em março.
Dicas práticas para acompanhar as mudanças
Manter o Cadastro Único atualizado é essencial para evitar bloqueios ou cortes nos benefícios. Algumas ações simples podem ajudar:
- Acesse o aplicativo mensalmente para checar o valor do Bolsa Família;
- Regularize o CPF na Receita Federal, caso haja pendências;
- Atualize os dados no CRAS logo após mudanças na família ou renda;
- Guarde documentos como RG, CPF e comprovantes de residência para revisões.
Esses passos garantem que o sistema reflita a situação real de cada beneficiário.
Oficinas comunitárias, organizadas por prefeituras e ONGs, têm ensinado famílias a usar o aplicativo em cidades como Porto Alegre e Fortaleza. Em uma ação recente, no dia 19 de março de 2025, cerca de 200 pessoas foram orientadas em um CRAS da capital gaúcha. A iniciativa deve se expandir para mais 50 municípios até o fim do semestre, alcançando quem tem dificuldade com tecnologia.
O governo prevê que, até 2026, 6,4 milhões de famílias serão notificadas para atualizar seus dados, um processo essencial para manter os benefícios ativos. A modernização do Cadastro Único, apesar dos desafios iniciais, é vista como um passo para tornar os programas sociais mais eficientes e justos, mas seu sucesso dependerá de investimentos contínuos em infraestrutura e comunicação com a população.