Pela primeira vez em duas décadas, Brasil e Argentina entram em campo sem os craques Neymar e Lionel Messi, protagonistas de uma era marcada por rivalidade intensa e jogos memoráveis. O confronto, válido pela 14ª rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, ocorre nesta terça-feira, às 21h (horário de Brasília), no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Ambos os astros estão fora devido a lesões na coxa esquerda, encerrando uma sequência de 20 clássicos em que pelo menos um deles esteve presente. A última vez que as seleções se enfrentaram sem nenhum dos dois foi em 29 de junho de 2005, na final da Copa das Confederações, quando o Brasil goleou por 4 a 1 em uma exibição histórica do chamado “quadrado mágico” — Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano.
Nos últimos 20 anos, os embates entre as duas potências sul-americanas foram sinônimo de talento individual e disputas acirradas. Dados históricos mostram que, dos 20 jogos disputados desde 2005, apenas cinco contaram com Neymar e Messi juntos em campo. Nessas partidas, a Argentina levou a melhor, vencendo três vezes contra duas vitórias brasileiras, com um saldo de gols de 6 a 8 a favor do Brasil. Quando apenas um dos craques esteve presente, o equilíbrio permaneceu: em nove jogos com Messi sem Neymar, o Brasil venceu quatro, a Argentina três e houve dois empates; já em seis partidas com Neymar sem Messi, o Brasil venceu quatro, com uma vitória argentina e um empate. Esses números refletem a influência dos dois jogadores na história recente do clássico.
O jogo desta semana não apenas quebra essa escrita como também coloca em evidência uma nova geração de atletas. No lado brasileiro, a ausência de Neymar abre espaço para Rodrygo, que assume a camisa 10 mais uma vez, enquanto na Argentina Ángel Correa herda o número emblemático de Messi, mesmo sendo habitualmente reserva. A partida promete ser um teste para as equipes, que buscam consolidar suas posições nas Eliminatórias — o Brasil na luta para subir na tabela e a Argentina para manter a liderança.
- Brasil x Argentina em 2005: vitória por 4 a 1 na final da Copa das Confederações.
- Últimos 20 clássicos: sempre com Neymar, Messi ou ambos em campo.
- Eliminatórias 2026: jogo no Monumental de Núñez marca nova era no confronto.
Retrospecto revela equilíbrio e domínio alternado
Ao longo das últimas duas décadas, o duelo entre Brasil e Argentina foi palco de momentos inesquecíveis, com resultados que mostram um equilíbrio notável. Desde a estreia de Messi pela seleção argentina, em 2005, até o último encontro entre os dois astros, na final da Copa América de 2021, foram 20 jogos disputados. O Brasil leva uma leve vantagem no geral, com 10 vitórias contra sete da Argentina e três empates. No entanto, o aproveitamento muda dependendo da presença dos craques. Quando Neymar e Messi jogaram juntos, a Argentina venceu em 60% dos casos, incluindo a conquista histórica no Maracanã, em 2021, que deu a Messi seu primeiro título com a seleção principal.
Por outro lado, o Brasil se destaca nos confrontos em que apenas Neymar esteve em campo, vencendo quatro dos seis jogos — um aproveitamento de 66,7%. Já com Messi sozinho, sem o camisa 10 brasileiro, os argentinos venceram três dos nove embates, mas o Brasil ainda saiu vitorioso em quatro ocasiões. Esses dados mostram como a presença de um ou outro alterou o rumo das partidas ao longo dos anos. A goleada de 2005, último jogo sem os dois, permanece como uma referência de um tempo em que o coletivo brasileiro superou o talento individual argentino, algo que as seleções atuais tentam replicar em meio às ausências.
A rivalidade também foi marcada por episódios curiosos, como o “clássico da Anvisa”, em setembro de 2021. Na ocasião, Neymar e Messi estavam escalados para o jogo em São Paulo, mas a partida foi interrompida aos quatro minutos devido à entrada de agentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que questionaram a situação de jogadores argentinos em relação a protocolos sanitários da pandemia. O duelo acabou anulado pela Fifa, entrando para a história como um capítulo à parte na saga entre as duas equipes.
Lesões abrem espaço para novos protagonistas
As lesões que afastam Neymar e Messi do confronto desta terça-feira têm impacto significativo nas estratégias das duas seleções. Neymar sofreu uma contusão na coxa esquerda durante um treino recente com a seleção brasileira, enquanto Messi sentiu o mesmo problema em uma partida pelo Inter Miami, nos Estados Unidos. Ambos os jogadores, que acumulam mais de 200 gols pelas suas seleções (Neymar com 79 e Messi com 108 até março de 2025), deixam um vazio técnico e simbólico no clássico. A ausência dos dois reacende debates sobre a dependência de suas equipes em relação às estrelas e a capacidade das novas gerações de assumirem o protagonismo.
No Brasil, Rodrygo, atacante do Real Madrid, ganha nova chance de brilhar com a camisa 10. Aos 24 anos, ele já demonstrou versatilidade e habilidade em jogos anteriores, mas agora enfrenta a pressão de liderar o ataque em um clássico de peso. Outros nomes, como Vinícius Júnior e Raphinha, também devem assumir maior responsabilidade na criação de jogadas. Já na Argentina, Ángel Correa, do Atlético de Madrid, herda a camisa 10, mas a expectativa é que jovens como Julián Álvarez e Alejandro Garnacho, ambos em ascensão no futebol europeu, dividam os holofotes em um time que ainda conta com veteranos como Ángel Di María.
O técnico brasileiro Dorival Júnior e o argentino Lionel Scaloni, que comanda a Albiceleste desde 2018, terão o desafio de ajustar suas táticas sem os pilares históricos. Dorival, que assumiu o Brasil em 2024, aposta em um jogo mais coletivo, enquanto Scaloni busca manter o estilo consolidado que levou a Argentina ao título mundial em 2022. As mudanças forçadas pelas lesões podem definir o tom do clássico e influenciar o futuro das seleções nas Eliminatórias.
Cronologia dos últimos embates entre Brasil e Argentina
Os confrontos entre Brasil e Argentina nos últimos 20 anos contam uma história de altos e baixos. Veja os principais momentos:
- 2005: Brasil 4 x 1 Argentina, final da Copa das Confederações, última vez sem Neymar ou Messi.
- 2011: Empate em 0 a 0, com Neymar em campo, em amistoso na Argentina.
- 2016: Brasil 3 x 0 Argentina, com Neymar brilhando nas Eliminatórias no Mineirão.
- 2021: Argentina 1 x 0 Brasil, final da Copa América, primeiro título de Messi com a seleção.
- 2021: Jogo interrompido em São Paulo, o “clássico da Anvisa”, com ambos os craques em campo.
Uma rivalidade que transcende gerações
Desde 2005, quando Messi estreou pela Argentina, o clássico entre as duas seleções ganhou um brilho especial com a presença de astros que marcaram época. Neymar, que surgiu anos depois, em 2010, rapidamente se tornou um contraponto ao argentino, elevando a rivalidade a um novo patamar. Juntos, eles participaram de finais, como a da Copa América de 2021, e de duelos decisivos nas Eliminatórias, transformando cada encontro em um evento global. A ausência de ambos agora abre um capítulo inédito, mas não diminui a importância histórica do confronto, que já soma mais de 100 jogos oficiais desde o primeiro registro, em 1914.
O Brasil chega ao jogo desta terça-feira pressionado por resultados nas Eliminatórias. Após um início irregular na competição, a equipe ocupa a quinta posição na tabela, com 17 pontos em 13 rodadas, enquanto a Argentina lidera com 25 pontos. A vitória no Monumental de Núñez é vista como essencial para a Seleção Brasileira recuperar confiança e se aproximar da zona de classificação direta para a Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Para os argentinos, o duelo é uma chance de consolidar a liderança e manter a invencibilidade em casa, onde não perdem para o Brasil desde 2012.
Enquanto as equipes se preparam, torcedores de ambos os lados relembram os feitos de Neymar e Messi. O brasileiro, mesmo fora, segue como o maior artilheiro da história da Seleção, enquanto o argentino, aos 37 anos, continua sendo o coração da Albiceleste. A expectativa é que, mesmo sem os dois, o clássico mantenha sua essência competitiva, com novos nomes prontos para escrever seus próprios capítulos na rivalidade.
Números e curiosidades do clássico sem os craques
O confronto desta semana traz à tona dados interessantes sobre a história recente de Brasil e Argentina. Confira algumas curiosidades:
- A goleada de 2005 (4 a 1) foi a maior diferença de gols em um clássico nos últimos 20 anos.
- Brasil e Argentina se enfrentaram em três finais desde 2005: Copa das Confederações (2005), Copa América (2007 e 2021).
- Rodrygo marcou dois gols em cinco jogos com a camisa 10 do Brasil até março de 2025.
- Ángel Correa tem média de 0,3 gol por jogo pela Argentina em 25 partidas.
O que esperar do duelo em Buenos Aires
Com as ausências confirmadas, o jogo no Monumental de Núñez terá um sabor diferente. O Brasil deve apostar em velocidade pelos lados do campo, explorando Vinícius Júnior e Raphinha, enquanto o meio-campo, com Bruno Guimarães e Lucas Paquetá, terá a missão de conter a criatividade argentina. Do outro lado, a Argentina conta com a solidez defensiva de Cristian Romero e a experiência de Di María para ditar o ritmo. A torcida local, conhecida por transformar o estádio em um caldeirão, será um fator extra para os donos da casa.
Apesar da falta de Neymar e Messi, o clássico não perde seu peso. As duas seleções chegam com elencos talentosos e objetivos claros nas Eliminatórias. Para o Brasil, uma vitória fora de casa pode ser um divisor de águas na campanha, enquanto a Argentina busca reforçar sua hegemonia recente na América do Sul. O embate promete ser mais um marco na história dessa rivalidade, agora com novos rostos em busca de protagonismo.
A bola rola às 21h, e os olhos do mundo estarão voltados para Buenos Aires. Sem os craques que dominaram o clássico por 20 anos, Brasil e Argentina têm a chance de mostrar que a rivalidade vai além de nomes e se renova a cada geração. O resultado pode influenciar não só a tabela das Eliminatórias, mas também o futuro das duas equipes rumo à Copa de 2026.