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Rei Charles visita Auschwitz e lidera monarquia em ano de desafios e deveres reais

King Charles
King Charles - Heide Pinkall / Shutterstock.com Rei Charles - Heide Pinkall / Shutterstock.com

O Rei Charles III, aos 76 anos, realizou uma marcante visita a Auschwitz em janeiro de 2025, para lembrar os 80 anos da libertação do campo de concentração nazista, um evento que reforça seu papel como símbolo de memória e unidade. Após um 2024 desafiador, com diagnóstico de câncer e retomada de compromissos públicos, o monarca britânico também liderou uma turnê histórica pela Austrália em outubro, reacendendo debates sobre o futuro da monarquia no país. Como chefe de estado do Reino Unido e de 14 nações da Commonwealth, ele mantém uma agenda intensa, que inclui encontros com o primeiro-ministro, abertura do Parlamento e eventos como o Remembrance Day, equilibrando deveres cerimoniais com influência global.

Diagnosticado com câncer em fevereiro de 2024, Charles enfrentou meses de tratamento, mas não abandonou suas funções constitucionais, como a análise diária de documentos oficiais enviados em uma caixa de couro vermelho. Sua volta aos holofotes aconteceu na Páscoa, em Windsor, ao lado da Rainha Camilla, e desde então ele tem retomado compromissos públicos, incluindo visitas a centros de tratamento e quartéis militares. A viagem à Austrália, a maior desde o diagnóstico, destacou sua resiliência, apesar de protestos de uma senadora aborígene que o confrontou no Parlamento, acusando-o de genocídio e questionando sua legitimidade como rei.

Aos olhos do público, Charles também é o patriarca de uma família real em transformação. Seu herdeiro, Príncipe William, e os netos George, Charlotte e Louis representam o futuro da monarquia, enquanto outros membros, como Harry e Meghan, vivem afastados em California. A Coroação em maio de 2023, assistida por mais de 2 mil convidados, consolidou sua posição, e agora, em 2025, ele administra um orçamento real ampliado por lucros de energia eólica, com o Sovereign Grant projetado para alcançar £132 milhões no próximo ano fiscal.

  • Homenagem em Auschwitz: Charles participou de cerimônia solene em memória às vítimas do Holocausto.
  • Protesto na Austrália: Senadora Lidia Thorpe foi retirada do Parlamento após críticas ao rei.
  • Retorno público: Após câncer, ele visitou pacientes e militares, mostrando recuperação.

Uma agenda real marcada por simbolismo e dever

A visita de Charles a Auschwitz no final de janeiro de 2025 foi um momento de reflexão global. Ele caminhou pelo campo onde mais de 1,1 milhão de pessoas foram mortas durante a Segunda Guerra Mundial, depositando uma coroa de flores e encontrando sobreviventes. Aos 76 anos, o rei usou o evento para destacar a importância de lembrar as atrocidades do passado, uma mensagem que ecoou em discursos preparados para líderes mundiais presentes. A escolha do local reforça seu papel como chefe de estado, indo além das fronteiras britânicas para abraçar causas humanitárias.

Após a turnê australiana em outubro, Charles enfrentou um cenário diferente. Recebido com honras em Canberra, ele discursou no Parlamento, mas foi interrompido por Lidia Thorpe, uma senadora aborígene que gritou “você não é meu rei” antes de ser escoltada para fora. O incidente reacendeu o debate sobre a monarquia em uma nação onde 45% dos cidadãos votaram por uma república em um referendo de 1999. Charles respondeu com diplomacia, afirmando que a decisão cabe ao povo australiano, mantendo sua neutralidade política característica.

No Reino Unido, seus deveres seguem intensos. Toda quarta-feira, ele se reúne com o primeiro-ministro Keir Starmer em encontros privados no Palácio de Buckingham, discutindo assuntos de estado sem registros oficiais. Além disso, Charles abriu o Parlamento em novembro de 2024 com o King’s Speech, delineando as prioridades do governo, e liderou a cerimônia do Remembrance Day no Cenotaph, em Londres, um tributo anual aos mortos em guerras que reúne milhares de veteranos e cidadãos.

O impacto do câncer na rotina do rei

Charles descobriu o câncer em fevereiro de 2024, após um procedimento médico de rotina revelar a doença. O Palácio de Buckingham anunciou o diagnóstico sem especificar o tipo, mas confirmou que o tratamento começou imediatamente. Nos meses seguintes, o rei suspendeu eventos públicos, mas continuou trabalhando nos bastidores, assinando documentos e recebendo briefings diários. Sua primeira aparição pública pós-diagnóstico ocorreu em 31 de março de 2024, na Páscoa, quando cumprimentou multidões após um culto em Windsor ao lado de Camilla.

A retomada oficial veio em abril, com uma visita a um centro de tratamento de câncer em Londres. Lá, ele conversou com pacientes, compartilhando sua própria surpresa com o diagnóstico e oferecendo apoio. Em maio, uma parada surpresa em um quartel em Hampshire trouxe leveza: Charles brincou que havia sido “liberado da jaula”, sinalizando sua volta à ativa. Em junho, ele participou do Trooping of the Colour, marcando também o retorno da Princesa de Gales, Kate, após seu próprio diagnóstico de câncer.

A doença não interrompeu seus deveres constitucionais. Mesmo durante o tratamento, Charles manteve as audiências semanais com Starmer e aprovou leis por meio do Royal Assent, um processo que não era negado desde 1708. Sua resiliência impressionou o público, com pesquisas indicando que 62% dos britânicos ainda apoiam a monarquia, embora o apoio caia entre os jovens de 18 a 24 anos, onde apenas 37% favorecem a instituição.

A família real em foco

Enquanto Charles lidera a monarquia, sua família reflete uma mistura de continuidade e mudança. Príncipe William, o herdeiro direto, é o Príncipe de Gales e Duque da Cornualha, casado com Catherine, Princesa de Gales. O casal tem três filhos: George, segundo na linha de sucessão, Charlotte, terceira, e Louis, quarto. William assumiu um papel mais ativo desde a morte da Rainha Elizabeth II em 2022, equilibrando deveres reais com iniciativas como o Earthshot Prize, voltado para soluções ambientais.

A Princesa Anne, única filha da Rainha Elizabeth, mantém uma agenda cheia aos 74 anos, ao lado do marido, Vice-Almirante Timothy Laurence. Seus filhos, Peter Phillips e Zara Tindall, levam vidas mais discretas. Já o Príncipe Edward, Duque de Edimburgo, e sua esposa Sophie têm dois filhos, Lady Louise e James, Earl de Wessex, representando a geração mais jovem dos “working royals”. Por outro lado, Príncipe Andrew, Duque de York, afastou-se dos deveres em 2019 após controvérsias, enquanto suas filhas, Beatrice e Eugenie, seguem carreiras independentes.

Harry, Duque de Sussex, e Meghan Markle vivem nos Estados Unidos desde 2020, com os filhos Archie e Lilibet. A decisão de abandonar os papéis de senior royals gerou debates, mas Charles mantém contato esporádico com o filho caçula, que permanece quinto na linha de sucessão. A dinâmica familiar, com membros ativos e outros afastados, reflete os desafios de modernizar a monarquia em um mundo em transformação.

  • Papéis principais: William lidera como herdeiro; Anne e Edward apoiam o rei.
  • Afastamento de Harry: Ele e Meghan vivem na Califórnia desde 2020.
  • Novas gerações: George, Charlotte e Louis são o futuro da Coroação.

Finanças reais impulsionadas por energia eólica

A monarquia britânica vive um momento financeiro robusto em 2025. O Sovereign Grant, pagamento anual do governo baseado nos lucros do Crown Estate, atingirá £132 milhões no ano fiscal de 2025-2026, um salto significativo dos £86,3 milhões mantidos desde 2021. O aumento vem dos lucros de seis novos parques eólicos offshore, que elevaram o valor do Crown Estate, uma propriedade de £15,5 bilhões gerida independentemente, mas pertencente ao monarca. Sem ajustes na fórmula, o montante chegaria a £275 milhões, mas o governo optou por reduzir a porcentagem para manter a estabilidade.

Charles também recebe renda privada do Duchy of Lancaster, um patrimônio de £646 milhões que gerou £27,4 milhões em lucros até março de 2024. William, como Duque da Cornualha, beneficia-se do Duchy of Cornwall, avaliado em £1,1 bilhão, com £23,6 milhões de lucro no mesmo período. Ambos pagam impostos voluntariamente sobre essas receitas, que podem usar livremente. Além disso, coleções privadas de arte e joias complementam as finanças de alguns membros da família.

Os custos reais, no entanto, excedem o Sovereign Grant. A reforma de 10 anos do Palácio de Buckingham, iniciada em 2017 e orçada em £369 milhões, consome reservas acumuladas. Apesar disso, a monarquia mantém residências como Clarence House, Highgrove, Windsor Castle e Balmoral, garantindo uma presença física imponente no Reino Unido e na Escócia.

A coroação que consolidou o reinado

Charles assumiu o trono em 8 de setembro de 2022, após a morte de sua mãe, Elizabeth II. A Coroação, realizada em 6 de maio de 2023 na Abadia de Westminster, foi um marco assistido por mais de 2 mil convidados, incluindo líderes globais e celebridades. Camilla foi coroada ao seu lado pelo Arcebispo de Canterbury, em uma cerimônia que custou milhões e atraiu multidões às ruas de Londres. O evento incluiu uma procissão de um quilômetro e meio até o Palácio de Buckingham, apesar de protestos de grupos antimonarquia como o Republic.

Dois meses depois, em julho de 2023, Charles recebeu as joias da coroa escocesa em Edimburgo, durante um serviço na Catedral de St Giles. Alguns manifestantes gritaram “not my king”, mas a cerimônia reforçou sua conexão com a Escócia. Esses eventos, combinados com sua primeira turnê internacional pós-Coroação à Austrália, mostram um rei ativo, mesmo sob escrutínio público e desafios de saúde.

A popularidade da monarquia varia. Uma pesquisa de 2023 revelou que 80% dos britânicos acima de 65 anos apoiam a instituição, contra apenas 37% dos jovens de 18 a 24 anos. Em nações como Escócia e País de Gales, o apoio é menor que na Inglaterra, sinalizando um futuro incerto que Charles e William terão de navegar.

Marcos na trajetória de Charles como rei

A vida de Charles como monarca é pontuada por eventos significativos. Veja a cronologia:

  • 14 de novembro de 1948: Nasce em Londres, primeiro filho de Elizabeth II.
  • 8 de setembro de 2022: Torna-se rei após a morte de sua mãe.
  • 6 de maio de 2023: É coroado na Abadia de Westminster.
  • Fevereiro de 2024: Recebe diagnóstico de câncer e inicia tratamento.
  • Outubro de 2024: Lidera turnê na Austrália, enfrentando protestos.
  • Janeiro de 2025: Visita Auschwitz para os 80 anos da libertação.

Residências reais e o peso da tradição

Onde vive o Rei Charles reflete sua posição e história. O Palácio de Buckingham, residência oficial, passa por uma reforma de £369 milhões até 2027, levando Charles e Camilla a dividirem tempo entre Clarence House, em Londres, e Highgrove, em Gloucestershire. Outras propriedades, como Windsor Castle, Sandringham, em Norfolk, e Balmoral, na Escócia, servem como refúgios e palcos para eventos reais. O Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo, conecta o rei à história escocesa.

William e Kate mudaram-se para Adelaide Cottage, em Windsor, em 2022, buscando proximidade com a família e a escola dos filhos. Essas residências, mantidas pelo Sovereign Grant e lucros privados, simbolizam a continuidade da monarquia, mas também geram debates sobre custos. A reforma de Buckingham, por exemplo, usa reservas acumuladas para preservar um marco que recebe milhões de visitantes anualmente.

A escolha de Charles por manter múltiplas casas reflete uma tradição que ele herdou e adapta. Sua visita a Auschwitz e os deveres em Londres mostram um rei que une passado e presente, vivendo entre castelos e compromissos globais.

Curiosidades sobre o reinado de Charles

Charles III traz uma mistura única de tradição e modernidade. Confira alguns fatos:

  • É patrono de mais de 400 organizações, como RNLI e Samaritans.
  • Foi o primeiro rei a visitar a Austrália após seu diagnóstico de câncer.
  • Gera £27,4 milhões anualmente com o Duchy of Lancaster.
  • Liderou a monarquia em uma Coroação assistida por 18 milhões no Reino Unido.
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