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Água transborda de hotel de luxo em Bangkok durante terremoto de 7,7 que devastou o Sudeste Asiático

Hotel na Tailândia transbordando água durante o terremoto
Hotel na Tailândia transbordando água durante o terremoto - Foto: Reprodução/CNN Hotel na Tailândia transbordando água durante o terremoto - Foto: Reprodução/CNN

Um terremoto de magnitude 7,7 abalou o Sudeste Asiático na manhã desta sexta-feira, 28 de março, com epicentro localizado a 17,2 quilômetros de Mandalay, em Mianmar. O tremor, registrado a apenas 10 quilômetros de profundidade pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), foi sentido com intensidade em países vizinhos, como Tailândia e China, desencadeando cenas de destruição e desespero. Em Bangkok, capital tailandesa, a força do abalo fez a água de uma piscina na cobertura do hotel Intercontinental transbordar, caindo em cascata pelas laterais do edifício, enquanto hóspedes, muitos em trajes de banho ou roupões, correram para as ruas em pânico. A junta militar de Mianmar declarou estado de emergência em seis regiões, incluindo Mandalay e a capital Naypyitaw, enquanto a primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, classificou Bangkok como “zona de emergência” após o colapso de um arranha-céu em construção, que deixou ao menos três mortos e dezenas de desaparecidos.

Bangkok, a quase mil quilômetros do epicentro, não escapou dos impactos. Vídeos capturaram o momento em que a água da piscina do Intercontinental, um dos hotéis mais luxuosos da cidade, jorrava como uma cachoeira improvisada, enquanto o prédio tremia. O desespero tomou conta dos hóspedes, que abandonaram quartos e corredores em busca de segurança. Equipes de resgate foram mobilizadas rapidamente para atender às vítimas do desabamento de um edifício de 30 andares em construção na área de Chatuchak, onde mais de 400 trabalhadores estavam no momento do colapso. Até o início da tarde, as autoridades tailandesas confirmaram 50 feridos e estimaram que pelo menos 81 pessoas ainda estavam sob os escombros.

Em Mianmar, os danos foram ainda mais severos. Relatos iniciais apontam a morte de pelo menos 20 pessoas em um hospital de Naypyitaw, onde parte do departamento de emergência desabou. Duas pontes colapsaram, e prédios em cinco cidades sofreram destruição significativa. A mídia estatal pediu doações de sangue para atender ao crescente número de feridos, enquanto a Cruz Vermelha alertou para o risco de danos em represas de grande porte, o que poderia agravar a crise nas próximas horas.

Pânico nas ruas de Bangkok

A capital tailandesa, conhecida por seus arranha-céus e vida urbana agitada, foi pega desprevenida pelo terremoto. O tremor, que durou cerca de um minuto segundo testemunhas, fez com que escritórios, lojas e hotéis fossem evacuados em questão de minutos. No distrito comercial de Silom, trabalhadores relataram luminárias balançando e objetos caindo das prateleiras. Moradores de prédios altos, como o Intercontinental, descreveram a sensação de impotência ao verem a água da piscina na cobertura transbordar, um sinal visível da força do abalo.

Nas redes sociais, imagens e vídeos circularam rapidamente, mostrando o caos nas ruas de Bangkok. Pessoas em trajes casuais, algumas ainda com toalhas do hotel, buscavam refúgio em áreas abertas, como o parque Benjasiri, temendo tremores secundários. O trânsito na cidade ficou paralisado, e linhas de metrô e trem suspenderam operações por segurança. A primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, que estava em Phuket no momento do terremoto, ordenou a criação de um centro de emergência 24 horas para coordenar a resposta à crise.

Destruição em Mianmar

Enquanto Bangkok lidava com o pânico e os escombros, Mianmar enfrentava um cenário de devastação ainda mais crítico. O epicentro, próximo a Mandalay, uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, registrou o colapso de prédios residenciais e comerciais. Em Aung Ban, no estado de Shan, um hotel desabou, deixando duas pessoas mortas e 20 presas nos destroços. Em Taungoo, três pessoas morreram quando uma mesquita ruiu durante uma oração. Estradas em Naypyitaw, a capital planejada do país, ficaram rachadas, e um pagode budista histórico foi reduzido a ruínas.

A junta militar, que governa Mianmar desde o golpe de 2021, fez um raro apelo por ajuda internacional. O general Zaw Min Tun, porta-voz do regime, afirmou que o país cooperará com organizações humanitárias para atender às vítimas. A falta de acesso à internet, frequentemente restringida pelo governo, dificultou a divulgação de informações precisas, mas relatos de moradores indicam que o número de mortos pode aumentar significativamente ao longo do dia.

Principais impactos do terremoto

O terremoto de magnitude 7,7 deixou marcas profundas em Mianmar e na Tailândia. A seguir, alguns dos principais efeitos registrados até o momento:

  • Mianmar: 20 mortos confirmados em Naypyitaw, colapso de duas pontes e destruição de prédios em cinco cidades.
  • Tailândia: Três mortos e 81 desaparecidos no desabamento de um arranha-céu em Bangkok; 50 feridos atendidos.
  • China: Tremores sentidos em Yunnan e Guangxi, sem relatos de vítimas até agora.
  • Infraestrutura: Danos em estradas, hospitais e represas em Mianmar; suspensão de transporte público em Bangkok.

O que agravou os danos

Diversos fatores contribuíram para a gravidade dos estragos causados pelo terremoto. A profundidade rasa do epicentro, a apenas 10 quilômetros da superfície, intensificou a percepção dos tremores em uma vasta região. Em Mianmar, a localização próxima à falha de Sagaing, uma zona tectonicamente ativa, já era um alerta para cientistas, que previam um evento sísmico de grande porte. A placa Indiana, que se move lentamente contra a placa da Birmânia, é responsável por essa atividade, empurrando o Himalaia para cima e gerando tensões que culminaram no abalo desta sexta-feira.

Na Tailândia, a situação foi agravada pela falta de preparo estrutural. Bangkok, uma metrópole de arranha-céus, não foi projetada para resistir a terremotos dessa magnitude, já que tremores significativos são raros no país. Prédios em construção, como o que desabou em Chatuchak, são particularmente vulneráveis devido à ausência de reforços sísmicos adequados. A combinação de uma magnitude alta com infraestrutura despreparada resultou em colapsos rápidos e danos extensos.

Resposta imediata das autoridades

A reação das autoridades foi rápida, mas os desafios são enormes. Em Mianmar, a junta militar mobilizou equipes de resgate para as regiões mais afetadas, como Sagaing, Mandalay e Naypyitaw. Hospitais na capital pediram doações urgentes de sangue, enquanto a Organização Mundial da Saúde avalia o envio de suprimentos para traumas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que satélites Copernicus estão auxiliando os socorristas, e o bloco europeu prepara mais apoio emergencial.

Na Tailândia, Paetongtarn Shinawatra coordenou uma reunião de crise ainda em Phuket, antes de retornar a Bangkok. O governo tailandês alertou a população para evitar prédios altos e usar escadas em vez de elevadores, enquanto inspeções estruturais são realizadas. O Banco da Tailândia informou que os sistemas financeiros seguem operando normalmente, apesar de uma queda de 0,4% no baht em relação ao dólar.

Histórico sísmico na região

Mianmar tem um longo histórico de terremotos devido à sua posição no Cinturão Alpide, uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. Entre 1930 e 1956, seis tremores com magnitude superior a 7 foram registrados próximos à falha de Sagaing. Em 2016, um abalo de 6,8 atingiu Bagan, destruindo templos históricos e matando três pessoas. A frequência de eventos sísmicos no país contrasta com a Tailândia, onde terremotos são raros e geralmente associados a tremores secundários de Mianmar.

A placa da Birmânia, que abrange o território mianmarense, está em constante movimento devido à expansão do fundo do Mar de Andaman e à colisão com a placa Indiana. Esse choque tectônico explica a suscetibilidade da região a abalos de grande porte, como o desta sexta-feira, considerado um dos mais fortes em um século.

Terremoto em Bangkok
Terremoto em Bangkok – Foto: X/@HamdiCelikbas

Cronologia dos eventos de 28 de março

Os acontecimentos do dia do terremoto se desenrolaram em uma sequência intensa. Veja os principais momentos:

  • 12h50 (horário local): Terremoto de magnitude 7,7 atinge Mianmar, com epicentro perto de Mandalay.
  • 13h02: Tremor secundário de 6,4 é registrado na mesma região.
  • 13h15: Prédio em construção desaba em Bangkok; água transborda do hotel Intercontinental.
  • 14h00: Junta militar de Mianmar declara estado de emergência em seis regiões.
  • 15h00: Paetongtarn Shinawatra classifica Bangkok como “zona de emergência”.

Esforços de resgate em andamento

Equipes de resgate trabalham incansavelmente em Bangkok para localizar sobreviventes sob os escombros do arranha-céu colapsado. Worapat Sukthai, vice-comandante da polícia local, relatou ouvir pedidos de socorro ao inspecionar o local. Cerca de 50 trabalhadores feridos já foram retirados, mas a operação é dificultada pela instabilidade da estrutura. Ambulâncias e médicos improvisaram atendimentos nas ruas, enquanto voluntários se organizam para apoiar as vítimas.

Em Mianmar, a situação é ainda mais caótica. Em Naypyitaw, médicos atendem feridos no chão de hospitais danificados, e em Mandalay, moradores relatam o colapso de prédios de cinco andares. A Cruz Vermelha destacou a preocupação com a infraestrutura pública, incluindo estradas e pontes, que pode dificultar o acesso às áreas mais afetadas.

Impactos econômicos iniciais

O terremoto já começa a reverberar na economia da região. Em Bangkok, a bolsa de valores suspendeu negociações, refletindo a incerteza do momento. O baht tailandês, embora dentro da faixa de negociação recente, sofreu uma leve desvalorização. A paralisação do transporte público e a evacuação de escritórios afetaram o funcionamento de uma das cidades mais dinâmicas do Sudeste Asiático.

Mianmar, já fragilizado por uma guerra civil e crises humanitárias, enfrenta um novo golpe. A destruição de infraestrutura essencial, como pontes e hospitais, pode agravar a insegurança alimentar que já atinge milhões de deslocados no país. A ajuda internacional será crucial para mitigar os danos a curto prazo.

Depoimentos de testemunhas

Moradores e visitantes compartilharam relatos impressionantes do terremoto. Em Bangkok, uma empregada doméstica de 60 anos, identificada apenas como Noi, descreveu o medo ao ver prédios balançando no distrito de Pathumwan. “Achei que era o vento, até ver as pessoas correndo”, disse ela, abrigada sob uma ponte do metrô aéreo. Em Chiang Mai, no norte da Tailândia, um residente relatou ter sentido o tremor por cerca de dez segundos antes de correr para a rua.

Em Mianmar, um morador de Mandalay viu um prédio de cinco andares desabar diante de seus olhos. “Todos na minha cidade estão na rua, ninguém se atreve a voltar para dentro”, afirmou. Outro testemunha, em Taungoo, descreveu o colapso da mesquita: “Estávamos rezando quando tudo começou a tremer. Três morreram no local.”

Alerta para tremores secundários

Autoridades tailandesas e cientistas alertaram para a possibilidade de novos tremores nas próximas 24 horas. O USGS registrou um abalo secundário de magnitude 6,4 apenas 12 minutos após o principal, indicando que a atividade sísmica na região permanece elevada. Especialistas como Sheingji Wei, do Observatório da Terra de Cingapura, já haviam previsto um grande terremoto na falha de Sagaing, que estava “silenciosa” há cerca de 200 anos.

A população de Bangkok foi orientada a permanecer em áreas abertas e evitar edifícios altos. Em Mianmar, a falta de comunicação oficial dificulta a disseminação de alertas, mas a Cruz Vermelha reforçou a necessidade de preparação para possíveis réplicas.

Solidariedade internacional

Líderes mundiais começaram a se manifestar sobre a tragédia. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, declarou que seu país está pronto para oferecer assistência a Mianmar e Tailândia, com equipes de emergência em待命. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou o apoio da União Europeia, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) avalia os danos para coordenar ajuda humanitária.

Organizações como a Cruz Vermelha e a Organização Mundial da Saúde já mobilizam recursos. A magnitude da destruição, somada à instabilidade política em Mianmar, sugere que a recuperação será um processo longo e complexo para ambos os países.

Curiosidades sobre terremotos na região

O Sudeste Asiático tem características geológicas únicas que explicam eventos como o desta sexta-feira. Confira alguns fatos:

  • A falha de Sagaing, em Mianmar, é uma das mais ativas do Cinturão Alpide.
  • Bangkok raramente sente tremores diretos, sendo mais afetada por abalos secundários de países vizinhos.
  • A placa Indiana move-se cerca de 4 centímetros por ano, pressionando a placa da Birmânia.
  • O terremoto de 7,7 é o mais forte em Mianmar em um século, superando eventos anteriores em impacto.
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