Copa do Mundo

CBF demite Dorival Júnior e aposta em Jorge Jesus para salvar Seleção na Copa 2026

Jorge Jesus
Jorge Jesus - Foto: Stanislav Vedmid / Shutterstock.com Jorge Jesus - Foto: Stanislav Vedmid / Shutterstock.com

A Confederação Brasileira de Futebol sacramentou nesta sexta-feira, 28 de março, a demissão de Dorival Júnior do comando da Seleção Brasileira. O técnico, que assumiu o cargo em janeiro de 2024, não resistiu à pressão após uma sequência de resultados decepcionantes nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, culminando na goleada de 4 a 1 sofrida para a Argentina. Com a decisão tomada, o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, já mira um substituto à altura, e o nome de Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo e atualmente no Al-Hilal, da Arábia Saudita, desponta como favorito para assumir o desafio de recolocar o Brasil nos trilhos rumo ao Mundial.

Dorival deixa o cargo com um aproveitamento de 58,3% em 16 jogos, somando sete vitórias, sete empates e duas derrotas. Apesar de números que não chegam a ser desastrosos, o desempenho em campo nunca convenceu plenamente a torcida e os dirigentes. A eliminação nas quartas de final da Copa América de 2024 para o Uruguai e a campanha irregular nas Eliminatórias, com a Seleção na quarta colocação com 21 pontos, aumentaram a insatisfação. A derrota para os argentinos no Monumental de Núñez foi o estopim, expondo fragilidades táticas e falta de entrosamento que vinham sendo criticadas há meses.

A reunião entre Ednaldo Rodrigues e Dorival, marcada para esta sexta-feira, servirá apenas para formalizar o fim do ciclo. Nos bastidores, a decisão já estava alinhada desde o início da semana, com a cúpula da CBF avaliando que o trabalho não apresentava sinais de evolução. Jorge Jesus, conhecido por sua passagem vitoriosa pelo Flamengo em 2019, surge como o plano A para assumir o comando, trazendo a expectativa de um futebol mais ofensivo e organizado, características marcantes de suas equipes.

Pressão crescente e o fim de uma era

A trajetória de Dorival Júnior à frente da Seleção Brasileira foi marcada por altos e baixos desde o início. Contratado para substituir Fernando Diniz, que atuou como interino em 2023, o técnico chegou com a missão de dar estabilidade ao time após a saída de Tite no fim de 2022. No entanto, o que se viu foi uma equipe incapaz de repetir o brilho de outrora, com atuações apagadas e uma dependência excessiva de talentos individuais, como Vinicius Junior, que mesmo em grande fase no Real Madrid não conseguiu carregar o Brasil sozinho.

O ambiente de cobrança já era evidente antes do clássico contra a Argentina. A vitória apertada sobre a Colômbia na rodada anterior das Eliminatórias não mascarou os problemas, e a goleada sofrida em Buenos Aires escancarou a crise. Jogadores como Rodrygo e Rafinha foram alvos de provocações nas redes sociais, enquanto Dorival admitiu em coletiva que a situação “fugia ao seu comando”. A distância de Ednaldo Rodrigues, que evitou contato com a imprensa após o jogo, sinalizou o desfecho iminente.

Jorge Jesus: o favorito da vez

Com a saída de Dorival confirmada, Jorge Jesus rapidamente ganhou força nos corredores da CBF. O treinador português, que conquistou cinco títulos com o Flamengo entre 2019 e 2020, incluindo a Libertadores e o Brasileirão, é visto como uma opção viável e imediata. Atualmente no Al-Hilal, ele já expressou publicamente o desejo de comandar a Seleção Brasileira, chamando-o de “um sonho” em entrevistas recentes. Sua experiência em competições de alto nível e o estilo de jogo vistoso são credenciais que pesam a seu favor.

No entanto, a negociação não será simples. Jesus tem contrato com o clube saudita até maio e pretende disputar o Mundial de Clubes, programado para junho e julho nos Estados Unidos. Caso a CBF aceite esperar, o português só assumiria após o torneio, o que significa perder os jogos das Eliminatórias contra Equador e Paraguai, marcados para o início de junho. A entidade ainda avalia se opta por um interino nesse período ou acelera as conversas para antecipar a chegada do técnico.

Obstáculos e alternativas no radar

A possibilidade de aguardar Jorge Jesus até julho reflete uma mudança de estratégia na CBF. Inicialmente, Carlo Ancelotti, do Real Madrid, era o alvo principal de Ednaldo Rodrigues. O italiano, multicampeão na Europa, chegou a ser cortejado em 2023, mas renovou com o clube espanhol até 2026, frustrando os planos da confederação. Agora, Ancelotti voltou à pauta, mas só estaria disponível após o Mundial de Clubes, o que o coloca em uma situação semelhante à de Jesus.

Filipe Luís, atual técnico do Flamengo, também foi especulado como alternativa. Aos 39 anos, o ex-lateral-esquerdo impressiona em sua primeira experiência como treinador, tendo conquistado três títulos em menos de sete meses: Copa do Brasil, Supercopa e Carioca. Com 19 vitórias em 27 jogos, seu trabalho é elogiado, mas o próprio Filipe já indicou que não pretende deixar o Rubro-Negro no momento, focado em objetivos como o Mundial de Clubes e o Brasileirão.

O que está em jogo para a Seleção

A Seleção Brasileira vive um momento delicado a pouco mais de um ano da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A competição, que terá 48 seleções pela primeira vez, oferece seis vagas diretas e uma de repescagem para a América do Sul, mas o Brasil não quer correr riscos. A quarta colocação nas Eliminatórias, empatada em pontos com Uruguai (21) e à frente do Paraguai (21), é um alerta para a necessidade de ajustes urgentes.

O próximo treinador terá a missão de recuperar a confiança de um elenco talentoso, mas desorganizado taticamente. Nomes como Neymar, que retorna de lesão, e jovens promessas como Endrick precisam de um sistema que maximize seu potencial. A torcida, por sua vez, clama por um futebol que resgate a identidade brasileira, algo que Dorival não conseguiu entregar em seus 15 meses no cargo.

Cronograma decisivo pela frente

A transição no comando técnico da Seleção ocorre em um momento crucial. Confira o calendário que o novo treinador enfrentará:

  • Junho de 2025: Jogos contra Equador (fora) e Paraguai (casa) pelas Eliminatórias.
  • Julho de 2025: Fim do Mundial de Clubes, prazo limite para a chegada de Jorge Jesus ou Carlo Ancelotti.
  • Setembro de 2025: Retorno das Eliminatórias com mais duas rodadas.
  • Julho de 2026: Início da Copa do Mundo de 2026.

A CBF planeja anunciar o substituto de Dorival nos próximos dias, mas a data exata dependerá das negociações com os candidatos. Enquanto isso, a possibilidade de um técnico interino, como Ramon Menezes, que já comandou a equipe sub-20, não está descartada para os compromissos de junho.

Por que Jorge Jesus ganhou força

Jorge Jesus não é um nome novo na lista de desejos da CBF. Desde sua saída do Flamengo em 2020, o português tem sido frequentemente associado à Seleção. Sua passagem pelo Rubro-Negro deixou marcas profundas: além dos títulos, o time de 2019 encantou com um futebol dominante, goleando adversários e levantando taças com autoridade. No Al-Hilal, ele mantém o bom retrospecto, tendo conquistado o campeonato saudita e a Copa do Rei na última temporada.

O treinador também conta com a aprovação de Ednaldo Rodrigues, que vê nele uma solução mais acessível que Ancelotti. A relação com jogadores brasileiros, como Neymar e Malcom, que dirigiu no Al-Hilal, é outro ponto positivo. A torcida, por sua vez, já demonstrou apoio ao “Mister” nas redes sociais, lembrando o impacto de seu trabalho no Brasil.

A rejeição a Dorival em números

A passagem de Dorival Júnior pela Seleção pode ser resumida em estatísticas que explicam sua queda:

  • 16 jogos disputados.
  • 7 vitórias, 7 empates e 2 derrotas.
  • 58,3% de aproveitamento.
  • Eliminação na Copa América 2024 nas quartas de final.
  • 4ª colocação nas Eliminatórias, com 21 pontos em 12 rodadas.

Embora os números não sejam catastróficos, o desempenho em campo raramente empolgou. A goleada para a Argentina foi apenas o ápice de uma série de atuações aquém do esperado, com críticas à falta de padrão tático e à dificuldade em lidar com a pressão do cargo.

Outros nomes no horizonte

Além de Jorge Jesus, Carlo Ancelotti e Filipe Luís, a CBF monitora outras opções. Abel Ferreira, do Palmeiras, é um nome recorrente entre torcedores e dirigentes. Com dez títulos pelo clube alviverde, o português é o técnico mais vitorioso da história do Verdão, mas seu contrato até o fim de 2025 e o desejo de disputar o Mundial de Clubes dificultam uma saída imediata. Pep Guardiola, do Manchester City, também já foi citado, mas seu vínculo até 2027 e a má fase atual do clube inglês tornam a negociação improvável.

Roger Machado, do Internacional, e Rogério Ceni, do Bahia, aparecem como alternativas nacionais. Ambos têm trabalhos sólidos em seus clubes, mas não empolgam a cúpula da CBF tanto quanto os estrangeiros. A preferência por um treinador de fora reflete a busca por uma renovação profunda no comando técnico da Seleção.

Impacto da mudança no elenco

A troca de treinador deve influenciar diretamente o elenco da Seleção. Dorival apostou em nomes como Richarlison e Yuri Alberto, mas deixou de fora jogadores experientes como Oscar, que atua no futebol chinês. Jorge Jesus, caso confirmado, pode trazer uma visão diferente, valorizando atletas que já conhece, como Neymar, e dando espaço a jovens que se destacam no Brasil, como Endrick e Estevão, do Palmeiras.

A relação com os jogadores será essencial. Jesus é conhecido por sua personalidade forte e por extrair o melhor de seus comandados, algo que Dorival não conseguiu fully estabelecer. A proximidade da Copa do Mundo exige um técnico capaz de unir o grupo rapidamente, evitando os problemas de entrosamento vistos nos últimos jogos.

Expectativas para o futuro

A demissão de Dorival Júnior marca o fim de um ciclo conturbado na Seleção Brasileira. A chegada de um novo treinador, seja Jorge Jesus ou outro nome de peso, traz esperança de dias melhores, mas também desafios imediatos. Com pouco mais de um ano até o Mundial de 2026, o tempo é curto para implementar mudanças significativas e recuperar a competitividade do time.

A torcida, que lotou as redes sociais com pedidos por Jorge Jesus após a derrota para a Argentina, espera ver um futebol mais vibrante e eficiente. O português, com seu histórico de sucesso, tem tudo para atender a essa demanda, mas precisará superar os obstáculos contratuais e o calendário apertado para assumir o cargo a tempo de fazer a diferença.

Curiosidades sobre os candidatos

Alguns fatos destacam os principais nomes na disputa pelo comando da Seleção:

  • Jorge Jesus: Conquistou 5 títulos em 13 meses no Flamengo, com 81,4% de aproveitamento.
  • Carlo Ancelotti: Único técnico com 4 títulos da Liga dos Campeões na história.
  • Filipe Luís: Em 27 jogos como treinador, perdeu apenas uma vez, com 70,3% de aproveitamento.
  • Abel Ferreira: Levantou 10 troféus em 4 anos no Palmeiras, incluindo duas Libertadores.

Esses números mostram o calibre dos profissionais na mira da CBF, cada um com seu estilo e bagagem para oferecer à Seleção.

Preparação para as próximas etapas

Enquanto a CBF define o novo técnico, a Seleção se prepara para um hiato até junho, quando voltam as Eliminatórias. Os jogos contra Equador e Paraguai serão os primeiros testes do substituto de Dorival, caso ele assuma antes do Mundial de Clubes. Até lá, a entidade trabalha para alinhar o planejamento e evitar novos tropeços na campanha rumo à Copa de 2026.

O foco agora está em Jorge Jesus, mas a flexibilidade da CBF em esperar ou buscar uma solução imediata será determinante. A pressão por resultados é enorme, e o próximo treinador terá a árdua tarefa de resgatar o prestígio de uma das maiores seleções do futebol mundial.

To Top