O governo federal está analisando a possibilidade de antecipar o pagamento do décimo terceiro salário para os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda no primeiro semestre deste ano. A medida, que já foi adotada em anos anteriores, pode liberar a primeira parcela em abril e a segunda em maio, dependendo da decisão final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, afirmou que as discussões estão em fase avançada, com um desfecho esperado para os próximos dias. A iniciativa busca aquecer a economia em um momento de ajustes fiscais e incertezas orçamentárias, trazendo alívio financeiro a milhões de aposentados, pensionistas e segurados de auxílios previdenciários. Nos últimos cinco anos, a antecipação se tornou uma prática recorrente, consolidando-se como uma estratégia para impulsionar o consumo em meses estratégicos.
A proposta em análise prevê o pagamento em duas parcelas, seguindo o modelo tradicional do benefício, mas com uma alteração significativa no cronograma. Normalmente, o 13º salário do INSS é depositado no segundo semestre, com a primeira parte em agosto e a segunda em novembro. No entanto, desde 2020, o governo optou por adiantar os repasses, inicialmente como resposta à crise econômica provocada pela pandemia. Em 2024, por exemplo, mais de 33 milhões de beneficiários receberam o abono entre abril e maio, injetando cerca de R$ 67 bilhões na economia. Para este ano, a expectativa é que o impacto financeiro seja ainda maior, considerando o aumento no número de segurados e a correção dos benefícios pelo salário mínimo.
Rogério Ceron destacou que a decisão está sendo calibrada com base na execução orçamentária e nos relatórios fiscais previstos para maio. Ele enfatizou que a tendência é favorável à antecipação, mas o período exato dos pagamentos ainda depende de ajustes internos. Enquanto isso, beneficiários como aposentados, pensionistas e recebedores de auxílios por incapacidade temporária, acidente ou reclusão aguardam o anúncio oficial, que deve ser formalizado por meio de um decreto presidencial. O processo, segundo o secretário, está sendo conduzido com cautela para alinhar os interesses econômicos do governo e as necessidades da população.
Por que antecipar o 13º do INSS?
A antecipação do décimo terceiro salário do INSS não é apenas uma medida de alívio financeiro para os beneficiários, mas também uma ferramenta econômica de largo alcance. Nos últimos anos, o governo identificou que liberar esses recursos no primeiro semestre estimula o consumo em setores como comércio e serviços, especialmente em cidades menores, onde os aposentados representam uma parcela significativa da renda local. Em 2024, o montante de R$ 33,68 bilhões pago na primeira parcela, entre abril e maio, foi suficiente para movimentar o varejo e reduzir a pressão por crédito entre os segurados, segundo análises econômicas recentes.
Outro fator que pesa na decisão é o contexto fiscal. Ceron revelou que a execução orçamentária neste início de ano foi marcada por uma postura contracionista, com restrições como o limite de 1/18 do orçamento antes da aprovação final pelo Congresso. Essa estratégia, somada a um decreto provisório publicado na semana passada, trouxe um certo conforto às contas públicas, permitindo ao governo avaliar a antecipação sem comprometer a meta fiscal. A contração fiscal do primeiro bimestre, destacou o secretário, foi relevante e alinhada à política monetária, o que pode abrir espaço para medidas de estímulo como essa.
Para os beneficiários, a antecipação significa um fôlego financeiro em meses críticos. Muitos utilizam o dinheiro extra para quitar dívidas, realizar compras essenciais ou cobrir despesas sazonais, como impostos e matrículas escolares. Diferentemente do modelo tradicional, que concentra os pagamentos no fim do ano, o adiantamento permite uma distribuição mais equilibrada dos gastos ao longo dos meses, beneficiando tanto os segurados quanto a economia como um todo.

Como funciona o pagamento do 13º?
O décimo terceiro salário do INSS é um benefício anual garantido a quem recebe aposentadorias, pensões por morte ou auxílios previdenciários, como os de incapacidade temporária, acidente ou reclusão. O valor corresponde a uma renda extra equivalente ao benefício mensal, dividida em duas parcelas. Quando pago no calendário tradicional, a primeira parte, que equivale a 50% do total, não sofre descontos. Já a segunda parcela, liberada meses depois, inclui deduções como o Imposto de Renda, quando aplicável, dependendo da faixa de renda do segurado.
Nos casos de antecipação, o formato segue o mesmo padrão, mas as datas mudam. Em 2024, por exemplo, a primeira parcela foi depositada entre 24 de abril e 8 de maio, enquanto a segunda saiu entre 24 de maio e 7 de junho. O pagamento obedece a um cronograma escalonado, baseado no penúltimo dígito do Número do Benefício (NB). Segurados que recebem até um salário mínimo têm prioridade, com depósitos iniciados nos últimos dias do mês anterior, enquanto os que ganham acima do piso previdenciário recebem no início do mês seguinte.
Quem começou a receber o benefício após janeiro tem direito a um valor proporcional, calculado com base no número de meses em que o auxílio ou aposentadoria esteve ativo no ano. Por outro lado, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, não têm direito ao 13º, já que o programa é de natureza assistencial, e não previdenciária.
- Primeira parcela: 50% do valor do benefício, sem descontos, geralmente paga no mês inicial do cronograma.
- Segunda parcela: Diferença entre o total do abono e a primeira parcela, com possíveis deduções fiscais.
- Proporcionalidade: Para novos beneficiários, o cálculo considera apenas os meses de recebimento no ano.
- Exclusão: BPC e Renda Mensal Vitalícia não entram na lista de benefícios elegíveis ao abono.
Histórico da antecipação no Brasil
A prática de antecipar o 13º salário do INSS começou em 2020, durante a pandemia de Covid-19, como uma resposta à crise econômica que afetou milhões de brasileiros. Naquele ano, o governo liberou as parcelas entre abril e maio, injetando cerca de R$ 52 bilhões na economia. A medida foi repetida em 2021, com um impacto semelhante, e se consolidou em 2022, quando R$ 56 bilhões foram distribuídos em duas etapas, também no primeiro semestre. O objetivo inicial era mitigar os efeitos do isolamento social e da alta no custo de vida, mas os resultados positivos levaram à manutenção da estratégia.
Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto em maio, antecipando o pagamento para maio e junho, com um total de R$ 62,6 bilhões repassados a 30 milhões de beneficiários. Já em 2024, a antecipação foi anunciada em março, com as parcelas depositadas em abril e maio, alcançando 33,7 milhões de segurados e movimentando R$ 67 bilhões. Esses números mostram um crescimento constante no alcance e no valor do benefício, refletindo tanto o aumento no número de aposentados quanto a correção anual dos pagamentos.
A tendência de adiantar o 13º se tornou uma marca das gestões recentes, independentemente do governo. Enquanto Jair Bolsonaro usou a medida como parte de um pacote econômico pré-eleitoral em 2022, Lula tem mantido a prática como forma de estimular o consumo e aliviar o endividamento dos beneficiários. Para este ano, a expectativa é que a decisão siga o mesmo caminho, com um anúncio oficial previsto para as próximas semanas.
Impactos econômicos da medida
Liberar o décimo terceiro salário do INSS antes do previsto tem efeitos diretos na economia brasileira. Em 2024, os R$ 67,6 bilhões pagos em duas parcelas impulsionaram o consumo em setores como alimentação, vestuário e serviços, especialmente no interior do país. Pequenos comerciantes, que dependem da renda dos aposentados, sentiram um alívio significativo no fluxo de caixa durante os meses de maio e junho, período em que o comércio tradicionalmente registra menor movimento.
A injeção de recursos também reduz a pressão por empréstimos pessoais entre os segurados, que muitas vezes recorrem a linhas de crédito para cobrir despesas no início do ano. Em anos anteriores, como 2023, o montante de R$ 62,6 bilhões ajudou a aquecer o PIB no segundo trimestre, contribuindo para uma retomada gradual do crescimento econômico. Para este ano, analistas preveem que o valor total possa ultrapassar os R$ 70 bilhões, considerando o aumento no número de beneficiários e a inflação acumulada.
Além disso, a antecipação alivia o orçamento doméstico em um momento de alta nos preços de itens básicos, como alimentos e energia. Com o dinheiro em mãos, os segurados conseguem planejar melhor os gastos, evitando atrasos em contas ou o acúmulo de dívidas. O impacto, porém, não é uniforme: enquanto cidades menores sentem um efeito mais imediato, grandes centros urbanos tendem a diluir os benefícios em uma economia mais diversificada.
Quem tem direito ao benefício?
Nem todos os segurados do INSS recebem o décimo terceiro salário. O benefício é restrito a quem está inscrito em programas previdenciários, como aposentadorias de qualquer modalidade (idade, tempo de contribuição, especial ou invalidez), pensões por morte e auxílios temporários ou permanentes. Em 2024, cerca de 33,7 milhões de pessoas foram contempladas, número que deve crescer ligeiramente neste ano devido à concessão de novos benefícios.
Aposentados que recebem o pagamento há mais de um ano têm direito ao valor integral, equivalente ao benefício mensal. Já aqueles que começaram a receber em 2025 terão o abono calculado proporcionalmente, com base nos meses de vigência do benefício. Por exemplo, quem se aposentou em julho receberá metade do valor total, pago em uma ou duas parcelas, dependendo do cronograma adotado.
Por outro lado, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Renda Mensal Vitalícia (RMV) ficam de fora do 13º. O BPC, voltado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, é um auxílio assistencial, e não previdenciário, o que exclui seus beneficiários do abono anual. Essa distinção gera debates frequentes, mas a legislação atual mantém a regra intacta.
- Aposentadorias: Todas as modalidades, incluindo por idade, invalidez ou tempo de contribuição.
- Pensões: Beneficiários de pensão por morte, independentemente do tempo de recebimento.
- Auxílios: Incapacidade temporária, acidente e reclusão, com valores proporcionais ao período.
- Exclusões: BPC e RMV não entram no programa do 13º salário.
Cronograma previsto para os pagamentos
Embora o governo ainda não tenha confirmado as datas exatas, o calendário de pagamento do 13º do INSS deve seguir o padrão dos anos anteriores, caso a antecipação seja aprovada. Baseado nas discussões de Rogério Ceron, a primeira parcela pode ser liberada em abril, com a segunda em maio. O cronograma é organizado pelo penúltimo dígito do Número do Benefício (NB), garantindo uma distribuição ordenada dos depósitos.
Em 2024, os pagamentos para quem recebia até um salário mínimo começaram em 24 de abril e se estenderam até 8 de maio na primeira parcela. A segunda etapa ocorreu entre 24 de maio e 7 de junho. Para valores acima do mínimo, os depósitos iniciaram em 2 de maio e 3 de junho, respectivamente. Este ano, a expectativa é que o anúncio oficial saia até o início de abril, com o calendário detalhado divulgado logo após o decreto presidencial.
Os beneficiários podem consultar as datas e valores pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, informando o CPF e outros dados pessoais. O extrato geralmente fica disponível algumas semanas antes do início dos pagamentos, permitindo um planejamento antecipado.
Preparativos do governo para a decisão
A equipe econômica está trabalhando na apuração dos números do orçamento para embasar a decisão sobre a antecipação. Ceron informou que o relatório bimestral de maio será decisivo para avaliar a necessidade de bloqueios orçamentários ou ajustes fiscais. Até lá, as restrições atuais, como o limite de 1/18 e o decreto provisório, garantem um controle rigoroso das contas públicas, dando margem para a liberação do 13º no primeiro semestre.
O Ministério da Previdência Social já encaminhou o pedido formal para a antecipação, e o processo agora depende da área econômica e da assinatura de Lula. Técnicos do governo descartaram a publicação de um relatório extemporâneo, optando por aguardar os dados consolidados de maio. Essa cautela reflete a prioridade de equilibrar estímulos econômicos com a sustentabilidade fiscal.
A decisão também leva em conta o desempenho da arrecadação no primeiro trimestre. Em anos anteriores, como 2022, uma receita acima do esperado foi o gatilho para a antecipação. Para este ano, os resultados de março, que serão detalhados no próximo relatório do Tesouro, podem influenciar o timing e o volume dos pagamentos.
Expectativas dos beneficiários
Milhões de aposentados e pensionistas estão atentos ao desenrolar das negociações. Para muitos, o 13º antecipado é uma chance de organizar as finanças antes do segundo semestre, período marcado por despesas como impostos e festas de fim de ano. Em 2024, a liberação precoce do benefício foi bem recebida, especialmente por quem enfrentava alta no custo de vida, como alimentos e tarifas de energia.
A possibilidade de receber a primeira parcela em abril anima os segurados, mas também gera ansiedade por uma confirmação oficial. Nos canais do INSS, como o aplicativo Meu INSS e a central 135, já há um aumento na procura por informações sobre o calendário. Enquanto o governo não define o cronograma, os beneficiários são orientados a acompanhar os anúncios oficiais nos próximos dias.
A experiência dos anos anteriores mostra que a antecipação costuma ser anunciada entre março e abril, com os pagamentos iniciando logo em seguida. Para este ano, a janela de decisão está se estreitando, o que reforça a previsão de um desfecho iminente, possivelmente antes do fim do mês.
Benefícios para o comércio local
A liberação antecipada do 13º do INSS tem um impacto direto no comércio, especialmente em cidades menores. Em 2024, os R$ 33,92 bilhões da segunda parcela, pagos entre maio e junho, aqueceram o varejo em um período de baixa sazonalidade. Pequenos empresários, como donos de mercados e lojas de roupas, relatam um aumento nas vendas que ajuda a equilibrar o fluxo de caixa após o início do ano.
Esse efeito é ainda mais pronunciado em regiões onde os aposentados são uma fatia significativa da população economicamente ativa. No interior do Nordeste e do Sul, por exemplo, o dinheiro extra circula rapidamente, beneficiando desde feiras livres até serviços como salões de beleza e oficinas mecânicas. Para este ano, a expectativa é que o volume maior de recursos amplifique esses ganhos.
O comércio já começa a se preparar para um possível anúncio nas próximas semanas. Comerciantes planejam estoques e promoções para atrair os beneficiários, aproveitando a janela de consumo que a antecipação proporciona. A medida, se confirmada, pode ser um alento em um cenário de inflação persistente e recuperação econômica gradual.