Aos 54 anos, Pep Guardiola, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial, está perto de encerrar um ciclo no Manchester City, onde conquistou 38 títulos em sua carreira. Com o contrato expirando em julho de 2025, o espanhol já expressou diversas vezes o desejo de assumir um novo desafio: comandar a seleção brasileira. A possibilidade de liderar o Brasil na Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, tem agitado torcedores e especialistas, especialmente por sua admiração declarada pelo futebol pentacampeão mundial. Neymar, maior artilheiro da história da seleção, é visto por Guardiola como peça-chave para uma campanha histórica.
O interesse de Guardiola pelo Brasil não é novidade. Influenciado por lendas como Ronaldinho Gaúcho e Dani Alves, com quem trabalhou no Barcelona, o técnico sempre destacou a criatividade e a habilidade do futebol brasileiro como elementos que o fascinam. Ele também já mencionou Telê Santana, ícone do futebol ofensivo, como uma de suas inspirações táticas. Agora, com o fim de seu vínculo com o clube inglês se aproximando, as especulações sobre sua chegada à seleção ganham força, enquanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) avalia o futuro de Dorival Júnior, atual comandante, nas Eliminatórias Sul-Americanas.
Por outro lado, a negociação não será fácil. O elevado salário de Guardiola no Manchester City e suas exigências por um projeto estruturado representam obstáculos significativos. Até novembro de 2024, o Brasil acumula 16 pontos em dez rodadas das Eliminatórias, um desempenho considerado irregular para os padrões históricos da seleção. A possibilidade de uma mudança no comando técnico antes de 2026 reacende o debate sobre a chegada de um estrangeiro, algo inédito na história da equipe principal brasileira.
- Principais desafios para a CBF: Salário elevado, estrutura administrativa e resistência cultural a um técnico estrangeiro.
- O que Guardiola busca: Um projeto sólido que combine sua filosofia com a tradição brasileira.
- Cenário atual: Dorival Júnior segue no cargo, mas seu contrato termina em 2025.

Paixão de Guardiola pelo futebol brasileiro
Pep Guardiola nunca escondeu sua admiração pelo estilo de jogo do Brasil. Durante sua passagem pelo Barcelona, entre 2008 e 2012, ele transformou Ronaldinho Gaúcho e Dani Alves em pilares de um time que encantou o mundo, conquistando duas Ligas dos Campeões. A influência brasileira continuou em sua carreira, com o técnico frequentemente elogiando a capacidade de improvisação e a técnica apurada dos jogadores do país. Essa conexão com o futebol pentacampeão mundial é um dos motivos que o levam a sonhar com a seleção.
Outro fator que pesa a favor dessa possibilidade é a filosofia de jogo de Guardiola, baseada na posse de bola, pressão alta e organização tática. Esses elementos dialogam diretamente com a história do Brasil, que, sob o comando de Telê Santana nas Copas de 1982 e 1986, priorizou o futebol-arte, apesar de não ter conquistado títulos. Guardiola enxerga no elenco atual, repleto de jovens talentos como Vinicius Jr., Rodrygo e Gabriel Martinelli, uma oportunidade de resgatar essa essência, aliada a uma abordagem moderna e competitiva.
Aos olhos do técnico espanhol, Neymar é o protagonista ideal para esse projeto. Aos 33 anos, o atacante retornou ao Santos em 2025 após uma passagem pelo futebol árabe, buscando consolidar seu legado com a seleção brasileira. Com 79 gols em 128 jogos pela equipe nacional até março de 2025, ele superou Pelé como maior artilheiro da história do Brasil. Guardiola acredita que, sob sua orientação, Neymar pode atingir o auge em 2026, liderando o país em busca do tão sonhado hexa.
Obstáculos para a chegada de Guardiola
Contratar Pep Guardiola é um sonho que exige mais do que vontade da CBF. Em 2022, uma tentativa de negociação com o técnico foi frustrada por questões financeiras, já que seu salário no Manchester City ultrapassa os 20 milhões de euros anuais. Além do aspecto econômico, Guardiola é conhecido por exigir autonomia total em seus projetos, algo que dependeria de uma reestruturação administrativa na confederação, frequentemente criticada por sua gestão instável. A falta de um planejamento sólido pode afastar o espanhol, que transformou o City em uma potência global graças a uma estrutura impecável.
A resistência cultural também é um ponto sensível. Desde sua fundação, a seleção brasileira nunca foi comandada por um treinador estrangeiro em sua equipe principal. Nomes como Tite, Felipão e Dunga marcaram a história recente, mas os resultados recentes, como a eliminação nas quartas de final da Copa de 2022, reacenderam o debate sobre a necessidade de renovação. Parte dos torcedores e dirigentes ainda defende a tradição nacional, enquanto outros veem em Guardiola uma chance de romper com o jejum de títulos mundiais, que já dura 24 anos desde 2002.
Apesar dos desafios, a CBF tem buscado parcerias estratégicas que podem facilitar o caminho. O Grupo City, conglomerado que controla o Manchester City e outros clubes ao redor do mundo, é um potencial aliado. Nos últimos anos, a confederação intensificou contatos com a holding para modernizar sua gestão e infraestrutura, o que poderia atender às demandas de Guardiola e viabilizar sua contratação para 2026.
Revolução tática na seleção brasileira
Se Pep Guardiola assumir a seleção brasileira, o impacto tático seria imediato e profundo. No Manchester City, ele implementou um estilo de jogo baseado em domínio da posse de bola, com médias superiores a 65% por partida, e uma pressão intensa no campo adversário. Esse sistema transformou jogadores como Kevin De Bruyne e Erling Haaland em peças fundamentais de uma máquina de títulos, com seis Premier Leagues conquistadas entre 2017 e 2025. No Brasil, ele teria a chance de repetir o feito com Neymar e os jovens atacantes da nova geração.
A defesa, ponto fraco da seleção nos últimos anos, também poderia ser revolucionada. Nas Eliminatórias de 2024, o Brasil sofreu 12 gols em dez jogos, uma média alta para uma equipe que busca o título mundial. Guardiola é conhecido por organizar sistemas defensivos sólidos, utilizando a pressão alta para recuperar a bola rapidamente. Com jogadores como Marquinhos e Éder Militão, ele poderia construir uma linha de zaga mais consistente, algo essencial para competir em 2026.
- Pontos fortes do estilo de Guardiola:
- Posse de bola dominante.
- Pressão alta para recuperação rápida.
- Organização tática em todos os setores.
- Jogadores beneficiados: Neymar, Vinicius Jr., Rodrygo e Éder Militão.
- Desafio principal: Adaptar o sistema a um calendário de seleção, com menos tempo de treino.
Neymar como protagonista do projeto
Aos 33 anos, Neymar vive um momento de transição em sua carreira. Após deixar o Paris Saint-Germain em 2023 e passar pelo Al-Hilal, ele voltou ao Santos em 2025, onde começou como profissional, para encerrar um ciclo e preparar seu retorno à seleção em alto nível. Até março de 2025, o atacante acumula 79 gols pela equipe nacional, um recorde que reflete sua importância histórica. Guardiola vê no camisa 10 a liderança necessária para guiar o Brasil ao hexa.
O histórico de Guardiola com grandes estrelas é um indicativo de sucesso. No Barcelona, ele extraiu o melhor de Lionel Messi, que sob seu comando conquistou três Bolas de Ouro consecutivas. No City, transformou Haaland em um dos maiores artilheiros do futebol mundial, com mais de 100 gols em duas temporadas. Neymar, com sua habilidade única e visão de jogo, poderia se beneficiar de um sistema que valoriza a criatividade e a precisão, características que o técnico espanhol sabe potencializar.
Além de Neymar, o elenco brasileiro oferece opções versáteis. Vinicius Jr., aos 24 anos, é um dos principais nomes do Real Madrid, com velocidade e dribles que se encaixam no estilo de Guardiola. Rodrygo, também do Real, e Gabriel Martinelli, do Arsenal, completam um ataque jovem e promissor. Com esses talentos, o técnico teria matéria-prima para montar uma equipe capaz de dominar adversários na Copa de 2026.
Cronograma para a chegada de Guardiola
O calendário é um fator decisivo para a possível contratação de Pep Guardiola. Seu contrato com o Manchester City termina em julho de 2025, coincidindo com o fim do vínculo de Dorival Júnior com a CBF. Caso o desempenho nas Eliminatórias não melhore, uma troca no comando técnico pode ocorrer antes do previsto, dando ao espanhol tempo para se adaptar ao elenco antes das fases finais da preparação para a Copa.
A seguir, um panorama dos próximos passos:
- Julho de 2025: Fim dos contratos de Guardiola e Dorival.
- Agosto a dezembro de 2025: Negociações entre CBF e Guardiola.
- 2026: Preparação intensiva para a Copa do Mundo, com amistosos e ajustes táticos.
A janela de oportunidade é estreita, mas viável. A CBF precisará agir rápido, oferecendo um salário competitivo e garantindo a estrutura que Guardiola exige. A parceria com o Grupo City pode ser o diferencial, trazendo recursos e know-how para modernizar a seleção e alinhar o projeto às ambições do técnico.
Janela de oportunidade em 2026
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, o Brasil busca encerrar um jejum de 24 anos sem títulos mundiais. A última conquista, em 2002, teve Ronaldo Fenômeno como protagonista, e agora Neymar surge como a esperança de uma nova geração. A chegada de Guardiola poderia ser o catalisador para unir talento individual e disciplina tática, algo que faltou nas últimas campanhas, como a eliminação para a Croácia em 2022.
O torneio, que será disputado em três países da América do Norte, representa uma chance única para Guardiola. Após vencer tudo o que era possível em clubes, comandar uma seleção em uma Copa do Mundo é o próximo passo natural em sua carreira. O Brasil, com sua história e elenco, oferece o palco perfeito para o espanhol deixar seu legado no futebol internacional.
A torcida brasileira, conhecida por sua paixão, já começa a imaginar o impacto de um treinador como Guardiola. Enquanto Dorival Júnior segue no comando, os 16 pontos nas Eliminatórias até novembro de 2024 mantêm o Brasil na zona de classificação, mas longe do desempenho dominante de outrora. A possibilidade de uma revolução liderada por Pep e Neymar mantém o sonho do hexa vivo e pulsante.