A partir deste domingo (30), milhões de telespectadores que dependem de antenas parabólicas antigas para assistir TV aberta enfrentarão uma mudança significativa. A Globo, maior emissora do país, anunciou o desligamento do sinal digital transmitido por esses equipamentos, que são facilmente reconhecíveis por sua estrutura grande e telada. A medida faz parte de um processo nacional de transição impulsionado pela expansão da tecnologia 5G, que exige a liberação da faixa de frequência conhecida como Banda C, usada há décadas pelas parabólicas tradicionais. Com isso, quem ainda utiliza esses modelos precisará se adaptar para continuar acompanhando a programação gratuita.
Esse movimento não é isolado. Ele reflete uma transformação tecnológica que começou em 2022, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definiu as regras para a chegada do 5G no Brasil. A nova geração de internet móvel opera na frequência de 3,5 GHz, muito próxima da faixa entre 3,6 e 3,7 GHz utilizada pelas parabólicas antigas. A proximidade causa interferências, como chuviscos nas imagens ou até a perda total do sinal, especialmente em cidades onde o 5G já está ativo. A solução é a substituição por equipamentos modernos, como a nova parabólica digital, que opera na Banda Ku e promete qualidade superior sem conflitos com a internet.
PARABÓLICA | Famílias inscritas no CadÚnico têm até 30 de junho para pedir instalação gratuita da nova parabólica digital. A mudança é necessária para não perder o acesso à TV aberta. O sinal da parabólica tradicional será desligado em todo o país. Leia: https://t.co/Wha42g63hP. pic.twitter.com/nPXRWGzZ9b
— Agência Brasil (@agenciabrasil) March 25, 2025
Para facilitar a transição, famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) têm até 30 de junho para solicitar a troca gratuita da antena. O programa, coordenado pela entidade Siga Antenado, já distribuiu cerca de 4,9 milhões de kits em todo o país, mas estima-se que 600 mil beneficiários ainda podem fazer o agendamento. A urgência aumenta com o prazo se aproximando e a decisão da Globo de antecipar o desligamento, que originalmente poderia se estender até dezembro.
Por que o sinal está sendo desligado agora?
A decisão da Globo de encerrar o sinal digital nas parabólicas antigas neste domingo marca um passo importante na modernização do acesso à TV aberta no Brasil. A emissora, que já havia desativado o sinal analógico nesses equipamentos, agora finaliza a transição para priorizar tecnologias compatíveis com o 5G. A Banda C, utilizada pelas parabólicas tradicionais, foi escolhida para abrigar a nova geração de internet móvel devido à sua capacidade de oferecer alta velocidade e cobertura ampla. Manter os dois serviços funcionando juntos aumenta os riscos de interferência, prejudicando tanto a qualidade da TV quanto da conexão 5G.
Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, onde a cobertura 5G já alcança mais de 90% das áreas urbanas, relatos de problemas no sinal de TV triplicaram desde 2023. A substituição das parabólicas antigas por modelos digitais, que operam na Banda Ku, elimina esses conflitos. Além disso, a nova tecnologia oferece vantagens como imagem em alta definição, som mais nítido e acesso a até 100 canais gratuitos, incluindo programação regional que reflete a realidade local dos telespectadores.
A Anatel coordena esse processo desde 2021, em parceria com emissoras, operadoras de telefonia e a indústria. Embora o prazo final para o desligamento total do sinal nas parabólicas antigas seja dezembro, cada emissora pode definir sua própria data. A Globo optou por antecipar, enquanto outras, como o SBT, planejam manter o sinal até meados de agosto. Já Record, Band e RedeTV! encerraram suas transmissões em datas anteriores, acelerando a necessidade de adaptação.
Quem precisa trocar a antena?
Nem todos os telespectadores serão afetados pelo desligamento deste domingo. Apenas aqueles que utilizam parabólicas tradicionais, caracterizadas por seu tamanho grande – que pode chegar a 3 metros de diâmetro – e estrutura vazada com hastes, precisarão agir. Esses modelos, comuns em áreas rurais e periferias urbanas, captam o sinal via satélite na Banda C. Por outro lado, quem já usa antenas digitais, como as conhecidas “espinha de peixe” ou internas, não enfrentará mudanças, pois elas operam por sinal terrestre e não sofrem interferência do 5G.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 23 milhões de domicílios no país ainda dependem de parabólicas para acessar TV aberta. Muitos desses lares estão em regiões afastadas dos grandes centros, onde a parabólica tradicional é uma solução acessível e eficaz. A substituição, no entanto, é inevitável para garantir a continuidade do serviço, especialmente com a expansão do 5G, que já está disponível em todas as capitais e avança para cidades menores.
A nova parabólica digital, menor e feita com uma chapa rígida, é a principal alternativa. Ela pode ser adquirida em lojas físicas ou online, com preços a partir de R$ 500, incluindo receptor e cabos. Para quem não pode arcar com o custo, o programa Siga Antenado oferece o equipamento gratuitamente a beneficiários do CadÚnico, como os 21 milhões de participantes do Bolsa Família.
Como solicitar a troca gratuita
Famílias inscritas no CadÚnico têm uma oportunidade única de atualizar seus equipamentos sem custo, mas o prazo está correndo. Até 30 de junho, é possível agendar a instalação da nova parabólica digital pelo site da Siga Antenado ou pelo telefone 0800 729 2404. O processo exige apenas o CPF e o Número de Identificação Social (NIS), e a substituição é feita em cerca de 30 minutos por técnicos autorizados.
O programa, financiado pelas operadoras Claro, TIM e Vivo – que adquiriram a faixa de 3,5 GHz no leilão do 5G –, já alcançou 85% dos agendamentos concluídos em até 10 dias até fevereiro. Com a proximidade do prazo final, porém, a espera pode aumentar. Até o momento, mais de 2 milhões de kits foram instalados, mas a demanda cresce à medida que emissoras como a Globo encerram seus sinais nas parabólicas antigas.
- Quem tem direito? Famílias com parabólica tradicional funcionando e inscritas no CadÚnico.
- O que o kit inclui? Antena digital, receptor e cabos.
- Como agendar? Pelo site ou telefone, informando CPF e NIS.
- Prazo limite? 30 de junho, às 20h.
A iniciativa é essencial para evitar que milhões fiquem sem acesso à TV aberta, principal fonte de informação e entretenimento em áreas remotas.
Impactos da transição nas regiões do país
A expansão do 5G e o desligamento das parabólicas antigas têm impactos distintos dependendo da localização. Nas grandes cidades, onde a infraestrutura de internet e TV digital terrestre já é consolidada, a mudança é menos sentida. Em São Paulo, por exemplo, o 5G cobre 95% da área urbana, e a maioria dos moradores já utiliza antenas internas ou serviços por assinatura. No entanto, em áreas rurais do Nordeste e do interior do Centro-Oeste, a dependência das parabólicas tradicionais é maior, tornando a transição mais desafiadora.
No Recife, onde o 5G alcança 90% da população urbana, a interferência no sinal de TV começou a ser notada em 2023, com relatos de chuviscos e travamentos. Em contrapartida, a nova parabólica digital trouxe benefícios, como acesso a telejornais locais e jogos de futebol regionais, valorizando a identidade cultural. A situação é semelhante em Fortaleza, onde a cobertura 5G também é ampla e a troca de antenas se intensificou nos últimos meses.
A substituição das parabólicas é um passo estratégico para o Brasil acompanhar a revolução digital. O 5G promete internet de alta velocidade em todos os 5.570 municípios até 2029, mas isso depende da liberação total da Banda C. Enquanto isso, a TV aberta, que alcança mais de 60 milhões de brasileiros via satélite, precisa se adaptar para não deixar ninguém desconectado.
Vantagens da nova parabólica digital
Adotar a nova parabólica digital vai além de evitar a perda do sinal. O equipamento, mais compacto e eficiente, opera na Banda Ku, livre de interferências do 5G. Ele é apontado para satélites como os da Sky e da Embratel, que garantem estabilidade e qualidade. Em comparação com as parabólicas antigas, a versão digital elimina problemas como chuviscos em dias de chuva e oferece uma experiência de alta definição.
Outro benefício é a ampliação do acesso a canais. Enquanto as parabólicas tradicionais captam em média 20 a 30 emissoras, a nova tecnologia pode sintonizar até 100, todos gratuitos. Isso inclui programações regionais, essenciais para comunidades distantes dos grandes centros. Em estados como Amazonas e Pará, onde a TV aberta é muitas vezes o único meio de comunicação, a mudança representa um salto significativo.
A instalação é simples e requer apenas um local sem obstáculos, como árvores ou prédios, para apontar a antena ao satélite. Para quem já trocou, como o motorista Davi Correia, de São Paulo, a diferença é clara: “A qualidade da imagem melhorou muito, dá pra assistir tudo sem problema.”
Cronograma da transição no Brasil
O processo de substituição das parabólicas antigas segue um calendário definido pela Anatel, com marcos importantes que afetam telespectadores e operadoras. Veja as principais etapas:
- 2022: Início do 5G nas capitais e desligamento gradual do sinal analógico nas parabólicas.
- Julho de 2023: Expansão do 5G para cidades com mais de 200 mil habitantes.
- Março de 2025: Globo desativa o sinal digital nas parabólicas antigas em 30 de março; 2 milhões de kits instalados.
- Junho de 2025: Prazo final para agendamento gratuito da nova parabólica, dia 30 às 20h.
- Dezembro de 2025: Desligamento total do sinal nas parabólicas tradicionais em todo o país.
Esse cronograma reflete o esforço para alinhar a modernização da TV aberta com a expansão do 5G, garantindo que ninguém fique sem acesso aos serviços.
Alternativas para quem não quer a nova parabólica
Nem todos os telespectadores precisam adotar a nova parabólica digital para continuar assistindo TV aberta. Existem outras opções viáveis, especialmente em áreas urbanas com boa infraestrutura. As antenas “espinha de peixe”, por exemplo, captam o sinal digital terrestre e custam a partir de R$ 70 em lojas de eletrônicos. Já as antenas internas, ideais para apartamentos, estão disponíveis por cerca de R$ 30 e funcionam bem em locais próximos a torres de transmissão.
Para quem tem acesso à internet, serviços como o Globoplay oferecem a programação da Globo ao vivo, embora dependam de uma conexão estável. Em áreas rurais, porém, a nova parabólica segue sendo a solução mais prática e acessível, especialmente por manter o sinal gratuito. A escolha depende do perfil do usuário e da localização, mas a urgência da transição é inegável com o desligamento iminente.
O que acontece se não trocar a antena?
Quem não substituir a parabólica tradicional até este domingo perderá o sinal da Globo imediatamente. Após o dia 30, a tela da TV exibirá apenas chuviscos ou uma mensagem de “sem sinal” para os canais da emissora. À medida que outras redes, como SBT e Record, também encerram suas transmissões na Banda C, o problema se agravará, deixando os telespectadores sem acesso à TV aberta por satélite.
A Siga Antenado alerta que, sem a troca, o desligamento será irreversível após dezembro, quando todas as emissoras devem abandonar as parabólicas antigas. Em regiões onde o 5G já está ativo, como Salvador e Belo Horizonte, a interferência já compromete a recepção, tornando a atualização urgente. Para evitar transtornos, a recomendação é agir antes que o prazo do programa gratuito expire.
Um marco na história da TV brasileira
A desativação do sinal nas parabólicas antigas marca o fim de uma era na televisão brasileira. Introduzidas nas décadas de 1980 e 1990, essas antenas foram fundamentais para levar a TV aberta a rincões do país, conectando milhões de famílias a notícias, novelas e esportes. Com o avanço do 5G e a digitalização, o Brasil dá um passo rumo à integração tecnológica, mas o desafio é garantir que a transição não exclua os mais vulneráveis.
A Globo, líder de audiência, está entre as últimas a encerrar o sinal, enquanto emissoras menores, como Band e RedeTV!, já concluíram o processo. O impacto cultural é significativo, especialmente para quem depende da TV como principal fonte de informação. A nova parabólica digital surge como ponte para o futuro, oferecendo qualidade e acesso ampliado em um cenário de convergência entre TV e internet.