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Bush revive o grunge no Lollapalooza com show nostálgico e sofrido em São Paulo

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Bush - Foto: instagram - @claudio_poblete.ph Bush - Foto: instagram - @claudio_poblete.ph

No último domingo, dia 30 de março, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, foi palco de um momento que resgatou a essência dos anos 1990. O Bush, banda britânica liderada por Gavin Rossdale, subiu ao palco do Lollapalooza e entregou uma apresentação que, embora simples e marcada por uma certa melancolia, reacendeu a chama do grunge para uma plateia nostálgica. Com hits como “Everything Zen” e “Machinehead”, o grupo provou que o estilo, nascido em Seattle e popularizado por nomes como Nirvana e Pearl Jam, ainda tem espaço no cenário musical atual, mesmo que, como muitos apontam, pareça “respirar por aparelhos”. O show, que coincidiu com a apresentação do Foster The People no palco principal, atraiu um público considerável, dominado por fãs vestindo camisas pretas de ícones do rock.

Formado em 1992, o Bush faz parte da chamada segunda onda do grunge, um movimento que combinava rock alternativo, punk e metal com letras carregadas de angústia. Gavin Rossdale, único integrante original presente na formação atual, liderou a banda em uma performance direta e sem rodeios, mas que não escapou de críticas por sua simplicidade. Apesar disso, o carisma do vocalista, conhecido por sua postura de galã e por hits que marcaram uma geração, segurou a energia do público. A apresentação, que começou com ajustes no som da guitarra, evoluiu para um setlist repleto de metáforas sobre sofrimento, como “The Chemicals Between Us” e “Glycerine”, canções que ecoam a essência do gênero.

A passagem do Bush pelo Lollapalooza não foi apenas um show, mas um reflexo do estado atual do grunge. Enquanto bandas como o Sepultura, que tocou mais tarde no mesmo palco, continuam a atrair multidões com sua potência sonora, o Bush aposta na nostalgia para manter sua relevância. O público, composto por fãs de longa data e alguns curiosos da nova geração, respondeu com entusiasmo moderado, mas suficiente para mostrar que o legado dos anos 1990 ainda encontra eco em festivais como esse.

Um mergulho na história do Bush

Originário de Londres, o Bush surgiu em um momento em que o grunge dominava as paradas mundiais, impulsionado pelo sucesso de bandas americanas. Apesar de não estar no epicentro de Seattle, o grupo conquistou seu espaço com o álbum de estreia, Sixteen Stone, lançado em 1994. O disco, que vendeu mais de 6 milhões de cópias só nos Estados Unidos, trouxe sucessos como “Comedown” e “Glycerine”, consolidando a banda como um nome relevante na cena alternativa. Na época, o mundo vivia o auge de um movimento que transformava a angústia juvenil em hinos roqueiros, e o Bush soube surfar essa onda com um som mais polido, mas ainda fiel às raízes do gênero.

Gavin Rossdale, então com pouco mais de 20 anos, tornou-se o rosto do grupo. Sua voz grave e suas letras introspectivas, muitas vezes criticadas por falta de profundidade, contrastavam com sua presença magnética no palco. Nos anos 1990, o Bush chegou a vender mais de 20 milhões de álbuns globalmente, um feito impressionante para uma banda que, segundo a imprensa britânica, era vista como uma “versão comercial” do grunge. Após uma pausa em 2002, o grupo retornou em 2010, mas já sem o mesmo impacto de outrora, adaptando-se a um mercado musical dominado por novos estilos.

No Lollapalooza, a banda trouxe um repertório que misturou esses clássicos com faixas mais recentes, mas foram os hits dos anos 1990 que realmente mexeram com a plateia. A escolha de abrir com “Everything Zen” foi estratégica, remetendo diretamente ao início da carreira e estabelecendo uma conexão imediata com os fãs mais velhos. O show, embora não tenha lotado o palco como em outros tempos, reforçou a ideia de que o Bush ainda carrega um apelo emocional para quem viveu aquela era.

O grunge no palco: nostalgia em alta

Diferente de festivais menores, o Lollapalooza tem o poder de amplificar bandas que, em outros contextos, talvez não conseguissem atrair multidões. O Bush é um exemplo claro disso. Em sua última passagemincentive passagem pelo Brasil, anos atrás, o grupo não conseguiu encher o Credicard Hall, uma casa com capacidade para 5 mil pessoas em São Paulo. No entanto, no último domingo, o Autódromo de Interlagos viu uma plateia bem mais expressiva, composta por fãs que cresceram ouvindo os discos da banda e outros que, atraídos pelo evento, decidiram conferir o show.

  • “Everything Zen”: O início do show trouxe um ajuste no som da guitarra, pedido pelo próprio Rossdale, mostrando sua preocupação com a qualidade da apresentação.
  • “Machinehead”: Um dos pontos altos, com o público cantando junto e relembrando os dias de glória do grunge.
  • “Glycerine”: A balada mais conhecida da banda, que fechou o setlist e emocionou os presentes com sua melancolia característica.

O contraste com o Foster The People, que tocava simultaneamente no palco principal, evidenciou as diferenças geracionais no festival. Enquanto o Bush apelava à nostalgia, a banda americana atraía um público mais jovem, com um som mais atual e menos datado. Ainda assim, o palco do Bush não ficou vazio, provando que o grunge, mesmo em sua versão mais acessível, ainda tem seu lugar.

Gavin Rossdale: o galã que segura o show

Quem comanda o Bush há mais de três décadas é Gavin Rossdale, uma figura que transcende a música. Aos 59 anos, o vocalista e guitarrista mantém o carisma que o tornou um ícone nos anos 1990. Ex-marido de Gwen Stefani, vocalista do No Doubt, ele já foi jurado do The Voice britânico e atuou em filmes como Constantine (2005), mas é no palco que sua presença brilha. No Lollapalooza, Rossdale não economizou charme, interagindo com o público e ajustando o som para garantir uma experiência decente.

Nascido em Londres, ele começou a carreira pintando imóveis antes de se aventurar na música, aprendendo guitarra já com a banda em andamento. Sua vida pessoal, marcada pelo casamento com Stefani e pelos três filhos do casal, também adiciona camadas à sua persona pública. Após o divórcio em 2016, ele seguiu em frente com o Bush, mas sem alcançar o mesmo sucesso de outrora. No festival, sua energia foi essencial para compensar a ausência dos outros membros originais, como o baterista Robin Goodridge, que deixou o grupo em 2019.

O show em São Paulo foi mais um capítulo na trajetória de Rossdale, que, mesmo diante de um gênero em declínio, insiste em manter o grunge vivo. Ele não esconde a saudade dos tempos em que o rock dominava as paradas, mas também reconhece que o mundo mudou. “Eu apenas pensava que era mais um perdedor… Mas acabei descobrindo que não era tão perdedor assim”, disse ele em uma entrevista recente, refletindo sobre sua jornada.

O estado atual do grunge

Mais de 30 anos após seu auge, o grunge vive um momento paradoxal. Bandas como Nirvana e Soundgarden deixaram um legado eterno, mas os sobreviventes da era, como o Bush, enfrentam o desafio de se manter relevantes em um cenário dominado por pop e eletrônica. No Lollapalooza, o show do Bush foi um lembrete de que o estilo ainda respira, mas com limitações. A plateia, embora animada, não tinha a mesma energia de outros atos do festival, como Justin Timberlake ou Tool, que fecharam a noite de domingo.

O gênero, que já vendeu milhões de discos, hoje depende de eventos como esse para se sustentar. O Bush, com seu som mais acessível e menos visceral que o de seus contemporâneos, representa uma vertente do grunge que sobrevive pela nostalgia. Enquanto o Sepultura, outra atração do dia, trouxe o peso do metal, o Bush apostou em algo mais introspectivo, quase como uma cápsula do tempo para os anos 1990.

A presença de camisas de bandas como Pearl Jam e Pink Floyd entre o público mostrou que o rock ainda tem seu espaço, mas o Bush não conseguiu replicar a intensidade de seus melhores dias. O show foi descrito como “sofrido” por alguns, talvez pelo peso da história que a banda carrega, mas também pela sensação de que o grunge, como um todo, está mais vivo na memória do que na inovação.

Como o Lollapalooza amplifica o passado

Festivais como o Lollapalooza têm um papel único na música atual: eles resgatam nomes do passado e os colocam frente a frente com artistas contemporâneos. Para o Bush, isso significou uma chance de alcançar um público que, em outra situação, talvez não lotasse um show solo. O evento, realizado entre 28 e 30 de março no Autódromo de Interlagos, reuniu quase 70 atrações, incluindo Olivia Rodrigo, Alanis Morissette e Shawn Mendes, mas também abriu espaço para bandas como o Bush, que vivem de sua história.

A estrutura do festival, com quatro palcos principais, permite que diferentes gerações coexistam. Enquanto o palco Budweiser recebia nomes mais pop, o palco onde o Bush tocou atraiu os roqueiros de plantão. A transmissão ao vivo pelo Globoplay, com opção em 4K para assinantes Premium, também ampliou o alcance do show, levando o grunge a casas Brasil afora. A Globo exibiu os melhores momentos após o Big Brother Brasil, garantindo ainda mais visibilidade.

O Bush se beneficiou desse formato, mas também enfrentou a concorrência direta com o Foster The People, um nome mais alinhado aos gostos atuais. Ainda assim, a banda britânica segurou sua posição, mostrando que festivais são, muitas vezes, o último fôlego de gêneros que já tiveram seus dias de glória.

Cronograma do último dia do festival

O domingo do Lollapalooza foi eclético, misturando rock, pop e metal em uma programação que começou ao meio-dia e terminou à noite. O Bush foi apenas uma das atrações de um dia repleto de destaques. Confira os principais horários:

  • 14h15: Início da transmissão ao vivo no Multishow, Bis e Globoplay.
  • 17h00: Bush sobe ao palco, competindo com o Foster The People.
  • 19h00: Sepultura inicia sua apresentação, parte da turnê de despedida.
  • 21h00: Tool faz sua estreia no Brasil, com um show aguardado por fãs do metal progressivo.
  • 22h30: Justin Timberlake encerra o festival com hits dançantes.

A diversidade de estilos reforçou a força do Lollapalooza como um evento que abraça o passado e o presente, dando ao Bush uma chance de brilhar entre gigantes de diferentes eras.

A recepção do público e do festival

Assistir ao Bush no Lollapalooza foi, para muitos, uma viagem no tempo. A plateia, dominada por fãs com camisas pretas de bandas clássicas, cantou junto em momentos como “Machinehead”, mas não exibiu a mesma euforia vista em outros shows do dia. O clima nostálgico predominou, com alguns espectadores mais interessados em registrar o momento para as redes sociais do que em mergulhar na experiência.

A organização do festival enfrentou desafios, como a chuva que transformou partes do Autódromo em lama na sexta-feira, mas o domingo teve tempo firme, facilitando a circulação entre os palcos. O Bush, embora não tenha lotado o espaço como o Tool ou Timberlake, manteve uma base fiel, especialmente entre aqueles que cresceram nos anos 1990. Para os mais jovens, o show foi mais uma curiosidade, um vislumbre de um som que já não domina as paradas.

A presença de vendedores ambulantes no entorno, oferecendo camisas de bandas roqueiras, foi um detalhe que complementou a vibe. Se um deles estivesse dentro do festival durante o show do Bush, certamente teria esgotado o estoque, tamanha a concentração de fãs do gênero no local.

O legado do Bush no Brasil

Esta não foi a primeira vez do Bush em terras brasileiras. Nos anos 1990, a banda passou por aqui em turnês que coincidiam com seu auge global, mas os shows mais recentes, como o do Credicard Hall, mostraram um declínio na popularidade solo. O Lollapalooza, porém, deu ao grupo uma nova chance de se conectar com o público local, que ainda guarda carinho pelos hits que marcaram uma geração.

Gavin Rossdale já expressou entusiasmo pelo Brasil, citando o desejo de “comer feijoada e jogar futebol na praia” em entrevistas. No palco, ele não mencionou isso, mas sua entrega mostrou um esforço genuíno para agradar. O setlist, focado em Sixteen Stone e Razorblade Suitcase, foi uma escolha segura, atendendo às expectativas dos fãs sem arriscar em material novo que talvez não tivesse o mesmo impacto.

O show reforçou que o Bush, no Brasil, vive de seu passado glorioso. Enquanto bandas como o Sepultura seguem fortes com uma identidade local, o grupo britânico depende de eventos como esse para manter sua chama acesa por aqui.

Curiosidades sobre o Bush no Lollapalooza

A passagem do Bush pelo festival trouxe à tona alguns detalhes que enriquecem sua história e o contexto da apresentação. Veja alguns pontos interessantes:

  • Gavin Rossdale ajustou o som da guitarra logo no início, garantindo que “Everything Zen” soasse como ele queria.
  • A banda já tocou com David Bowie em uma turnê sul-americana em 1997, um marco na carreira de Rossdale.
  • “Glycerine” foi escrita após uma briga de Gavin com uma ex-namorada, antes de seu casamento com Gwen Stefani.
  • O Bush voltou em 2010 após uma pausa de oito anos, mas só Rossdale segue da formação original.
  • No auge, a banda improvisava quadras de futebol nos estacionamentos dos ginásios onde tocava.

Esses fatos ajudam a entender por que o show no Lollapalooza foi mais do que uma simples apresentação: foi um resgate de uma trajetória cheia de altos e baixos, comandada por um frontman que se recusa a desistir.

O que o futuro reserva ao grunge

Olhando para frente, o grunge enfrenta um cenário incerto. O Bush, com suas turnês anuais de cerca de quatro meses, segue na estrada, mas sem a mesma relevância de antes. O Lollapalooza mostrou que há público para o gênero, mas ele depende cada vez mais de festivais e da nostalgia para sobreviver. Bandas como o Tool, com seu som mais experimental, ou o Sepultura, com sua força bruta, parecem mais adaptadas aos tempos atuais do que o Bush, cujo apelo está ancorado no passado.

Rossdale, por sua vez, mantém uma visão otimista, mas realista. Ele já elogiou nomes como Kendrick Lamar e Jack White, reconhecendo que o rock perdeu terreno para outros estilos. No festival, o Bush foi um eco de uma era que não volta, mas que ainda emociona quem viveu aqueles dias. O grunge, como ele próprio cantou em “Everything Zen”, talvez esteja “tentando encontrar um lugar neste mundo”, mas por enquanto, segue vivo – ainda que com ajuda de aparelhos.

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