A temporada de 2025 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, marcada para ocorrer entre 12 e 20 de abril, promete ser uma das mais memoráveis da história do evento. José Loreto, escalado para interpretar Jesus, chega ao maior teatro ao ar livre do mundo, no agreste pernambucano, após enfrentar uma onda de críticas por seu papel como diabo no Carnaval deste ano. A produção do espetáculo, realizada pela Sociedade Teatral de Fazenda Nova, reafirmou seu compromisso com o ator em uma nota oficial, destacando a liberdade artística e o talento de Loreto para dar vida a um dos personagens mais icônicos da dramaturgia. Com mais de 450 atores e figurantes, a encenação reúne nomes de peso como Letícia Sabatella, Leopoldo Pacheco, Werner Schünemann e Luana Cavalcante, consolidando-se como um marco cultural e turístico em Pernambuco.
Durante os últimos meses, o nome de José Loreto esteve no centro de debates acalorados. Seu desfile na Sapucaí, pela Vila Isabel, trouxe à tona discussões sobre a dualidade de papéis na carreira de um ator. Caracterizado como diabo no enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”, ele enfrentou reações negativas de parte do público, que questionou sua escalação para viver Jesus na Semana Santa. A produção do espetáculo, no entanto, manteve-se firme na decisão, enfatizando que a arte permite explorar extremos sem que o intérprete seja confundido com seus personagens.
No coração do agreste pernambucano, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é mais do que uma peça teatral. Reconhecida como Patrimônio Cultural, Material e Imaterial de Pernambuco, a encenação atrai milhares de visitantes anualmente. Em 2024, mais de 50 mil pessoas acompanharam as apresentações, número que reflete a força do evento como uma experiência que une fé, arte e entretenimento. Este ano, a expectativa é ainda maior com a presença de um elenco estelar e a promessa de uma interpretação marcante de Loreto.
A preparação para o papel de Jesus tem sido intensa para o ator. Desde o anúncio de sua participação, em dezembro do ano passado, ele mergulhou em estudos sobre a história e os cenários da Paixão, buscando autenticidade em sua atuação. Gravações promocionais realizadas em janeiro, nos monumentais palcos de Nova Jerusalém, já mostraram um vislumbre de sua dedicação, com imagens que destacam sua caracterização e presença cênica.
Um elenco de estrelas no agreste pernambucano
Além de José Loreto, a 56ª edição do espetáculo conta com nomes consagrados da dramaturgia brasileira. Letícia Sabatella, conhecida por papéis sensíveis em novelas como “Caminho das Índias” e “Velho Chico”, interpreta Maria, a mãe de Jesus. Sua experiência teatral, incluindo a peça “Ilíada”, encenada em 2023, traz profundidade ao personagem. Leopoldo Pacheco, que recentemente brilhou como César Montebello em “Fuzuê”, assume o papel de Pôncio Pilatos, enquanto Werner Schünemann, lembrado por “A Casa das Sete Mulheres”, dá vida ao rei Herodes. A atriz e modelo pernambucana Luana Cavalcante, representante do Brasil no Miss Universo 2024, completa o time principal como a rainha Herodíades.
A grandiosidade da Paixão de Cristo vai além do elenco. Encenada em uma cidade-teatro de 100 mil metros quadrados, a produção recria cenários bíblicos como o Palácio de Herodes, o Templo de Jerusalém e o Monte do Calvário. São nove palcos-plateia, com muralhas de 3.500 metros e 70 torres, que transportam o público para a Jerusalém dos tempos de Jesus. A combinação de cenografia arrojada, figurinos ricos e efeitos especiais de última geração garante uma experiência imersiva.
Polêmica no Carnaval: o diabo na Sapucaí
O ano começou agitado para José Loreto. Em março, durante o Carnaval do Rio de Janeiro, ele desfilou pela Vila Isabel como parte do enredo que explorava lendas e assombrações. Interpretando o diabo em uma narrativa inspirada na figura de Jack Lanterna – um personagem de uma lenda irlandesa condenado a vagar eternamente –, o ator chamou atenção pela ousadia. A performance, no entanto, gerou controvérsia entre espectadores que viram um conflito com seu papel na Paixão de Cristo.
Rapidamente, rumores circularam sobre um possível cancelamento de sua participação no espetáculo pernambucano. Posts em redes sociais alimentaram a especulação, sugerindo que a produção poderia substituí-lo devido à pressão de grupos religiosos. A reação foi tamanha que, em 7 de março, Loreto se pronunciou publicamente, defendendo a liberdade artística e esclarecendo que sua atuação no Carnaval era parte de uma narrativa fictícia, sem relação com suas crenças pessoais.
A Sociedade Teatral de Fazenda Nova respondeu às críticas com uma nota oficial em 30 de março. No comunicado, a organização destacou que atores têm o direito de explorar diversos papéis ao longo de suas carreiras e que a escolha de Loreto foi baseada em seu talento e comprometimento. A declaração acalmou os ânimos e reforçou a confiança no ator para liderar o elenco na temporada que se aproxima.
José Loreto reflete sobre arte e críticas
Diante da repercussão, José Loreto abriu o coração sobre o impacto das críticas. Em uma declaração emocionada, ele revelou que o que mais o motivou a seguir na carreira artística foi a possibilidade de interpretar personagens opostos, como mocinhos e vilões. Para ele, a arte tem o poder de fazer o público refletir sobre o bem e o mal, além de emocionar e provocar questionamentos.
O ator admitiu que não se incomodou com o debate em si, mas sim com a intensidade do ódio em algumas mensagens. Ele questionou como uma representação cênica poderia gerar tanta fúria, especialmente entre aqueles que justificavam as críticas com base no amor e na fé. “Eu fiz o diabo, mas eu não sou o diabo. Eu não gosto do diabo. Eu não compactuo com nenhuma ideia do diabo”, afirmou, enfatizando a distinção entre o intérprete e o personagem.
Loreto também aproveitou para destacar sua conexão com o papel de Jesus. Ele descreveu o personagem como um exemplo de humanidade e amor, valores que pretende transmitir ao público. “Tenho certeza de que com minha dedicação e paixão pelo ofício, vou convencer vocês também”, declarou, mostrando entusiasmo para o desafio que começa em poucos dias.
A tradição de Nova Jerusalém em números
Realizada desde 1968 no distrito de Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é um dos maiores eventos culturais do Nordeste. A cada ano, o espetáculo reúne turistas de todo o Brasil e do exterior, movimentando a economia local e promovendo a cultura pernambucana. Em suas mais de cinco décadas de história, a encenação já emocionou gerações com sua narrativa poderosa.
Dados impressionantes marcam a trajetória do evento:
- Mais de 450 atores e figurantes participam de cada temporada.
- A cidade-teatro ocupa uma área equivalente a um terço da Jerusalém histórica.
- Em 2024, o público superou a marca de 50 mil espectadores.
- A duração média do espetáculo é de duas horas e meia, percorrendo cenários como a Via Sacra e o Monte do Calvário.
A edição de 2025 promete manter essa tradição, com ingressos já à venda no site oficial do evento. Os preços variam entre R$ 80 e R$ 220, dependendo do dia e da categoria, com opções de meia-entrada disponíveis.
Preparativos intensos para a Semana Santa
Com a proximidade da temporada, os preparativos em Nova Jerusalém estão a todo vapor. José Loreto chega ao local no dia 7 de abril para os ensaios finais, trazendo consigo a energia que demonstrou nas gravações promocionais. As imagens divulgadas mostram o ator com cabelos longos e vestes que remetem à figura histórica de Jesus, um visual que já conquistou o público nas redes sociais.
A produção também anunciou o retorno da personagem Verônica, que enxuga o rosto de Jesus na cena da Via Sacra. Interpretada pela atriz pernambucana Angélica Zenith, o papel marca uma novidade na encenação deste ano. Curiosamente, Letícia Sabatella viveu Verônica em 1993, e agora retorna como Maria, conectando passado e presente do espetáculo.
Os bastidores revelam um esforço conjunto de mais de 100 profissionais, entre cenógrafos, figurinistas e técnicos de som e luz. A direção, assinada pelo pernambucano Eduardo Morotó, aposta em uma estética inspirada em grandes produções cinematográficas, com cenas épicas que incluem cavaleiros no deserto e exércitos romanos ao lado das muralhas.
Cronograma oficial da Paixão de Cristo
A agenda da temporada está definida, garantindo que o público possa se programar para assistir ao espetáculo. Confira as datas e horários:
- 12 de abril (sábado): Abertura oficial às 18h.
- 13 a 19 de abril: Apresentações diárias às 18h.
- 20 de abril (Domingo de Páscoa): Encerramento às 18h.
- Abertura dos portões: 16h em todos os dias.
- Venda de ingressos online: Até 12h do dia do espetáculo.
As bilheterias físicas funcionam das 8h às 19h, oferecendo uma alternativa para quem prefere comprar presencialmente. Pacotes turísticos, incluindo transporte e guias, também estão disponíveis para visitantes do Recife e de Porto de Galinhas.
Impacto cultural e turístico em Pernambuco
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém transcende o palco e se consolida como um motor de desenvolvimento para o agreste pernambucano. Localizada a 180 km do Recife, a cidade-teatro atrai um público diversificado, desde fiéis em busca de uma experiência espiritual até amantes do teatro interessados na grandiosidade da produção. Pesquisas indicam que cerca de 30% dos espectadores são motivados por razões religiosas, enquanto a maioria encara o evento como entretenimento de alta qualidade.
A presença de nomes como José Loreto eleva ainda mais o prestígio do espetáculo. Sua escalação, anunciada em dezembro do ano passado, gerou expectativa entre fãs e críticos, que aguardam uma interpretação capaz de marcar a 56ª edição. A combinação de um elenco estelar com a infraestrutura única de Nova Jerusalém reforça a posição do evento como uma das principais atrações da Semana Santa no Brasil.
Hotéis e pousadas da região já registram alta procura para o período, evidenciando o impacto econômico da temporada. A feira de Caruaru, ponto de parada para muitos turistas, também se beneficia com a venda de artesanato e a degustação da culinária local, como o tradicional bode assado.
Curiosidades sobre o elenco e a produção
O time escalado para 2025 traz histórias e talentos que enriquecem a narrativa da Paixão de Cristo. Confira alguns destaques:
- José Loreto ganhou destaque em “Pantanal” como o peão Tadeu e protagonizou o filme “Mais forte que o mundo”.
- Letícia Sabatella retorna a Nova Jerusalém após 32 anos, agora em um papel ainda mais central.
- Leopoldo Pacheco revive o vilão Leôncio em “A Escrava Isaura”, reprisada atualmente, enquanto encena Pilatos.
- Werner Schünemann marcou a TV como Bento Gonçalves em “A Casa das Sete Mulheres”.
- Luana Cavalcante, além de atriz, foi Miss Brasil e estreou no cinema em “Batalha de Saipan”.
A produção também impressiona pelos números. São mais de 50 artistas pernambucanos no elenco, complementados por 500 figurantes locais, que dão vida às cenas de multidão. A tecnologia empregada inclui sistemas de som e luz de última geração, criando uma atmosfera que rivaliza com grandes produções internacionais.
Expectativas para a estreia
Faltando poucos dias para o início da temporada, a chegada de José Loreto ao agreste pernambucano é aguardada com ansiedade. Sua trajetória recente, marcada pela polêmica do Carnaval e pela superação das críticas, adiciona uma camada extra de interesse à sua interpretação. O ator já demonstrou em papéis anteriores, como o lutador José Aldo em “Mais forte que o mundo”, sua capacidade de trazer profundidade a personagens complexos.
A estreia, marcada para 12 de abril, será o momento de comprovar se a confiança da produção e do próprio Loreto se traduzirá em uma performance à altura da história. Com um público estimado em dezenas de milhares ao longo da semana, o espetáculo promete emocionar e inspirar, mantendo viva a tradição que começou há mais de 55 anos.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém segue como um símbolo de resiliência cultural, unindo arte e fé em um cenário único. A presença de Loreto, ao lado de um elenco talentoso, garante que a edição de 2025 será lembrada como um capítulo especial dessa longa jornada.

