A Rede Globo consolidou sua posição como referência em telenovelas no Brasil, com produções que marcaram épocas e alcançaram recordes de audiência ao longo de décadas. Até março de 2025, um ranking das novelas mais assistidas da emissora destaca tramas que conquistaram milhões de telespectadores, desde os anos 1980 até os dias atuais, refletindo o impacto cultural e a evolução da teledramaturgia nacional. “Roque Santeiro”, exibida entre 1985 e 1986, lidera como a trama de maior média geral no Ibope, atingindo impressionantes 74 pontos, enquanto “Tieta”, de 1989 a 1990, domina em categorias como audiência no primeiro e último capítulos, além de picos de 81 pontos em episódios específicos. Essas histórias, carregadas de personagens icônicos e enredos envolventes, estabeleceram padrões que influenciam até hoje as produções da Globo, incluindo sucessos recentes disponíveis no Globoplay, como “Avenida Brasil” e “Chocolate com Pimenta”.
O levantamento considera dados históricos do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), que começou a medir audiência em 1954 e evoluiu suas técnicas ao longo do tempo, passando de flagrantes domiciliares a modernos peoplemeters. “Selva de Pedra”, de 1972, por exemplo, foi a primeira a registrar 100% de share no último capítulo, um feito repetido apenas por “Roque Santeiro”. Já “Pedra Sobre Pedra”, de 1992, se destaca pela maior elevação de audiência em sua exibição, saltando de médias iniciais para picos notáveis. Esses números mostram como as novelas da Globo moldaram hábitos e se tornaram parte da identidade cultural do país.
Com o avanço do streaming, o interesse por essas tramas clássicas não diminuiu. O Globoplay, plataforma da emissora, registra altos índices de consumo de títulos como “Mulheres de Areia” e “A Força do Querer”, enquanto “Vale Tudo”, cotada para um remake em 2025, mantém seu legado com 81 pontos em um único capítulo. A combinação de nostalgia e qualidade narrativa garante que essas novelas continuem atraindo públicos de todas as idades, seja na TV aberta ou no digital.
Recordes que fizeram história
Algumas novelas da Globo alcançaram feitos únicos na teledramaturgia brasileira. Confira os destaques:
- 74 pontos de média: “Roque Santeiro” (1985-1986) lidera como a mais assistida.
- 100% de share: “Selva de Pedra” (1972) e “Roque Santeiro” no último capítulo.
- 81 pontos em um capítulo: “Tieta” (1989-1990) e “Vale Tudo” (1988-1989).
- Maior elevação: “Pedra Sobre Pedra” (1992) surpreendeu com crescimento de audiência.
- Primeiro capítulo recorde: “Tieta” estreou com pico histórico.
Era de ouro da teledramaturgia
A década de 1980 foi um marco para as novelas da Globo, com produções que alcançaram índices nunca igualados. “Roque Santeiro”, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, se passa na fictícia Asa Branca, onde o mito de um santo popular, interpretado por José Wilker, desafia as estruturas de poder locais. A trama, exibida no horário das 20h, chegou a 74 pontos de média, um recorde impulsionado pela censura inicial em 1975, que aumentou a expectativa do público até sua liberação em 1985. Lima Duarte e Regina Duarte completaram o elenco estelar, consolidando a novela como um fenômeno cultural.
“Tieta”, também de Aguinaldo Silva, estreou em 1989 e manteve o sucesso da emissora no horário nobre. Com Betty Faria no papel da protagonista que retorna a Santana do Agreste para se vingar, a novela atingiu picos de 81 pontos e liderou em audiência no primeiro e último capítulos. A história, adaptada do romance de Jorge Amado, misturava sensualidade, humor e crítica social, cativando 65 pontos de média e exportando a trama para mais de 90 países.
Outro destaque da época é “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, exibida entre 1988 e 1989. A novela, que explora corrupção e ambição através da vilã Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall, marcou 81 pontos em um capítulo e mantém sua relevância, com um remake previsto para junho de 2025. Regina Duarte e Antônio Fagundes protagonizaram a trama, que alcançou 62 pontos de média e segue como referência no Globoplay.
Sucessos das décadas seguintes
A década de 1990 trouxe “Pedra Sobre Pedra”, que se destacou pela maior elevação de audiência da história da Globo. Exibida em 1992, a trama de Aguinaldo Silva começou com médias modestas, mas cresceu ao longo dos 213 capítulos, atingindo picos expressivos graças ao enredo centrado nas rivalidades de Jericó, uma cidade fictícia. Lima Duarte e Renata Sorrah lideraram o elenco, que misturava drama e comédia, consolidando a novela como um sucesso inesperado.
“Top Model”, de 1989, também marcou os anos 1990 com 64 pontos de média. Escrita por Walther Negrão e Antônio Calmon, a história se passa no Rio de Janeiro e acompanha Duda, uma modelo de sucesso interpretada por Malu Mader. O elenco, com nomes como Regina Duarte e Evandro Mesquita, ajudou a trama a se destacar, especialmente entre o público jovem da época.
Já nos anos 2000, “Avenida Brasil” revolucionou o gênero em 2012. Com 38,71 pontos de média, a novela de João Emanuel Carneiro se tornou a mais exportada da Globo, alcançando 148 países. Adriana Esteves, como a vilã Carminha, e Débora Falabella, como Nina, protagonizaram um embate que parou o país, especialmente no último capítulo, assistido por milhões. A trama, disponível no Globoplay, mistura drama e suspense, mantendo-se como um dos maiores fenômenos recentes.
Evolução da audiência na Globo
A medição de audiência no Brasil evoluiu desde os anos 1950, quando o Ibope usava flagrantes domiciliares em São Paulo. Na década de 1970, o número de televisores saltou de 200 mil para 4 milhões, exigindo métodos mais precisos, como os Cadernos Diários em 1977. Em 1991, o peoplemeter trouxe medição minuto a minuto, refletindo mudanças nos hábitos do público. “Selva de Pedra”, de 1972, foi a primeira a atingir 100% de share no último capítulo, um feito raro na época de poucos canais.
Nos anos 1980, “Roque Santeiro” e “Tieta” aproveitaram o aumento de domicílios com TV, que chegou a 20 milhões, para registrar recordes. Hoje, com o streaming, novelas como “Chocolate com Pimenta” lideram no Globoplay, com 2,5 milhões de domicílios conectados em 2024, segundo dados recentes. A transição para o digital mantém essas tramas vivas, adaptando-se a novos públicos.
Clássicos que resistem ao tempo
“Selva de Pedra”, exibida em 1972, marcou a teledramaturgia com Francisco Cuoco e Regina Duarte. A novela, escrita por Janete Clair, acompanhava um triângulo amoroso em São Paulo e alcançou 100% de share no último capítulo, um feito histórico em um Brasil com apenas cinco emissoras. A trama urbana e o elenco forte a tornaram um marco, ainda revisitado no streaming.
“Mulheres de Areia”, de 1993, com Glória Pires como as gêmeas Ruth e Raquel, também se destaca no Globoplay. A novela de Ivani Ribeiro, reprisada em 2024, registrou 62 pontos de média e segue entre as mais assistidas digitalmente, com sua trama de troca de identidades cativando gerações. A produção foi exportada para 30 países, reforçando seu legado.
“A Força do Querer”, de Glória Perez, exibida em 2017, trouxe temas contemporâneos como identidade de gênero e tráfico, alcançando 38,23 pontos de média. Juliana Paes, como Bibi Perigosa, e Paolla Oliveira, como Jeiza, lideraram o elenco, que conquistou 2,51 milhões de domicílios no Globoplay até 2024, provando a força das novelas modernas.
Recordes em números
Os índices de audiência revelam o impacto das novelas da Globo:
- “Roque Santeiro”: 74 pontos de média, 100% de share no último capítulo.
- “Tieta”: 65 pontos de média, 81 pontos em pico.
- “Selva de Pedra”: 100% de share no final, 60 pontos de média.
- “Vale Tudo”: 62 pontos de média, 81 pontos em pico.
- “Avenida Brasil”: 38,71 pontos, exportada para 148 países.
Influência cultural das tramas
As novelas da Globo moldaram a cultura brasileira, influenciando moda, linguagem e debates sociais. “Tieta” popularizou o estilo ousado de Betty Faria, enquanto “Vale Tudo” eternizou a pergunta “Quem matou Odete Roitman?”, parando o país em 1989. “Avenida Brasil” gerou memes e discussões online, com o último capítulo em 2012 alcançando 50 milhões de telespectadores, um recorde para a época digital.
“Chocolate com Pimenta”, de 2003, com Mariana Ximenes, lidera o Globoplay com 2,5 milhões de domicílios conectados em 2024. A trama leve e romântica, escrita por Walcyr Carrasco, reflete o apelo nostálgico que mantém as novelas vivas. Já “O Salvador da Pátria”, de 1989, com 62 pontos, abordou política em plena redemocratização, ecoando até hoje.
Ranking no streaming
No Globoplay, as novelas clássicas dominam o consumo digital. “Chocolate com Pimenta” lidera, seguida por “Mulheres de Areia” e “Tieta”. “Avenida Brasil” e “A Força do Querer” representam os sucessos recentes, enquanto “Renascer”, de 1993, com 2,42 milhões de domicilios, ganhará remake em 2025. O Projeto Resgate da plataforma, iniciado em 2020, digitalizou 100 obras até 2024, respondendo por 25% do consumo de novelas no streaming.

