Desde o dia 1º de abril, trabalhadores nascidos em abril que optaram pelo saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) têm a chance de resgatar uma parte do saldo disponível em suas contas. A janela para retirada, aberta pela Caixa Econômica Federal, vai até 30 de junho, oferecendo flexibilidade para quem busca um reforço financeiro anual. Cerca de 37 milhões de pessoas aderiram a essa modalidade desde sua criação em 2019, sendo uma alternativa ao saque tradicional, restrito a situações como demissão sem justa causa ou compra de imóvel. O valor liberado varia de 5% a 50% do saldo, dependendo do total acumulado, com um adicional fixo para contas menores. Para muitos, esse dinheiro chega em boa hora, seja para pagar contas, investir ou realizar projetos pessoais.
A modalidade saque-aniversário foi pensada para dar mais liberdade ao trabalhador, permitindo acesso ao FGTS sem depender de eventos específicos. No entanto, a escolha vem com uma condição: quem adere abre mão do saque integral em caso de demissão sem justa causa, recebendo apenas a multa de 40% sobre os depósitos do empregador. A Caixa facilita o processo por meio do aplicativo FGTS, onde é possível consultar o saldo, optar pela modalidade e solicitar o resgate, que pode ser creditado diretamente em conta bancária.
Além do saque anual, uma medida especial de 2025 também liberou o saldo retido para quem foi demitido entre 2020 e fevereiro deste ano, beneficiando 12,1 milhões de trabalhadores com R$ 12 bilhões. Essa ação, however, não altera as regras do saque-aniversário, que segue como uma opção permanente para os empregados com carteira assinada.
Como funciona o saque-aniversário
O saque-aniversário permite que o trabalhador retire uma parcela do FGTS todos os anos, no mês de seu aniversário, desde que tenha aderido à modalidade. O percentual varia conforme o saldo da conta: quem tem até R$ 500 pode sacar 50%, enquanto saldos acima de R$ 20 mil liberam 5% mais R$ 2.900. O prazo para retirada começa no primeiro dia útil do mês de nascimento e vai até o último dia útil do segundo mês seguinte.
Para aderir, basta acessar o aplicativo FGTS ou o site da Caixa e fazer a opção, que pode ser alterada a qualquer momento — mas a volta ao saque-rescisão só ocorre após dois anos. Até lá, o saldo segue rendendo 3% ao ano mais a Taxa Referencial, além de receber parte dos lucros do fundo, que em 2024 distribuiu R$ 15,2 bilhões aos cotistas.
Calendário de liberação em 2025
O saque-aniversário segue um cronograma anual baseado no mês de nascimento. Confira as datas para 2025:
- Janeiro: 2 de janeiro a 31 de março
- Fevereiro: 3 de fevereiro a 30 de abril
- Março: 3 de março a 30 de maio
- Abril: 1º de abril a 30 de junho
- Maio: 2 de maio a 31 de julho
- Junho: 2 de junho a 29 de agosto
- Julho: 1º de julho a 30 de setembro
- Agosto: 1º de agosto a 31 de outubro
- Setembro: 1º de setembro a 28 de novembro
- Outubro: 1º de outubro a 30 de dezembro
- Novembro: 3 de novembro a 30 de janeiro de 2026
- Dezembro: 1º de dezembro a 27 de fevereiro de 2026
Quem perde o prazo tem o valor mantido na conta até o ano seguinte, sem prejuízo do rendimento.

Quanto você pode sacar do FGTS
Calcular o valor do saque-aniversário é simples, mas depende do saldo total da conta. A Caixa estabeleceu faixas progressivas, com percentuais decrescentes e adicionais fixos para saldos menores. Por exemplo, um trabalhador com R$ 1.500 na conta pode sacar 30% (R$ 450) mais R$ 150, totalizando R$ 600. Já quem tem R$ 25 mil recebe 5% (R$ 1.250) mais R$ 2.900, chegando a R$ 4.150.
A tabela é aplicada automaticamente pelo sistema da Caixa, e o trabalhador pode conferir o valor exato no aplicativo FGTS. Para quem tem mais de uma conta — como uma ativa e outra de emprego anterior —, o cálculo considera o somatório de todos os saldos. Esse dinheiro pode ser usado livremente, sem necessidade de justificar o destino.
A adesão ao saque-aniversário também abre a possibilidade de antecipação via empréstimo bancário, permitindo resgatar até 10 parcelas anuais futuras. Essa opção, porém, compromete os saques futuros, já que o valor é dado como garantia à instituição financeira.
Passo a passo para resgatar o dinheiro
Retirar o saque-aniversário é um processo rápido e acessível. A maioria dos trabalhadores prefere o aplicativo FGTS, mas há outras opções. Veja como fazer:
- Baixe o app FGTS (Android ou iOS) e faça login com CPF e senha.
- Confirme ou cadastre sua conta bancária na opção “Meus Saques”.
- Verifique o valor disponível na aba “Saque-Aniversário” e solicite o depósito.
- O crédito é liberado em até cinco dias úteis, sem taxas.
Quem não usa o aplicativo pode sacar em caixas eletrônicos com o Cartão Cidadão ou em agências da Caixa, levando identidade e número do PIS. Valores acima de R$ 3 mil exigem retirada presencial.
Vantagens e riscos da modalidade
Optar pelo saque-aniversário tem seus prós e contras. A principal vantagem é o acesso anual a uma parte do FGTS, que pode ajudar em emergências ou planos de curto prazo. Dados mostram que, desde 2020, mais de R$ 40 bilhões foram sacados por meio dessa modalidade, beneficiando milhões de trabalhadores.
Por outro lado, a perda do saque integral em caso de demissão é um risco a considerar. Quem é demitido sem justa causa recebe apenas a multa de 40%, enquanto o saldo principal fica bloqueado até uma nova condição de saque, como aposentadoria ou compra de imóvel. Para mitigar isso, é possível desistir da modalidade, mas o prazo de carência de dois anos pode ser um obstáculo.
Saque especial para demitidos
Além do saque-aniversário, uma medida excepcional liberou o saldo retido para quem foi demitido sem justa causa entre janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2025. Essa ação, iniciada em março, já pagou R$ 12 bilhões a 12,1 milhões de trabalhadores, com valores até R$ 3 mil liberados na primeira etapa e o restante em junho.
Diferente do saque-aniversário, essa liberação não exige adesão prévia e inclui o saldo total da conta, além da multa rescisória. Ela foi pensada para apoiar quem perdeu o emprego durante a pandemia e a crise econômica, mas não se aplica a demissões após fevereiro deste ano.
Outros usos do FGTS
O FGTS não se limita ao saque-aniversário ou à demissão. Outras situações permitem o resgate, como a compra da casa própria, que exige ao menos três anos de contribuição e não possuir outro imóvel financiado. O saldo também pode ser usado em casos de doenças graves, como câncer, ou desastres naturais, com limite de R$ 6.220 por evento.
Essas opções continuam valendo para quem aderiu ao saque-aniversário, desde que o saldo restante permita o resgate. A diversidade de usos reforça a importância do fundo como uma reserva financeira versátil para os trabalhadores.
Dicas para usar o saque com inteligência
Receber o saque-aniversário exige planejamento. Para quem está empregado, o dinheiro pode ser um alívio para dívidas ou um impulso para investimentos. Já para os desempregados, pode ser uma ponte até a recolocação. A chave é evitar gastos impulsivos e priorizar necessidades reais.
Outra dica é checar regularmente o saldo no aplicativo FGTS para evitar surpresas. Quem antecipou parcelas via empréstimo deve confirmar se há valores disponíveis, já que o banco pode ter bloqueado parte do fundo como garantia.
Como o FGTS impacta a economia
A liberação anual do saque-aniversário movimenta bilhões na economia, estimulando o consumo e ajudando a reduzir a inadimplência. Em anos anteriores, como 2020, saques emergenciais injetaram mais de R$ 36 bilhões no mercado, com efeitos sentidos no varejo e nos serviços. O saque-aniversário segue essa lógica, mas de forma escalonada ao longo do ano.
Para o governo, o fundo também é essencial para financiar habitação e infraestrutura, com um patrimônio que ultrapassa R$ 500 bilhões. A distribuição de lucros, como os R$ 15,2 bilhões de 2024, garante que o saldo continue crescendo, mesmo com os saques.
Cuidados contra fraudes
Com a liberação do FGTS, golpes se tornam mais frequentes. Criminosos enviam mensagens falsas prometendo agilizar o saque em troca de dados pessoais ou pagamentos. O processo oficial é gratuito e feito apenas pelos canais da Caixa, como o aplicativo, o site ou as agências.
O telefone 0800 726 0207 está disponível para tirar dúvidas, e a recomendação é nunca compartilhar senhas ou clicar em links suspeitos. Manter o cadastro atualizado no app também ajuda a evitar problemas.