A quarta etapa do Circuito Mundial de Surfe (WSL) começou com ação intensa nas direitas de Punta Roca, em La Libertad, El Salvador. No primeiro dia de competição, cinco brasileiros entraram na água, mas apenas João Chianca e Yago Dora conseguiram avançar diretamente para a terceira fase. Alejo Muniz, Edgard Groggia e Samuel Pupo, por outro lado, terão que enfrentar a repescagem para manter viva a esperança de seguir no evento. A janela de disputas, que vai até 12 de abril, foi interrompida devido à piora nas condições do mar, com uma nova chamada prevista para o mesmo dia, às 16h30 (de Brasília), caso as ondas melhorem. O evento marca um momento crucial na temporada, sendo a última parada antes do corte de meio de temporada, que definirá os surfistas classificados para as etapas finais.
Com 11 brasileiros na disputa masculina, o país segue como protagonista no circuito. Italo Ferreira, atual líder do ranking, e Filipe Toledo, ex-campeão mundial, ainda estrearão na primeira fase, assim como Ian Gouveia, Miguel Pupo e Deivid Silva. Entre as mulheres, Luana Silva é a única representante brasileira e enfrentará adversárias de peso, como a americana Tyler Wright e a costarriquenha Brisa Hennessy. A temporada de 2025 já registra dois títulos brasileiros em três etapas concluídas: Italo venceu em Abu Dhabi, e Yago Dora levou a melhor em Peniche, Portugal, superando o próprio Italo na final.
A paralisação em Punta Roca reflete as condições desafiadoras do mar, que começaram favoráveis, mas deterioraram com o aumento do vento. Mesmo assim, os brasileiros mostraram resiliência. João Chianca, por exemplo, destacou o carinho pelo local, afirmando que o pico permite que seu surfe se destaque. Já Yago Dora, embalado pela vitória recente em Portugal, precisou de uma onda salvadora nos instantes finais para garantir sua vaga. A expectativa agora é pela retomada da competição, que promete mais emoções nas ondas salvadorenhas.
Primeiros passos em Punta Roca
João Chianca foi um dos destaques do dia inaugural em El Salvador. Na segunda bateria, o brasileiro travou um duelo acirrado com o australiano Jack Robinson, atual terceiro colocado no ranking mundial. Com notas próximas, Chianca usou a prioridade para bloquear uma tentativa de Robinson e assegurou a liderança com um somatório de 9.40, contra 9.17 do adversário. Edgard Groggia, também na disputa, chegou perto de avançar, mas terminou com 8.90, ficando na terceira posição e indo para a repescagem.
Yago Dora, por sua vez, enfrentou dificuldades na quarta bateria. Com o mar já menos consistente, o brasileiro demorou a encontrar ritmo, mas uma onda de 5.43 nos segundos finais garantiu o segundo lugar, com 10.26 no total. O havaiano Jackson Bunch liderou com 12.16, enquanto Ian Gentil, outro representante do Havaí, ficou com 9.34 e terá que passar pela repescagem. A atuação de Dora reforça sua boa fase após o título em Peniche, onde superou Italo Ferreira com um surfe agressivo e preciso.
Alejo Muniz abriu a competição surfando a primeira onda do evento, anotando 4.17. Apesar de liderar por parte da bateria, o brasileiro foi superado pelo japonês Connor O’Leary (11.50) e pelo indonésio Rio Waida (11.43), terminando com 8.94. Samuel Pupo, na terceira bateria, também não conseguiu acompanhar o ritmo do marroquino Ramzi Boukhiam (13.77) e do havaiano Barron Mamiya (10.33), fechando com 9.23 e caindo para a repescagem.
Resultados que definem o dia
- Bateria 1: Connor O’Leary (11.50), Rio Waida (11.43), Alejo Muniz (8.94)
- Bateria 2: João Chianca (9.40), Jack Robinson (9.17), Edgard Groggia (8.90)
- Bateria 3: Ramzi Boukhiam (13.77), Barron Mamiya (10.33), Samuel Pupo (9.23)
- Bateria 4: Jackson Bunch (12.16), Yago Dora (10.26), Ian Gentil (9.34)
Desafios e expectativas em El Salvador
Punta Roca é conhecida por suas direitas longas e perfeitas, um cenário ideal para manobras progressivas e disputas acirradas. A etapa de El Salvador, quarta parada do circuito, chega em um momento decisivo. Após três eventos, o ranking masculino é liderado por Italo Ferreira, seguido por Barron Mamiya e Jack Robinson. Yago Dora, em quarto, e João Chianca, que busca subir posições, estão entre os nomes fortes do Brasil. A competição também marca a última chance antes do corte de meio de temporada, que reduzirá o número de surfistas na briga pelo título mundial.
Entre as mulheres, Luana Silva carrega a responsabilidade de representar o Brasil sozinha. Sua bateria contra Tyler Wright, bicampeã mundial, e Brisa Hennessy, que já venceu em Punta Roca, será um teste de fogo. A ausência de Tatiana Weston-Webb, que optou por uma pausa para cuidar da saúde mental, e de Gabriel Medina, fora por lesão, coloca ainda mais pressão sobre os brasileiros restantes. Weston-Webb, 17ª no ranking após três etapas, anunciou a decisão na semana passada, enquanto Medina segue em recuperação.
A história recente da WSL em El Salvador favorece os brasileiros. Em 2023, Filipe Toledo conquistou o título masculino, enquanto Caroline Marks, dos Estados Unidos, venceu entre as mulheres. No ano passado, John John Florence, também americano, levou a melhor no masculino, e Marks repetiu o feito no feminino. A consistência de Punta Roca como palco de grandes performances eleva a expectativa para os próximos dias, especialmente com a previsão de ondas maiores a partir do fim da semana.
Brasileiros ainda na disputa
Onze brasileiros estão inscritos na chave masculina em Punta Roca, mas apenas cinco competiram até agora. Italo Ferreira, líder do circuito, entra na sexta bateria ao lado do australiano George Pittar e do local Bryan Perez, wildcard do evento. Filipe Toledo, que já venceu em El Salvador, enfrentará Ian Gouveia e o mexicano Alan Cleland na sétima bateria. Miguel Pupo e Deivid Silva fecharão a participação brasileira na primeira fase, duelando com o americano Jake Marshall na 12ª bateria.
A força do Brasil no surfe mundial é inegável. Dos 34 surfistas na chave masculina, quase um terço é brasileiro, reflexo do talento e da consistência do país no esporte. Nos últimos anos, o domínio verde-amarelo no circuito foi marcado por títulos de Medina, Toledo e Ferreira, além do crescimento de novos nomes como Dora e Chianca. A etapa atual pode consolidar ainda mais essa hegemonia, dependendo do desempenho na repescagem e nas fases seguintes.
Luana Silva, única brasileira no feminino, terá pela frente um desafio imediato. Tyler Wright, com vasta experiência, e Brisa Hennessy, adaptada às condições de El Salvador, são adversárias que exigirão o melhor da surfista. A categoria feminina, com 17 competidoras, também está próxima do corte de meio de temporada, o que torna cada bateria crucial para a classificação.
Calendário da WSL em Punta Roca
A janela de competição em El Salvador vai de 2 a 12 de abril, com os organizadores monitorando diariamente as condições do mar. O cronograma inclui:
- Primeira fase masculina: Em andamento, com paralisação após a quarta bateria.
- Primeira fase feminina: Prevista para iniciar assim que as condições permitirem.
- Repescagem: Próxima etapa para Alejo Muniz, Edgard Groggia e Samuel Pupo.
- Fases eliminatórias: A partir da terceira rodada, com confrontos diretos até a final.
Pressão antes do corte
Com a temporada de 2025 chegando à metade, a etapa de Punta Roca é decisiva para os surfistas que buscam se manter no circuito. Após 12 eventos, apenas os cinco melhores homens e mulheres avançam para as finais, marcadas para Cloudbreak, em Fiji. O corte de meio de temporada, que acontece após a quinta etapa, elimina competidores fora do top 22 no masculino e do top 10 no feminino, aumentando a pressão em El Salvador.
João Chianca, que voltou ao circuito após um grave acidente em Pipeline no ano passado, vê em Punta Roca uma oportunidade de consolidar sua recuperação. Yago Dora, por outro lado, quer manter o embalo da vitória em Portugal e se aproximar da liderança. Para os brasileiros na repescagem, como Alejo Muniz, a chance de reverter o resultado inicial é essencial para seguir na briga.
A interrupção do evento no primeiro dia não diminuiu o entusiasmo em La Libertad. Surfistas e organizadores aguardam uma melhora nas ondas, que, segundo previsões, podem ganhar força nos próximos dias. A combinação de swell e vento favorável é o que todos esperam para ver Punta Roca em seu auge, oferecendo condições ideais para manobras aéreas e tubos profundos.
Nomes a observar em El Salvador
Além dos brasileiros, outros surfistas prometem agitar a competição. Barron Mamiya, vice-líder do ranking, mostrou consistência na terceira bateria, enquanto Jack Robinson segue como uma ameaça constante. Entre as mulheres, Caroline Marks, bicampeã em Punta Roca, e Caitlin Simmers, atual campeã mundial, estão entre as favoritas. O wildcard local Bryan Perez, que cresceu surfando essas ondas, também pode surpreender.
- Destaques masculinos: Italo Ferreira, Barron Mamiya, Jack Robinson, Yago Dora.
- Destaques femininos: Caroline Marks, Caitlin Simmers, Tyler Wright, Luana Silva.
- Fator surpresa: Bryan Perez, wildcard com conhecimento único do pico.
O que vem pela frente
A retomada da competição depende das condições do mar, mas a expectativa é alta. Se as ondas melhorarem ainda hoje, a primeira fase masculina será concluída, abrindo espaço para o início das disputas femininas. Caso contrário, a WSL deve ajustar o cronograma, aproveitando os dias restantes da janela para garantir as melhores condições possíveis.
Punta Roca já provou ser um palco de grandes momentos na WSL, e a edição atual não parece diferente. Com brasileiros em destaque e nomes internacionais na briga, a etapa de El Salvador tem tudo para ser mais um capítulo memorável na temporada. A combinação de talento, estratégia e natureza imprevisível do mar mantém todos os olhos voltados para La Libertad nos próximos dias.