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Vasco abre 3 a 1, mas leva empate do Melgar e Carille destaca dificuldades em Arequipa

Vegetti Vasco
Vegetti Vasco - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com Vegetti Vasco - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

O Vasco da Gama estreou na Copa Sul-Americana com um empate eletrizante contra o Melgar, em Arequipa, no Peru, na noite de 2 de abril. O placar de 3 a 3 refletiu um jogo de altos e baixos para o time carioca, que chegou a abrir dois gols de vantagem por duas vezes, mas não conseguiu segurar o resultado nos minutos finais. Sob o comando de Fábio Carille, o Cruz-Maltino sentiu o peso da altitude de 2,3 mil metros e os cruzamentos precisos do adversário, que exploraram as falhas defensivas vascaínas. Philippe Coutinho, com um golaço de fora da área, e Pablo Vegetti, autor de dois gols, foram os destaques ofensivos, enquanto Gregorio Rodríguez, Facundo Castro e Kenji Cabrera marcaram para os peruanos, garantindo um ponto para cada lado no Grupo G.

A partida começou com o Vasco mostrando força. Logo aos dois minutos, Coutinho acertou um chute colocado no ângulo, abrindo o placar e dando sinais de que o time poderia superar as adversidades do ambiente. Aos 31 minutos, Vegetti ampliou após um lançamento de trivela do próprio Coutinho, consolidando a vantagem. No entanto, o Melgar reagiu ainda no primeiro tempo, com Rodríguez descontando de cabeça aos 38 minutos, aproveitando uma desatenção da zaga cruz-maltina.

No segundo tempo, o Vasco voltou a crescer. Vegetti marcou seu segundo gol aos seis minutos, após assistência de Nuno Moreira, mas a partir daí o time perdeu o controle. A altitude começou a cobrar seu preço, e os peruanos, acostumados ao cenário, intensificaram os ataques aéreos. Castro, aos 34 minutos, e Cabrera, aos 44, ambos de cabeça, igualaram o marcador, deixando um sabor de frustração para os brasileiros, que viram a vitória escapar em Arequipa.

Carille avalia o jogo: dificuldades além do esperado

Fábio Carille não escondeu a decepção com o resultado. Para o técnico, o empate teve um “gosto amargo” pelas circunstâncias do jogo, especialmente por ter estado tão perto de uma vitória fora de casa. Ele destacou que a ideia inicial era manter a posse de bola e evitar que o Melgar pressionasse no campo vascaíno, mas a execução falhou. “Roubávamos a bola, o adversário pressionava, e já perdíamos. Eles continuavam no nosso campo”, analisou o treinador, apontando a dificuldade de impor o plano tático diante da intensidade peruana.

O comandante também reconheceu o esforço do elenco, apesar das adversidades. Ele afirmou estar satisfeito com os jogadores, mas admitiu que a falta de adaptação ao ambiente pesou. “Não conseguimos subir as linhas. Muitos jogadores pediram oxigênio no intervalo”, revelou, citando que apenas o zagueiro João Victor, da linha defensiva, não sentiu tanto os efeitos da altitude. Carille enfatizou que, dentro desse contexto, o ponto conquistado deve ser valorizado, embora a atenção extra pudesse ter garantido os três pontos.

Altitude como vilã: o impacto em Arequipa

Jogar a 2,3 mil metros acima do nível do mar foi um desafio que o Vasco não conseguiu superar completamente. Carille relatou que a preparação para o confronto foi limitada, já que o time vinha de um jogo intenso contra o Santos, pelo Brasileirão, no domingo anterior, seguido de uma viagem desgastante na véspera da partida. A movimentação em Arequipa foi leve, priorizando a recuperação dos atletas, mas isso não evitou o desgaste físico evidente no segundo tempo.

A bola aérea, arma principal do Melgar, explorou as fragilidades defensivas do Vasco. Os três gols sofridos vieram de jogadas pelo alto, algo que o treinador já esperava. “Era um time que busca muito o jogo pelos lados, com muitos cruzamentos. Nos preparamos para isso, mas não executamos bem”, lamentou Carille. A combinação entre a altitude e a estratégia peruana dificultou a marcação, especialmente nos minutos finais, quando o Cruz-Maltino recuou e abriu espaço para a reação adversária.

Destaques em campo: Coutinho e Vegetti brilham

Mesmo com o empate, o desempenho individual de alguns jogadores foi um ponto positivo para o Vasco. Philippe Coutinho, com um gol de rara beleza logo no início, mostrou que segue sendo uma peça fundamental no esquema de Carille. Sua visão de jogo também apareceu no lançamento para o segundo gol de Vegetti, reforçando sua importância no ataque. O argentino, por sua vez, foi decisivo ao balançar as redes duas vezes, chegando a 10 gols em 25 jogos na temporada e igualando uma marca histórica de Germán Cano no clube.

  • Coutinho: 1 gol, 1 assistência, 39 passes certos.
  • Vegetti: 2 gols, 3 finalizações, 80% de duelos aéreos vencidos.
  • Melgar: 3 gols de cabeça, todos no jogo aéreo.

Pressão do Melgar: a virada que não veio

O Melgar, líder invicto do Campeonato Peruano, demonstrou resiliência em casa. Após um início complicado, o time aproveitou as chances criadas. Um momento crucial foi o pênalti perdido por Tomás Martínez, aos 24 minutos do primeiro tempo, que poderia ter mudado o rumo da partida mais cedo. Mesmo assim, os peruanos não desistiram e, com gols bem distribuídos entre o fim do primeiro tempo e o segundo, conseguiram arrancar o empate.

A torcida no Estádio Monumental da UNSA viu um time que soube usar a altitude a seu favor. Kenji Cabrera, autor do gol de empate aos 44 minutos do segundo tempo, foi o destaque do lado peruano, com uma cabeçada precisa após cruzamento de Leonel González. A pressão final, com seis minutos de acréscimos, quase resultou em uma virada, mas o Vasco segurou o placar.

Calendário apertado: foco no próximo desafio

Com o empate na bagagem, o Vasco não terá tempo para lamentações. O time viajou diretamente do Peru para São Paulo, onde enfrenta o Corinthians no sábado, dia 5, às 18h30, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Carille já adiantou que o foco agora é total no duelo na Neo Química Arena, deixando a Sul-Americana em segundo plano momentaneamente. “É no dia a dia, sempre pensar no próximo jogo”, afirmou o técnico, destacando a necessidade de adaptação ao calendário intenso.

O próximo compromisso pela competição continental será na terça-feira, dia 8, contra o Academia Puerto Cabello, da Venezuela, em São Januário, às 21h30. Até lá, o departamento médico e a comissão técnica trabalharão para recuperar os jogadores desgastados pela altitude e pela sequência de partidas, buscando a primeira vitória no torneio.

Como o Vasco se preparou para a altitude

A preparação do Vasco para enfrentar o Melgar foi marcada por limitações. Após a vitória por 2 a 1 sobre o Santos, no último domingo, o time teve apenas uma movimentação leve em Arequipa, priorizando a energia dos atletas. Carille explicou que a viagem longa e o curto intervalo entre os jogos dificultaram um trabalho mais específico para a altitude, algo que ficou evidente no desempenho físico da equipe no segundo tempo.

Apesar disso, o treinador viu méritos no resultado. “A gente não chega a imaginar que ia fazer três gols aqui. Conseguir um empate, por todas as dificuldades, seria muito bom”, ponderou. A análise reflete a surpresa com o volume ofensivo, mas também a frustração por não segurar a vantagem em um cenário tão adverso.

Números do jogo: um duelo equilibrado

O confronto entre Melgar e Vasco foi intenso e equilibrado em vários aspectos. O time peruano abusou dos cruzamentos, enquanto o Cruz-Maltino apostou em jogadas trabalhadas no meio-campo. Confira alguns dados da partida:

  • Posse de bola: Melgar 52%, Vasco 48%.
  • Finalizações: Melgar 14 (6 no gol), Vasco 9 (5 no gol).
  • Escanteios: Melgar 7, Vasco 3.
  • Faltas cometidas: Melgar 12, Vasco 15.

Reação da torcida e próximos passos

Nas redes sociais, os torcedores do Vasco demonstraram sentimentos mistos. Muitos elogiaram a atuação de Coutinho e Vegetti, mas criticaram a postura defensiva no fim do jogo. O ponto fora de casa foi visto como positivo por alguns, enquanto outros lamentaram a chance perdida de começar a Sul-Americana com vitória.

Carille, por sua vez, mantém a confiança no grupo. “Quando a gente ganhar, todos vão ganhar, e quando acontecer algo errado, todos vão perder”, disse, reforçando a união do elenco. O técnico agora terá o desafio de ajustar a equipe para o confronto com o Corinthians, em um jogo que promete ser igualmente exigente.

Cronograma do Vasco: os próximos jogos

O calendário do Vasco segue agitado nas próximas semanas. Veja as datas e adversários:

  • 5 de abril: Corinthians x Vasco, 18h30, Brasileirão.
  • 8 de abril: Vasco x Academia Puerto Cabello, 21h30, Sul-Americana.
  • 12 de abril: Vasco x adversário a definir, Brasileirão.

Lições de Arequipa: o que fica para o Vasco

A estreia na Sul-Americana trouxe aprendizados importantes para o Vasco. A capacidade ofensiva, liderada por Coutinho e Vegetti, mostrou que o time tem potencial para brigar na competição. Porém, a fragilidade defensiva no jogo aéreo e a dificuldade de adaptação à altitude são pontos que Carille precisará trabalhar para evitar novos tropeços.

O empate em Arequipa, embora frustrante, mantém o Vasco vivo no Grupo G. Com o próximo jogo em casa, a expectativa é que o time aproveite o apoio da torcida em São Januário para buscar os três pontos contra o Puerto Cabello. A jornada na competição continental está apenas começando, e o Cruz-Maltino terá novas chances de mostrar sua força.

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