Jorge Jesus lidera lista da CBF com redução de multa para R$ 18 milhões

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Jorge Jesus

Jorge Jesus - Foto: Instagram

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vive um momento de transição após a saída de Dorival Júnior do comando da Seleção Brasileira, anunciada em março de 2025. Com a demissão consumada após uma derrota por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, a entidade agora foca na busca por um novo técnico. Jorge Jesus, atualmente à frente do Al-Hilal, na Arábia Saudita, desponta como o principal nome na lista da CBF, mas a negociação depende de um fator crucial: a redução de sua multa rescisória, que cairá de 5 milhões de euros (R$ 31 milhões) para 3 milhões de euros (R$ 18 milhões) a partir de maio. Esse cenário exige cautela da CBF, que planeja alinhar as tratativas com o calendário do clube saudita para evitar conflitos.

O interesse em Jorge Jesus não é novidade. O treinador português, que conquistou a torcida brasileira com títulos históricos no Flamengo em 2019, como a Libertadores e o Brasileirão, já declarou publicamente seu sonho de comandar a Seleção. Hoje, aos 70 anos, ele lidera o Al-Hilal em uma temporada competitiva, com o clube nas quartas de final da Champions League Asiática e na briga pelo título da Liga Saudita. A CBF, ciente dos compromissos do treinador até o fim de maio, adota uma postura estratégica, esperando o momento ideal para avançar nas conversas. Enquanto isso, a Seleção se prepara para os próximos desafios nas Eliminatórias, em junho, contra Equador e Paraguai, ainda sem um comandante definido.

Além de Jorge Jesus, outros nomes estão no radar da entidade. Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, e José Mourinho, atualmente no Fenerbahçe, na Turquia, também são cotados, mas ambos possuem contratos longos com seus clubes, o que dificulta uma movimentação imediata. A CBF, no entanto, mantém o foco no português do Al-Hilal como prioridade, valorizando sua experiência e familiarity com o futebol brasileiro. A próxima Data Fifa, entre 2 e 10 de junho, exige que a lista de convocados seja enviada até 18 de maio, pressionando a confederação a definir o substituto de Dorival Júnior em um prazo apertado.

  • Fatos iniciais sobre a busca da CBF:
    • Demissão de Dorival Júnior após derrota para a Argentina em março de 2025.
    • Multa de Jorge Jesus reduzida para R$ 18 milhões em maio.
    • Próximos jogos da Seleção em junho contra Equador e Paraguai.

Passado glorioso e presente desafiador de Jorge Jesus

Jorge Jesus construiu uma reputação sólida no futebol mundial, com passagens marcantes por clubes como Benfica, Sporting e Flamengo. No Brasil, sua passagem pelo rubro-negro carioca entre 2019 e 2020 é lembrada como um dos momentos mais vitoriosos do clube, com cinco títulos em menos de um ano, incluindo a Libertadores e o Brasileirão. Esse sucesso o transformou em ídolo no país e alimentou o desejo de muitos torcedores de vê-lo na Seleção. Agora, no Al-Hilal, ele segue colecionando conquistas, como a Supercopa Saudita no início da temporada 2024/25, mas enfrenta um calendário intenso que pode atrasar sua saída.

No comando do clube saudita desde 2023, Jesus tem contrato até 30 de junho de 2025, com uma cláusula que prevê extensão caso o time avance no Mundial de Clubes, previsto para o meio do ano nos Estados Unidos. A Champions League Asiática, com finais marcadas para 3 de maio, e o término da Liga Saudita, em 26 de maio, são compromissos que mantêm o treinador preso ao Al-Hilal por enquanto. Uma eliminação precoce na competição continental poderia abrir caminho para a CBF acelerar as negociações, mas, até lá, a entidade opta por esperar, evitando tensões com o clube árabe, que investiu pesado no português e em seu elenco estelar.

A relação de Jesus com Neymar, astro do Al-Hilal e da Seleção, adiciona uma camada de complexidade ao cenário. Em janeiro de 2025, o treinador declarou que o camisa 10 “não conseguia acompanhar” o ritmo da equipe saudita após sua recuperação de uma lesão grave no joelho, sofrida em 2023. A crítica gerou desconforto no jogador, que deixou o clube insatisfeito e agora está no Santos. Apesar disso, Jesus minimizou qualquer atrito em entrevistas posteriores, afirmando que “nenhuma seleção pode depender de um só jogador”, sinalizando que o episódio não seria um obstáculo caso assuma o Brasil.

Outros nomes e o dilema da CBF

Enquanto Jorge Jesus é o favorito, a CBF avalia alternativas para não repetir o impasse vivido em 2023, quando tentou contratar Carlo Ancelotti, do Real Madrid, sem sucesso. Abel Ferreira, de 45 anos, é um dos cotados. O português comanda o Palmeiras desde 2020, acumulando títulos como duas Libertadores (2020 e 2021) e um Brasileirão (2022), mas seu contrato vai até dezembro de 2025, e o clube já negocia uma renovação até 2027. Abel, vice-campeão paulista em 2025, tem pela frente uma temporada cheia, incluindo o Mundial de Clubes, o que torna sua saída improvável no curto prazo.

José Mourinho, aos 62 anos, é outro nome na lista. O “Special One” dirige o Fenerbahçe desde 2024, com contrato até junho de 2026, e lidera a liga turca com um futebol ofensivo que resgata sua fama de vencedor. Sua experiência em grandes seleções, como a possibilidade de ter treinado Portugal no passado, o coloca como uma opção de peso, mas o alto custo de sua rescisão e o compromisso com o clube turco são barreiras. A CBF, ciente dessas dificuldades, mantém Mourinho como plano reserva, priorizando a viabilidade de Jorge Jesus no momento.

Carlo Ancelotti, sonho antigo de Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, também foi especulado novamente. O italiano, de 65 anos, está no Real Madrid até 2026 e negou contatos recentes com a entidade, reforçando seu foco no clube espanhol. Sua trajetória vitoriosa, com cinco títulos de Champions League, o torna um alvo ambicioso, mas a espera por sua liberação no passado frustrou os planos da confederação, que agora busca evitar uma nova “novela”. A cautela atual reflete essa lição, com Jorge Jesus emergindo como a escolha mais prática e alinhada aos prazos da Seleção.

  • Comparação entre os candidatos:
    • Jorge Jesus: multa de R$ 18 milhões em maio, experiência no Brasil.
    • Abel Ferreira: contrato até 2025, vínculo forte com o Palmeiras.
    • José Mourinho: ligado ao Fenerbahçe até 2026, alto custo de rescisão.

Desafios da Seleção e o calendário apertado

A Seleção Brasileira vive um momento delicado nas Eliminatórias. Após a goleada sofrida para a Argentina, o time caiu para o quarto lugar na tabela, com 21 pontos, atrás de Argentina (28), Colômbia (23) e Uruguai (22). As seis primeiras posições garantem vaga direta na Copa de 2026, mas o desempenho irregular sob o comando de Dorival Júnior, que assumiu em janeiro de 2024 após passagens interinas de Ramon Menezes e Fernando Diniz, levantou questionamentos. Em 12 jogos no ciclo, foram cinco vitórias, três empates e quatro derrotas, um aproveitamento de 50%.

Os próximos compromissos, em junho, contra Equador (fora) e Paraguai (casa), são cruciais para manter a equipe no G-6. A CBF planeja anunciar o novo técnico antes do envio da lista de convocados, em 18 de maio, mas o Mundial de Clubes, entre 15 de junho e 13 de julho, complica o cenário. Caso Jorge Jesus ou Abel Ferreira avancem com Al-Hilal ou Palmeiras, a entidade pode optar por um interino para esses jogos, adiando a estreia do novo comandante. A cautela nas negociações com o Al-Hilal reflete essa incerteza, já que uma rescisão imediata está descartada pelo clube saudita.

A pressão por resultados é alta. A torcida, acostumada a títulos mundiais, cobra um técnico que traga de volta o brilho da amarelinha, e Jorge Jesus, com seu estilo ofensivo e histórico vencedor, é visto como uma aposta para resgatar esse protagonismo. Sua passagem pelo Flamengo, onde implantou um futebol vistoso e dominante, é um argumento forte entre os apoiadores de sua escolha. Resta saber se a CBF conseguirá alinhar os prazos e superar os entraves contratuais para concretizar essa mudança.

Cronologia da busca pelo novo técnico

Os eventos recentes moldam a estratégia da CBF para o comando da Seleção:

  • Março de 2025: Dorival Júnior é demitido após derrota por 4 a 1 para a Argentina.
  • Abril de 2025: Jorge Jesus surge como favorito, com multa reduzida em maio.
  • 3 de maio de 2025: Final da Champions League Asiática, possível liberação de Jesus.
  • 18 de maio de 2025: Prazo para envio da lista de convocados para a Data Fifa.
  • 2 a 10 de junho de 2025: Jogos contra Equador e Paraguai nas Eliminatórias.

A espera por maio, quando a multa de Jorge Jesus cai para R$ 18 milhões, é um cálculo estratégico da CBF. O Al-Hilal, segundo colocado na Liga Saudita com 68 pontos, quatro atrás do líder Al-Ittihad, pode facilitar a saída do treinador caso não conquiste o título ou seja eliminado da Champions Asiática. Essa possibilidade mantém a entidade otimista, mas também preparada para ajustar os planos caso o calendário saudita se prolongue até o Mundial de Clubes.

A experiência de Jesus no Brasil é um diferencial. Além do Flamengo, ele acompanhou de perto o futebol local em suas passagens pelo exterior, enfrentando clubes brasileiros em competições continentais. Sua adaptação ao estilo de jogo nacional, aliado a uma filosofia tática que privilegia a posse de bola e a pressão alta, alinha-se ao que a CBF busca para o próximo ciclo, que culminará na Copa de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá.

Expectativas para o futuro da Seleção

Com a saída de Dorival, a CBF sinaliza uma mudança de rumo. O ciclo pós-Tite, iniciado em 2022, foi marcado por instabilidade, com três técnicos em dois anos. Jorge Jesus, se confirmado, chegaria com a missão de reorganizar a equipe e aproveitar o talento de jovens como Vinicius Junior, do Real Madrid, e Estevão, do Palmeiras, além de reintegrar Neymar, que deve retornar à Seleção em 2025 após passagem pelo Santos. A relação com o camisa 10, embora estremecida no Al-Hilal, não é vista como empecilho, já que ambos já sinalizaram disposição para trabalhar juntos.

O futebol brasileiro, dono de cinco títulos mundiais, vive um jejum desde 2002. A última Copa, em 2022, terminou com eliminação nas quartas de final para a Croácia, e as Eliminatórias atuais expõem fragilidades que precisam ser corrigidas. A escolha de um técnico estrangeiro, tendência desde a tentativa com Ancelotti, reflete o desejo de modernizar a Seleção, trazendo uma visão externa para um elenco repleto de estrelas. Jorge Jesus, com sua bagagem internacional e sucesso local, parece atender a esse perfil.

A torcida acompanha cada passo dessa transição com expectativa. O nome de Jesus, ligado a um futebol ofensivo e vitorioso, reacende esperanças de dias melhores. Enquanto a CBF aguarda maio para avançar nas negociações, o Al-Hilal segue como o último obstáculo antes de o português, possivelmente, assumir o comando da amarelinha. A contagem regressiva para a Data Fifa de junho já começou, e o futuro da Seleção depende de como essa espera será conduzida.

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