Desde o dia 28 de março, trabalhadores brasileiros que atuaram entre 1971 e 1988 com carteira assinada ou como servidores públicos ganharam a chance de resgatar valores esquecidos das cotas do PIS/PASEP. Esse fundo, extinto em 2020, ainda guarda cerca de R$ 26,3 bilhões que pertencem a aproximadamente 10,5 milhões de pessoas. A liberação inicial beneficia quem solicitou o saque até 28 de fevereiro, mas a consulta está aberta a todos os possíveis beneficiários por meio de uma plataforma lançada pelo Ministério da Fazenda. O valor médio estimado por pessoa é de R$ 2,8 mil, corrigido pela inflação, variando conforme o tempo de trabalho e o salário da época.
A plataforma REPIS Cidadão, disponível desde março, simplifica o acesso a essas informações. Diferente do abono salarial pago anualmente, as cotas do PIS/PASEP são um benefício específico ligado ao antigo fundo, criado para complementar a renda de trabalhadores formais entre 1971 e 1988. Muitos não sacaram os valores ao longo dos anos, seja por desconhecimento ou por dificuldades no processo, o que resultou nesse montante bilionário ainda disponível.
Para facilitar, o governo disponibilizou duas formas principais de consulta: o site oficial do REPIS Cidadão e o aplicativo do FGTS. Ambos exigem autenticação, mas o processo é intuitivo e foi desenhado para alcançar até quem tem pouca familiaridade com tecnologia. O prazo para solicitar o ressarcimento vai até setembro de 2028, quando os valores não reclamados serão incorporados definitivamente ao Tesouro Nacional.
- Acesse o site repis.cidadao.fazenda.gov.br.
- Faça login com sua conta Gov.br (níveis prata ou ouro).
- Informe o NIS e clique em “Pesquisar” para verificar seu saldo.
O que são as cotas do PIS/PASEP e quem tem direito
Criado na década de 1970, o Fundo PIS/PASEP tinha como objetivo principal aumentar a poupança individual dos trabalhadores. O PIS (Programa de Integração Social) era voltado para empregados da iniciativa privada, enquanto o PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) atendia servidores civis e militares. Em 1975, os dois programas foram unificados em um único fundo, que funcionou até 1988. A partir de 1989, os recursos passaram a financiar o seguro-desemprego, o abono salarial e projetos do BNDES, mas as cotas acumuladas até então permaneceram disponíveis para saque.
Tem direito ao dinheiro quem trabalhou formalmente entre 1971 e 1988 e ainda não resgatou os valores. Isso inclui tanto os titulares das cotas quanto seus herdeiros, em caso de falecimento. O montante a receber depende de fatores como o número de meses trabalhados e a remuneração recebida no período. Desde a extinção do fundo, em 2020, os saldos foram transferidos para o FGTS e, em 2023, para o Tesouro Nacional, mas o governo agora garante o ressarcimento aos beneficiários.
A estimativa de R$ 2,8 mil por pessoa é uma média. Alguns podem ter valores bem menores, enquanto outros, que trabalharam por mais tempo ou tinham salários maiores, podem receber quantias mais altas. Os valores são corrigidos pelo IPCA-15, índice que mede a inflação, desde o encerramento das contas até o mês anterior ao saque.
Passo a passo para consultar e sacar os valores
Consultar as cotas do PIS/PASEP é um processo simples, mas exige alguns cuidados. O primeiro passo é acessar o site repis.cidadao.fazenda.gov.br, criado pelo Ministério da Fazenda para centralizar as informações. Lá, o usuário precisa fazer login com uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, o que garante segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados. Quem ainda não tem essa autenticação pode criá-la gratuitamente no portal do governo federal.
Após o login, é necessário informar o Número de Identificação Social (NIS), que pode ser encontrado em documentos como a carteira de trabalho, o extrato do FGTS ou o cadastro no Meu INSS. Com o NIS em mãos, basta clicar em “Pesquisar” para saber se há valores disponíveis. Caso positivo, a plataforma exibe o saldo e orienta sobre os próximos passos para o saque. Outra opção é usar o aplicativo do FGTS, que também permite a consulta e a solicitação de forma prática.
Para quem prefere atendimento presencial, o pedido de ressarcimento pode ser protocolado em uma agência da Caixa Econômica Federal. Nesse caso, é preciso levar um documento oficial com foto. Herdeiros, por sua vez, devem apresentar adicionalmente a certidão de óbito do titular e um comprovante de vínculo, como a certidão PIS/PASEP/FGTS ou uma carta de concessão de pensão por morte emitida pela Previdência Social.
Por que tantos valores ainda estão esquecidos
A existência de R$ 26,3 bilhões não sacados reflete um problema histórico. Durante os anos em que o fundo esteve ativo, o saque só era permitido em situações específicas, como aposentadoria, doença grave ou compra de imóvel. Anualmente, os trabalhadores recebiam apenas os juros e a correção das cotas, o que levava muitos a ignorar o saldo principal. Com o passar das décadas, campanhas de divulgação foram feitas, mas nem todos tomaram conhecimento ou conseguiram acessar o dinheiro.
Em 2018, o governo ampliou as possibilidades de saque, permitindo que 23,8 milhões de pessoas retirassem cerca de R$ 35,7 bilhões. Mesmo assim, em 2019, ainda restavam 10,8 milhões de cotistas do PIS e 30 mil do PASEP com valores a receber. A pandemia de covid-19, em 2020, acelerou a extinção do fundo, com a transferência dos saldos para o FGTS. Três anos depois, em 2023, os recursos não sacados foram realocados ao Tesouro Nacional, mas a criação do REPIS Cidadão agora busca reverter essa situação.
O atraso no desenvolvimento da plataforma tecnológica, relatado no ano passado, também contribuiu para a demora. Previsto inicialmente para outubro, o sistema só foi concluído em março deste ano, após esforços conjuntos do Ministério da Fazenda, do Serpro e da Caixa Econômica Federal. Agora, com a ferramenta disponível, o governo espera alcançar os 10,5 milhões de beneficiários restantes.
Diferenças entre cotas e abono salarial
Muita gente confunde as cotas do PIS/PASEP com o abono salarial pago atualmente, mas são benefícios distintos. As cotas são um resquício do fundo extinto, destinadas exclusivamente a quem trabalhou entre 1971 e 1988. Já o abono salarial é um direito anual, previsto na Constituição de 1988, para trabalhadores que atuaram por pelo menos 30 dias no ano-base (em 2025, o ano-base é 2023) e receberam até dois salários mínimos mensais, equivalente a R$ 2.604 na época.
Enquanto as cotas dependem de um saldo acumulado no passado, o abono é um pagamento único, de até um salário mínimo, depositado pela Caixa (PIS) ou pelo Banco do Brasil (PASEP). Outro ponto importante é que o abono exige que o trabalhador esteja cadastrado no programa há pelo menos cinco anos e que o empregador tenha informado os dados corretamente no eSocial ou na RAIS. As cotas, por outro lado, não têm essas condições, mas estão limitadas a um grupo específico de beneficiários.
Essa distinção é essencial para evitar confusões. Quem consulta o REPIS Cidadão ou o aplicativo do FGTS está verificando apenas as cotas do fundo antigo, sem relação com o calendário do abono salarial de 2025, que começou em fevereiro para os nascidos em janeiro.
Calendário de pagamentos e prazos
Os pagamentos das cotas do PIS/PASEP seguem um cronograma definido pela Caixa Econômica Federal, baseado na data de solicitação do saque. Quem pediu até 28 de fevereiro já começou a receber a partir de 28 de março. Para os demais, o depósito ocorre em 11 datas diferentes ao longo do ano, organizadas por ordem de solicitação. O dinheiro é transferido diretamente para uma conta bancária na Caixa ou para uma conta poupança social digital, aberta automaticamente para quem não tem conta.
- Solicitações até 28 de fevereiro: pagamento em 28 de março.
- Solicitações de março a abril: pagamento em maio.
- Solicitações posteriores: datas a serem confirmadas até o fim do ano.
O prazo final para pedir o ressarcimento é setembro de 2028. Após essa data, os valores não reclamados serão considerados abandonados e incorporados ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de resgate. Por isso, é importante agir rápido, especialmente para herdeiros que precisam reunir a documentação necessária.
Como o REPIS Cidadão facilita o acesso
Desenvolvido pelo Serpro em parceria com o Ministério da Fazenda, o REPIS Cidadão foi inspirado no Sistema de Valores a Receber do Banco Central, que ajuda a localizar dinheiro esquecido em bancos. A plataforma reúne todas as informações em um único lugar, eliminando a necessidade de idas frequentes a agências bancárias. Desde o lançamento, em 10 de março, o sistema já registrou milhares de acessos, mostrando a demanda por uma solução prática.
A interface foi pensada para ser intuitiva. Mesmo quem não tem experiência com tecnologia consegue navegar pelas etapas de login, consulta e solicitação. Para herdeiros, há orientações específicas, como a lista de documentos exigidos e os procedimentos a seguir. O uso da autenticação Gov.br, nos níveis prata ou ouro, reforça a segurança, protegendo os dados dos usuários.
Além disso, o REPIS Cidadão representa um avanço social. Ao simplificar o acesso a recursos que pertencem aos trabalhadores por direito, o governo busca reduzir desigualdades e devolver poder de compra a milhões de brasileiros. A expectativa é que, com a divulgação, mais pessoas descubram e resgatem seus saldos.
Documentação para herdeiros e dependentes
Quando o titular das cotas já faleceu, os herdeiros ou dependentes legais podem solicitar o saque, mas o processo exige mais etapas. Além de consultar o saldo no REPIS Cidadão ou no aplicativo do FGTS, é preciso apresentar documentos que comprovem o vínculo com o cotista. Isso inclui a certidão de óbito e um documento oficial com foto do requerente.
Outros comprovantes aceitos são a certidão PIS/PASEP/FGTS, que registra o saldo do fundo, ou uma carta de concessão de pensão por morte, emitida pela Previdência Social, com a relação de beneficiários. Em alguns casos, a Caixa pode exigir declarações adicionais, como uma certidão de dependentes ou um inventário judicial, dependendo da situação familiar.
O pagamento aos herdeiros segue o mesmo calendário dos titulares, com depósito na conta indicada ou na poupança social digital. A facilidade de consulta online ajuda a agilizar o processo, mas a validação presencial ainda é necessária para garantir que o dinheiro chegue às mãos certas.
Impacto econômico dos saques
A liberação de R$ 26,3 bilhões das cotas do PIS/PASEP pode movimentar a economia brasileira. Com uma média de R$ 2,8 mil por beneficiário, o montante representa uma injeção significativa de recursos, especialmente para famílias de baixa renda. Esse dinheiro pode ser usado para quitar dívidas, investir em pequenos negócios ou atender a necessidades básicas, como alimentação e saúde.
Economistas apontam que o impacto será maior em cidades menores, onde os valores têm um peso relativo mais expressivo no orçamento doméstico. Além disso, a correção pelo IPCA-15 assegura que o poder de compra seja preservado, mesmo após décadas de espera. Para o governo, a iniciativa também reforça a imagem de compromisso com os direitos dos trabalhadores.
Outro aspecto relevante é o prazo de cinco anos para solicitação. Até setembro de 2028, o volume sacado deve crescer gradualmente, à medida que mais pessoas tomam conhecimento da plataforma e organizam os documentos. A Caixa estima que os 10,5 milhões de beneficiários sejam alcançados antes disso, caso a divulgação continue intensa.
- Mais de 10 milhões de pessoas podem ser beneficiadas.
- O valor médio de R$ 2,8 mil é corrigido pela inflação.
- O prazo final para saque é setembro de 2028.

