Botafogo derrota Juventude por 2 a 0: Paiva destaca força ofensiva e ajustes para o Carabobo
O Botafogo conquistou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro de 2025 ao derrotar o Juventude por 2 a 0, no Estádio Nilton Santos, neste sábado, dia 5 de abril. A partida, válida pela segunda rodada da competição, marcou um momento de alívio para o time alvinegro, que vinha de um empate sem gols contra o Palmeiras e uma derrota por 1 a 0 para a Universidad de Chile na Libertadores. Os gols de Igor Jesus e Mateo Ponte selaram o triunfo, e o técnico Renato Paiva não escondeu a satisfação com o desempenho, apontando uma clara evolução ofensiva que, segundo ele, já se reflete nos números. Após o jogo, o treinador português analisou os ajustes feitos e projetou o próximo desafio contra o Carabobo, pela Libertadores, na terça-feira, dia 8.
Comandando o Botafogo há pouco mais de um mês, Renato Paiva tem trabalhado intensamente para implantar sua filosofia de jogo, baseada em posse de bola com intensidade e maior presença nas zonas de finalização. O resultado contra o Juventude foi um indicativo de que o elenco começa a assimilar suas ideias, mesmo que o treinador reconheça que ainda há muito a melhorar. A vitória veio em um momento crucial, após críticas da torcida pelas atuações abaixo do esperado nos primeiros jogos oficiais da temporada. Paiva destacou a paciência da equipe para corrigir os erros iniciais e a capacidade de crescer durante a partida, algo que ele considera essencial para o sucesso em um calendário tão exigente quanto o do futebol brasileiro.
A torcida presente no Nilton Santos vibrou com os gols e viu um time mais agressivo no ataque, algo que Paiva vinha cobrando desde sua chegada. O treinador, que assumiu o cargo em fevereiro após a saída de Artur Jorge, enfatizou que o placar de 2 a 0 não reflete apenas a superioridade em campo, mas também a correção de falhas táticas observadas nos jogos anteriores. Ele apontou que a equipe deixou de lado a posse de bola estéril, que marcou as atuações contra Palmeiras e Universidad de Chile, e passou a ser mais objetiva, criando chances reais de gol. Agora, o foco se volta para a Libertadores, onde o Botafogo busca sua primeira vitória na competição.
Primeiros passos de uma nova identidade tática
Renato Paiva assumiu o Botafogo com a missão de manter o nível elevado após as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2024, sob o comando de Artur Jorge. Em sua primeira coletiva como técnico alvinegro, no final de fevereiro, ele deixou claro que não faria mudanças drásticas, mas sim ajustes pontuais para potencializar o elenco. Contra o Juventude, esses ajustes começaram a aparecer. O time jogou em um esquema 4-1-4-1, com Gregore posicionado à frente da defesa, responsável por iniciar as jogadas junto aos zagueiros, enquanto Marlon Freitas e Patrick de Paula atuaram mais à frente, dando suporte ao ataque.
A partida não começou como o esperado, com o Botafogo enfrentando dificuldades nos minutos iniciais. Paiva admitiu que a equipe entrou mal, permitindo que o Juventude tivesse mais posse de bola do que o planejado. No entanto, a capacidade de adaptação foi um diferencial. Após os primeiros 20 minutos, os jogadores acertaram a pressão alta, recuperaram a bola em zonas mais avançadas e passaram a circular com maior paciência, algo que o treinador vinha cobrando nos treinos. O gol de Igor Jesus, ainda no primeiro tempo, surgiu em um momento em que o time não dominava, mas soube aproveitar uma falha adversária com agressividade na área.
No intervalo, as correções táticas foram fundamentais. Paiva ajustou o posicionamento dos jogadores para fechar os espaços que o Juventude explorava e deu mais critério à posse de bola. O segundo tempo mostrou um Botafogo mais sólido, com transições mais rápidas e uma pressão bem executada que limitou as ações do adversário. O gol de Mateo Ponte, já na etapa final, consolidou a vitória e reforçou a ideia de que o time está no caminho certo, mesmo que Paiva reconheça que a circulação de bola ainda não está no nível ideal.
Igor Jesus desencanta e vira destaque
Um dos grandes destaques da noite foi Igor Jesus, que encerrou um jejum de mais de dois meses sem balançar as redes. O centroavante, que não marcava desde a vitória sobre o Fluminense no Campeonato Carioca, em janeiro, foi elogiado por Paiva por sua adaptação ao estilo de jogo proposto. O treinador tem insistido que o camisa 9 precisa estar mais presente na área para finalizar as jogadas, sem se limitar a um papel fixo. Contra o Juventude, Igor Jesus mostrou essa evolução, marcando o primeiro gol e tendo outro anulado por impedimento.
Paiva destacou a importância de posicionar o atacante nas zonas de finalização, algo que ele considera essencial para um jogador com as características de Igor. O técnico revelou que vem trabalhando individualmente com o centroavante para que ele entenda os momentos de sair da área e os de estar pronto para concluir as jogadas. A atuação contra o Juventude foi um sinal positivo, mas Paiva mantém os pés no chão, sabendo que a regularidade será o maior desafio para o jogador, que também é presença constante na Seleção Brasileira.
O desempenho de Igor Jesus reflete o foco de Paiva em potencializar o ataque. Nos dois primeiros jogos oficiais da temporada, contra Palmeiras e Universidad de Chile, o Botafogo não havia marcado gols, o que gerou questionamentos sobre a efetividade ofensiva. A vitória por 2 a 0, com duas finalizações certeiras, mostrou que o trabalho nos treinos começa a dar frutos, mas o treinador alerta que o time poderia ter ampliado o placar, indicando que ainda há margem para crescimento.
Números mostram evolução ofensiva
A diferença no desempenho ofensivo do Botafogo contra o Juventude foi nítida em comparação aos jogos anteriores. Nos confrontos contra Palmeiras e Universidad de Chile, o time não conseguiu converter suas chances em gols, apesar de ter tido posse de bola significativa em alguns momentos. Paiva classificou essa posse como “estéril”, ou seja, sem efetividade para gerar perigo ao adversário. Contra o Juventude, a história foi diferente: o time criou mais oportunidades e foi letal nas finalizações.
Nos amistosos de preparação para a temporada, o Botafogo já havia mostrado potencial ofensivo, marcando três gols contra o Cruzeiro e outros três contra o Novorizontino. Paiva usou esses jogos como base para identificar os problemas que surgiram nas partidas oficiais e ajustá-los. O treinador enfatizou que a chave para o sucesso contra o Juventude foi a maior presença de jogadores nas zonas de finalização, algo que faltou no Chile. Enquanto no jogo da Libertadores o time teve apenas duas chances claras, contra o Juventude as oportunidades foram mais numerosas e bem aproveitadas.
Os números reforçam a análise de Paiva. Além dos dois gols marcados, o Botafogo teve outras chances que poderiam ter ampliado o placar, mas também correu riscos, com o Juventude ameaçando em alguns momentos. Para o técnico, essa evolução é um processo contínuo, e os próximos jogos serão fundamentais para consolidar o estilo de jogo que ele quer ver em campo.
Ajustes táticos que fizeram a diferença
O sucesso contra o Juventude não veio por acaso. Paiva revelou que, após a derrota para a Universidad de Chile, o elenco trabalhou especificamente os detalhes que falharam no Chile. Um dos focos foi a pressão alta, que não funcionou como o esperado na estreia da Libertadores. Contra o Juventude, a equipe acertou o timing da pressão no segundo tempo, dificultando a saída de bola adversária e recuperando a posse em zonas perigosas.
Outro ajuste importante foi o aumento da agressividade na área adversária. Paiva cobrou que mais jogadores atacassem os espaços, corrigindo a falta de presença ofensiva vista nos jogos anteriores. O gol de Igor Jesus exemplificou essa mudança, com o centroavante bem posicionado para finalizar uma jogada trabalhada. Já o gol de Mateo Ponte mostrou a versatilidade do elenco, com o lateral aproveitando a liberdade para avançar e concluir com precisão.
A solidez defensiva também foi um ponto positivo. Apesar de alguns sustos, o Botafogo limitou as ações do Juventude, especialmente no segundo tempo, quando a pressão alta funcionou como planejado. Paiva elogiou a compactação da equipe e a capacidade de corrigir os erros durante a partida, algo que ele considera essencial para um time que quer competir em alto nível em várias frentes.
Patrick de Paula e o plano de recuperação
Entre os jogadores que vêm ganhando destaque sob o comando de Paiva, Patrick de Paula é um caso à parte. O volante, que chegou ao Botafogo em 2022 como uma das contratações mais caras da história do clube, viveu altos e baixos nos últimos anos, incluindo uma grave lesão no joelho em 2023 que o afastou por mais de 400 dias. Em 2025, ele voltou ao elenco principal determinado a recuperar seu espaço, e Paiva tem um plano específico para o jogador.
Contra o Juventude, Patrick atuou em uma função mais avançada, às vezes como um meia-atacante, participando da construção ofensiva. Paiva elogiou a qualidade técnica do jogador, mas destacou que ele ainda precisa se adaptar a essa nova posição. O técnico tentou usá-lo ao lado de Savarino, outro jogador testado como “camisa 10”, mas reconheceu que o cansaço após o jogo no Chile afetou o desempenho de ambos. Ainda assim, Patrick mostrou evolução, com passes precisos e participação em jogadas importantes.
O treinador vê em Patrick um potencial a ser explorado, mas enfatiza que a regularidade será o maior desafio. Após duas boas atuações contra Palmeiras e Juventude, Paiva cobrou consistência, afirmando que “picos são para eletrocardiogramas” e que o volante precisa manter o nível alto para se firmar no time. O plano de recuperação inclui trabalho individual e tático, aproveitando a versatilidade do jogador para testá-lo em diferentes funções.
Olhar para a Libertadores: o duelo contra o Carabobo
Com a vitória no Brasileirão, o Botafogo agora vira a chave para a Libertadores, onde enfrenta o Carabobo, da Venezuela, na próxima terça-feira, dia 8 de abril, às 19h, no Nilton Santos. A derrota na estreia contra a Universidad de Chile aumentou a pressão sobre o time, que precisa vencer em casa para se recuperar na competição. Paiva sabe que o jogo será um teste importante para consolidar os ajustes feitos e dar uma resposta à torcida.
O treinador já começou a estudar o adversário e planeja uma equipe mais contundente, que não ceda tanto a bola ao oponente. Ele destacou que a pressão alta, quando bem executada, como no segundo tempo contra o Juventude, será uma arma para limitar as ações do Carabobo. Além disso, Paiva quer ver mais efetividade nas finalizações, corrigindo a falta de agressividade que marcou a estreia na Libertadores.
A ausência de Igor Jesus, que não estará disponível por questões não detalhadas, abre espaço para Gonzalo Mastriani, outro centroavante do elenco. Paiva deu minutos a Mastriani contra o Juventude e planeja usá-lo como titular, aproveitando sua experiência no futebol brasileiro. O técnico também considera a possibilidade de escalar dois atacantes, dependendo do andamento da partida, mostrando flexibilidade em seus esquemas táticos.
Calendário apertado e gestão do elenco
O Botafogo enfrenta um calendário intenso em 2025, com disputas no Campeonato Brasileiro, Libertadores, Copa do Brasil e Mundial de Clubes. Paiva reconheceu que todos os treinadores no Brasil gostariam de mais tempo para trabalhar, mas encara a situação como parte do desafio de comandar um clube de elite. Para ele, cabe ao técnico encontrar soluções dentro das limitações impostas pelo calendário.
A gestão do elenco será crucial nesse cenário. Contra o Juventude, jogadores como Mateo Ponte, que não vinha sendo titular, mostraram que podem ser úteis quando chamados. Paiva elogiou a postura do lateral, que entrou no jogo sem reclamar da falta de minutos e respondeu com um gol. Essa disputa interna, segundo o treinador, eleva o nível do time e dá opções para rodar o elenco em uma temporada longa.
Outro exemplo é Gonzalo Mastriani, que ganhou minutos para se adaptar ao estilo de jogo de Paiva. O técnico também mencionou Rwan Cruz, que está fora do Brasil resolvendo questões pessoais e ainda precisa de tempo para se integrar ao grupo. Com três centroavantes à disposição, Paiva quer ter flexibilidade para variar o ataque, dependendo das necessidades de cada partida.
Pressão da torcida e resposta em campo
A torcida do Botafogo tem cobrado um desempenho à altura das conquistas de 2024, e Paiva sente essa pressão de perto. Após as atuações apagadas contra Palmeiras e Universidad de Chile, as críticas nas redes sociais aumentaram, com alguns torcedores questionando as escolhas táticas do treinador. A vitória contra o Juventude foi um alívio, mas Paiva sabe que a exigência continuará alta.
Ele afirmou que gosta da cobrança da torcida e se junta a ela na busca por um futebol melhor. Para o treinador, a única forma de responder às críticas é vencendo e jogando bem, ou, quando isso não for possível, ao menos mostrando evolução. Paiva comparou sua passagem pelo Bahia, onde enfrentou desconfiança apesar de bons resultados iniciais, com o desafio atual no Botafogo, onde herdou um elenco campeão e precisa manter o padrão elevado.
O técnico também rebateu as comparações com outros momentos de sua carreira, como no Independiente del Valle, onde conquistou o título equatoriano, ou no Toluca, no México. Para ele, cada contexto é único, e no Botafogo o objetivo é construir uma identidade própria, aproveitando o talento do elenco atual. A vitória contra o Juventude foi um passo nessa direção, mas Paiva sabe que os próximos jogos serão decisivos para consolidar sua credibilidade.
Cronograma dos próximos desafios
O Botafogo tem uma sequência importante pela frente, e o calendário será um teste para a preparação física e tática do elenco. Confira os próximos compromissos do time:
- 8 de abril: Botafogo x Carabobo, às 19h, no Nilton Santos (Libertadores)
- 12 ou 13 de abril: Botafogo x Ceará, horário a definir (Campeonato Brasileiro)
- 15 de abril: Botafogo x Carabobo, às 19h, na Venezuela (Libertadores)
Esses jogos serão fundamentais para o Botafogo se firmar nas competições e dar confiança ao trabalho de Paiva. A partida contra o Carabobo, em especial, é vista como uma oportunidade de ouro para somar os primeiros pontos na Libertadores e aliviar a pressão após a derrota na estreia.
Curiosidades sobre o Botafogo de Paiva
A vitória contra o Juventude trouxe alguns dados interessantes sobre o início de trabalho de Renato Paiva no Botafogo. Veja abaixo:
- Primeira vitória oficial do treinador no comando do time, após um empate e uma derrota.
- Igor Jesus marcou seu primeiro gol sob o comando de Paiva, encerrando um jejum de mais de 60 dias.
- Mateo Ponte, que não era titular, tornou-se o segundo lateral a marcar na temporada, mostrando a força das opções do elenco.
- O Botafogo não sofreu gols em dois dos três jogos oficiais com Paiva, indicando solidez defensiva.
Esses números reforçam a ideia de que o time está em evolução, mas também mostram que o ataque ainda precisa de consistência para alcançar o nível desejado pelo treinador.
Elenco em transformação
Além dos titulares, Paiva tem dado atenção aos jogadores que entram durante as partidas. Newton, jovem volante que chegou após uma boa temporada em outro clube, e Allan, reforço experiente, são opções que o treinador quer testar nos próximos jogos. A disputa por posições, como entre Cuiabano e Alex Telles na lateral esquerda, também foi destacada como um fator que eleva o desempenho coletivo.
Savarino, outro nome importante, ainda não está 100% fisicamente após uma lesão, mas Paiva confia em seu potencial como “camisa 10” ou extremo. O treinador planeja usar o venezuelano em diferentes funções, dependendo do adversário, o que mostra sua intenção de criar um time versátil. A ausência de reforços como Thiago Almada e Luiz Henrique, que deixaram o clube no início do ano, é sentida, mas Paiva insiste que o foco está em potencializar os jogadores atuais.
A preparação para o jogo contra o Carabobo já começou, com reuniões entre Paiva, a comissão técnica e o departamento de scout. O treinador quer alinhar estratégias e definir os melhores nomes para o confronto, mantendo o foco nos três pontos que podem mudar o rumo do Botafogo na Libertadores.





