A influenciadora Maya Massafera, conhecida por sua transição de gênero anunciada em maio de 2024, abriu o coração em um vídeo publicado no TikTok no início de abril deste ano. Aos 44 anos, ela desabafou sobre o constante preconceito que enfrenta na internet desde que assumiu sua identidade como mulher trans. O relato, carregado de emoção, veio após uma série de ataques que questionam desde a autenticidade de suas bolsas de luxo até sua própria legitimidade como figura pública. “Ontem, eu chorei tanto, vocês nem imaginam. Não é por eu ser a Maya, é por eu ser trans”, declarou, visivelmente abalada. O desabafo reflete uma luta que vai além de críticas pessoais, tocando em questões mais profundas de aceitação e estereótipos de gênero.
No vídeo, Maya detalhou como o “hate” acumulado tem pesado em sua vida. Ela destacou um caso específico em que uma pessoa publicou conteúdos sugerindo que suas bolsas da marca Hermès, itens de alto valor que frequentemente exibe em suas redes sociais, seriam falsas. A influenciadora, que já foi alvo de golpes virtuais e polêmicas, reagiu com indignação, questionando por que somente ela, entre tantas personalidades da moda, é colocada sob suspeita. “Eu falando para vocês pode parecer mimimi, mas não é estranho, ela falar de moda e única pessoa que ela fala mal das bolsas sou eu?”, perguntou, apontando o que considera um preconceito velado.
A trajetória de Maya, que inclui a construção de um império com o Hotel Massafera e anos de trabalho no universo da moda e da influência digital, foi usada como argumento para rebater as críticas. “Todo mundo sabe que eu tenho dinheiro para ter uma Hermès, então por que a minha Hermès tem que ser falsa?”, disparou. Para ela, o julgamento não está relacionado apenas às suas posses, mas ao fato de ser uma mulher trans ocupando espaços associados ao luxo e ao prestígio, algo que desafia expectativas sociais arraigadas.
Primeiros ataques e a resposta de Maya
A onda de críticas contra Maya Massafera não é algo novo. Desde que revelou publicamente sua transição, a influenciadora tem enfrentado uma mistura de admiração e hostilidade nas redes sociais. O vídeo no TikTok, publicado em 4 de abril, foi uma resposta direta a um ataque que ela considera simbólico de um problema maior: a transfobia. “Não só por causa desse fato, mas é que vai acumulando dentro de mim, muito hate por eu ser trans”, confessou, deixando claro que o episódio das bolsas foi apenas a gota d’água.
Além disso, Maya chamou atenção para a seletividade das acusações. Profissional com histórico no mundo da moda e experiência em parcerias com grifes renomadas, ela questionou o motivo de ser alvo de dúvidas que não recaem sobre outras figuras públicas do mesmo nicho. “As pessoas não estão acostumadas a ver uma travesti com bolsa da Hermès?”, provocou, sugerindo que o estranhamento não vem de sua autenticidade, mas de preconceitos enraizados sobre quem pode ou não ostentar símbolos de status.
O desabafo também serviu como um grito de resistência. Cansada de ver travestis sendo “diminuídas”, como ela mesma descreveu, Maya usou sua plataforma para exigir respeito. “Então acostumem, porque eu trabalhei a vida inteira, todo mundo sabe o império que fiz com o Hotel Massafera, eu ralei, eu ralo ainda trabalhando”, afirmou, reforçando que seu sucesso é fruto de esforço, não de favores ou falsificações.
Contexto da transição e os desafios
Antes de se tornar Maya Massafera, a influenciadora era conhecida como Matheus Mazzafera, um nome consolidado no jornalismo de moda e no YouTube, onde acumulava milhões de seguidores. A transição, anunciada oficialmente há quase um ano, envolveu mais de 20 cirurgias, incluindo feminilização facial e vocal, além de um processo intenso de hormonização. O resultado impressionou os fãs, mas também abriu espaço para uma avalanche de comentários negativos.
O processo de hormonização, segundo a própria Maya, trouxe desafios físicos e emocionais. Em uma publicação anterior no Instagram, ela comparou a experiência a “uma mulher grávida + TPM + menopausa”, destacando os altos e baixos que enfrentou. Apesar disso, a influenciadora manteve o silêncio sobre muitos detalhes da transição, uma decisão ligada à negociação de um documentário com plataformas de streaming, que ofereceram até R$ 10 milhões pelo material exclusivo.
A exposição pública, no entanto, não veio sem custos. Além do hate nas redes, Maya já foi vítima de crimes virtuais, como o uso indevido de suas fotos em um site de prostituição na França, descoberto em outubro de 2024. O caso, que envolveu um perfil falso no site Sexe Model sob o nome “Adriana Tabou”, levou a influenciadora a acionar advogados para combater a violação de sua imagem.
Um histórico de superação
Maya Massafera não é estranha às adversidades. Nascida em uma família que impôs rígidas expectativas de gênero, ela revelou em entrevista ao jornalista Leo Dias que, desde criança, sabia ser uma menina, apesar das pressões sociais. “Meus pais foram muito rígidos com isso. Era muita cobrança, mas dentro de mim eu nunca tive dúvida”, contou. A decisão de se assumir como mulher trans veio após anos de reflexão, culminando em um processo que começou há cerca de dois anos, quando se abriu para a mãe.
A construção de sua carreira também reflete essa resiliência. O Hotel Massafera, empreendimento que gerou parte de sua fortuna, é frequentemente mencionado como prova de seu sucesso profissional. Além disso, sua atuação como influenciadora digital e produtora de moda a colocou em contato com marcas como Chanel, Dior e Valentino, consolidando sua presença no universo do luxo.
Mesmo assim, o preconceito persiste. O caso das bolsas Hermès, por exemplo, não é isolado. Em agosto de 2024, Maya já havia respondido a acusações semelhantes, mostrando em vídeo uma bolsa de couro de crocodilo avaliada em mais de R$ 320 mil. “Tem blogueirinha que fica ganhando mídia em cima de mim, falando que não é croco. Acorda pra vida”, rebateu na ocasião, irritada com as insinuações.
Impacto das críticas nas redes sociais
As redes sociais, principal palco da carreira de Maya, também se tornaram o epicentro das críticas. Com mais de 4,6 milhões de seguidores no Instagram, ela usa a plataforma para compartilhar looks de grifes e momentos de sua vida pessoal. No entanto, cada postagem atrai uma enxurrada de comentários, muitos deles carregados de transfobia. “Queria saber quando é o chá revelação da voz”, ironizou um internauta, referindo-se à cirurgia de feminilização vocal que a deixou temporariamente sem falar.
Outros ataques são mais diretos. “Tudo que eu vejo dessa pessoa é contra a minha vontade”, escreveu um usuário, enquanto outro questionou: “Qual o nicho que ela quer se introduzir? Futilidade?”. Para Maya, essas reações são reflexos de uma resistência maior à presença de mulheres trans em espaços de destaque. “Ao questionar a identidade de uma mulher, jogamos ela na discriminação, na violência, na marginalização”, declarou em um post anterior.
Apesar disso, a influenciadora também conta com apoio. Fãs elogiam sua coragem e autenticidade, enquanto marcas de luxo disputam sua imagem. Sua participação no Festival de Cannes, em maio de 2024, marcou sua estreia pública após a transição, atraindo olhares internacionais e reforçando seu status no mundo da moda.
Cronologia da jornada de Maya
A trajetória de Maya Massafera é marcada por momentos-chave que ajudam a entender o contexto de suas lutas e conquistas. Veja os principais marcos:
- Infância e juventude: Criada sob rígidas expectativas de gênero, Maya sabia desde cedo que sua identidade não correspondia ao corpo em que nasceu.
- Carreira inicial: Como Matheus Mazzafera, construiu uma reputação no jornalismo de moda e no YouTube, alcançando milhões de seguidores.
- Início da transição: Há cerca de dois anos, começou o processo interno, compartilhando primeiro com a mãe.
- Anúncio público: Em maio de 2024, revelou a transição, já com mudanças físicas visíveis após mais de 20 cirurgias.
- Primeira aparição: Esteve no Festival de Cannes, em maio de 2024, como marco de sua nova identidade.
- Polêmicas recentes: Em outubro de 2024, enfrentou um golpe virtual na França; em abril de 2025, desabafou sobre o hate no TikTok.
Resposta às acusações de falsificação
O caso das bolsas Hermès não é apenas uma questão de moda, mas um símbolo das barreiras que Maya enfrenta. A influenciadora já exibiu modelos raros da marca, como a Birkin de couro de crocodilo fúcsia, cujo valor pode ultrapassar R$ 320 mil. Em 2015, uma versão cravejada de diamantes da mesma bolsa foi vendida por mais de R$ 1,2 milhão em um leilão, evidenciando o prestígio do item.
Para Maya, as dúvidas sobre a autenticidade de suas posses são um ataque pessoal. “Eu ralei a vida inteira, todo mundo sabe o império que fiz”, repetiu no vídeo, enfatizando que seu sucesso financeiro é amplamente reconhecido. A Hermès, conhecida por sua exclusividade, é um dos itens mais cobiçados do mercado de luxo, e Maya faz questão de mostrar que tem meios para adquiri-la.
A reação dela também foi um recado às críticas. “Vai ganhar mídia com o seu trabalho, não com o meu”, disparou, direcionando-se a quem usa seu nome para se promover. O episódio reacendeu debates sobre como mulheres trans são julgadas ao ocupar espaços tradicionalmente reservados a outros perfis.
Preconceito além das bolsas
O hate que Maya descreve não se limita às acusações sobre suas bolsas. Desde a transição, ela já enfrentou situações que expõem a vulnerabilidade de pessoas trans na esfera pública. O caso do site de prostituição na França, por exemplo, mostrou como sua imagem pode ser explorada de forma criminosa. O perfil falso, que acumulou quase 50 mil visualizações, apresentava informações incompatíveis com sua realidade, como idade e peso, e foi descoberto após um alerta da ex-BBB Ariadna Arantes.
A influenciadora também lida com críticas sobre sua aparência. Após perder 30 kg em sete meses de dieta rigorosa para a transição, ela foi alvo de comentários sobre sua magreza. Alguns internautas usaram isso como munição para ataques transfóbicos, enquanto Maya respondeu com bom humor, usando um aplicativo para “engrossar” as pernas em fotos.
Esses episódios ilustram o que ela chama de “luta diária” das mulheres trans. “Nossa luta é uma extensão das lutas históricas”, afirmou em outra ocasião, conectando sua experiência pessoal a um movimento mais amplo por igualdade e respeito.
Vida pública e momentos de leveza
Apesar das dificuldades, Maya Massafera mantém uma rotina ativa nas redes sociais e na vida pública. Recentemente, ela compartilhou momentos de sua passagem por Salvador, onde curtiu sambas locais e a praia do Porto da Barra. Hospedada no luxuoso Fera Palace Hotel, administrado por seu irmão Antônio Mazzafera, ela levou sete malas de roupas e acessórios, reforçando sua paixão pela moda.
Outro episódio curioso foi a perda de uma joia de luxo em uma balada, relatada com leveza em suas redes. “Investi em um novo procedimento”, brincou em outra postagem, ao mostrar sua dedicação a tratamentos estéticos como a carboxiterapia, que, segundo ela, causou dor intensa, mas faz parte de sua busca por uma aparência mais feminina.
A vida amorosa da influenciadora também ganhou destaque. Em outubro de 2024, ela revelou estar saindo com um jogador do Flamengo, após um affair com outro homem. “Calma, tô saindo com um jogador de futebol. Não tô mais com aquele cara”, contou nos stories, mantendo o nome do atleta em segredo.
Curiosidades sobre Maya Massafera
A história de Maya é repleta de detalhes que mostram sua personalidade e trajetória. Confira alguns fatos marcantes:
- Antes da transição, ela já era um nome conhecido no YouTube, com conteúdos sobre moda e celebridades.
- Passou por mais de 20 cirurgias, incluindo feminilização facial e implante de silicone nos seios.
- Perdeu 30 kg em sete meses para alinhar seu corpo à sua identidade de gênero.
- É prima distante da atriz Grazi Massafera, com quem compartilha o mesmo bisavô.
- Seu documentário sobre a transição atraiu ofertas de até R$ 10 milhões de plataformas de streaming.
Resistência e legado
Aos 44 anos, Maya Massafera não planeja recuar diante das críticas. Seu desabafo no TikTok foi mais do que uma resposta a um ataque isolado; foi um manifesto contra a transfobia que tenta diminuí-la. “Eu ralo ainda trabalhando”, frisou, mostrando que sua carreira continua em plena atividade, seja na moda, nas redes sociais ou em projetos futuros como o documentário.
O sucesso do Hotel Massafera, combinado com sua influência digital, garante a ela uma posição de destaque que poucos questionam em termos financeiros. No entanto, o preconceito que enfrenta revela um desafio maior: o de ser aceita plenamente como mulher trans em um mundo que ainda resiste à diversidade de gênero.
Seja exibindo uma bolsa Hermès ou enfrentando golpes virtuais, Maya segue como uma figura polarizadora. Sua presença em eventos como o Festival de Cannes e suas parcerias com grifes de luxo mostram que ela não apenas conquistou espaço, mas também o transformou, desafiando quem tenta limitá-la a estereótipos ultrapassados.