O mercado global de criptomoedas enfrenta um cenário de forte turbulência em abril de 2025, impulsionado pelas políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O bitcoin, principal criptoativo do mundo, atingiu sua menor cotação do ano nesta segunda-feira, 7 de abril, ao chegar a US$ 74.524, uma queda significativa em relação aos US$ 109 mil registrados em janeiro, logo após a posse de Trump. A imposição de tarifas recíprocas de 10% a 50% sobre produtos importados de mais de 180 países, anunciada no início de fevereiro, desencadeou uma onda de aversão ao risco que afeta não apenas as bolsas de valores, mas também os investimentos em ativos digitais como o bitcoin e o Ethereum. Por volta das 14h30 de hoje, o bitcoin operava a US$ 78.493, com recuo de 2,76%, enquanto outras moedas digitais também registravam perdas expressivas. Esse movimento reflete o impacto indireto das tarifas, que elevam custos de produção e geram temores de inflação e desaceleração econômica global, afastando investidores de ativos considerados arriscados.
A queda das criptomoedas ocorre em um momento em que os mercados esperavam um ambiente favorável sob a gestão de Trump, que durante a campanha eleitoral de 2024 prometeu flexibilizar regulamentações e transformar os EUA em líder no setor de ativos digitais. No entanto, as medidas concretas ainda não vieram, e a introdução do “tarifaço” mudou o humor dos investidores. Em 2024, cerca de 40% do volume global de criptomoedas foi negociado em plataformas americanas, e a expectativa inicial era de que a posse de Trump impulsionasse ainda mais esse mercado. Agora, com a possibilidade de uma guerra comercial envolvendo potências como China e União Europeia, o fluxo de investimentos em criptoativos diminuiu, refletindo uma busca por segurança em ativos tradicionais, como os títulos públicos dos EUA.
Donald Trump, que já chamou o bitcoin de “golpe” em 2019, mudou de discurso durante a campanha, participando de eventos como a Bitcoin 2024 Conference, em julho do ano passado, e prometendo uma reserva estratégica de bitcoins. A vitória nas eleições de novembro levou o bitcoin a picos históricos, mas a euforia durou pouco. Especialistas apontam que a falta de ações práticas para desregulamentar o setor, combinada com as tarifas que ameaçam o comércio global, criou um ambiente de incerteza. Em cidades como São Paulo e Nova York, analistas de mercado observam que o sentimento de cautela predomina, com investidores vendendo criptomoedas para proteger seu patrimônio diante de um cenário econômico imprevisível.

- Principais criptomoedas afetadas hoje:
- Bitcoin: caiu 2,76%, cotado a US$ 78.493.
- Ethereum: recuo de quase 7%, negociado a valores menores.
- Outros ativos: XRP e Solana também em queda expressiva.
Tarifas de Trump sacodem o mercado global
As tarifas impostas por Donald Trump desde fevereiro de 2025 transformaram o cenário econômico mundial, afetando diretamente os mercados financeiros e, por tabela, as criptomoedas. Anunciadas como medida para proteger a indústria americana, as taxas de 10% a 50% sobre produtos importados de mais de 180 países elevaram os custos de produção em diversas cadeias produtivas. Em resposta, a China retaliou com uma tarifa de 34% sobre todos os bens americanos, enquanto a União Europeia sinaliza medidas semelhantes, alimentando temores de uma guerra comercial em larga escala. Esse embate entre as maiores economias do planeta gerou uma corrida por ativos seguros, como os títulos do Tesouro americano, enquanto investimentos de risco, incluindo o bitcoin, sofrem com a saída de capital.
O impacto das tarifas vai além do comércio direto. Produtos como aço e alumínio, já taxados anteriormente, encarecem os insumos para indústrias nos EUA, pressionando os preços ao consumidor e reacendendo o risco de inflação. Em 2024, a inflação americana fechou o ano em 3,2%, mas projeções para 2025 apontam para um aumento que pode chegar a 4,5% caso as tarifas sejam mantidas. Com isso, o Federal Reserve (Fed) pode ser forçado a elevar as taxas de juros, atualmente entre 4,25% e 4,50%, o que tornaria os títulos públicos mais atrativos e pressionaria ainda mais o mercado de criptomoedas. Em Wall Street, os índices caíram cerca de 3% nos últimos dias, refletindo a incerteza que se espalha pelo mundo.
No Brasil, o mercado de criptoativos também sente o golpe. Cerca de 8 milhões de brasileiros investem em moedas digitais, e a desvalorização do real frente ao dólar, impulsionada pelas tensões comerciais, reduz o poder de compra local para adquirir bitcoins. Em São Paulo, corretoras relatam uma queda de 15% no volume de negociações desde o início das tarifas, com investidores preferindo aplicações mais conservadoras. A aversão ao risco, intensificada pela retaliação chinesa e pelas ameaças europeias, cria um ambiente em que ativos voláteis como as criptomoedas perdem apelo, mesmo com as promessas de Trump de apoio ao setor.
Da euforia inicial à queda acentuada
A posse de Donald Trump em janeiro de 2025 trouxe uma onda de otimismo ao mercado de criptomoedas. Após vencer as eleições de novembro de 2024, o bitcoin disparou de US$ 94 mil para US$ 109 mil em poucas semanas, impulsionado pela expectativa de uma administração favorável aos criptoativos. Durante a campanha, Trump prometeu flexibilizar regulamentações e criar uma reserva estratégica de bitcoins, um discurso que contrastava com suas críticas passadas, quando chamou as moedas digitais de “baseadas no ar”. Em julho de 2024, na Bitcoin 2024 Conference, ele declarou que os EUA deveriam liderar a mineração e produção de criptomoedas, elevando as esperanças dos investidores.
Esse entusiasmo, porém, foi abalado pelas ações concretas do presidente. Embora tenha nomeado figuras pró-cripto para cargos importantes, como David Sacks como “czar de criptomoedas e IA”, Trump priorizou as tarifas em vez de medidas específicas para o setor digital. Em 2024, o mercado global de criptomoedas movimentou mais de US$ 2,7 trilhões, com o bitcoin respondendo por cerca de 50% desse valor. A expectativa era de que os EUA, que concentram 40% das negociações globais, se tornassem o “epicentro cripto” sob Trump. No entanto, a falta de avanços regulatórios e o impacto das tarifas inverteram essa tendência, levando o bitcoin a uma queda de quase 30% desde seu pico anual.
A China, que detém cerca de 194 mil bitcoins confiscados de esquemas fraudulentos, também influencia o cenário. A retaliação de Pequim às tarifas americanas aumentou a percepção de risco global, afastando investidores de criptoativos. Em paralelo, a União Europeia, que negocia cerca de 25% do volume mundial de criptomoedas, avalia medidas protecionistas, o que pode reduzir ainda mais o comércio internacional e o apetite por ativos digitais. Nos EUA, cerca de 15 milhões de pessoas possuem bitcoins, mas muitos estão vendendo suas posições diante das incertezas econômicas atuais.
Efeitos indiretos das tarifas no bitcoin
Embora as tarifas de Trump não incidam diretamente sobre criptomoedas, seus efeitos indiretos são profundos. O aumento dos custos de importação eleva os preços de bens e serviços nos EUA, pressionando a inflação e levando o Fed a considerar juros mais altos. Em 2024, os títulos do Tesouro americano renderam cerca de 4%, mas com taxas maiores, esse retorno pode subir, atraindo investidores que antes apostavam em bitcoins. Em Nova York, analistas estimam que cada 0,25% de aumento nos juros pode desviar até US$ 5 bilhões de ativos de risco para títulos públicos.
A guerra comercial também afeta o consumo global. Com produtos mais caros nos EUA, a demanda interna pode cair, desacelerando a economia americana, que representa 24% do PIB mundial. Em 2024, o comércio entre EUA e China movimentou US$ 600 bilhões, mas as tarifas recíprocas ameaçam reduzir esse fluxo em até 20%, segundo projeções recentes. Essa contração econômica intensifica a busca por segurança, e o bitcoin, apesar de ser chamado de “ouro digital”, não escapa da volatilidade que caracteriza os ativos de risco em tempos de crise. Em Londres, operadores relatam uma queda de 10% no volume de negociações de criptomoedas desde o início das tarifas.
No Brasil, o impacto é agravado pela valorização do dólar, que subiu 5% frente ao real desde fevereiro. Cerca de 60% das transações de bitcoins no país são feitas em exchanges internacionais, e o encarecimento da moeda americana torna o investimento mais caro para os brasileiros. Em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba, investidores locais reduziram suas posições em criptoativos em 12% nas últimas semanas, optando por fundos de renda fixa que acompanham os juros altos da economia doméstica. O cenário global de incerteza, portanto, amplifica os desafios para o mercado de criptomoedas em múltiplas frentes.
- Fatores que pressionam o bitcoin:
- Aumento da inflação nos EUA devido às tarifas.
- Possível alta nos juros pelo Fed.
- Valorização do dólar e busca por títulos públicos.
Promessas de Trump enfrentam realidade econômica
Donald Trump assumiu a presidência com a promessa de fazer dos EUA o “epicentro das criptomoedas”, mas as tarifas mudaram o foco de sua administração. Em 2024, ele participou da Bitcoin 2024 Conference, em Nashville, e declarou que os investidores ficariam “muito felizes” com sua vitória. A nomeação de David Sacks como “czar de criptomoedas” e a menção a uma reserva estratégica de bitcoins alimentaram a euforia inicial, levando o mercado a um pico de US$ 109 mil em janeiro. No entanto, passados três meses, as medidas concretas ainda não saíram do papel, e o “tarifaço” tomou o centro das atenções.
A reserva estratégica de bitcoins, que usaria os 200 mil BTC confiscados pelo governo americano (avaliados em cerca de US$ 16 bilhões), foi formalizada por um decreto em março, mas sua implementação permanece incerta. Em 2024, os EUA responderam por 40% das transações globais de criptomoedas, e a expectativa era de que Trump flexibilizasse as regras da Securities and Exchange Commission (SEC). Até agora, however, as ações se limitaram a discursos e nomeações, enquanto as tarifas dominam a agenda econômica, afetando o apetite por investimentos arriscados. Em Chicago, analistas apontam que a falta de clareza regulatória mantém o setor em compasso de espera.
A mudança de postura de Trump, que já criticou o bitcoin como “volátil e baseado no ar” em 2019, reflete o peso do eleitorado pró-cripto nos EUA. Cerca de 20% dos eleitores americanos possuem algum tipo de criptomoeda, e esse grupo foi decisivo nas eleições de 2024. Apesar disso, a prioridade dada às tarifas, em vez de políticas específicas para o setor, frustrou parte dos investidores. Em Miami, onde o mercado cripto é forte, operadores relatam uma queda de 18% no volume de negociações desde fevereiro, mostrando que a confiança inicial deu lugar à cautela diante do cenário econômico global.
Guerra comercial amplia incertezas no setor
O embate tarifário entre EUA, China e União Europeia cria um ambiente hostil para as criptomoedas. A retaliação chinesa, com taxas de 34% sobre produtos americanos, e as ameaças de medidas similares pela Europa, que movimenta 25% do comércio global de criptoativos, elevam o risco de uma guerra comercial generalizada. Em 2024, o comércio mundial atingiu US$ 25 trilhões, mas projeções para 2025 indicam uma queda de 5% caso as tensões persistam. Essa redução afeta o consumo e o investimento, pressionando ativos voláteis como o bitcoin.
Nos EUA, o aumento dos custos de produção já se reflete nos preços. Em março, o aço importado subiu 15% devido às tarifas, impactando indústrias como a automotiva e a construção. Esse encarecimento pode desacelerar a economia americana, que cresceu 2,8% em 2024, mas enfrenta projeções de apenas 2% em 2025. Com o Fed sob pressão para subir os juros, os títulos públicos, que renderam 4% no último ano, tornam-se mais atraentes, desviando cerca de US$ 10 bilhões mensais de investimentos em criptomoedas, segundo estimativas de operadores em Nova York.
No Brasil, o impacto é sentido no câmbio. O dólar, que fechou 2024 a R$ 5,40, subiu para R$ 5,67 em abril, reduzindo o poder de compra dos investidores locais. Em 2024, o mercado brasileiro de criptomoedas movimentou R$ 50 bilhões, mas o volume caiu 10% desde o início das tarifas. Em Belo Horizonte, exchanges locais relatam uma migração de 20% dos clientes para aplicações em renda fixa, como CDBs, que oferecem retornos acima de 13% ao ano. A guerra comercial, portanto, amplifica a pressão sobre o bitcoin e outros criptoativos em escala global.
Investidores buscam segurança em tempos turbulentos
A aversão ao risco impulsionada pelas tarifas de Trump levou a uma mudança no comportamento dos investidores. Em 2024, o mercado global de criptomoedas alcançou uma capitalização de US$ 2,7 trilhões, mas perdeu cerca de US$ 300 bilhões desde fevereiro. O bitcoin, que responde por metade desse valor, viu seu preço cair de US$ 109 mil para US$ 74 mil em poucos meses, enquanto o Ethereum perdeu quase 7% apenas nesta segunda-feira. Em Londres, o volume de negociações caiu 12% nas últimas semanas, com investidores migrando para ativos mais seguros.
Nos EUA, os títulos do Tesouro atraem cada vez mais capital. Em 2024, cerca de US$ 1 trilhão foi investido nesses papéis, e a expectativa é de que esse número cresça 15% em 2025 caso os juros subam. Em paralelo, o dólar se fortalece, impactando mercados emergentes como o Brasil, onde 8 milhões de pessoas possuem criptomoedas. Em São Paulo, analistas observam que 25% dos investidores locais venderam suas posições em bitcoins desde o início das tarifas, optando por fundos atrelados à Selic, que está em 10,75%.
A incerteza econômica também afeta as empresas do setor cripto. Em 2024, exchanges americanas como Coinbase movimentaram US$ 500 bilhões, mas o volume caiu 10% em 2025. Em Miami, startups que apostavam em um boom cripto sob Trump agora enfrentam dificuldades para atrair capital, com algumas reduzindo operações. A busca por segurança em tempos de crise, portanto, redefine as prioridades dos investidores, deixando o mercado de criptomoedas em um momento de fragilidade.
Cronograma das tarifas e quedas do bitcoin
O impacto das tarifas de Trump no bitcoin segue uma sequência clara de eventos:
- Fevereiro: Anúncio das tarifas iniciais, bitcoin cai de US$ 109 mil para US$ 95 mil.
- 2 de abril: Tarifas recíprocas de 10% a 50% são detalhadas, bitcoin recua para US$ 85 mil.
- 7 de abril: Bitcoin atinge US$ 74.524, menor valor do ano, após retaliação chinesa.
Esse calendário reflete a conexão entre as políticas comerciais de Trump e a volatilidade das criptomoedas, com o mercado reagindo a cada novo capítulo da guerra comercial.