Aposentados, pensionistas e outros beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) receberam uma boa notícia no início de abril de 2025. O governo federal anunciou a antecipação do décimo terceiro salário, tradicionalmente pago no segundo semestre, para os meses de abril, maio e junho. A medida, que repete o modelo adotado nos últimos anos, visa injetar recursos na economia e oferecer alívio financeiro aos segurados em um período de alta nos preços de itens básicos. Milhões de pessoas devem ser impactadas pelo calendário ajustado, que divide o pagamento em duas parcelas conforme o valor do benefício e o número final da inscrição.
A decisão foi oficializada no dia 3 de abril, com a publicação de um decreto assinado pelo presidente da República. Esse adiantamento abrange diversos tipos de benefícios, como aposentadorias, pensões por morte e auxílios pagos pelo INSS. No entanto, nem todos os segurados terão direito ao abono extra, e o calendário varia de acordo com o valor recebido — se igual ao salário mínimo ou superior. A primeira parcela começa a ser depositada no dia 24 de abril para quem ganha até R$1.518,00, valor do piso nacional em 2025, enquanto a segunda entra em maio e junho.
Para muitos, a antecipação representa uma oportunidade de organizar as finanças ou quitar dívidas acumuladas. Dados do governo apontam que cerca de 30 milhões de beneficiários devem receber o pagamento ao longo dos próximos meses, com uma injeção estimada de bilhões de reais na economia. A medida também reflete um esforço para manter o poder de compra dos aposentados, especialmente após o reajuste do salário mínimo, que passou de R$1.412,00 em 2024 para R$1.518,00 neste ano, um aumento de R$106,00 que impacta diretamente o cálculo do décimo terceiro.
Quem tem direito ao décimo terceiro antecipado
Nem todos os beneficiários do INSS recebem o décimo terceiro, mas a maioria dos segurados está incluída na antecipação de 2025. Entre os contemplados estão aqueles que recebem aposentadoria por idade, por tempo de contribuição ou por incapacidade permanente, além de pensionistas que dependem de pensão por morte. Outros benefícios, como auxílio-doença, auxílio-acidente e auxílio-reclusão, também entram na lista de pagamentos antecipados.
Por outro lado, quem depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC) fica de fora. Esse programa assistencial, voltado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, não inclui o abono anual em sua estrutura. A distinção é importante, já que muitos confundem o BPC com os benefícios previdenciários tradicionais, o que pode gerar dúvidas na hora de verificar os depósitos.
A inclusão de novos beneficiários também é um ponto de destaque. Quem começou a receber um benefício do INSS em 2025 tem direito ao décimo terceiro proporcional, calculado com base no mês de início do pagamento. Se o benefício foi ativado em março, por exemplo, o segurado recebe 9/12 do valor total do abono, refletindo os meses restantes do ano. Essa regra vale mesmo que o pagamento tenha começado no meio do mês, garantindo um cálculo justo para os novos contemplados.
Calendário detalhado dos pagamentos
Os depósitos do décimo terceiro seguem um cronograma dividido em duas etapas, organizadas pelo número final do benefício (antes do traço) e pelo valor recebido. Para quem ganha até um salário mínimo, os pagamentos ocorrem entre abril e maio para a primeira parcela e entre maio e junho para a segunda. Já os segurados com benefícios acima de R$1.518,00 recebem em maio e junho, com datas ajustadas para evitar sobrecarga no sistema bancário.
Confira as datas para quem recebe até um salário mínimo:
- Final 1: 24/04 (1ª parcela) e 26/05 (2ª parcela)
- Final 2: 25/04 e 27/05
- Final 3: 28/04 e 28/05
- Final 4: 29/04 e 29/05
- Final 5: 30/04 e 30/05
- Final 6: 02/05 e 02/06
- Final 7: 05/05 e 03/06
- Final 8: 06/05 e 04/06
- Final 9: 07/05 e 05/06
- Final 0: 08/05 e 06/06
Para quem recebe acima do mínimo, o calendário é o seguinte:
- Finais 1 e 6: 02/05 e 02/06
- Finais 2 e 7: 05/05 e 03/06
- Finais 3 e 8: 06/05 e 04/06
- Finais 4 e 9: 07/05 e 05/06
- Finais 5 e 0: 08/05 e 06/06
Como é calculado o valor do abono
O décimo terceiro do INSS é pago em duas parcelas, mas os valores não são idênticos. A primeira corresponde a 50% do benefício mensal, depositada sem descontos. Um aposentado que recebe R$1.518,00, por exemplo, terá R$759,00 creditados na conta na primeira etapa. Já a segunda parcela sofre deduções, como o Imposto de Renda (IR), quando aplicável, o que reduz o montante final.
Para benefícios acima do salário mínimo, o cálculo segue a mesma lógica, mas o teto do INSS em 2025, fixado em R$8.157,41, limita o valor máximo do abono. Quem recebe esse teto terá a primeira parcela de R$4.078,70, enquanto a segunda será menor devido aos descontos. A variação depende da alíquota do IR, que incide conforme a faixa de renda do beneficiário, e de eventuais contribuições sindicais ou empréstimos consignados.
O reajuste do salário mínimo também influencia diretamente os pagamentos. Com o aumento de R$106,00 em relação a 2024, quem recebe o piso nacional terá um décimo terceiro maior neste ano. A diferença pode parecer pequena, mas para milhões de segurados que dependem exclusivamente do benefício, cada real conta na hora de equilibrar as despesas do dia a dia.
O que fazer se o pagamento não cair
Problemas com o depósito do décimo terceiro não são raros, e muitos beneficiários enfrentam atrasos ou falhas no sistema. Caso o valor não seja creditado nas datas previstas, o primeiro passo é verificar o extrato de pagamento no aplicativo ou site do Meu INSS. O acesso exige login com CPF e senha no sistema gov.br, e a opção “Extrato de Pagamento de Benefício” mostra os valores depositados e pendentes.
Se o problema persistir, é possível registrar uma reclamação diretamente na plataforma. O serviço “Solicitar Emissão de Pagamento não Recebido” permite que o segurado formalize o pedido de correção, anexando documentos como RG, CPF e comprovantes de residência atualizados. O processo é simples, mas exige atenção aos detalhes para evitar erros no cadastro.
Para quem não tem familiaridade com o ambiente digital, outra alternativa é buscar apoio jurídico. Advogados especializados em direito previdenciário lidam frequentemente com o Meu INSS e podem agilizar a solução. Em casos extremos, como erros prolongados ou valores não pagos, a Justiça pode ser acionada para garantir o direito do beneficiário, especialmente se houver impacto financeiro significativo.
Passo a passo para consultar o décimo terceiro
Consultar os detalhes do décimo terceiro é uma tarefa prática que pode ser feita em poucos minutos. O Meu INSS, disponível em aplicativo ou site, centraliza as informações dos beneficiários e facilita o acompanhamento dos depósitos. O processo começa com o acesso à plataforma, usando as credenciais do gov.br, sistema unificado do governo federal.
Após o login, o usuário deve clicar em “Extratos e Comprovantes” e selecionar “Extrato de Pagamento de Benefício”. O documento gerado exibe o valor do benefício mensal, as parcelas do décimo terceiro e eventuais descontos aplicados. Caso o arquivo não carregue ou apresente dados inconsistentes, vale tentar novamente em outro horário, já que picos de acesso podem sobrecarregar o sistema.
Quem não tem acesso à internet ou prefere atendimento presencial pode ligar para o número 135, a central de atendimento do INSS. O serviço funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h, e exige paciência, já que o tempo de espera varia conforme o volume de chamadas. Informações como o número do benefício e o CPF devem estar em mãos para agilizar o processo.
Impactos econômicos da antecipação
A antecipação do décimo terceiro do INSS não beneficia apenas os segurados; ela também movimenta a economia nacional. Com bilhões de reais circulando entre abril e junho, setores como comércio e serviços devem sentir um impacto positivo, especialmente em cidades menores, onde os benefícios previdenciários representam uma fatia significativa da renda local. Em 2024, a medida injetou cerca de R$60 bilhões no mercado, e os números de 2025 devem seguir uma tendência semelhante.
Pequenos comerciantes, como donos de supermercados e farmácias, já percebem a diferença nos meses de pagamento. O dinheiro extra ajuda os beneficiários a cobrir despesas essenciais, como remédios e alimentos, mas também impulsiona compras de itens não essenciais, como eletrodomésticos e roupas. Economistas apontam que o adiantamento no primeiro semestre é estratégico, já que coincide com um período de menor atividade econômica após o início do ano.
A medida também reflete uma política de governo que ganhou força nos últimos anos. Desde 2020, quando a antecipação começou como resposta à pandemia, o modelo foi mantido anualmente, consolidando-se como uma ferramenta de estímulo financeiro. Para 2025, o ajuste no calendário foi anunciado com antecedência, dando tempo para que bancos e beneficiários se preparem para os depósitos.
Benefícios proporcional e novos segurados
Quem ingressou no sistema do INSS em 2025 não fica de fora da antecipação, mas o valor recebido é ajustado. O décimo terceiro proporcional considera apenas os meses em que o benefício esteve ativo. Um segurado que começou a receber aposentadoria em maio, por exemplo, terá direito a 7/12 do abono total, ou seja, cerca de 58% do valor que receberia se estivesse no sistema desde janeiro.
Esse cálculo é automático e não exige ação do beneficiário, mas é importante conferir o extrato para garantir que o pagamento foi feito corretamente. Erros no cadastro, como datas incorretas de ativação do benefício, podem reduzir o montante depositado. Nesses casos, a correção pode ser solicitada pelo Meu INSS ou diretamente em uma agência, com agendamento prévio.
A regra também beneficia quem teve o pagamento iniciado no meio de um mês. Se o auxílio-doença, por exemplo, foi liberado em 15 de fevereiro, o mês inteiro é contabilizado no cálculo do décimo terceiro. Essa flexibilidade garante que os novos segurados não sejam prejudicados, mesmo em situações de atraso na concessão do benefício.
Diferenças entre parcelas e descontos
A divisão do décimo terceiro em duas parcelas é uma prática consolidada no INSS, mas gera dúvidas entre os beneficiários. A primeira parcela, paga entre abril e maio, é sempre maior, já que não sofre retenções. Ela representa exatamente 50% do valor mensal do benefício, oferecendo um alívio imediato para quem precisa organizar as finanças.
Já a segunda parcela, depositada entre maio e junho, chega com descontos que variam de acordo com o perfil do segurado. O Imposto de Renda é o principal fator, aplicado apenas a quem tem renda tributável acima do limite de isenção, que em 2025 é de R$2.112,00 por mês. Benefícios menores, como o salário mínimo de R$1.518,00, escapam dessa cobrança, mas valores próximos ao teto do INSS enfrentam alíquotas que podem chegar a 27,5%.
Além do IR, outros descontos podem incluir parcelas de empréstimos consignados, uma prática comum entre aposentados e pensionistas. Cerca de 40% dos segurados do INSS têm algum tipo de crédito ativo, o que reduz o valor líquido da segunda parcela. Para evitar surpresas, o extrato de pagamento detalha todas as deduções, permitindo que o beneficiário acompanhe cada centavo.
Alternativas para quem não recebe do INSS
A antecipação do décimo terceiro não se limita aos beneficiários do INSS. Trabalhadores da iniciativa privada, como empregados regidos pela CLT, também podem negociar o adiantamento com seus empregadores ou bancos. Nesses casos, o processo depende de acordos individuais ou políticas internas da empresa, sem relação com o calendário do governo.
Bancos oferecem linhas de crédito específicas para antecipação do décimo terceiro, mas os juros cobrados variam muito. Para quem recebe salário por conta bancária, a opção pode ser vantajosa em emergências, mas exige cuidado com o custo final. Diferente do INSS, onde o pagamento é garantido e gratuito, essas alternativas envolvem taxas que podem comprometer o orçamento a longo prazo.
A possibilidade de antecipação fora do INSS é especialmente útil para autônomos ou trabalhadores informais que contribuem para a Previdência, mas ainda não recebem benefícios. Nesses casos, o décimo terceiro só será pago se houver vínculo empregatício formal ou se o segurado negociar diretamente com instituições financeiras, uma prática menos comum, mas viável em algumas situações.
Curiosidades sobre o décimo terceiro no Brasil
O décimo terceiro salário é uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros, mas sua aplicação ao INSS nem sempre foi como hoje. Criado em 1962 pela Lei 4.090, o benefício começou como um direito exclusivo de empregados formais. Somente décadas depois, com a expansão da Previdência Social, os aposentados e pensionistas foram incluídos, recebendo o abono anualmente.
Nos últimos anos, a antecipação mudou a dinâmica do pagamento:
- Em 2020, foi adotada como medida emergencial durante a pandemia.
- Em 2021 e 2022, virou estratégia econômica para estimular o consumo.
- Desde 2023, consolidou-se como prática regular do governo.
Outro ponto interessante é o impacto regional. Em estados do Nordeste e do interior do país, o décimo terceiro do INSS responde por até 70% da renda de alguns municípios, segundo dados históricos. Essa dependência destaca a relevância do benefício para além das grandes cidades, onde a economia é mais diversificada.
Perguntas frequentes dos beneficiários
Dúvidas sobre o décimo terceiro são comuns, especialmente com a antecipação. Uma questão recorrente é o início dos pagamentos, que em 2025 começam em 24 de abril para quem recebe o salário mínimo e em 2 de maio para valores acima disso. Outra pergunta frequente é sobre o valor da primeira parcela, fixado em 50% do benefício, sem descontos.
Muitos também querem saber quando sai a segunda parcela. Para o piso nacional, os depósitos ocorrem entre 26 de maio e 6 de junho, enquanto os benefícios maiores são pagos de 2 a 6 de junho. Segurados que começaram a receber em 2025 perguntam se têm direito, e a resposta é sim, com valores proporcionais ao tempo de benefício ativo.
Por fim, o reajuste do salário mínimo gera curiosidade. Com o aumento para R$1.518,00, o décimo terceiro de quem recebe o piso subiu R$53,00 em cada parcela em relação a 2024, um ganho pequeno, mas significativo para milhões de famílias. Essas respostas ajudam a esclarecer o processo e garantem que os beneficiários saibam o que esperar.