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Dólar ultrapassa R$ 6 com tarifas de 104% dos EUA à China: Veja impactos no Ibovespa

Dólar, Bolsas de Valores, Investimentos, Ação de Valor
Dólar, Bolsas de Valores, Investimentos, Ação de Valor - Foto: Miha Creative/shutterstock.com Dólar, Bolsas de Valores, Investimentos, Ação de Valor - Foto: Miha Creative/shutterstock.com

O dólar alcançou a marca de R$ 6 na tarde de 8 de abril, após a Casa Branca confirmar a imposição de tarifas extras de 50% sobre produtos chineses importados pelos Estados Unidos. Somadas às taxações anteriores de 54%, as mercadorias vindas da China agora enfrentam uma barreira total de 104%, medida que entra em vigor a partir de 9 de abril. A decisão, anunciada pela secretária de imprensa Karoline Leavitt, intensifica a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e provoca reflexos imediatos no Brasil. Às 14h10, a moeda americana era negociada a R$ 5,9977, com pico de R$ 6,0023, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em queda de 0,16%, aos 125.383 pontos.

A escalada tarifária começou na semana passada, quando o presidente Donald Trump anunciou um aumento de 34% sobre produtos chineses, elevando o total para 54%. Em resposta, a China retaliou na sexta-feira, 4 de abril, com tarifas de 34% sobre bens americanos. Insatisfeito, Trump deu um ultimato: se Pequim não recuasse até o meio-dia de 8 de abril, hora de Washington, as taxas subiriam mais 50%. O prazo passou sem alterações por parte dos chineses, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que o país lutará “até o fim” contra as imposições americanas, embora reconheça que guerras comerciais não beneficiam ninguém.

No Brasil, o impacto foi sentido rapidamente. O dólar, que fechou a segunda-feira a R$ 5,9106 com alta de 1,29%, disparou com a confirmação das novas tarifas. O Ibovespa, após cair 1,31% na véspera, aos 125.588 pontos, continuou sob pressão, refletindo a incerteza global. A situação é agravada pela dependência brasileira de importações e pela sensibilidade do real às oscilações internacionais, em um momento em que os mercados asiáticos e europeus tentam se recuperar de perdas acumuladas desde o início da crise tarifária.

Escalada da guerra comercial

A tensão entre Estados Unidos e China ganhou novo fôlego com as tarifas extras. Após Trump detalhar as taxações iniciais em 2 de abril, os mercados globais entraram em colapso, com quedas expressivas nas bolsas americanas, europeias e asiáticas. A resposta chinesa, além das tarifas, incluiu controles de exportação de terras raras como samário, gadolínio e disprósio, materiais essenciais para tecnologias como chips e equipamentos de defesa. Essas restrições, em vigor desde 4 de abril, afetam diretamente os EUA, que importam cerca de 70% de suas terras raras da China.

No pregão de 8 de abril, o dólar subiu 1,47% no Brasil, refletindo o nervosismo dos investidores. A moeda americana acumulava alta de 3,59% no mês e perdas de 4,35% no ano até então. O Ibovespa, por sua vez, mostrava recuo de 3,59% em abril, mas ainda sustentava ganhos de 4,41% em 2025. A volatilidade é impulsionada pelo temor de uma recessão nos EUA, principal parceiro comercial de muitos países, incluindo o Brasil, que exporta commodities como soja e minério de ferro.

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que os EUA priorizam negociações com aliados como Japão e Coreia do Sul para reduzir tarifas, mas a China permanece no centro do conflito. Trump, em postagem nas redes sociais, disse esperar um acordo com Pequim, mas o tom desafiador de Lin Jian sugere que a resolução está distante. A União Europeia, por sua vez, busca evitar uma guerra comercial, mas enfrenta resistência americana a propostas de tarifas zero.

  • Tarifas dos EUA à China: 104% a partir de 9 de abril.
  • Retaliação chinesa: 34% sobre produtos americanos desde 4 de abril.
  • Dólar no Brasil: Pico de R$ 6,0023 às 14h10 de 8 de abril.
  • Ibovespa: Queda de 0,16% no mesmo horário.

Reflexos no mercado brasileiro

O Brasil sente os efeitos da guerra comercial em múltiplas frentes. O dólar a R$ 6 pressiona os custos de importação, especialmente de combustíveis e eletrônicos, que dependem de componentes chineses. Em 2024, o país importou US$ 53,2 bilhões da China, incluindo máquinas e bens de consumo, enquanto exportou US$ 104,3 bilhões, principalmente soja e minério. O encarecimento das importações pode elevar a inflação, que fechou 2024 em 4,77% pelo INPC, e afetar o consumo interno.

Empresas brasileiras listadas no Ibovespa, como Vale e Petrobras, enfrentam incertezas. A Vale, que exporta 60% de seu minério de ferro para a China, pode sofrer com uma eventual desaceleração econômica asiática. Já a Petrobras, sensível ao preço do petróleo e aos custos em dólar, vê margens pressionadas. No pregão de 8 de abril, ações de exportadoras oscilaram, enquanto companhias dependentes de insumos importados registraram perdas.

A alta do dólar também impacta os brasileiros diretamente. Produtos como smartphones, que usam chips com terras raras, e eletrodomésticos tendem a ficar mais caros. Em contrapartida, exportadores de commodities podem se beneficiar no curto prazo, mas a instabilidade global ameaça esse ganho. O Banco Central monitora o câmbio, mas ainda não anunciou intervenções.

Impactos globais da crise tarifária

A guerra comercial entre EUA e China reverbera além das fronteiras dos dois países. Desde o anúncio das tarifas iniciais, em 2 de abril, as bolsas americanas perderam US$ 6 trilhões em valor de mercado. As gigantes de tecnologia, como Apple e Nvidia, sofreram quedas acumuladas de US$ 1,8 trilhão em dois dias, entre 3 e 4 de abril, devido à dependência de componentes chineses e ao risco de interrupção no fornecimento de terras raras.

Na Ásia, o índice Nikkei 225, do Japão, subiu 6,01% em 8 de abril, em uma tentativa de recuperação após perdas de 8% na semana anterior. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,51%, enquanto o CSI 1000, da China, teve alta modesta de 0,61%. Na Europa, o DAX alemão ganhou 2,36%, e o FTSE 100 britânico subiu 2,71%, refletindo esperanças de negociações com os EUA. Mesmo assim, o cenário permanece frágil, com investidores temendo uma desaceleração global.

O controle chinês sobre terras raras adiciona uma camada de complexidade. Esses materiais, usados em turbinas eólicas, baterias e armamentos, são dominados pela China, que responde por 90% da produção mundial. A restrição às exportações pode forçar países como Japão e Alemanha, além dos EUA, a buscar alternativas, mas a diversificação da oferta levará anos.

Pressão sobre a economia americana

Nos Estados Unidos, as tarifas de 104% devem encarecer bens de consumo e insumos industriais. Em 2023, os EUA importaram US$ 427 bilhões da China, incluindo eletrônicos e máquinas. Com a taxação, o preço de produtos como laptops e carros elétricos pode subir até 20%, segundo analistas. O consumo, que representa 70% do PIB americano, corre risco de retrair, elevando as chances de recessão.

A indústria de tecnologia é particularmente vulnerável. Empresas como Tesla e Microsoft dependem de terras raras para baterias e processadores. A China, que já baniu exportações de outros minerais estratégicos em 2023, como germânio e gálio, agora aperta o cerco com samário e disprósio, usados em motores e sensores. A única mina de terras raras americana, em Mountain Pass, na Califórnia, não supre a demanda interna.

O governo Trump aposta que a pressão tarifária forçará a China a negociar, mas o efeito imediato é de incerteza. O conselheiro Peter Navarro afirmou que os EUA só aceitam acordos com a União Europeia se houver redução de barreiras não tarifárias, como normas de segurança alimentar, o que mantém o bloco em alerta.

Reações no mercado internacional

Apesar do tombo inicial, os mercados asiáticos e europeus mostraram sinais de estabilização em 8 de abril. A Coreia do Sul, com alta de 0,26% no Kospi, e a Índia, com 1,69% no Nifty 50, refletem cautela otimista. Na Europa, o CAC 40 francês subiu 2,50%, e o IBEX 35 espanhol avançou 2,38%. A Suíça liderou com 3,12% no SMI, impulsionada por papéis de bancos e farmacêuticas.

A União Europeia insiste em evitar tarifas recíprocas. Um porta-voz do bloco reiterou o desejo de diálogo, mesmo após a rejeição americana à proposta de “zero por zero” em bens industriais. Japão e Coreia do Sul, aliados dos EUA, também buscam isenções, mas Trump mantém a postura rígida, priorizando acordos bilaterais.

  • Nikkei 225 (Japão): Alta de 6,01% em 8 de abril.
  • DAX (Alemanha): Ganho de 2,36% no mesmo dia.
  • FTSE 100 (Reino Unido): Subida de 2,71%.
  • Hang Seng (Hong Kong): Avanço de 1,51%.

Efeitos no bolso do brasileiro

A disparada do dólar para R$ 6 eleva o custo de vida no Brasil. Combustíveis, que seguem o mercado internacional, podem subir até 5% nas próximas semanas, afetando transporte e fretes. Alimentos importados, como trigo para pão, e medicamentos com insumos chineses também tendem a encarecer. Em 2024, a inflação de bens duráveis já havia subido 6,2%, e o novo patamar do câmbio pode agravar o quadro.

Para exportadores, o cenário é ambíguo. A alta do dólar favorece a receita em reais de empresas como JBS e Suzano, que vendem carne e celulose ao exterior. Porém, uma desaceleração global pode reduzir a demanda, especialmente se a China, maior compradora de commodities brasileiras, enfrentar dificuldades econômicas devido às tarifas.

Setores como varejo e tecnologia sofrem mais. Lojas de eletrônicos já preveem repasses de até 10% nos preços de TVs e celulares, enquanto montadoras, como Volkswagen e GM, alertam para custos maiores em peças importadas. O consumidor final, com poder de compra reduzido, será o mais afetado.

Riscos de uma guerra comercial global

O “tarifaço” americano, que atinge mais de 180 países com taxas entre 10% e 54%, eleva o risco de retaliações em cadeia. A China, além das tarifas, usa as terras raras como arma econômica, ameaçando cadeias de suprimentos globais. Em 2023, o país produziu 240 mil toneladas desses materiais, contra 43 mil dos EUA, segundo dados do Serviço Geológico Americano.

Analistas preveem que uma guerra comercial prolongada pode cortar o crescimento global em até 2% em 2026. A inflação, alimentada por produtos mais caros, reduziria a demanda, enquanto o protecionismo dificultaria o comércio. No Brasil, o PIB, que cresceu 2,9% em 2024, poderia desacelerar para 1,5% em 2025 se o cenário piorar.

A incerteza afasta investidores de ativos de risco. Desde 2 de abril, o índice S&P 500 caiu 9,8%, enquanto o Nasdaq perdeu 11,2%. No Brasil, o Ibovespa reflete o mesmo movimento, com estrangeiros retirando R$ 3,2 bilhões da B3 na primeira semana de abril. A busca por ativos seguros, como ouro e títulos do Tesouro americano, cresce em paralelo.

Cronograma das tarifas e respostas

A guerra comercial segue um ritmo acelerado. As tarifas iniciais de 54% dos EUA entraram em vigor em 2 de abril, com a China respondendo em 4 de abril com 34%. O ultimato americano venceu em 8 de abril, e as taxas extras de 50% começam em 9 de abril. Confira as datas-chave:

  • 2 de abril: EUA anunciam tarifas de 54% à China.
  • 4 de abril: China impõe 34% sobre produtos americanos e restringe terras raras.
  • 8 de abril: Trump confirma 50% adicionais após ultimato.
  • 9 de abril: Tarifas de 104% entram em vigor nos EUA.

A China sinaliza mais retaliações, enquanto a UE e outros países tentam negociar com Washington. O desfecho dependerá da disposição de Trump em ceder ou da capacidade chinesa de resistir.

Alternativas para o Brasil

Diante do dólar a R$ 6, o Brasil busca saídas. O Banco Central pode vender reservas, que somam US$ 355 bilhões, para estabilizar o câmbio, mas o custo seria alto. Outra opção é ampliar exportações para mercados menos afetados, como a Índia, que comprou US$ 7 bilhões em produtos brasileiros em 2024. A diversificação, porém, exige tempo.

Empresas nacionais também ajustam estratégias. A Embraer, por exemplo, negocia parcerias com a Europa para reduzir a dependência de peças chinesas. Já a agricultura, que exporta 30% de sua produção à China, explora mercados alternativos no Sudeste Asiático. A longo prazo, investimentos em produção local de insumos podem mitigar os impactos.

O cenário exige adaptação rápida. Enquanto a guerra comercial se desenrola, o Brasil equilibra os ganhos do dólar alto com os riscos de uma economia global em crise, mantendo os olhos nos próximos movimentos de EUA e China.

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