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Papa Francisco deseja funeral simples: Última homenagem será fora da Basílica de São Pedro

Mass at the beginning of the Papal Conclave
Mass at the beginning of the Papal Conclave - Photo: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com Mass at the beginning of the Papal Conclave - Photo: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com

Jorge Mario Bergoglio, conhecido como papa Francisco, faleceu aos 88 anos em 21 de abril de 2025, deixando um legado de simplicidade e reformas na Igreja Católica. O pontífice, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, morreu em seu apartamento na residência de Santa Marta, no Vaticano, após 38 dias de internação devido a uma pneumonia bilateral. Primeiro papa latino-americano e jesuíta, Francisco ocupou o papado por 12 anos, marcado por gestos de humildade e esforços para modernizar a Igreja. Seu desejo de um sepultamento simples, na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, reflete o estilo de vida despojado que adotou desde sua eleição em 2013. Este texto detalha os planos para seu funeral, o impacto de sua morte e o legado deixado.

A escolha de Francisco por um sepultamento fora da Basílica de São Pedro, tradicional para papas, quebra uma prática de mais de um século. A última vez que um pontífice foi enterrado fora do Vaticano foi em 1903, com o papa Leão XIII. A Basílica de Santa Maria Maggiore, uma das quatro basílicas papais de Roma, era um local de devoção especial para Francisco, que frequentemente visitava o ícone da Virgem Maria Salus Populi Romani antes e depois de suas viagens internacionais. O funeral, planejado para seguir ritos tradicionais com adaptações que respeitam sua vontade de simplicidade, começará nas próximas horas após sua morte, com cerimônias que incluem missas e homenagens públicas.

A morte de Francisco ocorreu às 2h35 no horário de Brasília, 7h35 no horário local, durante o feriado da Páscoa, um período de grande simbolismo para os católicos. O sino da Basílica de São Pedro tocou para anunciar o falecimento, enquanto turistas e peregrinos na Praça São Pedro expressavam choque e tristeza. O Vaticano divulgou um comunicado destacando a dedicação de Francisco aos valores do Evangelho, especialmente no apoio aos pobres e marginalizados, e recomendou sua alma à misericórdia divina. A notícia reverberou globalmente, com líderes religiosos e políticos lamentando a perda de um líder que promoveu diálogo e tolerância.

Ritos fúnebres do papa

Os rituais fúnebres de Francisco seguirão tradições da Igreja, mas com toques de simplicidade:

  • Missa de sufrágio na Basílica de São João de Latrão, presidida pelo cardeal Baldo Reina.
  • Cerimônia de constatação da morte e deposição do corpo no caixão, na capela privada do papa.
  • Homenagem pública na Basílica de São Pedro, a partir de 23 de abril, para despedidas dos fiéis.
  • Sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore, conforme desejo do pontífice.
Papa Francisco morre aos 88 anos — Foto: Vaticano
Papa Francisco morre aos 88 anos — Foto: Vaticano

O legado de simplicidade de Francisco

Nascido em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta a liderar a Igreja Católica. Filho de imigrantes italianos, ele optou por uma vida religiosa após formar-se em química e lecionar literatura. Eleito em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, Francisco assumiu o papado em um momento de crise para a Igreja, marcado por escândalos de pedofilia e queda de popularidade. Sua escolha pelo nome Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos pobres, sinalizou desde o início seu compromisso com a humildade e a justiça social.

Ao longo de seu papado, Francisco priorizou gestos simples, como residir na modesta Casa Santa Marta em vez dos apartamentos papais e usar um carro comum em vez de veículos luxuosos. Ele também dispensou ornamentos tradicionais, como sapatos vermelhos e capas bordadas, preferindo vestimentas mais discretas. Essas escolhas refletiram sua visão de uma Igreja mais próxima dos fiéis e menos apegada a formalidades. Sua decisão de ser sepultado em Santa Maria Maggiore reforça essa postura, rompendo com a tradição de sepultamentos suntuosos na Basílica de São Pedro.

O impacto de sua simplicidade foi sentido globalmente. Líderes de diversas religiões e até mesmo não crentes elogiaram sua abertura ao diálogo inter-religioso e sua defesa de causas como a proteção ambiental e o combate à pobreza. No entanto, sua abordagem gerou resistência entre setores conservadores da Igreja, que criticavam suas reformas como insuficientes ou excessivamente progressistas. Apesar disso, Francisco manteve um forte apoio entre os fiéis, especialmente em regiões como a América Latina, onde sua origem argentina o tornou um símbolo de representatividade.

Desafios enfrentados no papado

Francisco assumiu o papado em um período turbulento. Escândalos de abuso sexual envolvendo clérigos abalaram a credibilidade da Igreja, exigindo ações firmes. Ele criou comissões para investigar casos de pedofilia e implementou medidas de transparência, embora críticos apontassem que os avanços foram lentos. Além disso, ele enfrentou questões modernas, como os direitos LGBTQIA+ e a igualdade de gênero, que dividiram opiniões dentro do catolicismo. Francisco permitiu bênçãos a casais do mesmo sexo e nomeou mulheres para cargos importantes no Vaticano, mas manteve a proibição de ordenação de sacerdotes mulheres, uma decisão que frustrou ativistas feministas.

Os discursos políticos de Francisco também marcaram seu papado. Ele criticou líderes como Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu por conflitos armados e cobrou ações da União Europeia na crise de refugiados iniciada em 2015. Durante a pandemia de Covid-19, sua imagem rezando sozinho na Praça São Pedro, em 2020, tornou-se um símbolo de esperança em meio à crise global. Essas posturas reforçaram sua imagem como um líder engajado, mas também atraíram críticas de setores que preferiam um papa mais neutro em questões geopolíticas.

Reformas na Igreja Católica

A reestruturação da Cúria Romana, o governo do Vaticano, foi uma das prioridades de Francisco. Ele promoveu mudanças nas finanças da Santa Sé, fechando contas suspeitas no banco do Vaticano, historicamente associado a denúncias de lavagem de dinheiro. Além disso, simplificou processos administrativos e aumentou a transparência, visando recuperar a confiança dos fiéis. Essas reformas, iniciadas por Bento XVI, ganharam impulso com Francisco, que também incentivou uma Igreja mais acolhedora, descrita por ele como um “hospital de campanha” para os necessitados.

Outra marca de seu papado foi a ênfase na misericórdia. Francisco buscou aproximar a Igreja de católicos em situações irregulares, como divorciados recasados, e promoveu uma abordagem menos rígida em questões morais. Ele foi o primeiro papa a receber uma pessoa transexual no Vaticano e defendeu que homossexuais não deveriam ser julgados, embora mantivesse a doutrina tradicional contra o casamento igualitário. Essas ações geraram debates, com progressistas elogiando sua abertura e conservadores acusando-o de diluir os princípios católicos.

Cronograma dos ritos fúnebres

Os eventos após a morte de Francisco seguem um calendário definido:

  • 21 de abril: Missa de sufrágio na Basílica de São João de Latrão e rito de constatação da morte.
  • 23 de abril: Início da exposição do corpo na Basílica de São Pedro para homenagens.
  • Data a confirmar: Sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma.
  • Período pós-funeral: Preparação do conclave para eleger o novo papa.

Impacto global da morte de Francisco

A morte de Francisco gerou comoção mundial. Líderes como o presidente da Argentina, país natal do papa, e o secretário-geral da ONU expressaram condolências, destacando sua defesa da paz e dos direitos humanos. Nas redes sociais, fiéis compartilharam memórias de seus gestos, como lavar os pés de prisioneiros e abraçar pessoas com deficiência. A Praça São Pedro, geralmente vibrante durante a Páscoa, tornou-se um local de luto, com peregrinos rezando e deixando flores em homenagem ao pontífice.

No Brasil, onde a Igreja Católica tem forte influência, bispos e fiéis organizaram missas em memória de Francisco. Sua passagem pelo país, durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, foi lembrada como um momento de conexão com os jovens. A simplicidade de Francisco, como andar em um carro aberto e visitar comunidades carentes, marcou sua visita e reforçou sua popularidade entre os brasileiros.

A escolha de um sepultamento simples também repercutiu. Especialistas em Vaticano destacaram que a decisão reflete a coerência de Francisco com seu lema “Miserando atque eligendo” (Olhou-o com misericórdia e o escolheu). A Basílica de Santa Maria Maggiore, menos imponente que São Pedro, simboliza sua visão de uma Igreja despojada e voltada para os mais humildes. A expectativa é que milhares de fiéis compareçam às cerimônias fúnebres, especialmente na exposição do corpo, que permitirá despedidas públicas.

Trajetória de Bergoglio antes do papado

Antes de se tornar papa, Jorge Mario Bergoglio trilhou um longo caminho na Igreja. Formado como técnico químico, ele ingressou na Companhia de Jesus em 1958, tornando-se jesuíta. Estudou humanidades no Chile e teologia na Argentina, sendo ordenado sacerdote em 1969. Entre 1973 e 1979, liderou a congregação jesuíta argentina, enfrentando desafios durante a ditadura militar no país. Sua postura discreta e dialogante o destacou como líder, embora tenha enfrentado críticas por suposta omissão diante de abusos do regime, acusações que ele sempre negou.

Em 1992, Bergoglio tornou-se bispo auxiliar de Buenos Aires, ascendendo a arcebispo em 1997 e cardeal em 2001, nomeado por João Paulo II. Como arcebispo, era conhecido por visitar favelas, cozinhar suas próprias refeições e usar transporte público, gestos que prenunciaram seu estilo como papa. Sua eleição em 2013, aos 76 anos, surpreendeu muitos, já que ele não era considerado um favorito no conclave. No entanto, sua reputação de moderado e reformador o levou ao trono de Pedro.

Desafios para o próximo papa

A morte de Francisco marca o início de um período de transição para a Igreja Católica, conhecido como “sede vacante”. O camerlengo, cardeal Kevin Farrell, assumirá a administração temporária do Vaticano até a eleição do novo papa. O conclave, que reunirá cardeais de todo o mundo, deve ocorrer em até 20 dias, conforme as regras da Igreja. A escolha do sucessor será influenciada pelo legado de Francisco, especialmente sua ênfase na inclusão e na justiça social.

O próximo papa enfrentará questões complexas, como a continuidade das reformas financeiras, o diálogo com outras religiões e a abordagem de temas como mudanças climáticas e desigualdade. A polarização entre progressistas e conservadores no Colégio dos Cardeais também será um desafio, com debates sobre até que ponto a Igreja deve se abrir a mudanças doutrinárias. A influência de Francisco, que nomeou mais de 60% dos cardeais eleitores, pode favorecer a escolha de um líder alinhado com sua visão.

A saúde frágil de Francisco

Nos últimos anos, a saúde de Francisco foi motivo de preocupação. Ele enfrentou problemas respiratórios, incluindo bronquite e pneumonia, além de dores no quadril que o obrigavam a usar cadeira de rodas. Em fevereiro de 2025, foi internado no hospital Agostino Gemelli, em Roma, para tratar uma infecção polimicrobiana. Apesar da alta em 23 de março, seu quadro se agravou com o AVC e a insuficiência cardíaca que levaram à sua morte. Mesmo debilitado, ele continuou a liderar cerimônias, como a missa de Páscoa, demonstrando resiliência.

A fragilidade de Francisco contrastava com sua determinação em avançar com reformas. Ele rejeitou especulações sobre renúncia, afirmando que seguiria “em frente” enquanto pudesse. Sua morte, embora esperada devido à sua saúde, pegou muitos de surpresa, especialmente por ocorrer durante a Páscoa, um momento de renovação para os católicos. A imagem de Francisco acenando aos fiéis na Praça São Pedro, horas antes de sua morte, permanece como um símbolo de sua dedicação até o fim.

O simbolismo do sepultamento simples

A decisão de Francisco por um sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore carrega um forte simbolismo. A basílica, localizada fora do território do Vaticano, é um local de peregrinação popular, mas menos associado à pompa do papado. A escolha reflete a visão de Francisco de uma Igreja que prioriza a espiritualidade sobre o poder terreno. Durante seu papado, ele visitou a basílica mais de 100 vezes, muitas vezes em momentos de reflexão antes de viagens apostólicas.

O funeral de Francisco será um marco na história recente da Igreja. A exposição de seu corpo na Basílica de São Pedro permitirá que milhões, incluindo fiéis de todo o mundo, prestem suas homenagens. A cerimônia de sepultamento, ainda sem data confirmada, será acompanhada por líderes religiosos e políticos, mas manterá a simplicidade pedida pelo papa. A quebra com a tradição de sepultar papas no Vaticano pode inspirar futuros pontífices a adotarem posturas semelhantes.

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