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Onça mata caseiro e ataca resgate no Pantanal: buscas localizam restos em toca

Pedaços do corpo de Jorge Avalo, de 60 anos, foram encontrados na manhã desta terça-feira (22). — Foto: PMA e Redes Sociais/Reprodução
Pedaços do corpo de Jorge Avalo, de 60 anos, foram encontrados na manhã desta terça-feira (22). — Foto: PMA e Redes Sociais/Reprodução Pedaços do corpo de Jorge Avalo, de 60 anos, foram encontrados na manhã desta terça-feira (22). — Foto: PMA e Redes Sociais/Reprodução

Um caseiro de 60 anos, identificado como Jorge Avalo, foi morto por uma onça-pintada em uma fazenda às margens do rio Miranda, na região do Pantanal conhecida como Touro Morto, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul. O ataque ocorreu nas primeiras horas da segunda-feira, 21 de abril, e desencadeou uma operação complexa de buscas que culminou na localização de partes do corpo da vítima em uma toca do animal. Durante o resgate, a equipe da Polícia Militar Ambiental (PMA) e voluntários foram surpreendidos pelo felino, que avançou contra o grupo, ferindo um dos participantes. A operação, que envolveu helicópteros, drones e familiares da vítima, expôs os desafios de trabalhar em áreas remotas do Pantanal, onde a convivência com a fauna selvagem pode ser perigosa.

A tragédia começou a ser descoberta por volta das 9h de segunda-feira, quando um piloteiro que passava pelo pesqueiro Touro Morto notou rastros de sangue e objetos pessoais de Jorge, como seu celular e chinelo, espalhados próximo a um deck de madeira. As marcas no solo indicavam que o caseiro tentou fugir, mas foi alcançado pelo animal. A Polícia Militar Ambiental foi acionada imediatamente e confirmou a presença de pegadas de uma onça-pintada adulta, junto a fragmentos do corpo da vítima, iniciando uma busca intensiva na área de mata fechada.

A região do Touro Morto, situada no encontro dos rios Miranda e Aquidauana, é conhecida pela presença constante de onças, atraídas pela abundância de presas e pela proximidade com áreas habitadas. Jorge, que trabalhava no pesqueiro há cerca de 20 anos, já havia relatado a frequência com que avistava os felinos, embora nunca tivesse sido atacado antes. A operação de busca enfrentou dificuldades devido à cheia dos rios, comum no início da estação chuvosa, e à densa vegetação, que limitava a visibilidade e o acesso terrestre.

Contexto do ataque

O caso de Jorge Avalo reacendeu debates sobre a segurança de trabalhadores rurais em regiões isoladas do Pantanal, onde a presença de predadores é parte do cotidiano. Especialistas apontam que ataques de onças a humanos são raros, mas podem ocorrer em situações específicas, como a presença de filhotes, escassez de presas ou práticas que alteram o comportamento dos animais. A área do Touro Morto já registrou casos de “seva”, uma prática ilegal que envolve oferecer alimentos para atrair onças, geralmente com fins turísticos. Embora não haja confirmação de que essa prática esteja diretamente ligada ao ataque, ela é considerada um fator de risco, pois pode habituar os felinos à presença humana.

A vítima, conhecida como Jorginho entre os moradores locais, era uma figura familiar no pesqueiro, onde desempenhava funções de manutenção e cuidado da propriedade. Ele deixa dois filhos e será velado em Anastácio, cidade próxima a Aquidauana. A identificação formal dos restos mortais será realizada por meio de exame de DNA, devido à condição do corpo, que foi parcialmente consumido pelo animal. A Polícia Civil registrou o caso inicialmente como desaparecimento, mas, após a localização dos restos, passou a tratá-lo como morte por causa indeterminada, com a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias do incidente.

Detalhes da operação de busca

As buscas pelo corpo de Jorge começaram na tarde de segunda-feira, com a chegada de equipes da PMA ao local, acessível apenas por barco ou helicóptero. A operação inicial, que durou cerca de três horas, foi suspensa ao anoitecer sem localizar os restos mortais. Na manhã de terça-feira, 22 de abril, as equipes retomaram os trabalhos, reforçadas pelo Corpo de Bombeiros, familiares e guias locais que conheciam a região. Por volta das 6h, o cunhado de Jorge, acompanhado por um irmão da vítima e um sargento da PMA, encontrou partes do corpo a cerca de 300 metros do ponto inicial do ataque, em uma área de mata fechada.

  • Desafios enfrentados: A cheia dos rios Miranda e Aquidauana dificultou o acesso, exigindo o uso de helicópteros.
  • Tecnologia empregada: Drones foram utilizados para mapear a vegetação densa, auxiliando na localização da toca do animal.
  • Participação comunitária: Familiares e amigos da vítima, incluindo o cunhado conhecido como Magrão, desempenharam um papel crucial na identificação do local.
  • Riscos no resgate: A onça-pintada, que ainda rondava a área, atacou a equipe, ferindo o punho de um voluntário identificado como Paulo.

A presença do felino durante o resgate tornou a operação ainda mais perigosa. Os agentes relataram que a onça tentou proteger os restos mortais, arrastando o corpo por mais 50 metros antes de ser confrontada. Para afastar o animal, a PMA precisou disparar tiros de advertência, mas não há confirmação se o felino foi atingido. Após o confronto, a equipe conseguiu recuperar os membros inferiores da vítima, que foram encaminhados para análise no Núcleo Regional de Medicina Legal de Aquidauana.

Histórico de convivência com onças

Jorge Avalo já havia expressado preocupação com a presença de onças na região. Uma semana antes do ataque, ele apareceu em um vídeo gravado por outro caseiro, onde alertava sobre rastros de duas onças próximos à casa onde trabalhava. No registro, ele brincava sobre o risco de ser atacado, enquanto o colega, que o chamava de “cunhado”, fazia comentários jocosos. “A onça vai comer o Jorge, Dão!”, dizia o homem no vídeo, ao que Jorge respondia: “Não vai comer, não!”. As imagens, que circularam nas redes sociais após a tragédia, mostram pegadas frescas dos felinos e evidenciam a familiaridade dos moradores com a presença dos animais.

A convivência com onças-pintadas é uma realidade no Pantanal, um dos maiores refúgios da espécie na América do Sul. Estima-se que o bioma abrigue cerca de 4 mil onças, uma população significativa, mas ameaçada por desmatamento, queimadas e conflitos com humanos. A proximidade entre fazendas, pesqueiros e o habitat natural dos felinos aumenta o risco de encontros, especialmente em períodos de cheia, quando os animais se deslocam em busca de alimento ou território. Apesar disso, ataques fatais são considerados eventos excepcionais, com apenas dois casos registrados no Pantanal nos últimos cinco anos, incluindo o de Jorge.

Impacto na comunidade local

A morte de Jorge Avalo abalou os moradores do Touro Morto e de áreas próximas, onde o caseiro era conhecido por sua dedicação ao trabalho e bom relacionamento com pescadores e turistas. Nas redes sociais, mensagens de pesar destacaram a coragem de Jorginho, que vivia sozinho no pesqueiro e enfrentava os desafios de uma região isolada. A tragédia também levantou questionamentos sobre a segurança de trabalhadores rurais em áreas de alta densidade de predadores, especialmente aqueles que operam sem apoio imediato em caso de emergências.

A Polícia Militar Ambiental reforçou a importância de medidas preventivas para minimizar os riscos de ataques. Entre as orientações estão evitar circular sozinho em áreas de mata durante o amanhecer e o entardecer, períodos de maior atividade das onças, e manter distância de locais onde os felinos são frequentemente avistados. A prática de “seva” foi mencionada como um fator que pode agravar os conflitos, ao acostumar os animais à presença humana. Embora não haja evidências de que Jorge tenha adotado essa prática, a região do Touro Morto já registrou casos semelhantes, investigados pela PMA no último ano.

Cronologia do incidente

O ataque e as buscas pelo corpo de Jorge Avalo seguiram uma sequência de eventos que mobilizou autoridades e a comunidade local. Abaixo, os principais momentos:

  • Madrugada de 21 de abril: Jorge é atacado por uma onça-pintada no deck do pesqueiro Touro Morto, por volta das 5h30.
  • Manhã de 21 de abril: Um piloteiro descobre rastros de sangue e objetos pessoais, acionando a PMA às 9h.
  • Tarde de 21 de abril: Equipes da PMA iniciam buscas com helicóptero e drones, mas suspendem a operação ao anoitecer.
  • Manhã de 22 de abril: Cunhado, irmão e sargento localizam partes do corpo às 6h; onça ataca equipe durante resgate.
  • Tarde de 22 de abril: Restos mortais são encaminhados para Aquidauana; caso é registrado como morte por causa indeterminada.

Ações das autoridades

A Polícia Civil de Aquidauana assumiu a investigação do caso, que será tratado como morte por causa indeterminada até a conclusão dos laudos periciais. A perícia criminal foi acionada para analisar o local do ataque e os restos mortais, enquanto a funerária de plantão organizou o traslado do corpo para Anastácio, onde Jorge será velado. A PMA informou que não há planos para caçar a onça responsável pelo ataque, priorizando a segurança da equipe e a realização do velório da vítima. A decisão reflete a política de preservação da espécie, considerada essencial para o equilíbrio ecológico do Pantanal.

O uso de helicópteros e drones foi determinante para superar as barreiras impostas pela geografia da região. A cheia dos rios, que pode elevar o nível do Miranda em até dois metros em poucos dias, exigiu uma logística complexa, com equipes navegando por áreas alagadas e enfrentando a resistência da mata fechada. A participação de familiares, como o cunhado Magrão, foi destacada pelos agentes, que elogiaram a determinação do grupo em localizar Jorge. “Achei o Jorge, viu? Deus me guiou certinho, eu sabia onde ele ia estar”, declarou Magrão após encontrar os restos mortais.

Riscos e desafios no Pantanal

Trabalhar em áreas remotas do Pantanal exige preparo e cautela, especialmente em regiões como o Touro Morto, onde a presença de onças é constante. Jorge Avalo, que vivia sozinho no pesqueiro, enfrentava esses riscos diariamente, mas mantinha uma rotina de cuidado com a propriedade e interação com visitantes. Sua experiência de 20 anos no local não foi suficiente para evitar o ataque, que pode ter sido desencadeado por fatores como a proximidade do felino ou uma reação instintiva do animal.

A cheia dos rios, que marca o início da estação chuvosa, agrava os desafios de segurança na região. Animais selvagens, incluindo onças, jacarés e capivaras, se deslocam para áreas mais altas, muitas vezes próximas a fazendas e pesqueiros. Essa migração sazonal aumenta a probabilidade de encontros com humanos, especialmente em locais onde a oferta de presas naturais é reduzida. A prática de “seva”, embora ilegal, continua sendo um problema em algumas áreas do Pantanal, atraindo onças para perto de habitações e criando situações de risco.

Medidas de prevenção

A Polícia Militar Ambiental e especialistas em fauna selvagem recomendam uma série de medidas para reduzir os riscos de ataques de onças em áreas rurais:

  • Evitar circular sozinho em áreas de mata durante o amanhecer e o entardecer.
  • Instalar cercas e barreiras físicas em propriedades próximas a habitats de onças.
  • Monitorar rastros e sinais de presença de felinos, comunicando autoridades ambientais.
  • Suspender práticas que atraem animais, como deixar restos de comida ou oferecer alimentos.
  • Treinar trabalhadores rurais para reconhecer comportamentos de risco e agir em emergências.

Essas orientações buscam equilibrar a preservação da vida humana com a proteção de uma espécie emblemática do Pantanal. A onça-pintada, maior felino das Américas, desempenha um papel crucial no controle de populações de presas, como capivaras e cervos, mas sua proximidade com áreas habitadas exige estratégias de convivência que minimizem conflitos.

Repercussão e luto

A morte de Jorge Avalo gerou comoção entre pescadores, moradores e turistas que frequentavam o pesqueiro Touro Morto. Nas redes sociais, mensagens de solidariedade destacaram a simplicidade e a dedicação do caseiro, que era conhecido por sua hospitalidade e conhecimento da região. “Jorginho era uma pessoa incrível, sempre com um sorriso no rosto. É muito triste o que aconteceu”, escreveu um pescador em um grupo local. A tragédia também reacendeu discussões sobre a necessidade de maior apoio a trabalhadores rurais em áreas isoladas, incluindo acesso a comunicação de emergência e treinamento para lidar com a fauna selvagem.

O velório de Jorge está previsto para ocorrer em Anastácio, com a presença de familiares, amigos e membros da comunidade. A identificação por DNA, necessária devido à condição dos restos mortais, deve confirmar oficialmente a identidade da vítima, encerrando um capítulo doloroso para aqueles que o conheciam. A Polícia Militar Ambiental segue monitorando a área do Touro Morto, em busca de novos rastros do felino, enquanto a investigação avança para esclarecer as circunstâncias do ataque.

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