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Cardeal Farrell lidera cerimônia de fechamento do caixão de Papa Francisco em 25 de abril

Cardeal Kevin Joseph Farrell
Cardeal Kevin Joseph Farrell - Foto: Simon Roughneen / Shutterstock.com Cardeal Kevin Joseph Farrell - Foto: Simon Roughneen / Shutterstock.com

A Basílica de São Pedro, no coração do Vaticano, será o cenário de um dos momentos mais solenes das exéquias do Papa Francisco, falecido em 21 de abril aos 88 anos. Nesta sexta-feira, 25 de abril, às 20h no horário local, o cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana, presidirá a cerimônia de fechamento do caixão do pontífice, marcando o encerramento da visitação pública. O rito, previsto no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, reúne cardeais, bispos e fiéis em um ato de despedida que reflete a simplicidade defendida por Francisco durante seu papado. A cerimônia ocorre após três dias de exposição do corpo na basílica, onde milhares de pessoas prestaram homenagens ao líder católico.

O traslado do corpo do Papa Francisco da Casa Santa Marta para a Basílica de São Pedro, ocorrido na manhã de 23 de abril, mobilizou cerca de 20 mil fiéis na Praça de São Pedro. A procissão, liderada pelo cardeal Farrell, foi marcada por cânticos de salmos e orações, com o caixão aberto sendo carregado pelos sediários, funcionários tradicionais do Vaticano. Durante o trajeto, a multidão aplaudiu em sinal de respeito e emoção, enquanto o sino da basílica tocava em luto. A expectativa é que 1,5 milhão de pessoas visitem o corpo até o fim do velório público, que se estende até as 19h de sexta-feira, antes do rito de fechamento.

A cerimônia de sexta-feira terá a participação de figuras-chave da Igreja Católica, incluindo o cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, e o cardeal Pietro Parolin, ex-secretário de Estado. O evento, que começa às 19h30 no altar da Confissão, seguirá um protocolo litúrgico rigoroso, com orações e cânticos em latim, como o Salve Regina. O caixão, feito de madeira com revestimento de zinco, reflete as reformas introduzidas por Francisco, que aboliu o uso de três caixões tradicionais, optando por uma abordagem mais simples e humilde.

  • Principais participantes do rito:
    • Cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana.
    • Cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício.
    • Cardeal Pietro Parolin, ex-secretário de Estado.
    • Cardeal Dominique Mamberti, protodiácono.
    • Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro.

Um papa reformador e sua última despedida

Papa Francisco, cujo nome de batismo era Jorge Mario Bergoglio, faleceu em 21 de abril devido a um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de insuficiência cardíaca. Ele deixa um legado de 12 anos como o primeiro pontífice latino-americano e jesuíta, marcado por sua defesa dos pobres, diálogo inter-religioso e reformas na Igreja. A cerimônia de fechamento do caixão simboliza não apenas o fim de seu papado, mas também sua visão de uma Igreja mais acessível e despojada. As mudanças nos ritos fúnebres, aprovadas pelo próprio Francisco em abril de 2024 e publicadas em novembro do mesmo ano, eliminam práticas como a exposição do corpo fora do caixão e o uso de catafalcos elevados.

O velório público, iniciado às 11h de 23 de abril, tem atraído fiéis de diversas partes do mundo. A fila para prestar homenagens começou a se formar antes mesmo do término da procissão de traslado, com relatos de peregrinos que enfrentaram horas de espera para se despedir. Um padre do Lesoto, presente na Praça de São Pedro, descreveu a emoção de participar do momento: “Nunca deixaria Roma sem vê-lo. Vamos nos lembrar dele por sua fé e amor pelos marginalizados.” A visitação, que ocorre das 2h às 19h nos dias 24 e 25 de abril, é acompanhada por missas e orações contínuas na basílica.

O papel do cardeal Farrell na transição

Kevin Joseph Farrell, cardeal irlandês de 77 anos, assumiu o cargo de camerlengo em 2019, nomeado pelo próprio Papa Francisco. Durante a Sé Vacante, período em que a Igreja Católica fica sem um pontífice, ele é responsável por administrar os bens do Vaticano e organizar os ritos fúnebres e o conclave. Farrell, que também preside a Suprema Corte do Vaticano desde 2024, tem uma trajetória marcada por cargos de destaque, como bispo de Dallas e prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Sua condução do rito de fechamento do caixão reforça sua posição central na transição da Igreja.

Antes do traslado do corpo, Farrell liderou uma oração na Casa Santa Marta, agradecendo pelos dons concedidos por Francisco ao povo cristão. Ele também foi responsável por atestar a morte do pontífice, chamando-o três vezes pelo nome de batismo, Jorge Mario Bergoglio, em um rito tradicional. A destruição do Anel do Pescador, símbolo do papado, foi outro ato simbólico realizado por Farrell, garantindo que nenhum documento oficial pudesse ser falsificado. Esses gestos, embora protocolares, carregam um peso espiritual e administrativo para a Igreja.

A cerimônia de fechamento do caixão, que ocorre no altar da Confissão, será reservada a um grupo seleto de autoridades eclesiásticas e fiéis autorizados. Além dos cardeais mencionados, estarão presentes os cônegos do Capítulo Vaticano, penitenciários menores e secretários do Santo Padre. A liturgia, conduzida pelo mestre das Celebrações Litúrgicas, dom Diego Ravelli, incluirá a recitação do Responsório Subvenite Sancti Dei e outras orações que pedem o repouso eterno do pontífice.

  • Rituais realizados por Farrell na Sé Vacante:
    • Constatação oficial da morte de Francisco.
    • Destruição do Anel do Pescador.
    • Selamento do quarto e escritório do papa.
    • Organização do velório e funeral.

A simplicidade nos ritos fúnebres

As reformas nos ritos fúnebres, implementadas por Francisco, refletem sua visão de uma Igreja mais próxima dos fiéis. A abolição dos três caixões – de cipreste, chumbo e carvalho – e a escolha de um caixão único de madeira com zinco destacam sua preferência por simplicidade. O pontífice também determinou que seu corpo não fosse exposto fora do caixão, rompendo com a tradição de exibir papas em catafalcos elevados. Essas mudanças, previstas no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, buscam enfatizar o papel do papa como pastor, não como um líder mundano.

A Basílica de São Pedro, onde o caixão está exposto, foi preparada para receber multidões. Cerca de 10 mil cadeiras foram disponibilizadas na Praça de São Pedro para a procissão de traslado, e telões transmitem as cerimônias ao vivo. A visitação pública, que começou após uma liturgia da palavra conduzida por Farrell, tem sido marcada por momentos de silêncio e oração. Muitos fiéis carregam rosários, fotos de Francisco e mensagens de agradecimento, refletindo o impacto de seu papado em questões como justiça social e cuidado com os mais pobres.

Cronograma das exéquias de Papa Francisco

O processo fúnebre de Papa Francisco segue um calendário rigoroso, estabelecido pelo Vaticano para honrar o pontífice e preparar a transição para o conclave. Abaixo, os principais eventos das exéquias:

  • 21 de abril: Constatação da morte e colocação do corpo no caixão, na Casa Santa Marta, às 15h.
  • 23 de abril: Traslado do corpo para a Basílica de São Pedro, às 9h, com início da visitação pública às 11h.
  • 24 e 25 de abril: Visitação pública das 2h às 19h.
  • 25 de abril: Cerimônia de fechamento do caixão, às 20h, na Basílica de São Pedro.
  • 26 de abril: Missa das Exéquias, às 10h, na Praça de São Pedro, seguida do sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore.

O funeral, marcado para sábado, 26 de abril, será presidido pelo cardeal Giovanni Battista Re na Praça de São Pedro. A cerimônia, que começa às 5h no horário de Brasília, contará com a presença de chefes de Estado, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Emmanuel Macron, da França. Após a missa, o caixão será levado à Basílica de Santa Maria Maggiore, onde Francisco será sepultado, atendendo a seu desejo expresso em 2023.

O impacto global do velório

A morte de Papa Francisco gerou comoção em todo o mundo, especialmente em países de forte tradição católica, como o Brasil e Timor-Leste. Em Roma, a Praça de São Pedro tem sido palco de vigílias e orações espontâneas, com fiéis depositando flores e velas em homenagem ao pontífice. No Timor-Leste, um dos países mais católicos do mundo, milhares de pessoas lotaram igrejas para rezar por Francisco, considerado por muitos “um santo no céu”. A presença de peregrinos de diversas nacionalidades reforça o alcance global do papado de Francisco.

O velório público, que se estende por três dias, tem exigido uma logística complexa. A segurança foi reforçada no Vaticano, com barreiras e controle de acesso para gerenciar as filas. Voluntários e funcionários da basílica orientam os visitantes, garantindo que o fluxo de pessoas seja contínuo. A transmissão ao vivo das cerimônias, disponível em telões e plataformas digitais, permite que milhões de pessoas acompanhem os ritos à distância, ampliando o impacto do evento.

A escolha de Francisco por ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em vez da cripta da Basílica de São Pedro, também tem gerado interesse. A basílica, uma das quatro papais de Roma, é dedicada à Virgem Maria e era frequentemente visitada por Francisco para orações antes e depois de suas viagens internacionais. O local, que abriga os restos de sete papas, foi preparado para receber o túmulo do pontífice, que ficará acessível ao público para visitas e orações.

Preparativos para o conclave

Enquanto o Vaticano se despede de Francisco, os preparativos para o conclave, que elegerá o novo papa, já estão em andamento. O cardeal Farrell, como camerlengo, terá a tarefa de coordenar a votação, prevista para começar na primeira quinzena de maio. O Colégio de Cardeais, composto por 252 membros, dos quais 135 com menos de 80 anos têm direito a voto, se reunirá na Capela Sistina para o processo eleitoral. A escolha do novo pontífice será anunciada com a fumaça branca e a proclamação “Habemus Papam” da sacada da Basílica de São Pedro.

Durante a Sé Vacante, Farrell administra temporariamente o Palácio Apostólico e garante a segurança dos ambientes do conclave. Ele também supervisiona o juramento de sigilo dos cardeais eleitores, assegurando que o processo seja confidencial. A experiência de Farrell em cargos administrativos, como sua passagem pela Diocese de Dallas e pelo Dicastério para os Leigos, o coloca como uma figura central na transição. Sua relação próxima com Francisco, que o nomeou cardeal em 2016, reforça sua legitimidade para conduzir os ritos finais do papado.

A eleição do próximo papa será influenciada pelo legado de Francisco, que nomeou cerca de 80% dos cardeais eleitores. Nomes como o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, e o cardeal Luis Antonio Tagle, de Filipinas, estão entre os cotados para suceder Francisco. A escolha refletirá os desafios da Igreja no século XXI, incluindo a evangelização em um mundo secularizado e a promoção da justiça social, temas centrais do papado de Francisco.

O legado de Francisco na Igreja

Jorge Mario Bergoglio, eleito papa em 2013 após a renúncia de Bento XVI, transformou a Igreja Católica com sua abordagem pastoral e foco nos marginalizados. Sua ênfase na misericórdia, no diálogo com outras religiões e na crítica ao neoliberalismo marcou seu pontificado. Francisco também promoveu reformas internas, como a reestruturação da Cúria Romana e a criação de novos cardeais de regiões periféricas, ampliando a representatividade da Igreja. Sua morte, após uma batalha contra problemas de saúde, incluindo pneumonia e bronquite, encerra um capítulo significativo na história católica.

A cerimônia de fechamento do caixão, embora solene, é apenas um dos muitos momentos que celebram a vida e o ministério de Francisco. A missa das Exéquias, no sábado, reunirá líderes mundiais e fiéis em uma celebração que destacará sua mensagem de humildade e serviço. O sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore, previsto para o mesmo dia, encerrará as exéquias com o canto do Salve Regina, uma oração mariana que reflete a espiritualidade do pontífice.

A presença de figuras como o cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro de Francisco, e dom Edgar Peña Parra, substituto da Secretaria de Estado, na cerimônia de sexta-feira reforça a continuidade do legado do papa. Krajewski, conhecido por seu trabalho com os pobres, e Peña Parra, que auxiliou na diplomacia vaticana, representam a visão de uma Igreja engajada com o mundo. A participação desses líderes no rito fúnebre destaca a influência de Francisco em formar uma geração de clérigos comprometidos com sua missão.

  • Marcos do pontificado de Francisco:
    • Primeiro papa latino-americano e jesuíta.
    • Reforma da Cúria Romana e criação de novos cardeais.
    • Encíclicas como Laudato Si’, sobre meio ambiente, e Fratelli Tutti, sobre fraternidade.
    • Diálogo inter-religioso com líderes muçulmanos e judeus.

A emoção dos fiéis na despedida

A visitação pública na Basílica de São Pedro tem sido um momento de profunda emoção para os fiéis. Muitos peregrinos viajaram de longe para prestar suas últimas homenagens, carregando cartazes com frases como “Obrigado, Francisco” e “Santo dos pobres”. A atmosfera na Praça de São Pedro mistura luto e gratidão, com grupos de oração recitando o terço e cantando hinos em várias línguas. A diversidade dos visitantes, vindos de países como Argentina, Filipinas e Polônia, reflete o alcance global do papado de Francisco.

A logística do velório inclui medidas para acomodar a multidão. Barreiras de segurança foram instaladas ao redor da basílica, e equipes de voluntários distribuem água e orientam os fiéis. A transmissão ao vivo, disponível em canais católicos e plataformas digitais, permite que pessoas de todo o mundo acompanhem o evento. Em Roma, hotéis e pousadas estão lotados, e o comércio local registra aumento de vendas de lembranças religiosas, como rosários e imagens de Francisco.

A cerimônia de fechamento do caixão, que marca o fim da exposição pública, será um momento de introspecção para os presentes. O rito, conduzido por Farrell, incluirá orações pela alma do pontífice e cânticos que evocam a esperança da ressurreição. A simplicidade do caixão, sem ornamentos extravagantes, é um lembrete da humildade que Francisco pregava. Após o fechamento, o caixão será preparado para a missa das Exéquias e o traslado final à Basílica de Santa Maria Maggiore.

O futuro da Igreja após Francisco

A morte de Papa Francisco abre um período de incerteza e reflexão para a Igreja Católica. O conclave, que deve começar em maio, será um momento decisivo para definir o rumo da instituição. Os cardeais eleitores, muitos dos quais foram nomeados por Francisco, enfrentarão questões como a continuidade das reformas, o papel da Igreja em um mundo polarizado e a evangelização em regiões onde o catolicismo está em declínio. A escolha do novo papa será acompanhada de perto por fiéis e analistas, que esperam um líder capaz de suceder o carisma de Francisco.

Enquanto isso, o Vaticano permanece focado nas exéquias. A missa das Exéquias, no sábado, será um evento de grande magnitude, com a participação de delegações de mais de 70 países. A Praça de São Pedro, que já recebeu milhões de pessoas durante o velório de João Paulo II, em 2005, está sendo preparada para acomodar uma multidão semelhante. A cerimônia será transmitida globalmente, com tradução em várias línguas, garantindo que o legado de Francisco alcance todos os continentes.

O sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore, um desejo pessoal de Francisco, marca o fim de um pontificado que rompeu tradições. A basílica, com sua história de mais de 1.500 anos, será um local de peregrinação para aqueles que desejam honrar a memória do papa. O túmulo, acessível ao público, simboliza a proximidade de Francisco com os fiéis, mesmo após sua morte.

  • Próximos passos após o funeral:
    • Início do período de luto oficial de nove dias (novendiali).
    • Reunião do Colégio de Cardeais para organizar o conclave.
    • Eleição do novo papa, prevista para a primeira quinzena de maio.
    • Anúncio do “Habemus Papam” na sacada da Basílica de São Pedro.
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