A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vive dias de otimismo e cautela enquanto avança nas negociações para trazer Carlo Ancelotti ao comando da seleção brasileira. Com a saída de Dorival Júnior em março, após uma campanha irregular nas Eliminatórias da Copa do Mundo, a entidade enxerga no treinador italiano a peça-chave para liderar o Brasil na busca pelo hexacampeonato em 2026. As tratativas, conduzidas diretamente pelo presidente Ednaldo Rodrigues, seguem em ritmo acelerado, mas dependem da decisão do Real Madrid, onde Ancelotti enfrenta um momento de pressão após resultados aquém do esperado na temporada 2024-25.
O cenário atual reflete um esforço conjunto para alinhar interesses entre a CBF, Ancelotti e o clube espanhol. A entidade brasileira mantém conversas constantes com o treinador, aproveitando a relação de confiança construída em 2023, quando um acordo esteve próximo de ser selado. Na ocasião, a renovação de Ancelotti com o Real Madrid, válida até junho de 2026, frustrou os planos brasileiros. Agora, com o desgaste do italiano no clube merengue, a CBF acredita que o momento é propício para concretizar o que Ednaldo Rodrigues já descreveu como o “sonho” de contar com o técnico tricampeão da Champions League.
Enquanto as negociações avançam, a CBF adota uma postura de discrição para evitar atritos com o Real Madrid. O clube espanhol, ciente do interesse brasileiro, conduz internamente o debate sobre o futuro de Ancelotti, que enfrenta críticas após a eliminação nas quartas de final da Liga dos Campeões para o Arsenal, com um placar agregado de 5 a 1. A quatro pontos do Barcelona na La Liga, com apenas cinco rodadas restantes, e com a final da Copa do Rei contra o mesmo rival marcada para este sábado, o futuro do treinador no Santiago Bernabéu parece incerto.
Contexto da pressão no Real Madrid
A temporada 2024-25 tem sido desafiadora para Carlo Ancelotti no Real Madrid. Apesar de um histórico vitorioso, com 11 títulos conquistados desde seu retorno ao clube em 2021, incluindo duas Ligas dos Campeões e dois títulos de La Liga, o desempenho recente da equipe gerou questionamentos. A derrota para o Arsenal na Champions League marcou a primeira eliminação do Real Madrid nas quartas de final do torneio desde 2004, um resultado que abalou a confiança da torcida e da diretoria.
No Campeonato Espanhol, o Real Madrid ocupa a segunda posição, atrás do Barcelona, que vive um momento de ascensão sob o comando de Hansi Flick. A diferença de quatro pontos, com um clássico decisivo marcado para 11 de maio, torna a conquista do título uma tarefa árdua. Além disso, a final da Copa do Rei, que será disputada contra o Barcelona, é vista como um divisor de águas. Uma derrota pode acelerar a saída de Ancelotti, enquanto uma vitória pode garantir sua permanência até o fim da La Liga, em 25 de maio.
A pressão sobre Ancelotti não se limita aos resultados em campo. Internamente, o clube já avalia opções para substituí-lo, com Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen, despontando como o principal candidato. Alonso, que conquistou a Bundesliga em 2023-24, é visto como uma aposta jovem e alinhada à filosofia do Real Madrid, onde jogou entre 2009 e 2014. A possibilidade de uma transição antes do Mundial de Clubes, que começa em 14 de junho, reforça a urgência do clube em definir o futuro do comando técnico.
Negociações com a CBF: um histórico de idas e vindas
As conversas entre a CBF e Carlo Ancelotti não são novidade. Em 2023, a entidade chegou a um entendimento preliminar com o treinador, que assinou um termo de compromisso sem validade jurídica. A proposta incluía comandar a seleção brasileira a partir de 2024, com foco na Copa do Mundo de 2026. No entanto, a instabilidade política na CBF, marcada pela saída temporária de Ednaldo Rodrigues da presidência, e a renovação de Ancelotti com o Real Madrid em dezembro daquele ano frustraram o acordo.
A retomada das negociações em 2025, antes mesmo da demissão de Dorival Júnior, demonstra a persistência da CBF em contar com o italiano. Ednaldo Rodrigues mantém contato direto com Ancelotti, evitando intermediários para garantir sigilo e agilidade. A confiança mútua construída há dois anos facilitou o avanço das discussões, que agora incluem detalhes operacionais, como a composição da comissão técnica e ajustes na preparação física da seleção.
Ancelotti manifestou à CBF o desejo de ter um ex-jogador da Seleção Brasileira ao seu lado na comissão técnica. Alguns nomes foram colocados à mesa.
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A CBF trabalha com um prazo apertado. A entidade deseja anunciar o novo técnico até meados de maio, antes da lista preliminar de convocados para a Data Fifa de junho, que será enviada à Fifa no dia 18. Os jogos contra Equador, em 5 de junho, e Paraguai, em 10 de junho, marcam o retorno das Eliminatórias, e a CBF considera essencial que Ancelotti esteja à frente da equipe nessas partidas. Para isso, a entidade aguarda a decisão do Real Madrid, que pode liberar o treinador após a final da Copa do Rei ou ao fim da La Liga.
- Cronograma das negociações:
- 2023: Primeiro contato com Ancelotti, com assinatura de termo de compromisso.
- Dezembro de 2023: Renovação com o Real Madrid até 2026.
- Março de 2025: Retomada das conversas antes da saída de Dorival Júnior.
- Abril de 2025: Negociações avançam, com foco na Data Fifa de junho.
- Maio de 2025: Prazo limite para anúncio do novo técnico.
Comissão técnica: Davide Ancelotti e novidades
Um dos pontos centrais das discussões entre a CBF e Carlo Ancelotti é a formação da comissão técnica que acompanhará o treinador na seleção brasileira. O italiano já manifestou o desejo de trazer dois auxiliares de confiança: seu filho, Davide Ancelotti, e Francesco Mauri, também italiano. Davide, que atua como assistente no Real Madrid, planejava iniciar uma carreira solo como treinador, mas decidiu adiar o projeto para acompanhar o pai até a Copa do Mundo de 2026.
A preparação física da seleção também passará por mudanças significativas. A CBF planeja contratar um profissional brasileiro para o cargo, valorizando o conhecimento local e a adaptação às condições do futebol sul-americano. Além disso, Ancelotti expressou interesse em incluir um ex-jogador da seleção brasileira em sua equipe, como forma de aproximar o grupo de atletas e reforçar a identidade nacional. Nomes como Juan, atual gerente técnico da CBF e participante das Copas de 2006 e 2010, foram mencionados, mas nenhuma decisão foi tomada.
A estrutura proposta por Ancelotti reflete sua abordagem de liderança, marcada pela confiança em colaboradores próximos e pela valorização da experiência. No Real Madrid, Davide tem desempenhado um papel estratégico, contribuindo para análises táticas e gerenciamento do elenco. A continuidade dessa parceria na seleção brasileira é vista como um diferencial para o sucesso do projeto.
Real Madrid: o fim de um ciclo glorioso?
A trajetória de Carlo Ancelotti no Real Madrid é inegavelmente vitoriosa. Desde seu retorno ao clube em 2021, o treinador conquistou 11 títulos, incluindo duas Ligas dos Campeões (2022 e 2024), duas La Liga (2022 e 2024) e dois Mundiais de Clubes. Sua habilidade de gerenciar elencos estelares, como os de Vinicius Júnior, Rodrygo e Kylian Mbappé, e sua postura calma em momentos de pressão consolidaram sua reputação como um dos maiores técnicos da história.
No entanto, a temporada 2024-25 trouxe desafios que colocaram em xeque sua continuidade. A eliminação na Champions League, aliada à irregularidade na La Liga, gerou um clima de insatisfação entre torcedores e parte da diretoria. A derrota por 3 a 0 para o Arsenal no jogo de ida das quartas de final, seguida por uma atuação apagada no Santiago Bernabéu, intensificou as críticas. Jogadores como Vinicius Júnior, com apenas seis gols em 23 jogos na temporada, não conseguiram manter o mesmo brilho de campanhas anteriores.
O Real Madrid, ciente do desgaste, planeja uma transição cuidadosa. A diretoria deseja que a saída de Ancelotti, caso confirmada, seja conduzida de forma respeitosa, reconhecendo sua contribuição histórica. A possibilidade de oferecer um cargo não-técnico ao italiano, como uma posição de gestão, foi discutida, mas a preferência de Ancelotti é assumir a seleção brasileira, onde enxerga a oportunidade de liderar um projeto de alto impacto na Copa do Mundo.
Alternativas da CBF: Jorge Jesus e Abel Ferreira
Embora Carlo Ancelotti seja a prioridade absoluta da CBF, a entidade mantém planos alternativos para evitar um novo revés. Jorge Jesus, técnico do Al-Hilal, e Abel Ferreira, do Palmeiras, são os principais nomes na lista de contingência. Jesus, que já manifestou publicamente o desejo de comandar a seleção, é visto como uma opção viável, especialmente porque sua multa rescisória com o clube saudita será reduzida em maio, após o término da Champions League asiática.
Abel Ferreira, por sua vez, conquistou respeito no Brasil por sua trajetória vitoriosa no Palmeiras, com dois títulos brasileiros e uma Libertadores. Sua abordagem tática disciplinada e sua experiência em competições sul-americanas o colocam como um candidato forte, embora menos cotado que Jesus. A CBF, no entanto, prefere aguardar a definição de Ancelotti antes de avançar com outras opções, ciente de que o italiano é o nome de maior apelo e impacto.
A urgência da CBF em fechar o acordo com Ancelotti reflete a necessidade de reestruturar a seleção brasileira após um período de instabilidade. A equipe ocupa a quarta posição nas Eliminatórias, com 21 pontos, atrás de Argentina, Equador e Uruguai. Apesar de estar praticamente garantida na Copa do Mundo, a derrota por 4 a 1 para a Argentina em março expôs fragilidades que a entidade busca corrigir com um técnico de renome internacional.
- Candidatos ao comando da seleção:
- Carlo Ancelotti: Prioridade da CBF, com negociações avançadas.
- Jorge Jesus: Plano B, com multa rescisória reduzida em maio.
- Abel Ferreira: Opção secundária, valorizado por conquistas no Palmeiras.
Expectativas para a Data Fifa de junho
A Data Fifa de junho representa um marco crucial para a seleção brasileira. As partidas contra Equador, em Quito, e Paraguai, na Arena Corinthians, são vistas como o ponto de partida para a nova era sob o comando de Ancelotti, caso o acordo seja concretizado. A CBF planeja que o treinador chegue ao Brasil no início de junho, às vésperas da apresentação dos jogadores, para definir a lista final de 23 convocados.
A escolha de Ancelotti é estratégica não apenas pelo seu currículo, mas também por sua relação com os jogadores brasileiros do Real Madrid. Vinicius Júnior, Rodrygo e Éder Militão, peças fundamentais da seleção, já trabalham com o italiano no clube, o que facilita a adaptação tática e a construção de um ambiente coeso. A presença de Endrick, jovem promessa que também atua no Real, reforça a conexão entre o treinador e o elenco brasileiro.
A CBF aposta que a experiência de Ancelotti em competições de alto nível, aliada à sua capacidade de gerenciar elencos diversificados, será determinante para recuperar a competitividade da seleção. A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, é o grande objetivo, e a entidade vê no italiano a liderança necessária para encerrar um jejum de 24 anos sem o título mundial.
Desafios no caminho de Ancelotti
Assumir a seleção brasileira representa um desafio inédito para Carlo Ancelotti, que nunca comandou uma equipe nacional em sua carreira. Aos 65 anos, o treinador acumula experiências em cinco das principais ligas europeias, com títulos na Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha. Sua abordagem tática flexível, baseada na adaptação às características dos jogadores, é um dos pilares de seu sucesso, mas o contexto do futebol internacional exige ajustes.
A seleção brasileira enfrenta um cenário de pressão constante, com expectativas elevadas de torcedores e mídia. A última conquista mundial, em 2002, marcou o auge de uma geração liderada por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Desde então, o Brasil acumulou eliminações traumáticas, como a derrota por 7 a 1 para a Alemanha em 2014 e a queda nas quartas de final para a Croácia em 2022. Ancelotti terá a missão de reconstruir a confiança do grupo e implementar uma identidade tática competitiva.
Outro desafio será o calendário apertado. Caso assuma a seleção em junho, Ancelotti terá pouco tempo para preparar a equipe para os jogos das Eliminatórias. A integração de novos jogadores, a adaptação às condições climáticas de cidades como Quito e a gestão de um elenco com estrelas de diferentes ligas europeias exigirão rapidez e precisão. A CBF, ciente dessas dificuldades, planeja oferecer suporte logístico e estrutural para facilitar a transição.
O papel de Ednaldo Rodrigues na negociação
Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, é a figura central no processo de contratação de Carlo Ancelotti. Sua abordagem direta, evitando intermediários e priorizando o diálogo pessoal com o treinador, reflete a importância do projeto para a entidade. Rodrigues já enfrentou críticas por sua gestão, especialmente após a instabilidade política de 2023, mas a possível chegada de Ancelotti é vista como um trunfo para fortalecer sua liderança.
A discrição adotada pela CBF nas negociações é uma resposta às experiências passadas. Em 2023, a exposição pública do interesse em Ancelotti gerou atritos com o Real Madrid e culminou na renovação do treinador com o clube. Desta vez, a entidade optou por canais mais reservados, utilizando interlocutores fora do meio futebolístico para manter as conversas em sigilo. A estratégia visa proteger a relação com o Real Madrid e minimizar os riscos de uma nova frustração.
Rodrigues também trabalha para alinhar as expectativas internas da CBF. A escolha de Ancelotti foi debatida com Rodrigo Caetano, diretor executivo, e Juan, gerente técnico, que acompanham jogos do futebol brasileiro para mapear possíveis reforços para a seleção. A promessa de anunciar o novo técnico antes da Data Fifa de junho reforça o compromisso da entidade em cumprir os prazos estabelecidos.
Impacto potencial de Ancelotti na seleção
A chegada de Carlo Ancelotti à seleção brasileira tem o potencial de marcar uma nova fase no futebol nacional. Sua experiência em gerenciar elencos de alto nível, como os de Milan, Chelsea, Bayern de Munique e Real Madrid, o coloca como um dos técnicos mais preparados para lidar com a pressão do cargo. Sua filosofia de jogo, que prioriza a liberdade criativa dos jogadores ofensivos, pode beneficiar atletas como Vinicius Júnior e Neymar, que buscam recuperar seu protagonismo na seleção.
Além do impacto técnico, a contratação de Ancelotti deve gerar reflexos fora de campo. A CBF espera que a presença de um treinador de renome internacional eleve a confiança dos torcedores e atraia maior atenção de patrocinadores. A Copa do Mundo de 2026, que contará com um formato expandido e maior visibilidade, representa uma oportunidade única para o Brasil recuperar seu status de potência mundial.
A relação de Ancelotti com os jogadores brasileiros do Real Madrid também é um fator estratégico. Vinicius Júnior, que enfrenta críticas por seu desempenho irregular na temporada, pode encontrar no treinador um apoio fundamental para recuperar sua melhor forma. Rodrygo, outro destaque do elenco, já elogiou publicamente a capacidade de Ancelotti de extrair o melhor de seus atletas. A conexão com essas estrelas pode facilitar a construção de um grupo coeso e competitivo.
- Pontos fortes de Ancelotti para a seleção:
- Experiência em competições de alto nível, com quatro títulos de Champions League.
- Relacionamento próximo com jogadores brasileiros, como Vinicius e Rodrygo.
- Tática flexível, adaptada às características do elenco.
- Gestão de elencos estelares, com histórico de sucesso em clubes europeus.
Cenários para a transição no Real Madrid
O Real Madrid enfrenta um momento de transição delicada. A possível saída de Carlo Ancelotti, combinada com a busca por um novo treinador, exige decisões rápidas e precisas da diretoria. Xabi Alonso, que rejeitou propostas de Liverpool e Bayern de Munique em 2024, é o favorito para assumir o cargo. Sua trajetória no Bayer Leverkusen, onde conquistou a Bundesliga e a Copa da Alemanha, o credencia como uma aposta promissora.
Outra possibilidade é a promoção de Santiago Solari, atual integrante da estrutura técnica do clube, como solução interina até o Mundial de Clubes. A escolha por um treinador temporário permitiria ao Real Madrid ganhar tempo para negociar com Alonso ou outros candidatos, como Zinedine Zidane, que comandou o clube em dois períodos vitoriosos. Zidane, no entanto, não demonstra interesse em retornar ao futebol de clubes no momento.
A diretoria do Real Madrid também considera o impacto da saída de Ancelotti no elenco. Jogadores como Luka Modric, que renovou seu contrato por mais uma temporada, e Toni Kroos, que se aposentou em 2024, sempre destacaram a importância do treinador italiano na harmonia do grupo. A transição para um novo comando técnico será um teste para a capacidade do clube de manter sua competitividade em múltiplas frentes.
Perspectivas para a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo de 2026 é o horizonte final do projeto da CBF com Carlo Ancelotti. O torneio, que será disputado em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México, contará com 48 seleções e um formato ampliado, com mais jogos e maior exposição midiática. O Brasil, que busca seu sexto título mundial, enfrentará uma concorrência feroz de equipes como Argentina, atual campeã, França, Inglaterra e Alemanha.
Ancelotti, caso confirmado, terá cerca de um ano para preparar a seleção para o torneio. Seu primeiro desafio será consolidar uma base de jogadores, mesclando veteranos como Neymar e Casemiro com jovens talentos como Endrick e Savinho. A experiência do treinador em competições eliminatórias, como a Champions League, será um ativo valioso para lidar com a pressão dos mata-matas.
A CBF também planeja intensificar a preparação logística para a Copa. A escolha de Ancelotti reflete a ambição de construir um projeto sólido, com uma comissão técnica experiente e uma estrutura de apoio robusta. A entidade espera que o treinador italiano traga não apenas resultados, mas também uma mentalidade vencedora capaz de unir jogadores, torcedores e patrocinadores em torno de um objetivo comum.