Fábio Carille não é mais técnico do Vasco da Gama. Anunciado em dezembro de 2024, o treinador comandou o clube por pouco mais de cinco meses, período marcado por momentos de instabilidade, críticas da torcida e um aproveitamento de 43% em 21 partidas. A demissão, confirmada pelo presidente Pedrinho após a derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro, em Uberlândia, no dia 27 de abril de 2025, encerrou uma trajetória que, desde o início, enfrentou desconfiança. Apesar de conquistas pontuais, como vitórias em São Januário e a invencibilidade inicial em casa, o desempenho irregular e a falta de consistência em jogos fora do Rio de Janeiro pesaram contra o treinador. A gota d’água veio no confronto com o Cruzeiro, onde o Vasco teve chances, mas falhou em converter oportunidades e sofreu com erros defensivos. Agora, o clube se prepara para o duelo contra o Operário-PR, pela Copa do Brasil, sob o comando interino de Felipe Loureiro, enquanto busca um novo rumo para a temporada.
A chegada de Carille ao Vasco foi cercada de expectativas moderadas. Após tentativas frustradas de contratar outros nomes, o clube optou por um treinador com experiência no futebol brasileiro, conhecido por sua passagem vitoriosa no Corinthians, onde conquistou o Brasileirão de 2017. Contudo, a torcida vascaína, ainda marcada por anos de resultados aquém do esperado, recebeu a notícia com ceticismo. O técnico assumiu o comando com a promessa de organizar o elenco e buscar voos mais altos, como uma vaga na Libertadores, mas os desafios foram imediatos. O Campeonato Carioca de 2025 revelou fragilidades, com eliminações precoces e atuações que não convenceram. Mesmo com reforços como Nuno Moreira, Benjamín Garré e a volta de Philippe Coutinho, o Vasco enfrentou dificuldades para impor seu jogo, especialmente em partidas fora de casa.
Carille comandou o Vasco em 21 jogos, com um saldo de nove vitórias, cinco empates e sete derrotas. O aproveitamento de 43% reflete a irregularidade da equipe, que alternava momentos de solidez em São Januário com atuações apagadas como visitante. No Brasileirão, o time conquistou apenas uma vitória nas primeiras rodadas, contra o Santos, mas sofreu derrotas duras, como o 3 a 0 para o Corinthians em Itaquera. Na Copa Sul-Americana, a campanha começou com um empate frustrante contra o Melgar, no Peru, e seguiu com resultados mistos, como a vitória sobre o Puerto Cabello e o empate sem gols contra o Lanús. A pressão sobre Carille cresceu à medida que a torcida cobrava um futebol mais agressivo e consistente, algo que o treinador não conseguiu entregar com regularidade.
- Números da passagem de Carille pelo Vasco:
- 21 jogos disputados
- 9 vitórias, 5 empates, 7 derrotas
- Aproveitamento: 43%
- 12 gols marcados e 3 sofridos em São Januário no Brasileirão
- 36,3% de aproveitamento em jogos fora de casa
Primeiros passos: a chegada de Carille e os desafios iniciais
A contratação de Fábio Carille pelo Vasco, anunciada em 19 de dezembro de 2024, marcou o início de um projeto que buscava estabilidade após anos de turbulência. O treinador, que havia deixado o Santos, trouxe consigo a fama de um comandante pragmático, capaz de organizar defesas sólidas e extrair resultados mesmo com elencos limitados. No entanto, o Vasco não era sua primeira opção, e o clube também não o via como a escolha ideal. Após tentativas de trazer outros nomes, a diretoria optou por Carille, que assinou contrato até o final de 2025. A decisão, no entanto, dividiu opiniões entre torcedores, que esperavam um nome de maior impacto para liderar o clube em competições como o Brasileirão e a Copa Sul-Americana.
Os primeiros meses de Carille no comando foram dedicados à preparação para o Campeonato Carioca. Com um elenco mesclado por jovens promissores, como Nuno Moreira, e reforços como Benjamín Garré, o treinador buscou implementar um estilo de jogo baseado na solidez defensiva e transições rápidas. No entanto, o desempenho no estadual foi abaixo do esperado. O Vasco terminou o Carioca com três vitórias, cinco empates e uma derrota, ficando na terceira posição, mas sendo eliminado nas semifinais pelo Flamengo. A derrota no clássico, marcada por um gol polêmico de Bruno Henrique, acendeu o alerta entre os torcedores, que passaram a questionar a postura tática do time.
Carille, por sua vez, defendia seu trabalho, destacando a necessidade de tempo para ajustar o elenco. Em entrevistas, ele enfatizou que o Vasco não precisava de reforços imediatos e que o grupo disponível era suficiente para competir. A declaração, porém, não caiu bem entre os vascaínos, que viam no mercado uma oportunidade de fortalecer o ataque e o meio-campo. A pressão aumentou após o clássico contra o Flamengo na Taça Guanabara, onde o Vasco teve um início promissor, mas cedeu à pressão do adversário e perdeu por 2 a 1. A torcida, frustrada, começou a cobrar um futebol mais ofensivo e uma postura mais agressiva nos jogos decisivos.
O Brasileirão e a pressão em São Januário
O Campeonato Brasileiro de 2025 foi o principal palco da passagem de Carille pelo Vasco. A estreia, contra o Santos, em São Januário, trouxe alívio com uma vitória por 2 a 1, impulsionada por gols de Vegetti e Nuno Moreira. O resultado, aliado à invencibilidade em casa, criou expectativas de que o time poderia brigar por posições mais altas na tabela. No entanto, a sequência de jogos revelou fragilidades. A derrota por 3 a 0 para o Corinthians, em Itaquera, expôs a dificuldade do Vasco em atuar como visitante. Carille optou por poupar titulares, decisão que gerou críticas por parte da imprensa e da torcida, que esperavam maior competitividade.
Em São Januário, o Vasco se mostrava mais sólido. A vitória por 3 a 1 sobre o Sport, pela terceira rodada, foi um dos pontos altos da campanha, com destaque para a atuação de Benjamín Garré e a liderança de Vegetti no ataque. O estádio se tornou um trunfo, com seis vitórias em seis jogos sob o comando de Carille no Brasileirão, marcando 12 gols e sofrendo apenas três. A força em casa, no entanto, contrastava com o desempenho fora, onde o aproveitamento era de apenas 36,3%. Derrotas como a sofrida contra o Ceará, por 2 a 0, e o empate com o Flamengo, no Maracanã, aumentaram a pressão sobre o treinador.
A relação com a torcida também se deteriorou. Após a vitória contra o Santos, Carille cobrou maior apoio dos vascaínos, afirmando que era “fácil apoiar só quando está ganhando”. A declaração gerou reações mistas, com alguns torcedores defendendo a paixão da arquibancada e outros criticando a postura do técnico. A insatisfação cresceu após o empate sem gols contra o Lanús, pela Copa Sul-Americana, em São Januário. O jogo, marcado por uma queda de rendimento no segundo tempo, terminou com vaias e pedidos pela saída do treinador, mesmo com o Vasco ainda invicto no torneio continental.
- Desempenho do Vasco no Brasileirão sob Carille:
- 6 jogos em São Januário: 6 vitórias, 12 gols marcados, 3 sofridos
- 5 jogos fora de casa: 1 vitória, 1 empate, 3 derrotas
- 3 pontos em 6 possíveis nas primeiras rodadas
- Posição: 11ª na tabela antes da demissão
Copa Sul-Americana: resultados mistos e críticas ao estilo de jogo
A Copa Sul-Americana representava uma oportunidade para o Vasco buscar um título de expressão, algo que o clube não conquista há 14 anos. A campanha começou com um empate por 3 a 3 contra o Melgar, no Peru, em um jogo que o Vasco chegou a liderar por 3 a 1, mas permitiu a reação do adversário. Carille foi criticado por adotar uma postura defensiva após abrir vantagem, o que custou dois pontos importantes. Apesar do tropeço, o time se recuperou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Puerto Cabello, em São Januário, com gol de Vegetti.
O empate sem gols contra o Lanús, na terceira rodada, foi outro momento de tensão. O Vasco teve dificuldades para criar chances no segundo tempo, finalizando apenas três vezes após um primeiro tempo mais agressivo, com dez finalizações. A torcida, frustrada, vaiou o time e direcionou críticas ao treinador, que reconheceu a queda de rendimento. Com cinco pontos em três jogos, o Vasco ocupava a segunda posição do grupo, atrás do Lanús pelo saldo de gols, mas a falta de consistência no ataque e as escolhas táticas de Carille continuavam sendo alvos de debate.
A campanha na Sul-Americana, embora invicta, não foi suficiente para aplacar a pressão. A torcida esperava um futebol mais envolvente, capaz de aproveitar o talento de jogadores como Coutinho e Garré. Carille, por sua vez, defendia a necessidade de ajustes graduais, mas a falta de resultados expressivos em jogos decisivos minava sua credibilidade. A sequência de três jogos sem vitórias, incluindo o empate com o Lanús e a derrota para o Ceará, intensificou as cobranças por mudanças no comando técnico.
A gota d’água: derrota para o Cruzeiro e a demissão
O jogo contra o Cruzeiro, no dia 27 de abril de 2025, foi o capítulo final da passagem de Carille pelo Vasco. Disputado no Parque do Sabiá, em Uberlândia, o confronto era uma oportunidade para o time recuperar a confiança após empates contra Flamengo e Lanús. O Vasco começou bem, criando chances no primeiro tempo, mas esbarrou na atuação inspirada do goleiro Cássio. A falta de precisão nas finalizações e um erro defensivo no segundo tempo permitiram ao Cruzeiro marcar o gol da vitória, selando o placar de 1 a 0.
A derrota foi encarada como um reflexo dos problemas crônicos do time sob o comando de Carille: dificuldade em converter oportunidades, fragilidade fora de casa e falta de coragem para buscar o resultado. A torcida, que já vinha manifestando insatisfação, intensificou os pedidos pela saída do treinador. Horas após o jogo, o presidente Pedrinho anunciou a demissão, destacando a necessidade de “um novo rumo” para o clube. Felipe Loureiro, diretor técnico, assumiu o comando interinamente, como já havia feito em outras ocasiões.
A decisão de demitir Carille veio acompanhada de reflexões internas. Pedrinho, que assumiu a presidência do Vasco por decisão liminar, havia prometido dar ao treinador as ferramentas necessárias para montar um time competitivo. Reforços como Adson, Garré e Nuno Moreira foram contratados, e Coutinho retornou ao clube com status de estrela. No entanto, a falta de entrosamento e as escolhas táticas de Carille impediram o elenco de alcançar seu potencial. A derrota para o Cruzeiro, somada ao desempenho irregular nas últimas semanas, tornou a continuidade do treinador insustentável.
- Cronologia da passagem de Carille pelo Vasco:
- 19/12/2024: Anúncio da contratação
- Janeiro a março/2025: Campeonato Carioca (3 vitórias, 5 empates, 1 derrota)
- 30/03/2025: Estreia no Brasileirão com vitória sobre o Santos (2 a 1)
- 08/04/2025: Empate na estreia da Sul-Americana contra o Melgar (3 a 3)
- 27/04/2025: Demissão após derrota para o Cruzeiro (1 a 0)
O que fica da era Carille: lições e desafios para o futuro
A passagem de Fábio Carille pelo Vasco deixou lições importantes para o clube. A principal delas é a necessidade de alinhar expectativas entre torcida, diretoria e comissão técnica. A chegada do treinador, embora pragmática, não conseguiu unir os diferentes setores do clube em torno de um projeto comum. A torcida, marcada por anos de frustrações, cobrava resultados imediatos e um futebol mais atraente, enquanto Carille apostava em um trabalho de longo prazo, com ênfase na organização defensiva. A falta de sintonia entre essas visões foi um dos fatores que abreviaram sua trajetória.
Outro ponto de reflexão é o desempenho fora de casa. O Vasco de Carille foi dominante em São Januário, onde venceu todos os jogos do Brasileirão, mas sofreu para pontuar como visitante. A diferença de aproveitamento (100% em casa contra 36,3% fora) evidencia a dificuldade do treinador em adaptar o time a contextos adversos. Essa fragilidade foi explorada por adversários como Corinthians e Ceará, que souberam neutralizar o ataque vascaíno e explorar erros defensivos. Para o próximo treinador, superar esse obstáculo será fundamental.
O Vasco da Gama comunica que Fábio Carille e sua comissão foram desligados do comando técnico da equipe. O clube agradece aos profissionais e deseja sorte na sequência de suas carreiras.
— Vasco da Gama (@VascodaGama) April 28, 2025
Felipe Loureiro assumirá o comando da equipe de forma interina. #VascoDaGama pic.twitter.com/OdCrqw2CKM
O elenco, embora reforçado, também apresentou limitações. Jogadores como Vegetti e Coutinho foram peças-chave em momentos importantes, mas a falta de consistência no meio-campo e a ausência de pontas velozes limitaram as opções táticas. Carille tentou contornar essas carências com formações mais compactas, mas a estratégia nem sempre funcionou. A diretoria, agora, enfrenta o desafio de escolher um novo treinador capaz de extrair o melhor do grupo e atender às expectativas de uma torcida exigente.
Próximos passos: Copa do Brasil e a busca por um novo treinador
Com a demissão de Carille, o Vasco volta suas atenções para a terceira fase da Copa do Brasil. O primeiro jogo contra o Operário-PR, marcado para o dia 29 de abril de 2025, no Estádio Germano Krüger, será comandado por Felipe Loureiro. O confronto é visto como uma oportunidade para o time recuperar a confiança e avançar na competição, que oferece premiações significativas e uma chance de título. O Vasco chega à terceira fase após vitórias convincentes sobre União Rondonópolis e Nova Iguaçu, ambas por 3 a 0, e enfrenta um Operário que eliminou Humaitá-AC e Tombense.
A escolha do novo treinador é outro tema central. Nomes como Fernando Diniz, que já passou pelo clube, e técnicos estrangeiros, como o argentino Juan Pablo Vojvoda, são especulados pela imprensa. A diretoria, no entanto, ainda não se pronunciou oficialmente sobre os candidatos. A prioridade é encontrar um comandante que alie resultados a um futebol mais dinâmico, capaz de reconquistar a confiança da torcida. O próximo técnico terá a missão de liderar o Vasco em uma temporada repleta de desafios, com o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana em andamento.
O calendário imediato do Vasco é intenso. Após o jogo contra o Operário, o time enfrenta o Palmeiras, no Mané Garrincha, pelo Brasileirão, e o Puerto Cabello, na Venezuela, pela Copa Sul-Americana. A sequência de partidas, muitas delas fora de casa, testará a capacidade do elenco de se adaptar à ausência de um treinador fixo. Para os torcedores, o momento é de expectativa e apreensão, com a esperança de que o clube encontre um novo rumo para alcançar seus objetivos na temporada.
- Próximos jogos do Vasco:
- 29/04/2025: Operário-PR x Vasco (Copa do Brasil, 16h, Estádio Germano Krüger)
- 04/05/2025: Vasco x Palmeiras (Brasileirão, 16h, Mané Garrincha)
- 07/05/2025: Puerto Cabello x Vasco (Copa Sul-Americana, 19h, Estádio Misael Delgado)
- 10/05/2025: Vitória x Vasco (Brasileirão, 18h30, Barradão)
A torcida e o peso de São Januário
A torcida do Vasco desempenhou um papel central na passagem de Carille. Apaixonada e exigente, ela transformou São Januário em um verdadeiro caldeirão, onde o time se manteve invicto no Brasileirão sob o comando do treinador. A força da arquibancada foi reconhecida pelo próprio Carille, que, após a vitória contra o Sport, agradeceu o apoio e destacou a importância dos torcedores nos momentos difíceis. No entanto, a relação com a torcida nem sempre foi harmoniosa. As vaias após o empate com o Lanús e os pedidos pela demissão do treinador refletem a impaciência de uma torcida que anseia por títulos e um futebol à altura da história do clube.
São Januário, com sua atmosfera única, foi o grande trunfo do Vasco na temporada. A invencibilidade em casa, com seis vitórias em seis jogos no Brasileirão, colocou o estádio como um diferencial competitivo. Jogadores como Vegetti e Garré, que se destacaram em partidas no Rio, creditaram à torcida parte do sucesso. Para o próximo treinador, manter a força em São Januário será essencial, assim como encontrar maneiras de engajar os torcedores em jogos fora de casa, onde o apoio presencial é menor.
A pressão da torcida também reflete o contexto histórico do Vasco. Sem um título nacional desde 2011, quando venceu a Copa do Brasil, o clube vive um jejum de 14 anos sem conquistas de peso. A torcida, que já enfrentou rebaixamentos e crises administrativas, cobra resultados que resgatem o orgulho vascaíno. A demissão de Carille, embora esperada por muitos, reacende o debate sobre o futuro do clube e a necessidade de um projeto consistente, que una gestão, elenco e torcida em torno de objetivos claros.
Legado e perspectivas para 2025
A saída de Fábio Carille marca o fim de um ciclo curto, mas repleto de aprendizados. Sua passagem pelo Vasco evidenciou tanto as qualidades do treinador, como a capacidade de organizar defesas sólidas em casa, quanto suas limitações, como a dificuldade em propor um jogo mais ofensivo e vencer fora do Rio. O aproveitamento de 43%, embora razoável, ficou aquém das expectativas de um clube que almeja voltar à Libertadores e brigar por títulos. A diretoria, agora, tem a chance de reavaliar o projeto e buscar um treinador que consiga equilibrar resultados e desempenho.
Para os jogadores, a demissão de Carille representa um momento de transição. Nomes como Vegetti, que se tornou ídolo com gols decisivos, e Coutinho, que ainda busca seu melhor futebol, terão a oportunidade de se adaptar a um novo comando técnico. A base do elenco, reforçada por jovens como Nuno Moreira e contratações como Garré, oferece potencial para uma temporada competitiva, desde que bem conduzida. A Copa do Brasil e a Sul-Americana, em particular, são competições que podem trazer resultados imediatos e aliviar a pressão sobre o grupo.
O futuro do Vasco em 2025 dependerá de decisões acertadas nos próximos dias. A escolha do novo treinador, a gestão do elenco e o apoio da torcida serão fatores determinantes para o sucesso do clube. Enquanto Felipe Loureiro comanda a equipe interinamente, a diretoria trabalha nos bastidores para definir os rumos da temporada. Para os torcedores, a esperança é de que o Vasco encontre um caminho que honre sua história e devolva a alegria de ver o time brigando na parte de cima da tabela.