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Mounjaro desembarca em maio com preços de R$ 1.406 a R$ 2.384 no Brasil

Mounjaro
Mounjaro - Foto: MKPhoto12 / Shutterstock.com Mounjaro - Foto: MKPhoto12 / Shutterstock.com

A chegada de um novo medicamento ao mercado brasileiro está movimentando o setor de saúde. O Mounjaro, produzido pela farmacêutica Eli Lilly, é aguardado com grande expectativa para a primeira quinzena de maio, prometendo ser uma alternativa avançada no tratamento do diabetes tipo 2. Conhecido internacionalmente como “Ozempic dos ricos” devido ao seu alto custo e eficácia na perda de peso, o remédio já desperta interesse tanto entre pacientes quanto entre profissionais da saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou sua comercialização em 2023, mas só agora o produto estará disponível nas farmácias.

O medicamento, cujo princípio ativo é a tirzepatida, destaca-se por sua ação dupla, simulando dois hormônios que regulam o apetite e o açúcar no sangue. Essa característica o torna mais potente que o Ozempic, segundo estudos clínicos. A expectativa é que o Mounjaro também seja usado de forma off-label para emagrecimento, assim como seu concorrente.

A seguir, alguns pontos-chave sobre a chegada do medicamento:

  • Disponibilidade inicial em doses de 2,5 mg e 5 mg.
  • Preços variam de R$ 1.406,75 a R$ 2.384,34, dependendo do programa de fidelidade e impostos estaduais.
  • Receita médica será obrigatória, com retenção em farmácias a partir de junho.
  • Efeitos colaterais incluem náuseas e vômitos, semelhantes aos do Ozempic.

A introdução do Mounjaro no Brasil ocorre em um momento de crescente demanda por tratamentos para diabetes e obesidade, condições que afetam milhões de pessoas no país.

Preços definidos para o mercado brasileiro
A farmacêutica Eli Lilly anunciou os valores do Mounjaro, que variam conforme a dose e o canal de compra. A dose inicial de 2,5 mg custará R$ 1.406,75 no e-commerce do programa Lilly Melhor Para Você, enquanto a dose de 5 mg sairá por R$ 1.759,64. Nas farmácias físicas, os preços sobem para R$ 1.506,76 e R$ 1.859,65, respectivamente, dentro do mesmo programa. Fora dele, os valores máximos chegam a R$ 1.907,29 para 2,5 mg e R$ 2.384,34 para 5 mg, considerando a alíquota de 18% do ICMS em São Paulo.
Os preços refletem o posicionamento premium do medicamento, que é importado de uma fábrica da Lilly na Europa. A embalagem contém quatro canetas injetáveis, suficientes para um mês de tratamento com aplicações semanais. A variação de custos entre estados ocorre devido às diferentes alíquotas de ICMS, que podem elevar o preço em até 20% em algumas regiões.
A estratégia de precificação inclui o programa de fidelidade da Lilly, que oferece descontos significativos para pacientes inscritos. Esse modelo busca facilitar o acesso, mas os valores ainda são considerados elevados para a maioria da população brasileira.

Mecanismo de ação inovador
O Mounjaro se diferencia de outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como o Ozempic, por sua ação dupla. A tirzepatida, seu princípio ativo, atua simultaneamente nos receptores dos hormônios GLP-1 e GIP, que regulam a saciedade, a digestão e a produção de insulina. Essa combinação potencializa o controle da glicemia e a perda de peso, segundo estudos publicados na revista científica JAMA.
Em um ensaio clínico, a tirzepatida levou a uma redução média de 25,3% do peso corporal após 88 semanas, superando os 17,4% observados com a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, em 68 semanas. A ação no cérebro, promovendo saciedade, e no pâncreas, estimulando a insulina, torna o Mounjaro uma opção promissora para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
A administração do medicamento é simples, com uma injeção subcutânea semanal. As doses iniciais de 2,5 mg e 5 mg, disponíveis no lançamento, são usadas para minimizar efeitos adversos, como náuseas e diarreia, que tendem a ser leves a moderados.

Receita médica obrigatória
A Anvisa reforçou a exigência de receita médica para a compra do Mounjaro, assim como para outros medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Saxenda. A partir de junho, as farmácias devront reter uma das duas vias da receita, uma medida que já se aplica a antibióticos e antidepressivos. A decisão, publicada em abril, visa coibir o uso indiscriminado, especialmente para fins estéticos.
Anteriormente, a falta de fiscalização permitia que pacientes adquirissem esses medicamentos sem receita, aumentando os riscos de automedicação. A nova regra, que entra em vigor 60 dias após sua publicação no Diário Oficial da União, busca garantir que o uso seja acompanhado por médicos, reduzindo eventos adversos.
Os endocrinologistas celebraram a medida, destacando a importância do acompanhamento profissional. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) alertou que o uso sem prescrição pode levar a complicações como hipoglicemia e problemas gastrointestinais.

Comparação com o Ozempic
O Mounjaro tem sido comparado ao Ozempic devido às semelhanças na aplicação e nos efeitos, mas suas diferenças são significativas. Enquanto o Ozempic utiliza a semaglutida, que imita apenas o hormônio GLP-1, o Mounjaro combina a ação de GLP-1 e GIP, o que amplifica seus resultados. Estudos apontam que a tirzepatida pode reduzir até 7,2% mais peso que a semaglutida após um ano de uso.
Outro ponto de diferenciação é o custo. O Ozempic tem preço máximo entre R$ 774,34 e R$ 1.387,15 por caixa, dependendo do ICMS estadual, enquanto o Mounjaro é mais caro, com valores que podem chegar a R$ 4.058,85 em algumas doses, segundo a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

  • Eficácia no emagrecimento: Mounjaro atinge até 25,3% de redução de peso, contra 17,4% do Ozempic.
  • Controle glicêmico: A tirzepatida reduz a hemoglobina glicada mais rapidamente.
  • Custo mensal: Mounjaro é até 80% mais caro que o Ozempic.
  • Disponibilidade: Ozempic já está amplamente disponível; Mounjaro estreia em maio.

Demanda por tratamentos de obesidade
A chegada do Mounjaro ocorre em um contexto de aumento da obesidade no Brasil, que afeta cerca de 30% da população adulta, segundo o Ministério da Saúde. A condição está associada a doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, o que eleva a procura por medicamentos eficazes. O uso off-label de medicamentos como Ozempic e Mounjaro para emagrecimento tem crescido, apesar dos riscos sem acompanhamento médico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, globalmente, 2,3 bilhões de adultos estarão acima do peso até o final de 2025, com 700 milhões classificados como obesos. No Brasil, a prevalência de obesidade dobrou nas últimas duas décadas, impulsionando o mercado de medicamentos GLP-1.
Os médicos alertam que a perda de peso com esses medicamentos deve ser acompanhada de mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e exercícios físicos, para garantir resultados sustentáveis.

Efeitos adversos conhecidos
Como outros análogos de GLP-1, o Mounjaro apresenta efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais. Náuseas, vômitos e diarreia são os mais comuns, afetando cerca de 20% dos pacientes, segundo ensaios clínicos. Esses sintomas tendem a diminuir com o tempo, especialmente com doses iniciais mais baixas.
A Eli Lilly recomenda que os pacientes iniciem o tratamento com 2,5 mg por pelo menos quatro semanas antes de progredir para doses maiores. A empresa também alerta para contraindicações, como histórico de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

  • Náuseas: Afetam até 1 em 5 pacientes nas primeiras semanas.
  • Vômitos: Mais comuns em doses iniciais.
  • Diarreia: Geralmente leve, mas persistente em alguns casos.
  • Riscos raros: Pancreatite e hipoglicemia em pacientes com predisposição.

Importação antes do lançamento
Antes de sua chegada oficial, o Mounjaro já era obtido por brasileiros por meio de importação, um processo caro e burocrático. O custo mensal podia ultrapassar R$ 15 mil, incluindo taxas de importação e serviços de empresas especializadas. A Anvisa permite a importação para uso pessoal, desde que acompanhada de receita médica e autorização específica.
Casos de contrabando também foram registrados. Em outubro de 2024, a Receita Federal reteve 72 ampolas do medicamento no Aeroporto do Recife, avaliadas em R$ 150 mil, suspeitas de revenda ilegal. A fiscalização intensificada reflete a popularidade do Mounjaro entre pacientes de maior poder aquisitivo.
A importação exigia documentação rigorosa, como receita e relatório médico, e o medicamento precisava ser armazenado em temperaturas controladas, o que aumentava os custos logísticos. Com a chegada às farmácias, a expectativa é que a dependência de importações diminua.

Aprovação e trâmites regulatórios
A Anvisa aprovou o Mounjaro em setembro de 2023 para o tratamento de diabetes tipo 2, após avaliar estudos que demonstraram sua superioridade no controle glicêmico em relação ao Ozempic. A indicação para obesidade, já liberada nos Estados Unidos sob o nome Zepbound, está em análise no Brasil.
O processo de aprovação envolveu a revisão de ensaios clínicos com milhares de pacientes, que confirmaram a segurança e eficácia da tirzepatida. A CMED definiu os preços máximos do medicamento, levando em conta os custos de importação e a tributação estadual.
A chegada antecipada do Mounjaro, inicialmente prevista para 7 de junho, foi possibilitada por ajustes na cadeia de fornecimento da Eli Lilly, que priorizou o mercado brasileiro devido à alta demanda.

Popularidade no exterior
Nos Estados Unidos e na Europa, o Mounjaro é amplamente utilizado desde 2022, tanto para diabetes quanto para obesidade. Nos EUA, o custo mensal gira em torno de US$ 1.060 (cerca de R$ 5,3 mil), sem contar impostos. A popularidade do medicamento cresceu devido a relatos de perdas de peso significativas, amplificados por celebridades e redes sociais.
O uso off-label para emagrecimento gerou debates éticos, com médicos alertando para os riscos de automedicação. A Food and Drug Administration (FDA) reforçou a necessidade de prescrição médica, e a Eli Lilly lançou campanhas educativas para promover o uso responsável.
No Brasil, a expectativa é que o Mounjaro siga um caminho semelhante, com alta procura inicial e desafios para conter o uso inadequado.

Desafios de acesso ao medicamento
Apesar dos descontos oferecidos pelo programa Lilly Melhor Para Você, o preço do Mounjaro permanece inacessível para grande parte da população brasileira. O custo mensal, equivalente a mais de um salário mínimo, limita o acesso a pacientes de maior poder aquisitivo.
A incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou a planos de saúde privados enfrenta barreiras, como a necessidade de avaliações pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Esses processos podem levar anos, segundo especialistas.
A desigualdade no acesso reflete um problema global. Nos Estados Unidos, apenas 20% dos pacientes elegíveis para medicamentos GLP-1 conseguem custeá-los sem seguro de saúde, segundo dados da indústria farmacêutica.

Estudos clínicos em destaque
Os ensaios clínicos do Mounjaro, como o SURMOUNT-4, demonstraram resultados impressionantes. Em um estudo com 751 participantes nos EUA e Porto Rico, a tirzepatida reduziu o peso corporal em 20,2% após 72 semanas, contra 14,9% da semaglutida em doses máximas. A velocidade do controle glicêmico também surpreendeu, com pacientes atingindo níveis de hemoglobina glicada abaixo de 7% em apenas oito semanas.
Outro estudo, publicado na JAMA Internal Medicine em 2024, comparou diretamente a tirzepatida e a semaglutida, confirmando a superioridade do Mounjaro na perda de peso e no controle do diabetes. Esses dados reforçam a posição do medicamento como uma nova geração de tratamentos.

  • SURMOUNT-4: 25,3% de redução de peso em 88 semanas.
  • Surpass-2: 12,4 kg perdidos, em média, contra 6,2 kg do Ozempic.
  • JAMA 2024: Tirzepatida superou semaglutida em 7,2% na perda de peso anual.

Mercado farmacêutico aquecido
A chegada do Mounjaro intensifica a competição no mercado de medicamentos para diabetes e obesidade. A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, domina o setor no Brasil, mas a Eli Lilly aposta na inovação da tirzepatida para ganhar espaço. O Wegovy, aprovado para obesidade, deve chegar às farmácias brasileiras em agosto, aumentando as opções para os pacientes.
As vendas globais de análogos de GLP-1 cresceram 40% em 2024, segundo estimativas da indústria, impulsionadas pela demanda por tratamentos de emagrecimento. No Brasil, o mercado deve seguir a mesma tendência, com a entrada de novos players como o Mounjaro.
A Eli Lilly planeja expandir a disponibilidade de doses mais altas (7,5 mg a 15 mg) no futuro, dependendo da resposta do mercado e da capacidade de produção.

Riscos de uso indiscriminado
A popularidade do Mounjaro no exterior levantou preocupações sobre o uso sem acompanhamento médico. No Brasil, a SBEM e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) emitiram alertas sobre versões manipuladas ou falsificadas do medicamento, que podem conter substâncias perigosas, como insulina.
A venda ilegal online também é um problema crescente. Sites e grupos de redes sociais oferecem o Mounjaro a preços reduzidos, mas sem garantia de procedência. A Anvisa intensificou a fiscalização, mas o mercado paralelo continua a desafiar as autoridades.

  • Falsificações: Podem causar hipoglicemia grave.
  • Venda online: Viola a regulamentação da Anvisa.
  • Automedicação: Aumenta riscos de efeitos adversos graves.

Perspectiva dos profissionais de saúde
Endocrinologistas brasileiros veem a chegada do Mounjaro com otimismo, mas defendem seu uso responsável. A combinação de GLP-1 e GIP é considerada um avanço, especialmente para pacientes com obesidade resistente a outros tratamentos. No entanto, os médicos enfatizam a necessidade de avaliação individualizada.
A nutricionista Tarissa Petry, em entrevista à imprensa, destacou que o Mounjaro deve ser combinado com uma alimentação saudável e exercícios físicos para maximizar os benefícios. O excesso de gordura na dieta, por exemplo, pode intensificar os efeitos colaterais gastrointestinais.
A hidratação também é essencial, já que o medicamento pode reduzir a sensação de sede, aumentando o risco de desidratação.

Cronologia da chegada ao Brasil
A trajetória do Mounjaro no Brasil começou com sua aprovação pela Anvisa em setembro de 2023. Inicialmente, a Eli Lilly previa a comercialização para junho de 2025, mas ajustes logísticos permitiram antecipar o lançamento para maio.

  • Setembro 2023: Anvisa aprova o Mounjaro para diabetes tipo 2.
  • Março 2025: Eli Lilly anuncia chegada em 7 de junho.
  • Abril 2025: Lançamento antecipado para a primeira quinzena de maio.
  • Junho 2025: Início da retenção obrigatória de receitas.
    A antecipação reflete a alta demanda e o interesse do mercado brasileiro, que já importava o medicamento informalmente.

Impacto esperado no setor de saúde
A introdução do Mounjaro deve impulsionar o mercado de medicamentos GLP-1 no Brasil, que já movimenta bilhões de reais anualmente. Farmácias e distribuidores estão se preparando para a alta procura, enquanto a Eli Lilly investe em campanhas educativas para médicos e pacientes.
O medicamento também pode pressionar o SUS e os planos de saúde a reverem suas políticas de cobertura, embora a inclusão em sistemas públicos seja improvável no curto prazo. A longo prazo, a competição entre Mounjaro, Ozempic e Wegovy pode levar a uma redução de preços, beneficiando os consumidores.
A chegada do Mounjaro marca um novo capítulo no tratamento de diabetes e obesidade no Brasil, com potencial para transformar a abordagem dessas condições crônicas.

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