A energia elétrica transforma vidas, mas milhões de brasileiros ainda vivem sem esse recurso essencial. Em áreas rurais e remotas, famílias dependem de lamparinas, enfrentando barreiras para acessar educação, saúde e oportunidades econômicas. O Programa Luz Para Todos, relançado em 2023, busca mudar essa realidade, utilizando o Cadastro Único (CadÚnico) para identificar 450 mil famílias vulneráveis até 2026. Com investimentos de R$ 4,3 bilhões previstos para 2025, a iniciativa do Governo Federal promete levar dignidade e inclusão energética a comunidades historicamente excluídas.
O programa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), foca em populações de baixa renda, indígenas, quilombolas e assentados rurais. A integração com o CadÚnico garante que os recursos cheguem aos mais necessitados, promovendo desenvolvimento social e econômico.
- Meta ambiciosa: Atender 450 mil famílias até 2026, com 98 mil novas ligações em 2025.
- Investimento robusto: R$ 4,3 bilhões em 2025, financiados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e outros recursos.
- Foco em sustentabilidade: Uso de fontes renováveis, como solar e eólica, em áreas remotas.
- Prioridade social: Famílias inscritas no CadÚnico, especialmente em regiões como a Amazônia Legal.
Relançamento fortalece inclusão energética
O Luz Para Todos foi criado em 2003, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de universalizar o acesso à energia elétrica no meio rural. Até 2024, o programa beneficiou 17,5 milhões de pessoas, atendendo 3,7 milhões de domicílios. Após um período de interrupção, o relançamento em 2023, por meio do Decreto nº 11.628, trouxe novas metas e uma abordagem integrada, priorizando a inclusão de comunidades vulneráveis por meio do CadÚnico.
O Cadastro Único, gerido pelo MDS, é uma ferramenta essencial para mapear famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, além de outras condições de vulnerabilidade. Em 2025, a modernização do sistema promete agilizar a identificação de beneficiários, com processos automatizados e maior segurança de dados. Essa atualização facilita a inclusão de famílias unipessoais e reduz burocracias, garantindo que mais lares sejam atendidos pelo programa.
A colaboração entre o MME, liderado por Alexandre Silveira, e o MDS, sob Wellington Dias, reflete um esforço conjunto para alinhar políticas energéticas e sociais. A estratégia inclui parcerias com concessionárias de energia, como a Neoenergia Coelba, que assinou um contrato em 2024 para realizar 29,5 mil novas ligações na Bahia até 2026, beneficiando 118 mil pessoas com um investimento de R$ 1,2 bilhão.
Como funciona o Cadastro Único no programa
O CadÚnico é a porta de entrada para o Luz Para Todos, funcionando como um filtro para identificar famílias elegíveis. Famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou em situações de extrema pobreza têm prioridade. O processo de inscrição exige comparecimento a um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou prefeitura, com apresentação de documentos pessoais e comprovantes de residência.
Em 2025, novas regras para o CadÚnico exigem entrevistas domiciliares para famílias unipessoais, garantindo a veracidade das informações. A modernização do sistema, implementada pelo MDS, utiliza o CPF como chave de identificação, reduzindo fraudes e acelerando o cadastro. Para comunidades indígenas e quilombolas, o programa oferece atendimento prioritário, considerando suas especificidades culturais e geográficas.
- Documentos necessários: RG, CPF, comprovante de residência e, em alguns casos, registro no CadÚnico.
- Etapas do processo: Inscrição no CRAS, análise pela concessionária de energia e visita técnica.
- Prioridade: Famílias sem acesso à energia, especialmente em áreas rurais e remotas.
- Gratuidade: O serviço é gratuito para os beneficiários, custeado pelo Governo Federal.
Investimentos e sustentabilidade em foco
O orçamento de R$ 4,3 bilhões para 2025 reflete a escala do Luz Para Todos, com recursos provenientes da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e aportes de concessionárias como a Eletrobras. Desde 2003, o programa mobilizou R$ 26 bilhões, com R$ 1,9 bilhão direcionados à Amazônia Legal, onde o acesso à energia enfrenta desafios logísticos. A adoção de tecnologias limpas, como energia solar e eólica, é uma prioridade para atender áreas isoladas, preservando o bioma amazônico.
Na vila Mainard, em Breves (PA), a instalação de placas solares mudou a rotina de moradores como Marcley Santos, de 39 anos. Com energia elétrica, a comunidade agora utiliza geladeiras e ventiladores, melhorando o conforto e a qualidade de vida. Projetos semelhantes estão planejados para outras regiões, com metas de atender 98 mil novas famílias em 2025, sendo 43,6 mil na Amazônia Legal.
A sustentabilidade também guia os investimentos. O programa incentiva o uso de fontes renováveis, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e promovendo a descarbonização energética. Parcerias com empresas como a ENBPar, que assumiu a gestão do programa após a privatização da Eletrobras, garantem a continuidade das ações até 2026.
Benefícios além da energia
A chegada da energia elétrica vai além da iluminação. Em comunidades rurais, o acesso à eletricidade impulsiona a educação, permitindo que crianças estudem à noite, e melhora a saúde, com a possibilidade de armazenar medicamentos em geladeiras. Dados de 2009, coletados pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), mostram que 64,2% das famílias atendidas relataram melhorias nas atividades escolares e 47,7% na saúde familiar.
O programa também fomenta o empreendedorismo. Com energia, pequenos negócios, como vendas de alimentos e serviços de costura, tornam-se viáveis, aumentando a renda familiar. Em 2025, o Luz Para Todos planeja conectar investimentos em energia a oportunidades de emprego, capacitando moradores do CadÚnico para atuar no setor elétrico.
- Educação: Melhoria de 64,2% nas atividades escolares, segundo dados históricos.
- Saúde: 47,7% das famílias relatam avanços na saúde com acesso à energia.
- Economia: 41,2% das famílias aumentaram a renda com novos negócios.
- Tecnologia: Acesso a celulares, TVs e internet, com aumento de 81,1% na compra de televisores.
Prioridade para comunidades tradicionais
Comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos rurais estão no centro do Luz Para Todos. Na Ilha do Cajual, em Alcântara (MA), a energia solar instalada em 2023 transformou a vida de moradores como Dona Vanda Rodrigues, de 56 anos, que agora acessam eletrodomésticos e conectividade. O programa respeita as particularidades culturais dessas populações, adaptando soluções energéticas às suas necessidades.
O foco em áreas como a Amazônia Legal, onde a exclusão elétrica é mais acentuada, exige estratégias específicas. Em 2023, 64 mil residências na região receberam energia pela primeira vez, e o plano para 2025 prevê a inclusão de mais 43,6 mil famílias. A parceria com concessionárias regionais, como a Amazonas Energia, facilita a execução de obras em locais de difícil acesso.

Expansão regional e desafios
A Bahia é um dos estados mais beneficiados pelo programa. A Neoenergia Coelba, responsável por 2,2 milhões de ligações desde 2003, planeja atender 118 mil pessoas até 2026, com R$ 1,2 bilhão em investimentos. Em Minas Gerais, a Cemig enfrenta desafios para alcançar comunidades isoladas, mas o governo federal garante recursos para atender 500 mil famílias nacionais até 2028.
Os desafios logísticos, especialmente na Amazônia Legal, incluem a dificuldade de transporte e a preservação ambiental. Para superá-los, o programa investe em tecnologias como sistemas solares off-grid, que não dependem de redes elétricas tradicionais. Em 2024, 40 mil novas ligações foram realizadas no primeiro trimestre, demonstrando o ritmo acelerado das ações.
- Bahia: 29,5 mil novas ligações previstas até 2026.
- Minas Gerais: Novas metas para atender comunidades isoladas.
- Amazônia Legal: 43,6 mil famílias a serem conectadas em 2025.
- Tecnologia: Sistemas solares off-grid para áreas remotas.
Integração com outros programas sociais
O Luz Para Todos complementa iniciativas como a Tarifa Social de Energia Elétrica, que oferece descontos de até 65% na conta de luz para famílias do CadÚnico. Em 2024, a Tarifa Social beneficiou 17,4 milhões de lares, com R$ 6,4 bilhões em descontos. A integração entre os programas garante que o acesso à energia seja acompanhado de alívio financeiro, permitindo que famílias destinem recursos a outras necessidades, como alimentação e educação.
A modernização do CadÚnico, iniciada em 2025, fortalece essa integração. Com a automatização de processos e a padronização do CPF como identificador, a inscrição em programas sociais tornou-se mais ágil. A Tarifa Social, por exemplo, agora inclui automaticamente famílias elegíveis, reduzindo barreiras burocráticas.
Papel das concessionárias
As concessionárias de energia são peças-chave na execução do Luz Para Todos. A Neoenergia, Eletrobras e Cemig trabalham em parceria com o governo federal, realizando visitas técnicas e obras de infraestrutura. Em 2023, a Eletrobras destinou R$ 10 bilhões ao setor elétrico, e novos aportes estão previstos para 2025.
Na Bahia, a Neoenergia Coelba assinou um termo de compromisso em 2024, com a presença do presidente Lula e do ministro Alexandre Silveira, para expandir o programa. A iniciativa inclui a construção de 10,2 mil obras, como postes e redes de distribuição, para atender comunidades de baixa renda e povos tradicionais.
- Neoenergia Coelba: R$ 1,2 bilhão para 29,5 mil ligações na Bahia.
- Eletrobras: R$ 10 bilhões investidos em 2023, com novos recursos em 2025.
- Cemig: Diálogo com o governo para atender comunidades isoladas em Minas Gerais.
- ENBPar: Gestão do programa após a privatização da Eletrobras.
Metas futuras
O Luz Para Todos tem metas claras até 2026, com a possibilidade de extensão até 2028 para regiões complexas, como a Amazônia Legal. O governo federal planeja atender 327 mil famílias adicionais nos próximos anos, eliminando a pobreza energética no país. A integração com políticas de capacitação profissional, como cursos para moradores do CadÚnico, visa criar oportunidades de emprego no setor elétrico.
A universalização do acesso à energia elétrica exige esforços contínuos. Em 2025, o programa priorizará a inclusão de escolas, postos de saúde e poços comunitários, ampliando o impacto social. A colaboração entre ministérios, concessionárias e comunidades locais será essencial para alcançar os objetivos estabelecidos.