O estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi palco de mais um capítulo da fase delicada do Vasco da Gama. No último domingo, dia 4 de maio de 2025, o Cruz-Maltino enfrentou o Palmeiras pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro e saiu derrotado por 1 a 0. O resultado ampliou a sequência negativa do clube, que agora acumula seis jogos sem vitórias, com três empates e três derrotas, considerando partidas do Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. A proximidade com a zona de rebaixamento acende o alerta em São Januário.
A última vitória do Vasco ocorreu há quase um mês, em 12 de abril, quando o time superou o Sport por 3 a 1, em casa, pela terceira rodada do Brasileirão. Desde então, o desempenho em campo tem sido marcado por atuações inconsistentes, com dificuldades para converter oportunidades em gols e fragilidades defensivas que custaram pontos importantes. A torcida, conhecida por sua paixão, começa a demonstrar sinais de preocupação com o momento do clube.
O jogo contra o Palmeiras, embora tenha mostrado sinais de melhora na organização defensiva, não foi suficiente para evitar a derrota. O Vasco conseguiu criar chances em contra-ataques, mas esbarrou na falta de precisão nas finalizações e na solidez do adversário. A situação coloca o time na 13ª posição do Brasileirão, com risco de cair para 15º caso Mirassol e Juventude pontuem na rodada.
- Sequência negativa: Três empates (Flamengo, Lanús e Operário) e três derrotas (Ceará, Cruzeiro e Palmeiras).
- Distância do Z4: Apenas um ponto separa o Vasco da zona de rebaixamento.
- Última vitória: 3 a 1 contra o Sport, em 12 de abril, em São Januário.
- Desempenho recente: Atuações marcadas por falhas defensivas e baixa efetividade no ataque.
Negociações com Fernando Diniz avançam
A busca por um novo treinador é o foco da diretoria vascaína após a demissão de Fábio Carille, anunciada em 27 de abril, após a derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro. Felipe Loureiro, diretor técnico, assumiu interinamente, mas o empate sem brilho contra o Operário, pela Copa do Brasil, reforçou a urgência por uma solução definitiva. O presidente Pedrinho, em entrevista ao canal BTB Sports, confirmou que as negociações com Fernando Diniz estão em andamento, embora ainda em fase inicial.
Diniz, que deixou o Cruzeiro em dezembro de 2024 após uma passagem de apenas dois meses, é visto como a principal aposta para reverter a crise. O treinador, conhecido por seu estilo de jogo ofensivo e pela filosofia de “relacionismo”, já comandou o Vasco em 2021, durante a Série B, mas não conseguiu o acesso. A relação de confiança entre Diniz e Pedrinho é um dos fatores que impulsionam as tratativas. O técnico estaria disposto a reduzir sua pedida salarial, que no Cruzeiro girava em torno de R$ 1 milhão mensais, para viabilizar o acordo.
Apesar do otimismo, a diretoria mantém cautela. Pedrinho destacou que não há garantias de um desfecho positivo, e outros nomes, como o uruguaio Paulo Pezzolano, ex-Cruzeiro, e o português José Peseiro, surgem como alternativas caso as negociações com Diniz não avancem. A pressão por um acerto rápido cresce, já que o próximo compromisso do Vasco, contra o Atlético-MG, em São Januário, é visto como crucial para evitar uma aproximação ainda maior do Z4.
Crise técnica e desafios táticos
O desempenho do Vasco nas últimas partidas reflete problemas que vão além da troca de treinador. Contra o Operário, pela terceira fase da Copa do Brasil, o time apresentou pouca criatividade no meio-campo e sofreu com a falta de agressividade, resultando em um empate em 1 a 1. O técnico interino Felipe reconheceu a queda de rendimento após o gol marcado por Nuno Moreira, destacando que a equipe “parou de jogar” no segundo tempo.
A defesa, que vinha sendo um dos pontos fracos sob o comando de Carille, mostrou sinais de melhora contra o Palmeiras, mas ainda comete erros pontuais que custam caro. A ausência de jogadores como Payet, lesionado, e a irregularidade de nomes como Alex Teixeira e Philippe Coutinho no meio-campo limitam as opções ofensivas. Vegetti, principal referência no ataque, vive um jejum de gols em 2025, o que aumenta a pressão sobre o argentino.
- Problemas táticos: Falta de consistência no meio-campo e baixa efetividade no ataque.
- Lesões: Payet, com lesão no joelho, segue sem previsão de retorno.
- Destaque positivo: Nuno Moreira, autor do gol contra o Operário, é uma das poucas opções confiáveis nas pontas.
- Desafios defensivos: Apesar da evolução, erros individuais ainda comprometem resultados.
Pressão da torcida e ambiente interno
A torcida vascaína, conhecida por seu apoio incondicional, começa a manifestar insatisfação nas redes sociais. Após o empate contra o Operário, torcedores criticaram a apatia do time e cobraram reforços e uma definição rápida sobre o novo treinador. Jogadores como Rossi e Praxedes também foram alvos de questionamentos, enquanto Vegetti e Léo Jardim receberam elogios por sua entrega, mesmo em meio à crise.
Nos bastidores, a relação com a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) gera debates. A 777 Partners, atual gestora, enfrenta acusações de Pedrinho por suposto “enriquecimento ilícito”, enquanto o presidente busca maior autonomia para decisões estratégicas. A possível venda da SAF para outros investidores, como Evangelos Marinakis, foi ventilada, mas as negociações esfriaram após intervenção da 777. Esses conflitos administrativos adicionam instabilidade ao momento delicado do clube.
O ambiente interno também é impactado por situações como o afastamento do zagueiro Manuel Capasso. O argentino, que treina separado do elenco, recusou propostas de clubes como Peñarol e Paysandú, gerando desgaste com a diretoria. Sua saída, possivelmente por rescisão contratual, é esperada para o meio do ano, assim como a do lateral Riquelme, que também está fora dos planos.
Cenário do Brasileirão e risco de rebaixamento
O Campeonato Brasileiro de 2025 começou com o Vasco oscilando. Após a vitória contra o Sport, o time acumulou resultados negativos que o colocaram a apenas um ponto da zona de rebaixamento. Equipes como Bahia, Santos e Juventude, que também lutam na parte inferior da tabela, aumentam a pressão sobre o Cruz-Maltino. A derrota para o Palmeiras, atual líder e favorito ao título, expôs a diferença técnica entre o Vasco e os primeiros colocados.
Em 2024, previsões da Opta apontavam o Vasco como um dos candidatos ao rebaixamento, com 40,1% de chances de queda, ao lado do Bahia. Embora o clube tenha escapado do Z4 na temporada passada, a situação atual reacende o temor de um novo descenso, o quinto na história do clube. Os rebaixamentos anteriores, em 2008, 2013, 2015 e 2020, ainda são lembrados com amargura pelos torcedores.
- Posição atual: 13º lugar, com risco de cair para 15º dependendo de outros resultados.
- Distância do Z4: Um ponto acima da zona de rebaixamento.
- Adversários diretos: Bahia, Santos e Juventude também lutam para escapar da queda.
- Histórico: Vasco foi rebaixado quatro vezes (2008, 2013, 2015 e 2020).
- Próximo jogo: Contra o Atlético-MG, em São Januário, pela oitava rodada.
Histórico contra o Palmeiras
O confronto contra o Palmeiras, realizado no Mané Garrincha, reforçou a dificuldade do Vasco em superar o Verdão. O clube carioca não vence o adversário desde novembro de 2015, quando triunfou por 2 a 0 no Brasileirão. Desde então, são 12 jogos de invencibilidade do Palmeiras, com sete vitórias e cinco empates. A escolha por mandar a partida em Brasília, decisão tomada pela antiga gestão para arrecadar recursos, gerou críticas de torcedores, que preferiam o apoio da torcida em São Januário.
O gol da derrota, marcado no segundo tempo, evidenciou a solidez defensiva do Palmeiras, que soube neutralizar as investidas vascaínas. Apesar da derrota, o técnico interino Felipe destacou a postura mais agressiva do time em comparação com jogos anteriores, apontando que a equipe criou chances, mas pecou na finalização. O jogo serviu como termômetro para os desafios que o Vasco enfrentará contra adversários de alto nível nas próximas rodadas.
Reforços e planejamento para a janela
A diretoria do Vasco já planeja a janela de transferências do meio do ano para reforçar o elenco. A ausência de um reserva confiável para Philippe Coutinho, que tem contrato até junho de 2025, é uma das prioridades. A possível saída de Payet, que não deve renovar, e a irregularidade de Alex Teixeira aumentam a necessidade de um meia criativo. Nas pontas, Nuno Moreira se destaca, mas Adson, David e outros nomes não entregaram o esperado.
A base também pode ser uma solução. Jogadores como Matheus Ferreira, do sub-20, chamam a atenção de clubes como o São Paulo, mas a diretoria avalia se é o momento de promovê-los ou negociá-los. No ataque, a dependência de Vegetti preocupa, já que o argentino não tem um substituto à altura. A contratação de um novo centroavante está nos planos, assim como a busca por um zagueiro para suprir as saídas de Capasso e, possivelmente, João Victor, que desperta interesse do Cruzeiro.
- Prioridades na janela: Meia criativo, centroavante e zagueiro.
- Destaque da base: Matheus Ferreira, volante do sub-20, é cotado para o São Paulo.
- Saídas prováveis: Capasso e Riquelme devem deixar o clube.
- Dependência ofensiva: Vegetti é a principal referência, mas vive jejum de gols.
Copa do Brasil e Sul-Americana
Além do Brasileirão, o Vasco divide atenções com a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana. Na Copa do Brasil, o empate contra o Operário, em Ponta Grossa, deixou a decisão para o jogo de volta, marcado para 20 de maio, em São Januário. O gol de Nuno Moreira dá ao Vasco a vantagem de jogar por um 0 a 0, mas o desempenho apático no primeiro jogo preocupa. Uma eliminação precoce seria um duro golpe para as pretensões do clube na temporada.
Na Sul-Americana, o empate com o Lanús, na Argentina, foi considerado um resultado positivo, mas o Vasco precisa vencer em casa para avançar. A competição é vista como uma oportunidade de conquistar um título internacional, algo que o clube não faz desde a Libertadores de 1998. A torcida, no entanto, cobra maior consistência para que o time consiga competir em alto nível nas três frentes.
Papel de Pedrinho na reconstrução
Pedrinho, ídolo como jogador e agora presidente, enfrenta o desafio de liderar o Vasco em um momento de turbulência. Sua gestão tem apostado em iniciativas como o Censo Cruzmaltino, lançado para mapear a torcida e atrair patrocinadores, e na contratação de nomes de peso, como Philippe Coutinho, que aumentou o número de sócios-torcedores em 2024. No entanto, os resultados em campo ainda não refletem o investimento.
A relação com a 777 Partners é outro obstáculo. Pedrinho busca maior controle sobre as decisões esportivas, mas a gestora americana resiste. A possível chegada de Fernando Diniz, que já trabalhou com o presidente em 2021, é vista como um trunfo para alinhar a visão de jogo com os objetivos de longo prazo. Enquanto isso, o dirigente tenta manter a calma da torcida, prometendo reforços e mudanças táticas para a sequência da temporada.
- Iniciativas de Pedrinho: Censo Cruzmaltino e contratações de impacto, como Coutinho.
- Conflito com a SAF: 777 Partners é acusada de limitar autonomia do clube.
- Aposta em Diniz: Boa relação com o técnico é diferencial nas negociações.
- Crescimento comercial: Aumento de sócios-torcedores após chegada de Coutinho.
Próximos compromissos e expectativas
O Vasco retorna a São Januário para enfrentar o Atlético-MG, pela oitava rodada do Brasileirão, em um confronto que pode definir o rumo do time na competição. Uma vitória é essencial para aliviar a pressão e afastar o fantasma do rebaixamento. A torcida promete lotar o estádio, reforçando o apoio em um momento crítico.
Na sequência, o clube terá o jogo de volta contra o Operário, pela Copa do Brasil, e o duelo decisivo contra o Lanús, pela Sul-Americana. A definição sobre o novo treinador, seja Diniz ou outro nome, será crucial para ajustar o time antes desses confrontos. A diretoria trabalha contra o tempo para evitar que a crise se agrave, enquanto os jogadores buscam recuperar a confiança em campo.

