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Cardeais recorrem ao filme Conclave para entender eleição papal

Conclave
Conclave - Foto: Divulgação Conclave - Foto: Divulgação

No Vaticano, a eleição do novo papa mobiliza 133 cardeais de 70 países, reunidos na Capela Sistina desde 7 de maio de 2025, para escolher o sucessor de Francisco, falecido em abril. Antes do início do processo, alguns clérigos buscaram inspiração em uma fonte inusitada: o filme Conclave, dirigido por Edward Berger e vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2025. A obra, baseada no livro de Robert Harris, retrata as tensões e estratégias de um conclave fictício, mas surpreendeu pela precisão em detalhes do ritual real. Um cardeal, não identificado, descreveu o longa como “notavelmente preciso”, destacando sua utilidade para entender o processo.

A produção, estrelada por Ralph Fiennes, recria a dinâmica da votação secreta, o isolamento na Casa Santa Marta e até o simbolismo da fumaça branca. Cardeais novatos, que compõem 80% dos eleitores nomeados por Francisco, viram no filme uma forma de visualizar o ambiente e os desafios da escolha. Muitos assistiram ao longa em plataformas de streaming, como a Prime Video, onde Conclave lidera os rankings desde a morte do papa. A influência da obra reflete a busca por referências em um momento de grande responsabilidade.

O conclave de 2025 é o mais diverso da história, com representantes de nações como Mongólia e Papua-Nova Guiné. A votação exige dois terços dos votos, ou seja, 89 escolhas, para definir o novo pontífice. Entre os favoritos estão Pietro Parolin, Luis Antonio Tagle e Matteo Zuppi, mas o processo permanece imprevisível.

  • Diversidade recorde: 70 países participam, superando os 48 de 2013.
  • Novatos no comando: 108 cardeais, nomeados por Francisco, votam pela primeira vez.
  • Fumaça como sinal: Branca indica eleição; preta, indefinição.
  • Ritual sigiloso: Votos são queimados após cada rodada na Capela Sistina.

Preparação cinematográfica

A decisão de assistir ao filme Conclave antes do evento real partiu de cardeais que buscavam compreender os bastidores da eleição papal. A obra, lançada em 2024, mergulha nas dinâmicas de poder e nas negociações entre clérigos, algo que, segundo participantes, ecoa as tensões reais. Um clérigo revelou que alguns colegas foram a cinemas para assistir ao longa, enquanto outros acessaram a Prime Video, onde a popularidade do filme disparou. A recriação da Casa Santa Marta, onde os cardeais se hospedam, foi apontada como especialmente fiel, com detalhes como as refeições conjuntas e o transporte de ônibus para a Capela Sistina.

Embora fictícia, a trama capta elementos autênticos do processo, como o juramento de sigilo e o papel do camerlengo, responsável pela administração do Vaticano durante a Sé Vacante. No filme, Ralph Fiennes interpreta o camerlengo, enquanto na vida real o cargo é ocupado pelo cardeal irlandês Kevin Farrell. A precisão do longa, segundo um cardeal entrevistado, ajudou a desmistificar o conclave para os menos experientes, que enfrentam a pressão de eleger o líder de 1,4 bilhão de católicos.

  • Juramento em latim: Cardeais prometem segredo absoluto antes da votação.
  • Casa Santa Marta: Residência real dos eleitores, retratada com fidelidade no filme.
  • Camerlengo ativo: Kevin Farrell gerencia o Vaticano até a eleição.

Diversidade global na votação

O conclave de 2025 destaca-se pela representação de 70 nações, um marco na história da Igreja Católica. A Itália lidera com 17 cardeais eleitores, seguida pelos Estados Unidos, com 10, e o Brasil, com sete. A Europa ainda domina, com 52 votantes, mas a Ásia ganha espaço com 23 representantes, refletindo a expansão do catolicismo no continente. Países como Laos e Mali participam pela primeira vez, resultado da estratégia de Francisco de nomear cardeais de regiões periféricas.

Sete cardeais brasileiros estão em Roma: Sérgio da Rocha, Jaime Spengler, Odilo Scherer, Orani Tempesta, Paulo Cezar Costa, João Braz de Aviz e Leonardo Steiner. Eles representam a terceira maior delegação e podem influenciar as discussões, embora nenhum esteja entre os favoritos. A diversidade geográfica traz desafios, como a comunicação: o italiano é a língua oficial, mas o inglês predomina entre os eleitores, com o português como quarta língua mais falada.

A votação, que começou com uma missa na Basílica de São Pedro, segue um ritmo intenso, com até quatro rodadas diárias. Se não houver decisão após três dias, os cardeais fazem uma pausa de 24 horas para oração. A expectativa é de um conclave curto, com duração de dois a três dias, seguindo a tendência dos últimos pleitos, como os de 2005 e 2013.

Influência de Francisco no colégio

Francisco, que morreu aos 88 anos após um AVC e insuficiência cardíaca, deixou um legado marcante no Colégio Cardinalício. Dos 133 eleitores, 108 foram nomeados por ele, o que representa 81% do total. Essa maioria reforça a possibilidade de um papa alinhado com suas reformas, como a ênfase na inclusão social, o combate à desigualdade e a abertura a questões contemporâneas. No entanto, nem todos os nomeados compartilham sua visão progressista, e divisões ideológicas persistem.

Durante as reuniões pré-conclave, os cardeais discutiram como manter as reformas de Francisco, incluindo o saneamento das finanças do Vaticano e o combate aos abusos sexuais. A escolha do novo papa será influenciada por esses debates, com nomes como Pietro Parolin, atual Secretário de Estado do Vaticano, sendo apontado como favorito por sua experiência diplomática. Outros, como o filipino Luis Antonio Tagle, são elogiados por sua proximidade com o público.

  • Reformas em pauta: Inclusão social e transparência financeira são prioridades.
  • Parolin em destaque: Diplomata italiano lidera apostas com 30% de chance.
  • Tagle como opção: Cardeal filipino é visto como carismático e acessível.
  • Zuppi na disputa: Italiano de 69 anos representa ala progressista.
  • Pizzaballa em ascensão: Patriarca de Jerusalém ganha força por diálogo inter-religioso.

Ritmo e simbolismo do processo

A eleição papal segue um ritual milenar, iniciado com a missa Pro Eligendo Pontifice, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re. Às 16h30 de 7 de maio, hora local, os cardeais entraram na Capela Sistina para a primeira votação, após o tradicional “extra omnes”, que expulsa não participantes. As cédulas, queimadas após cada rodada, produzem fumaça preta ou branca, sinalizando o progresso da escolha.

O simbolismo da Capela Sistina, com os afrescos de Michelangelo, reforça a solenidade do momento. Os cardeais, vestidos com túnicas vermelhas e cruzes peitorais, fazem um juramento em latim, prometendo sigilo absoluto. A primeira votação, realizada no dia de abertura, é simbólica, servindo para testar nomes antes das rodadas mais decisivas. A partir do segundo dia, até quatro votações ocorrem diariamente, com pausas estratégicas se necessário.

A preparação do Vaticano incluiu medidas como bloqueadores de sinal telefônico e a instalação de cortinas na varanda da Basílica de São Pedro, onde o novo papa será anunciado. A frase “Habemus Papam” marcará o fim do processo, seguida pela aparição do pontífice na Praça de São Pedro, onde milhares de fiéis aguardam.

Papáveis e apostas globais

A escolha do novo papa mobiliza não apenas os cardeais, mas também observadores e casas de apostas. Plataformas como a Polymarket apontam Pietro Parolin com 30% de chance, seguido por Luis Antonio Tagle (19%), Matteo Zuppi (11%) e Pierbattista Pizzaballa (9%). O ganês Peter Turkson, cotado com 8%, poderia se tornar o primeiro pontífice africano da era moderna.

Cada candidato traz um perfil único. Parolin, com 70 anos, é conhecido por sua habilidade diplomática, enquanto Tagle, de 67, destaca-se pelo carisma e defesa da justiça social. Zuppi, arcebispo de Bolonha, representa a ala progressista, e Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, é elogiado por mediar conflitos no Oriente Médio. A escolha dependerá de negociações intensas na Casa Santa Marta, onde os cardeais trocam ideias durante as refeições.

  • Negociações discretas: Refeições na Casa Santa Marta são momento-chave.
  • Parolin diplomático: Experiência no Vaticano o coloca à frente.
  • Tagle carismático: Filipino pode atrair votos por proximidade.

Pressão por unidade

Os cardeais enfrentam a pressão de projetar unidade em um momento de divisões internas. Francisco enfrentou resistência de alas conservadoras, como em 2016, quando quatro clérigos questionaram sua abertura a divorciados recasados. Figuras como o americano Raymond Burke, de 76 anos, representam essa oposição, mas são minoria. O “centrão”, composto por moderados, deve definir o resultado, buscando um papa que equilibre continuidade e estabilidade.

As reuniões pré-conclave, chamadas congregações gerais, reforçaram a necessidade de um líder pastoral, próximo do povo. Os cardeais expressaram preocupação com conflitos globais, como as guerras na Ucrânia e em Gaza, e defenderam o papel da Igreja como mediadora. A escolha de um papa que una diferentes visões será crucial para manter a relevância do catolicismo em um mundo polarizado.

Logística e sigilo

A organização do conclave envolve detalhes minuciosos. Cerca de cem funcionários, como tradutores e motoristas, prestaram juramento de silêncio. Os quartos na Casa Santa Marta foram sorteados pelo camerlengo Kevin Farrell, e bloqueadores de sinal garantem o isolamento. A Capela Sistina, fechada ao público desde 28 de abril, foi preparada com uma chaminé para a queima das cédulas.

O sigilo é uma marca do processo. Os cardeais entregaram seus celulares antes de entrar na Casa Santa Marta, e as janelas dos quartos foram seladas. Postagens em redes sociais, como as do cardeal chileno Fernando Chomali, que lavava sua camisa para o evento, cessaram com o início do isolamento. A comunicação com o exterior é proibida até o anúncio do novo papa.

  • Isolamento total: Celulares confiscados e janelas seladas.
  • Chaminé histórica: Instalada na Capela Sistina para fumaça.
  • Funcionários juramentados: Cem pessoas garantem sigilo.
  • Quartos sorteados: Cardeais ficam na Casa Santa Marta.

Expectativa na Praça de São Pedro

Milhares de fiéis e turistas lotam a Praça de São Pedro, aguardando o desfecho do conclave. A fumaça, observada a cada rodada, mantém a multidão atenta. Em 7 de maio, a primeira votação atraiu cerca de 45 mil pessoas, segundo o Vaticano. A espera reflete a ansiedade global pela escolha de um líder que enfrente desafios como a secularização no Ocidente e o crescimento do catolicismo na África e Ásia.

A eleição de 2025 ocorre em um contexto de transformação. A Igreja busca um papa que mantenha as reformas de Francisco, como o Dia Mundial dos Pobres, e enfrente questões como o declínio de fiéis na Europa. A diversidade do colégio eleitoral, com 39% de europeus contra 52% em 2013, sinaliza uma Igreja mais global, mas também mais complexa.

Influência do filme na cultura

O sucesso de Conclave vai além do Vaticano. Desde a morte de Francisco, o filme tornou-se o mais assistido na Prime Video, atraindo curiosos sobre o processo papal. A obra, indicada a oito Oscars, mistura ficção e realidade, mas sua precisão em detalhes como o lacre do quarto do papa falecido e a destruição de seu anel impressionou até clérigos. A recriação da “Sala das Lágrimas”, onde o novo papa veste as vestes papais, foi outro ponto elogiado.

A popularidade do longa reflete o fascínio pelo conclave, um ritual que combina tradição e mistério. Enquanto os cardeais votam, o filme continua a moldar a percepção pública sobre a eleição, oferecendo uma visão dramatizada, mas fundamentada, de um dos eventos mais sigilosos do mundo.

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